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Qualquer coisa🤡🤡

Fandom: Júnior Express

Criado: 05/01/2026

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DramaAngústiaSuspenseCrimePsicológicoSombrioTragédiaGravidez Não Planejada/Indesejada
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Um Adeus Silencioso


O sol pintava as nuvens de um laranja vibrante, um espetáculo diário que o Monotrilho Júnior Express parecia carregar consigo, como uma promessa de novos horizontes. No entanto, naquele dia, a beleza do pôr do sol era um contraste cruel com a atmosfera pesada que pairava sobre os trilhos. Um novo passageiro havia embarcado algumas estações atrás, um homem de semblante fechado e um olhar que parecia carregar a melancolia de um passado não resolvido. Seu nome era Victor.

No início, Victor tentou ser cordial com a tripulação, embora uma tensão sutil o acompanhasse. Ele respondia aos cumprimentos de Harmony com um sorriso forçado, aceitava os petiscos de Francis com um aceno de cabeça e até arriscava um "boa música" para a banda, que tocava um ritmo animado no vagão principal. Mas havia uma pessoa em particular com quem ele evitava contato visual, e quando o fazia, um arrepio percorria a espinha de quem observava. Essa pessoa era Lila, a condutora do Monotrilho, embora ninguém a chamasse assim.

Lila, com sua energia contagiante e seu sorriso fácil, sentiu a presença de Victor como um prenúncio de tempestade. Ela o reconheceu imediatamente. Victor era um fantasma de um relacionamento que ela havia deixado para trás há muito tempo, um amor juvenil que se desfez em meio a expectativas não correspondidas e caminhos divergentes. Ele, no entanto, nunca superou o término.

Uma tarde, enquanto o Monotrilho cortava a paisagem verdejante, Victor abordou Lila na plataforma de observação. O ar estava carregado de expectativas não ditas.

“Lila”, ele começou, a voz um pouco rouca. “Precisamos conversar.”

Lila suspirou, o coração apertando. Ela sabia o que viria. “Victor, não há nada para conversar. Já faz muito tempo.”

“Mas para mim, não”, ele retrucou, dando um passo em sua direção. “Eu nunca te esqueci, Lila. Eu sinto sua falta todos os dias. Podemos tentar de novo?”

Lila balançou a cabeça, os olhos marejados. “Não, Victor. Eu segui em frente. Você também deveria.”

Ele insistiu, a voz embargada pela emoção. “Por favor, Lila. Eu mudei. Eu posso ser o homem que você sempre quis.”

“Não é sobre você mudar, Victor. É sobre nós. Não existe mais ‘nós’.” As palavras saíram mais duras do que ela pretendia, mas ela precisava ser firme.

Victor a olhou com uma mistura de dor e raiva. Ele tentou mais algumas vezes, argumentando, implorando, mas Lila permaneceu irredutível. Finalmente, ele desistiu, mas não partiu. Ele permaneceu no Monotrilho, uma sombra silenciosa que observava cada passo de Lila.

Os dias se arrastaram, e a presença de Victor era uma nuvem escura sobre o Monotrilho. Lila tentava ignorá-lo, focando em suas tarefas e na alegria de estar com seus amigos. Topa, o capitão e cantor, era seu porto seguro. A cada sorriso dele, a cada canção que ele dedicava à tripulação, Lila encontrava um alívio para a tensão que a cercava.

Certa tarde, enquanto Topa e Lila conversavam na cabine de controle, um assunto delicado surgiu. Lila havia sentido um leve volume na barriga nos últimos dias, uma sensação que ela atribuía a um mal-estar passageiro ou talvez a alguma comida diferente que Arnoldo havia preparado.

“Você está bem, Lila? Parece um pouco pálida”, Topa perguntou, a preocupação em sua voz.

“Estou sim, Topa. Só um leve enjoo, e sinto um volume estranho na barriga. Deve ser algo que comi”, ela respondeu, rindo levemente.

Topa a abraçou, sem dar muita importância à observação. “Deve ser. Arnoldo anda experimentando umas receitas novas, sabe como é.”

