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As férias que mudaram a minha vida
Fandom: Letícia e Matheus
Criado: 29/01/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaCiúmesRealismoEstudo de PersonagemHistória DomésticaLirismoFatias de VidaFofuraHumor
Verão em Noronha: O Início do Fim?
O sol beijava a pele de Letícia, aquecendo-a com a promessa de um verão inesquecível. Seus olhos verdes, emoldurados por cílios longos, fitavam o azul infinito do oceano Atlântico pela janela do avião. Um sorriso maroto brincava em seus lábios, disfarçando a ansiedade que sentia. Fernando de Noronha. O palco de suas paixões de verão, onde a cada ano ela e Matheus se reencontravam para viver um romance efêmero, mas intenso. Este ano, porém, algo parecia diferente. Uma pontada de expectativa, misturada com um receio sutil, a acompanhava desde que embarcou no Rio.
Ao seu lado, Thomas, seu irmão mais novo, já dormia profundamente, a cabeça encostada no ombro dela. Thomas era o típico irmão protetor, mas também seu confidente e cúmplice em muitas aventuras. Guilherme, o amigo de infância, estava na poltrona da frente, imerso em seu celular, provavelmente trocando mensagens com alguma das muitas "influencers" que faziam parte do seu círculo social. Letícia riu baixinho. Aquele grupo era uma mistura peculiar de personalidades, mas a amizade entre eles era inabalável, forjada desde os tempos de colégio.
A aterrissagem foi suave, e o calor familiar de Noronha envolveu Letícia como um abraço. O cheiro de sal e protetor solar preenchia o ar, uma trilha sonora para as memórias que estavam prestes a ser criadas. Ou reescritas.
"Chegamos, maninha! Hora de acordar o preguiçoso do Thomas", disse Guilherme, cutucando o amigo.
Thomas resmungou, mas logo se espreguiçou, os olhos ainda sonolentos. "Já? Achei que ia ser uma viagem eterna."
"Para você, que dormiu a maior parte dela, claro", Letícia brincou, dando um tapa leve no braço dele.
O táxi os levou por estradas sinuosas, ladeadas por vegetação exuberante e vistas panorâmicas de tirar o fôlego. A casa de veraneio, um luxuoso refúgio à beira-mar, parecia ainda mais convidativa do que ela se lembrava. As paredes brancas contrastavam com o telhado de telha e a piscina azul-turquesa que parecia se fundir com o oceano.
"Quem será que já chegou?", perguntou Thomas, animado.
"Não sei, mas espero que a geladeira esteja abastecida", respondeu Guilherme, já pensando nas guloseimas.
Letícia sentiu um frio na barriga. Matheus já estaria lá? Ela sabia que os pais deles não viriam este ano, dando-lhes liberdade total para o que quer que o verão lhes reservasse. Essa era a grande novidade, a peça que mudava o jogo. Sem a vigilância adulta, o que poderia acontecer?
Ao abrir a porta da casa, foram recebidos por uma algazarra de vozes e risadas. O grupo já estava em peso, espalhado pela sala de estar e pela área da piscina. Seus olhos varreram o ambiente, procurando por ele. E lá estava. Matheus. Sentado na beira da piscina, conversando animadamente com Rafaela Fratti, uma das influencers mais populares da turma. O coração de Letícia deu um salto, mas a visão de Rafaela, com seu biquíni minúsculo e sorriso sedutor, fez uma pontada de ciúme surgir.
"Lê! Thomas! Gui! Que bom que vocês chegaram!", gritou Soso, correndo para abraçá-los. Soso era a alma do grupo, sempre alegre e acolhedora.
"E aí, gente! Saudade de todo mundo!", disse Thomas, retribuindo o abraço.
Letícia se permitiu ser abraçada por todos, mas seus olhos continuavam fixos em Matheus. Ele a notou, claro. Seus olhares se cruzaram por um breve instante, e Letícia esperou por aquele sorriso, aquele brilho nos olhos que sempre a fazia derreter. Mas não veio. Apenas um aceno de cabeça casual, quase imperceptível, antes de voltar a conversar com Rafaela.
Aquele gesto, ou a falta dele, atingiu Letícia como um balde de água fria. O que estava acontecendo? Aquele não era o Matheus que ela conhecia.
"Vou deixar as malas e já volto", ela murmurou para Thomas e Guilherme, sentindo a necessidade de se afastar um pouco.
Subiu as escadas, o coração batendo descompassadamente. O quarto que dividia com Soso e Juh Petroni estava impecável. Jogou a mala no chão e se aproximou da janela, observando a piscina lá embaixo. Matheus ainda estava lá, rindo com Rafaela. Uma onda de raiva e frustração a invadiu.
