Fanfy
.studio
Carregando...
Imagem de fundo

nao tem

Fandom: harry potter, marotos

Criado: 17/02/2026

Tags

RomanceUA (Universo Alternativo)DramaAçãoLinguagem ExplícitaCenário CanônicoEstudo de Personagem
Índice

Gelo e Fogo

O gelo ainda estava liso, pré-jogo, iluminado pelos holofotes que faziam a arena de Montreal brilhar como uma joia valiosa. Esta noite marcava a final decisiva do campeonato mundial júnior de hóquei. Inglaterra versus França. E, mais especificamente, Remus Lupin versus Sirius Black, os novatos em destaque do ano, ambos também, que disputavam o Troféu Memorial Calder.

Remus ajustou o capacete, sentindo o peso familiar do equipamento de proteção sobre seu corpo, preparado para entrar em jogo. A arena vibrou assim que ambos os times de cada lado entraram deslizando pelo ringue, cada um se colocando em sua devida posição.

O apito soou, e o disco foi lançado ao centro do gelo. Remus, com sua postura alta e elegante, impulsionou-se para a frente, o stick firmemente em suas mãos. Seus olhos castanhos, geralmente calmos, ardiam com uma intensidade focada. Ele sabia o que estava em jogo. Não apenas o troféu para a Inglaterra, mas também sua própria honra contra o irritante, charmoso e exasperante Sirius Black.

Sirius, com seu cabelo preto longo e ondulado esvoaçando ligeiramente sob o capacete, já estava em movimento. Ele era uma força da natureza no gelo, ágil e imprevisível. Seus olhos cinzentos, sempre com um brilho malicioso, fixaram-se em Remus.

Ambos os jogadores patinaram em direção ao disco com uma sincronia quase predatória. O som dos patins cortando o gelo era o único audível nos primeiros segundos, antes que a multidão explodisse em um rugido. Remus esticou o stick, tentando antecipar o movimento de Sirius. Ele conhecia os truques de Black, ou pelo menos, a maioria deles.

Sirius, no entanto, tinha uma nova surpresa. Em vez de ir diretamente para o disco, ele fez um movimento lateral inesperado, esbarrando no ombro de Remus com uma força calculada. Não foi o suficiente para derrubá-lo, mas foi o bastante para desequilibrá-lo por um instante precioso.

– Bom dia, Licantropo – a voz de Sirius, abafada pelo capacete, mas ainda assim carregada de um tom divertido, chegou aos ouvidos de Remus.

Remus rosnou em resposta, recuperando o equilíbrio e batendo o stick no gelo em frustração. Sirius aproveitou a distração momentânea e conseguiu a posse do disco. O público francês explodiu em aplausos.

O jogo seguiu um ritmo frenético. Sirius era uma praga no gelo, uma sombra irritante que Remus não conseguia se livrar. A cada oportunidade, Black encontrava uma maneira de provocá-lo. Um empurrão desnecessário após um apito, um golpe de stick que roçava a perna de Remus, um olhar sugestivo que ele sabia que só Remus entenderia.

A irritação de Remus crescia a cada minuto. Ele tentava ignorar, focar no jogo, mas Sirius era um mestre em penetrar suas defesas. Em um momento particularmente tenso, enquanto disputavam o disco perto da barreira, Sirius se virou rapidamente, e em vez de um movimento de stick, ele lançou um beijo no ar, diretamente para Remus.

Um calor subiu pelo rosto de Remus, não de vergonha, mas de pura fúria. Ele sentiu o sangue ferver em suas veias. O que Sirius estava pensando? Eles estavam no meio de uma final de campeonato mundial!

A distração foi fatal. Enquanto Remus processava o atrevimento de Sirius, um jogador francês, que havia se aproveitado da confusão, roubou o disco e, em um movimento rápido, marcou um gol.

O placar acendeu: França 1, Inglaterra 0.

Remus sentiu um nó na garganta. Ele havia perdido o gol. Havia perdido o gol por causa de Sirius. A raiva o consumiu. Ele patinou até o banco, sua respiração pesada, os olhos fixos na figura de Sirius, que estava comemorando o gol com seus companheiros de equipe, um sorriso presunçoso no rosto.

O resto do jogo foi um borrão de frustração para Remus. Ele jogou com mais agressividade do que o normal, sua raiva direcionada a cada movimento. Mas não foi o suficiente. A França, impulsionada pelo gol inicial e pela performance estelar de Sirius, manteve a vantagem.

O apito final soou, e o placar confirmava a vitória da França por 3 a 2. A Inglaterra havia perdido. Remus sentiu o peso da derrota esmagá-lo. A imagem do beijo de Sirius e do gol perdido se repetia em sua mente.

A cerimônia de cumprimentos entre os jogadores começou. Remus, com a cabeça baixa, seguiu a linha, apertando as mãos dos jogadores franceses, oferecendo parabéns vazios. Quando chegou a vez de Sirius, Remus hesitou por um instante. Seus olhos se encontraram. O sorriso de Sirius havia desaparecido, substituído por uma expressão que Remus não conseguia decifrar.