Nenhum dos dois, em sua inocência e na correria do dia a dia, desconfiou de uma possível gravidez. Eram duas mulas, como diriam mais tarde, que não perceberam os sinais que a vida lhes enviava.

Victor, que passava pelo corredor, ouviu a conversa. Um lampejo de esperança, distorcido e doentio, acendeu-se em seus olhos. Será que Lila estava se sentindo mal por causa dele? Será que ela ainda o amava? Sua mente, já turva pela obsessão, começou a construir fantasias perigosas.

Dias depois, Victor decidiu tentar uma última vez. Ele foi até a cabine de controle, na esperança de encontrar Lila sozinha e convencê-la a reconsiderar. Mas o que ele viu o atingiu como um raio.

Lá estavam Topa e Lila, envoltos em um beijo apaixonado. As mãos de Topa acariciavam o rosto de Lila, e os olhos dela estavam fechados, um sorriso genuíno nos lábios. Era um beijo que transbordava amor, carinho e uma cumplicidade que Victor nunca havia compartilhado com Lila.

O mundo de Victor desabou. A raiva o consumiu, uma fúria cega que distorceu sua visão. Se ele não podia ter Lila, ninguém mais poderia. Esse pensamento, sombrio e cruel, plantou-se em sua mente e começou a germinar em um plano terrível.

Ele se afastou da cabine de controle, o coração batendo descompassadamente, o sangue fervendo nas veias. A visão deles juntos era uma tortura, um lembrete constante do que ele havia perdido e do que nunca teria.

Naquela noite, a escuridão engoliu o Monotrilho, e com ela, a sanidade de Victor. Ele esperou o momento certo, quando o Monotrilho estivesse em um trecho mais isolado, e a maioria da tripulação estivesse dormindo.

Lila estava em seu posto, concentrada nos controles, os olhos fixos nos trilhos à frente. Ela sentia um cansaço incomum, uma sonolência que a acompanhava há alguns dias. De repente, uma sombra surgiu atrás dela.

“Lila”, a voz de Victor soou fria e cortante, um contraste assustador com a melodia suave do Monotrilho.

Lila se virou, assustada. “Victor! O que você está fazendo aqui?”

“Vim pegar o que é meu”, ele disse, os olhos fixos nela com uma intensidade perturbadora. Em sua mão, um brilho metálico se destacava na penumbra da cabine. Era uma faca, afiada e ameaçadora.

O coração de Lila disparou. “Victor, por favor! Não faça isso!”

Mas a razão havia abandonado Victor. Ele avançou, a raiva distorcendo suas feições. “Se eu não posso ter você, ninguém mais terá!”

Lila tentou se defender, mas ele era mais forte, impulsionado por uma fúria irracional. A faca brilhou no ar e, em um instante, atingiu Lila. Uma dor aguda e lancinante a atravessou, e ela caiu no chão, o sangue manchando o uniforme.

Victor a olhou, a respiração ofegante, os olhos arregalados. Por um breve momento, um lampejo de horror e arrependimento cruzou seu rosto, mas foi rapidamente substituído pela escuridão. Ele fugiu, deixando Lila caída e sangrando.

O som abafado da queda de Lila, seguido por um gemido fraco, despertou Topa, que dormia em seu beliche no vagão adjacente. Ele se levantou abruptamente, o coração apertado por uma premonição sombria.

“Lila?!” ele chamou, mas não houve resposta.

Ele correu para a cabine de controle, a apreensão crescendo a cada passo. O que ele viu o fez parar, o ar preso em seus pulmões. Lila estava caída no chão, uma poça de sangue se espalhava sob ela.

“Lila! Não! O que aconteceu?!” Topa se ajoelhou ao lado dela, as mãos tremendo enquanto tentava estancar o sangramento.

Ele gritou por ajuda, sua voz ecoando pelos vagões. “AJUDA! ALGUÉM! AJUDA!”

Harmony, que estava em seu turno noturno, ouviu o grito. A palavra "ajuda" era o seu chamado. Ela correu para a cabine, o rosto pálido ao ver a cena.

“Oh, meu Deus! Lila!” Harmony se aproximou, avaliando a situação com sua calma habitual, apesar do choque. “Topa, precisamos de compressas! E temos que avisar a próxima estação!”

Os gritos de Topa e a comoção na cabine de controle acordaram o resto da tripulação. Carlos, Bob Ronaldo, Bob Roberto, Josefina, Arnoldo, Francis e Natalio, todos correram para ver o que estava acontecendo. O pânico se instalou.

“O que houve?!” Carlos perguntou, os olhos arregalados.

“Lila… ela foi atacada!” Topa respondeu, sua voz embargada.

Francis, que tinha uma pequena caixa de primeiros socorros, rapidamente trouxe algumas gazes e ataduras. Arnoldo, apesar de sua rigidez habitual, estava visivelmente abalado. Josefina chorava, Natalio, com sua memória falha, parecia confuso antes de entender a gravidade da situação.

Harmony, com sua eficiência, já havia contatado a próxima estação, informando sobre a emergência e solicitando uma equipe médica. Por uma sorte divina, a próxima parada era uma cidade grande com um hospital bem equipado.

O Monotrilho acelerou, a urgência da situação impulsionando-o. Os minutos pareciam horas enquanto a tripulação tentava manter Lila consciente, Topa segurando sua mão, sussurrando palavras de encorajamento.

“Aguenta firme, Lila. Você vai ficar bem. Por favor, aguenta firme.”

Lila estava pálida, a respiração fraca, mas seus olhos encontraram os de Topa, um brilho de amor e dor misturados.

Quando o Monotrilho finalmente parou na estação, uma equipe médica já esperava. Eles agiram rapidamente, levando Lila em uma maca, enquanto Topa e o resto da tripulação observavam, impotentes.

No hospital, a sala de espera era um silêncio angustiante. A tripulação do Júnior Express estava reunida, cada um em seus próprios pensamentos sombrios. Topa andava de um lado para o outro, as mãos nos cabelos, a culpa e o medo o consumindo.

“Quem faria uma coisa dessas?” Bob Ronaldo perguntou, a voz embargada.

“Foi aquele homem, o Victor”, Francis disse, a voz cheia de raiva. “Ele estava obcecado pela Lila.”

Harmony tentou acalmar Topa. “Ela é forte, Topa. Ela vai sair dessa.”

Horas se passaram, intermináveis e cheias de incerteza. Finalmente, um médico se aproximou, o rosto cansado.

“Ela está estável, mas a cirurgia foi delicada. A facada atingiu um órgão vital, mas conseguimos conter o sangramento. Ela ainda está em estado grave, mas fora de perigo imediato.”

Um suspiro de alívio coletivo preencheu a sala. Mas o médico continuou, sua voz um pouco mais séria.

“Há algo mais que precisamos discutir, mas não neste momento. Por enquanto, ela precisa de repouso absoluto. A recuperação será longa e difícil.”

A tripulação acenou com a cabeça, gratos por Lila estar viva. Ninguém perguntou sobre o “algo mais”. Eles estavam exaustos, emocionalmente drenados, e a notícia de que Lila sobreviveria era tudo o que importava naquele instante.

O médico, em sua análise minuciosa, havia descoberto algo que mudaria a vida de Lila e Topa para sempre. Mas ele, sabiamente, decidiu guardar essa informação para um momento mais oportuno, quando Lila estivesse mais forte para enfrentar a verdade. A gravidez de Lila, ainda um segredo, pairava como um destino incerto, um futuro que poderia ser de alegria ou de dor, dependendo do que o destino reservava.

A noite se estendeu, e o Monotrilho Júnior Express permaneceu parado na estação, um silêncio ensurdecedor preenchendo seus vagões. O brilho das estrelas parecia menos intenso, e a melodia alegre que sempre o acompanhava havia sido substituída por um luto silencioso, um adeus que ainda não havia sido pronunciado, mas que pairava no ar como uma promessa sombria.
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