"O que diabos está acontecendo?", ela sussurrou para si mesma.
Ouviu batidas na porta e a voz de Soso. "Lê, tudo bem? Você sumiu."
Letícia abriu a porta, forçando um sorriso. "Tudo sim, Soso. Só queria me refrescar um pouco. A viagem foi longa."
"Vem para a piscina! A água está uma delícia!", chamou Soso, animada.
Letícia desceu, tentando agir com naturalidade. Cumprimentou todos os outros amigos: Júlia Pimentel, Gabriele, Dudinha Duda, Maísa, e os meninos: Luís Macedo, Berto, Michel, João Pedro, Edu, Cauã Souza. Todos pareciam felizes, descontraídos, exceto ela.
Matheus finalmente se levantou da beira da piscina e se aproximou do grupo, mas não de Letícia. Ele estava diferente, mais distante. Seus olhos verdes, que antes a devoravam, agora pareciam evitá-la.
"E aí, gente! Que bom que chegaram!", disse Matheus, sua voz soando estranhamente formal.
"E aí, Linda", Letícia respondeu, forçando um sorriso. O apelido, que costumava ser um segredo íntimo entre eles, agora soava estranho em sua própria boca.
Matheus apenas acenou com a cabeça, sem retribuir o apelido. Ele se virou para conversar com Edu, ignorando a presença dela. Letícia sentiu um nó na garganta.
Mais tarde, enquanto todos se preparavam para o jantar, Letícia tentou se aproximar dele novamente. Ela o encontrou na cozinha, pegando uma bebida na geladeira.
"Matheus, a gente pode conversar um minuto?", ela perguntou, a voz um pouco embargada.
Ele se virou, os olhos verdes finalmente fixando-se nos dela, mas não com o calor de sempre. Havia uma frieza, uma barreira que ela nunca tinha visto antes.
"Conversar sobre o quê, Letícia?", ele disse, usando seu nome completo. O alerta vermelho piscou na cabeça de Letícia. Ele só a chamava de Letícia quando estava bravo.
"Por que você está me ignorando, Matheus? O que aconteceu?", ela perguntou, a voz um pouco mais alta do que pretendia.
Ele suspirou, um suspiro pesado, como se estivesse cansado. "Você sabe muito bem o que aconteceu, Letícia."
"Não, eu não sei! Se eu soubesse, não estaria perguntando!", ela retrucou, a raiva começando a borbulhar.
"Não se faça de desentendida. Eu sei que você beijou aquele cara na festa da Carol", ele disse, a voz baixa e carregada de mágoa.
Letícia arregalou os olhos. "O quê? Do que você está falando? Eu não beijei ninguém na festa da Carol!"
"Não minta pra mim, Letícia. Eu tenho meus informantes", ele disse, os olhos fixos nos dela, sem um pingo de dúvida.
"Informantes? Você está louco, Matheus? Quem te disse uma bobagem dessas?", ela perguntou, incrédula.
"Não importa quem disse. Eu acredito em quem me disse", ele respondeu, com uma firmeza que a assustou.
"Você acreditou em uma fofoca de alguém que nem conhecemos direito, ao invés de perguntar para mim? Para mim, Matheus? Depois de tudo que a gente viveu?", a voz de Letícia falhou.
"Não vivemos nada, Letícia. São apenas os nossos 'verões'. Nada mais", ele disse, de forma cortante.
Aquela frase a atingiu mais forte do que qualquer acusação. "Então é isso? É por isso que você está agindo assim? Porque acha que eu te traí com um cara que nem existe e porque acha que o que a gente tem não significa nada?", ela disse, as lágrimas ameaçando escorrer.
"Eu não sei o que pensar, Letícia. Só sei que estou decepcionado", ele disse, se virando para sair da cozinha.
"Matheus! Espera! Fagundes, volta aqui!", Letícia gritou, usando o apelido que ela só usava quando estava realmente furiosa.
Ele parou na porta, mas não se virou. "Não me chame assim, Letícia."
"Eu te chamo como eu quiser, seu idiota! Você preferiu acreditar em uma mentira do que em mim!", ela gritou, as lágrimas rolando livremente pelo seu rosto.
Ele finalmente se virou, os olhos verdes faiscando de raiva. "Não me ofenda, Letícia."
"E você, não me acuse de algo que eu não fiz! Eu não beijei ninguém! Eu juro pra você!", ela implorou, a voz embargada.
"Não adianta, Letícia. Eu já ouvi o suficiente", ele disse, e saiu da cozinha, deixando-a sozinha e despedaçada.
Letícia se encostou na parede, o corpo tremendo. As lágrimas lavavam seu rosto, misturando-se com a raiva e a incredulidade. Como ele pôde acreditar em uma fofoca tão descabida? Como ele pôde duvidar dela, depois de tantos verões, tantas risadas, tantos beijos?
O jantar foi um tormento para Letícia. Ela tentou disfarçar a tristeza, forçando sorrisos e participando das conversas, mas seus olhos sempre voltavam para Matheus. Ele estava rindo, brincando com os outros, como se nada tivesse acontecido. Como se o coração dela não estivesse em pedaços.
Thomas, percebendo o silêncio e a expressão de Letícia, se aproximou dela. "O que foi, maninha? Você está estranha."
"Nada, Thomas. Só estou um pouco cansada", ela mentiu, engolindo em seco.
Guilherme, que era mais perspicaz, também notou a tensão. Ele viu Matheus a ignorando e a tristeza nos olhos de Letícia.
"Aconteceu alguma coisa entre vocês dois?", ele perguntou, baixinho, para que só Letícia pudesse ouvir.
Letícia balançou a cabeça, sem conseguir falar.
"Depois a gente conversa", Guilherme disse, com um olhar de preocupação.
A noite se arrastou, e Letícia se sentia cada vez mais isolada. Os outros amigos estavam animados, curtindo a primeira noite em Noronha, mas ela só conseguia pensar na acusação de Matheus e na frieza de seus olhos.
Quando todos se recolheram para seus quartos, Letícia se sentiu mais sozinha do que nunca. Soso e Juh Petroni já dormiam, e ela não queria acordá-las com sua angústia. Pegou o celular e digitou uma mensagem para Matheus, mas apagou antes de enviar. O que ela diria? Ele não queria ouvi-la.
Ela se deitou na cama, mas o sono não vinha. As palavras de Matheus ecoavam em sua mente, repetindo-se sem parar. "Não vivemos nada, Letícia. São apenas os nossos 'verões'. Nada mais."
Será que era verdade? Será que para ele, tudo o que eles tinham era apenas uma brincadeira de verão? Uma aventura sem compromisso? Para ela, era muito mais. Era o reencontro de almas, a chama que reacendia a cada ano, a promessa de um amor que poderia se tornar real.
As primeiras horas em Fernando de Noronha, que deveriam ser cheias de alegria e expectativa, haviam se transformado em um pesadelo. O verão mal havia começado, e o romance entre Letícia e Matheus parecia já estar à beira do fim. E o pior: por causa de uma mentira. Uma mentira que ele preferiu acreditar.
Ao seu lado, Thomas, seu irmão mais novo, já dormia profundamente, a cabeça encostada no ombro dela. Thomas era o típico irmão protetor, mas também seu confidente e cúmplice em muitas aventuras. Guilherme, o amigo de infância, estava na poltrona da frente, imerso em seu celular, provavelmente trocando mensagens com alguma das muitas "influencers" que faziam parte do seu círculo social. Letícia riu baixinho. Aquele grupo era uma mistura peculiar de personalidades, mas a amizade entre eles era inabalável, forjada desde os tempos de colégio.
A aterrissagem foi suave, e o calor familiar de Noronha envolveu Letícia como um abraço. O cheiro de sal e protetor solar preenchia o ar, uma trilha sonora para as memórias que estavam prestes a ser criadas. Ou reescritas.
"Chegamos, maninha! Hora de acordar o preguiçoso do Thomas", disse Guilherme, cutucando o amigo.
Thomas resmungou, mas logo se espreguiçou, os olhos ainda sonolentos. "Já? Achei que ia ser uma viagem eterna."
"Para você, que dormiu a maior parte dela, claro", Letícia brincou, dando um tapa leve no braço dele.
O táxi os levou por estradas sinuosas, ladeadas por vegetação exuberante e vistas panorâmicas de tirar o fôlego. A casa de veraneio, um luxuoso refúgio à beira-mar, parecia ainda mais convidativa do que ela se lembrava. As paredes brancas contrastavam com o telhado de telha e a piscina azul-turquesa que parecia se fundir com o oceano.
"Quem será que já chegou?", perguntou Thomas, animado.
"Não sei, mas espero que a geladeira esteja abastecida", respondeu Guilherme, já pensando nas guloseimas.
Letícia sentiu um frio na barriga. Matheus já estaria lá? Ela sabia que os pais deles não viriam este ano, dando-lhes liberdade total para o que quer que o verão lhes reservasse. Essa era a grande novidade, a peça que mudava o jogo. Sem a vigilância adulta, o que poderia acontecer?
Ao abrir a porta da casa, foram recebidos por uma algazarra de vozes e risadas. O grupo já estava em peso, espalhado pela sala de estar e pela área da piscina. Seus olhos varreram o ambiente, procurando por ele. E lá estava. Matheus. Sentado na beira da piscina, conversando animadamente com Rafaela Fratti, uma das influencers mais populares da turma. O coração de Letícia deu um salto, mas a visão de Rafaela, com seu biquíni minúsculo e sorriso sedutor, fez uma pontada de ciúme surgir.
"Lê! Thomas! Gui! Que bom que vocês chegaram!", gritou Soso, correndo para abraçá-los. Soso era a alma do grupo, sempre alegre e acolhedora.
"E aí, gente! Saudade de todo mundo!", disse Thomas, retribuindo o abraço.
Letícia se permitiu ser abraçada por todos, mas seus olhos continuavam fixos em Matheus. Ele a notou, claro. Seus olhares se cruzaram por um breve instante, e Letícia esperou por aquele sorriso, aquele brilho nos olhos que sempre a fazia derreter. Mas não veio. Apenas um aceno de cabeça casual, quase imperceptível, antes de voltar a conversar com Rafaela.
Aquele gesto, ou a falta dele, atingiu Letícia como um balde de água fria. O que estava acontecendo? Aquele não era o Matheus que ela conhecia.
"Vou deixar as malas e já volto", ela murmurou para Thomas e Guilherme, sentindo a necessidade de se afastar um pouco.
Subiu as escadas, o coração batendo descompassadamente. O quarto que dividia com Soso e Juh Petroni estava impecável. Jogou a mala no chão e se aproximou da janela, observando a piscina lá embaixo. Matheus ainda estava lá, rindo com Rafaela. Uma onda de raiva e frustração a invadiu.
"O que diabos está acontecendo?", ela sussurrou para si mesma.
Ouviu batidas na porta e a voz de Soso. "Lê, tudo bem? Você sumiu."
Letícia abriu a porta, forçando um sorriso. "Tudo sim, Soso. Só queria me refrescar um pouco. A viagem foi longa."
"Vem para a piscina! A água está uma delícia!", chamou Soso, animada.
Letícia desceu, tentando agir com naturalidade. Cumprimentou todos os outros amigos: Júlia Pimentel, Gabriele, Dudinha Duda, Maísa, e os meninos: Luís Macedo, Berto, Michel, João Pedro, Edu, Cauã Souza. Todos pareciam felizes, descontraídos, exceto ela.
Matheus finalmente se levantou da beira da piscina e se aproximou do grupo, mas não de Letícia. Ele estava diferente, mais distante. Seus olhos verdes, que antes a devoravam, agora pareciam evitá-la.
"E aí, gente! Que bom que chegaram!", disse Matheus, sua voz soando estranhamente formal.
"E aí, Linda", Letícia respondeu, forçando um sorriso. O apelido, que costumava ser um segredo íntimo entre eles, agora soava estranho em sua própria boca.
Matheus apenas acenou com a cabeça, sem retribuir o apelido. Ele se virou para conversar com Edu, ignorando a presença dela. Letícia sentiu um nó na garganta.
Mais tarde, enquanto todos se preparavam para o jantar, Letícia tentou se aproximar dele novamente. Ela o encontrou na cozinha, pegando uma bebida na geladeira.
"Matheus, a gente pode conversar um minuto?", ela perguntou, a voz um pouco embargada.
Ele se virou, os olhos verdes finalmente fixando-se nos dela, mas não com o calor de sempre. Havia uma frieza, uma barreira que ela nunca tinha visto antes.
"Conversar sobre o quê, Letícia?", ele disse, usando seu nome completo. O alerta vermelho piscou na cabeça de Letícia. Ele só a chamava de Letícia quando estava bravo.
"Por que você está me ignorando, Matheus? O que aconteceu?", ela perguntou, a voz um pouco mais alta do que pretendia.
Ele suspirou, um suspiro pesado, como se estivesse cansado. "Você sabe muito bem o que aconteceu, Letícia."
"Não, eu não sei! Se eu soubesse, não estaria perguntando!", ela retrucou, a raiva começando a borbulhar.
"Não se faça de desentendida. Eu sei que você beijou aquele cara na festa da Carol", ele disse, a voz baixa e carregada de mágoa.
Letícia arregalou os olhos. "O quê? Do que você está falando? Eu não beijei ninguém na festa da Carol!"
"Não minta pra mim, Letícia. Eu tenho meus informantes", ele disse, os olhos fixos nos dela, sem um pingo de dúvida.
"Informantes? Você está louco, Matheus? Quem te disse uma bobagem dessas?", ela perguntou, incrédula.
"Não importa quem disse. Eu acredito em quem me disse", ele respondeu, com uma firmeza que a assustou.
"Você acreditou em uma fofoca de alguém que nem conhecemos direito, ao invés de perguntar para mim? Para mim, Matheus? Depois de tudo que a gente viveu?", a voz de Letícia falhou.
"Não vivemos nada, Letícia. São apenas os nossos 'verões'. Nada mais", ele disse, de forma cortante.
Aquela frase a atingiu mais forte do que qualquer acusação. "Então é isso? É por isso que você está agindo assim? Porque acha que eu te traí com um cara que nem existe e porque acha que o que a gente tem não significa nada?", ela disse, as lágrimas ameaçando escorrer.
"Eu não sei o que pensar, Letícia. Só sei que estou decepcionado", ele disse, se virando para sair da cozinha.
"Matheus! Espera! Fagundes, volta aqui!", Letícia gritou, usando o apelido que ela só usava quando estava realmente furiosa.
Ele parou na porta, mas não se virou. "Não me chame assim, Letícia."
"Eu te chamo como eu quiser, seu idiota! Você preferiu acreditar em uma mentira do que em mim!", ela gritou, as lágrimas rolando livremente pelo seu rosto.
Ele finalmente se virou, os olhos verdes faiscando de raiva. "Não me ofenda, Letícia."
"E você, não me acuse de algo que eu não fiz! Eu não beijei ninguém! Eu juro pra você!", ela implorou, a voz embargada.
"Não adianta, Letícia. Eu já ouvi o suficiente", ele disse, e saiu da cozinha, deixando-a sozinha e despedaçada.
Letícia se encostou na parede, o corpo tremendo. As lágrimas lavavam seu rosto, misturando-se com a raiva e a incredulidade. Como ele pôde acreditar em uma fofoca tão descabida? Como ele pôde duvidar dela, depois de tantos verões, tantas risadas, tantos beijos?
O jantar foi um tormento para Letícia. Ela tentou disfarçar a tristeza, forçando sorrisos e participando das conversas, mas seus olhos sempre voltavam para Matheus. Ele estava rindo, brincando com os outros, como se nada tivesse acontecido. Como se o coração dela não estivesse em pedaços.
Thomas, percebendo o silêncio e a expressão de Letícia, se aproximou dela. "O que foi, maninha? Você está estranha."
"Nada, Thomas. Só estou um pouco cansada", ela mentiu, engolindo em seco.
Guilherme, que era mais perspicaz, também notou a tensão. Ele viu Matheus a ignorando e a tristeza nos olhos de Letícia.
"Aconteceu alguma coisa entre vocês dois?", ele perguntou, baixinho, para que só Letícia pudesse ouvir.
Letícia balançou a cabeça, sem conseguir falar.
"Depois a gente conversa", Guilherme disse, com um olhar de preocupação.
A noite se arrastou, e Letícia se sentia cada vez mais isolada. Os outros amigos estavam animados, curtindo a primeira noite em Noronha, mas ela só conseguia pensar na acusação de Matheus e na frieza de seus olhos.
Quando todos se recolheram para seus quartos, Letícia se sentiu mais sozinha do que nunca. Soso e Juh Petroni já dormiam, e ela não queria acordá-las com sua angústia. Pegou o celular e digitou uma mensagem para Matheus, mas apagou antes de enviar. O que ela diria? Ele não queria ouvi-la.
Ela se deitou na cama, mas o sono não vinha. As palavras de Matheus ecoavam em sua mente, repetindo-se sem parar. "Não vivemos nada, Letícia. São apenas os nossos 'verões'. Nada mais."
Será que era verdade? Será que para ele, tudo o que eles tinham era apenas uma brincadeira de verão? Uma aventura sem compromisso? Para ela, era muito mais. Era o reencontro de almas, a chama que reacendia a cada ano, a promessa de um amor que poderia se tornar real.
As primeiras horas em Fernando de Noronha, que deveriam ser cheias de alegria e expectativa, haviam se transformado em um pesadelo. O verão mal havia começado, e o romance entre Letícia e Matheus parecia já estar à beira do fim. E o pior: por causa de uma mentira. Uma mentira que ele preferiu acreditar.