Sirius apertou a mão de Remus com força, os dedos de ambos se apertando. Ele se inclinou, e sua voz, um sussurro rouco, chegou aos ouvidos de Remus, abafada pelo barulho da multidão.

– Quarto 307.

Remus sentiu um choque elétrico percorrer seu corpo. A raiva que ele havia reprimido durante todo o jogo explodiu. Ele soltou a mão de Sirius abruptamente e se afastou, sua expressão endurecida.

Enquanto Sirius se afastava com um sorriso sutil, Remus sentiu o calor da fúria. Ele sabia que não deveria ir. Ele sabia que era uma armadilha. Mas a ideia de deixar Sirius se safar com tudo aquilo, de tê-lo provocado, o feito perder um gol crucial, e ainda ter a audácia de convidá-lo para seu quarto, era insuportável.

Após as formalidades pós-jogo, Remus se dirigiu ao vestiário. Ele trocou de roupa em um silêncio sombrio, ignorando os olhares de seus companheiros de equipe. Sua mente estava em turbulência. Ele precisava de uma briga. Precisava de uma discussão. Precisava de Sirius.

Com a decisão tomada, Remus saiu do vestiário e se dirigiu ao elevador. O número 307 ecoava em sua mente. O hotel da equipe francesa era o mesmo que o da equipe inglesa, por questões de segurança e logística.

Ele bateu na porta do quarto 307 com mais força do que o necessário. A porta se abriu quase imediatamente, revelando Sirius, que já estava sem a camisa do time, vestindo apenas uma calça de moletom. Seu cabelo estava um pouco desgrenhado, e havia um brilho nos olhos que Remus conhecia muito bem.

– Achei que não viria – disse Sirius, um sorriso lento se formando em seus lábios.

– O que você estava pensando, Black? – Remus explodiu, empurrando a porta para abrir e entrando no quarto. – Um beijo no meio do jogo? Você me fez perder um gol!

Sirius fechou a porta atrás de Remus, a mão ainda apoiada na madeira. Ele se virou, a expressão agora séria, mas ainda com aquele brilho perigoso nos olhos.

– Foi para te tirar do sério – ele admitiu, dando um passo em direção a Remus. – E funcionou, não foi?

– Funcionou, sim! E nos custou o campeonato! – Remus retrucou, o tom de voz aumentando. – Eu deveria te socar agora mesmo!

Sirius riu, uma risada baixa e rouca que enviou arrepios pela espinha de Remus, apesar de sua raiva.

– Vá em frente, Licantropo – ele desafiou, parando a poucos centímetros de Remus. – Se você acha que isso vai te fazer sentir melhor.

Remus levantou o punho, mas hesitou. A proximidade de Sirius, o cheiro de suor e colônia que emanava dele, a intensidade de seu olhar, tudo isso estava mexendo com ele de uma forma que ele odiava e desejava ao mesmo tempo.

– Você é um desgraçado, Sirius Black – Remus sibilou, a voz tremendo de raiva e algo mais.

– E você adora – Sirius sussurrou, a mão se estendendo para tocar o braço de Remus.

O toque foi como uma faísca. A raiva de Remus, que estava fervendo, começou a se transformar em outra coisa, um fogo mais quente e perigoso. Ele tentou se afastar, mas Sirius o segurou firmemente.

– Não minta para mim, Remus – Sirius disse, o polegar acariciando a pele exposta de Remus. – Eu vejo nos seus olhos. Eu sinto isso toda vez que nossos olhos se encontram no gelo.

Remus fechou os olhos, lutando contra a atração. Ele odiava o quão bem Sirius o conhecia, o quão fácil era para ele desvendar suas defesas.

– Eu te odeio – Remus murmurou, a voz quase inaudível.

– Oh, eu sei que sim – Sirius respondeu, um sorriso malicioso voltando aos seus lábios. – Mas você também me quer, não é?

Antes que Remus pudesse responder, Sirius o puxou para perto, seus lábios encontrando os de Remus em um beijo feroz. A raiva e a frustração de Remus se dissiparam instantaneamente, substituídas por uma onda de desejo avassalador.

Ele respondeu ao beijo com a mesma intensidade, suas mãos agarrando a camisa de Sirius, puxando-o ainda mais para perto. O beijo era bruto, faminto, e carregado de toda a tensão e rivalidade que eles haviam acumulado no gelo.

Sirius o empurrou para trás até que as costas de Remus batessem contra a parede. Ele aprofundou o beijo, suas mãos explorando o corpo de Remus, encontrando os pontos sensíveis que ele conhecia tão bem.

Remus gemeu no beijo, sua mente nublada pelo prazer. Ele odiava admitir, mas Sirius tinha razão. Ele queria isso. Queria Sirius, apesar de tudo.

– Você está estressado, Licantropo – Sirius sussurrou contra os lábios de Remus, separando o beijo apenas por um instante para respirar. – Deixe-me te ajudar a relaxar.

E com essas palavras, Sirius o beijou novamente, suas mãos descendo para a barra da camisa de Remus, sinalizando o início de uma noite onde a rivalidade seria esquecida, pelo menos por algumas horas, em um emaranhado de paixão e desejo. O gelo havia esfriado, mas o quarto 307 estava prestes a pegar fogo.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic