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A janela uniu o amor que existia entre nós
Fandom: Através da minha janela
Criado: 11/03/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaFatias de VidaDor/ConfortoRealismoAlmas GêmeasHistória Doméstica
O Lado Oculto do Paraíso
Raquel sempre achou que a vida era como um livro, e o dela estava sendo escrito com páginas repletas de reviravoltas. Desde o dia em que o destino a colocou frente a frente com Ares, através daquela janela que parecia um portal para um novo universo, sabia que sua história nunca mais seria a mesma. Ares, o garoto rico e educado que morava na casa ao lado, o mesmo que a observava em segredo e que, sem saber, se tornou o protagonista de seus sonhos mais ousados.
A paixão entre eles floresceu de forma inesperada, como uma flor rara que desabrocha em meio ao deserto. Cada olhar trocado, cada sorriso furtivo, cada mensagem que atravessava a tela do celular, eram tijolos na construção de um amor que parecia inabalável. Eles se amavam com a intensidade dos primeiros amores, com a certeza de que haviam encontrado sua alma gêmea. A vida, no entanto, tinha outros planos para eles.
Depois de superarem tantos obstáculos, de lutarem contra as expectativas de suas famílias e contra os próprios medos, Raquel e Ares finalmente podiam desfrutar da tão sonhada paz. Moravam juntos em um apartamento aconchegante no centro de Barcelona, um ninho de amor construído com paciência e dedicação. Raquel continuava seus estudos de literatura, com o sonho de se tornar uma escritora renomada, enquanto Ares conciliava a faculdade de medicina com a administração dos negócios da família, sempre com a promessa de que um dia abriria sua própria clínica.
A vida a dois era uma montanha-russa de emoções. Havia dias em que o amor transbordava, em que cada toque era um poema e cada beijo, uma eternidade. Mas também havia dias sombrios, em que as diferenças pareciam intransponíveis e as brigas, inevitáveis. A rotina, o estresse do dia a dia, as pressões externas, tudo contribuía para a ebulição de sentimentos que, por vezes, ameaçavam destruir o que eles haviam construído com tanto esforço.
Naquela manhã de outono, o sol entrava tímido pela janela do quarto, pintando as paredes com tons dourados. Raquel acordou com a sensação de que algo estava diferente. Ares ainda dormia ao seu lado, o rosto sereno, os cabelos escuros espalhados pelo travesseiro. Ela o observou por alguns instantes, sentindo o calor do corpo dele contra o seu. Um turbilhão de pensamentos a invadiu. Nos últimos meses, a distância entre eles parecia ter crescido, não fisicamente, mas emocionalmente. As conversas se tornaram mais curtas, os abraços menos apertados, e o silêncio, antes confortável, agora pesava.
Ela se levantou em silêncio, cuidando para não acordá-lo. Foi até a cozinha e preparou o café da manhã: torradas, ovos mexidos e café fresco, do jeito que Ares gostava. Enquanto esperava a chaleira ferver, pegou o celular e abriu o aplicativo de mensagens. Uma notificação chamou sua atenção: uma mensagem de Artemis, a irmã de Ares. "Bom dia, Raquel! Não se esqueça do jantar de hoje à noite na casa dos meus pais. É importante que vocês dois venham."
Raquel suspirou. O jantar na casa dos Hidalgos era sempre um evento. A família de Ares era imponente, tradicional e, por vezes, um tanto opressora. Embora os pais de Ares a tivessem aceitado, ela ainda sentia um certo desconforto, como se estivesse sempre sendo avaliada. Além disso, as brigas recentes com Ares haviam deixado um rastro de tensão entre eles, e a ideia de ter que fingir que tudo estava bem na frente de sua família era exaustiva.
Ares finalmente acordou, bocejando e se espreguiçando. "Bom dia, meu amor", disse ele, com a voz rouca de sono. "Que cheiro maravilhoso! Você é a melhor cozinheira do mundo."
Raquel forçou um sorriso. "Bom dia. Preparei seu café favorito."
Enquanto tomavam café, Raquel tentou puxar assunto, mas Ares parecia distraído. Ele respondia com monossílabos, seus olhos fixos na tela do celular. "Ares, você se lembra do jantar na casa dos seus pais hoje à noite, não é?" perguntou ela, tentando soar casual.
Ele ergueu os olhos do celular, a testa franzida. "Ah, sim. Tinha esquecido completamente. Tenho um trabalho da faculdade para entregar amanhã e estou super atarefado."
O coração de Raquel apertou. "Mas é importante, Ares. A Artemis disse que era importante."
Ele suspirou, um gesto que Raquel conhecia bem. "Eu sei, eu sei. Mas é que... eu realmente estou com a cabeça cheia. Não sei se consigo ir."
Uma pontada de mágoa a atingiu. "Você sempre diz isso. Sempre tem uma desculpa quando se trata da sua família. E quando se trata de nós", ela acrescentou, a voz embargada, "parece que eu sou a única que se importa em manter as coisas."
Ares largou o celular na mesa, o olhar irritado. "Não é verdade, Raquel! Eu me importo com você, com a gente. Mas eu também tenho minhas responsabilidades, meus compromissos. Você não entende a pressão que eu sofro?"
"Eu entendo, Ares! Eu entendo perfeitamente! Mas parece que você não entende a minha. Parece que eu sempre tenho que ceder, sempre tenho que ser a compreensiva, enquanto você faz o que quer." As palavras saíram de sua boca como um rio revolto, carregadas de frustração e ressentimento.
A discussão se estendeu, como tantas outras que haviam tido nos últimos tempos. Palavras duras foram ditas, mágoas antigas foram revividas, e o silêncio que se seguiu foi mais pesado do que qualquer grito. Ares se levantou da mesa, o rosto fechado. "Eu preciso ir para a faculdade. A gente conversa depois."
Ele saiu do apartamento, deixando Raquel sozinha, com o coração partido e a mente em ebulição. Ela se sentou no sofá, abraçando os joelhos, as lágrimas escorrendo pelo rosto. O que estava acontecendo com eles? O amor que parecia tão forte, tão indestrutível, estaria se desfazendo aos poucos?
Naquela tarde, Raquel tentou se distrair com seus estudos, mas as palavras de Ares ecoavam em sua mente. Ela não conseguia se concentrar. Decidiu dar uma volta, na esperança de clarear as ideias. Caminhou pelas ruas movimentadas de Barcelona, observando as pessoas, os casais de mãos dadas, as famílias com crianças. Uma sensação de solidão a invadiu.
De repente, seu celular tocou. Era Yoshi. "Raquel, tudo bem? Você parece meio para baixo."
Yoshi era seu melhor amigo, e ele a conhecia melhor do que ninguém. "Não muito, Yoshi. Eu e o Ares brigamos de novo."
"Ah, não. De novo? O que aconteceu dessa vez?"
Raquel contou a ele sobre a discussão, sobre a indiferença de Ares, sobre a sensação de que ele estava se afastando. Yoshi a ouviu com paciência, oferecendo palavras de consolo e apoio. "Olha, Raquel, eu sei que é difícil, mas vocês precisam conversar. De verdade. Não adianta ficar guardando as coisas."
"Eu sei. Mas parece que não adianta. Parece que a gente está em um ciclo vicioso."
"Talvez vocês precisem de um tempo. Não para terminar, mas para respirar, para pensar. Para se reencontrarem."
A ideia a assustou. Um tempo? Ela nunca havia pensado nessa possibilidade. Mas, ao mesmo tempo, a ideia de continuar vivendo naquele limbo, naquela montanha-russa de emoções, era ainda mais assustadora.
À noite, Raquel se arrumou para o jantar na casa dos Hidalgos. Ela vestiu um vestido elegante, maquiou-se levemente e tentou parecer o mais normal possível. Ares chegou em casa um pouco antes do horário combinado, o rosto ainda fechado. Ele não se desculpou, nem tocou no assunto da briga. Apenas disse: "Vamos? Não quero que meus pais fiquem bravos."
O jantar foi tão tenso quanto Raquel imaginava. Os pais de Ares, Juan e Apolonia, a cumprimentaram com um sorriso forçado. Artemis, a irmã mais velha de Ares, tentou animar o ambiente, mas era visível que a tensão entre Raquel e Ares estava no ar. A conversa girava em torno dos negócios da família, da faculdade de Ares, dos planos de viagem de Artemis. Raquel se sentia invisível, uma intrusa naquele universo de riqueza e poder.
Em um determinado momento, Juan, o pai de Ares, perguntou: "E você, Raquel? Como estão seus estudos? Já pensou em uma carreira mais... estável?"
Raquel sentiu o sangue ferver. "Estou indo muito bem, senhor Hidalgo. E sim, estou pensando em uma carreira que me faça feliz, não apenas estável."
Ares a olhou de soslaio, um aviso silencioso. Mas Raquel estava cansada de se calar.
"A literatura é uma paixão para mim", continuou ela. "E eu acredito que podemos ser felizes fazendo o que amamos, mesmo que não seja o caminho mais tradicional."
Apolonia, a mãe de Ares, interveio. "Claro, querida. Mas é importante ter um plano B, não é? A vida não é só feita de paixões."
Raquel forçou um sorriso. "Eu tenho um plano B, senhora Hidalgo. E um plano C, e um plano D. Eu sou uma pessoa independente e sei o que quero."
Ares pigarreou, tentando mudar de assunto. "Mãe, pai, vocês viram as notícias sobre a nova aquisição da empresa?"
A conversa se desviou para os negócios, e Raquel se sentiu aliviada. Mas a sensação de ser julgada, de não pertencer àquele mundo, permaneceu.
Depois do jantar, enquanto voltavam para casa, o silêncio entre eles era ensurdecedor. Raquel queria desabafar, queria gritar, queria chorar. Mas as palavras pareciam presas em sua garganta.
Quando chegaram ao apartamento, Ares foi direto para o quarto. "Vou tomar um banho", disse ele, sem olhar para ela.
Raquel ficou na sala, olhando para a janela, a mesma janela que um dia havia sido o portal para o amor, e que agora parecia um espelho, refletindo a imagem de um amor que se desfazia. Ela sentiu uma pontada de desespero. Não podia perder Ares. Não podia perder o amor que havia lutado tanto para conquistar.
Quando Ares saiu do banho, Raquel estava sentada na cama, o rosto banhado em lágrimas. Ele a olhou, o semblante suavizado. "Raquel, o que houve?"
"O que houve, Ares?", disse ela, a voz embargada. "O que está acontecendo com a gente? Parece que estamos nos perdendo um do outro."
Ele se sentou ao lado dela, hesitando em tocá-la. "Eu sei. Eu também sinto isso."
"Então por que não fazemos nada a respeito? Por que você se afasta? Por que você não me ouve?"
Ele suspirou, os olhos fixos em um ponto distante. "É difícil, Raquel. Eu tenho muitas pressões. A faculdade, a empresa, meus pais... Eu me sinto sufocado, às vezes."
"E eu? Você acha que eu não sinto? Eu também tenho meus sonhos, meus medos. Eu preciso de você, Ares. Preciso que você esteja aqui, de verdade."
Ele finalmente a olhou, os olhos marejados. "Eu estou aqui, Raquel. Eu te amo."
"Se você me ama, então me mostre. Me mostre que você está disposto a lutar por nós, a superar isso. Porque eu não aguento mais viver assim, Ares. Essa montanha-russa de emoções está me exaurindo."
Ele a abraçou forte, um abraço que parecia dizer mais do que mil palavras. "Eu vou lutar, Raquel. Eu prometo. Eu não quero te perder."
Naquele abraço, Raquel sentiu um fio de esperança. Talvez, apenas talvez, eles conseguissem superar mais essa fase. Talvez o amor que os unia fosse forte o suficiente para resistir a todas as tempestades. Mas ela sabia que a luta seria longa, e que o caminho para a felicidade plena estava repleto de desafios. O lado oculto do paraíso estava se revelando, e eles teriam que ser mais fortes do que nunca para não se perderem nele. No dia seguinte, eles teriam que começar a reconstruir, tijolo por tijolo, a ponte que os levaria de volta um ao outro.
A paixão entre eles floresceu de forma inesperada, como uma flor rara que desabrocha em meio ao deserto. Cada olhar trocado, cada sorriso furtivo, cada mensagem que atravessava a tela do celular, eram tijolos na construção de um amor que parecia inabalável. Eles se amavam com a intensidade dos primeiros amores, com a certeza de que haviam encontrado sua alma gêmea. A vida, no entanto, tinha outros planos para eles.
Depois de superarem tantos obstáculos, de lutarem contra as expectativas de suas famílias e contra os próprios medos, Raquel e Ares finalmente podiam desfrutar da tão sonhada paz. Moravam juntos em um apartamento aconchegante no centro de Barcelona, um ninho de amor construído com paciência e dedicação. Raquel continuava seus estudos de literatura, com o sonho de se tornar uma escritora renomada, enquanto Ares conciliava a faculdade de medicina com a administração dos negócios da família, sempre com a promessa de que um dia abriria sua própria clínica.
A vida a dois era uma montanha-russa de emoções. Havia dias em que o amor transbordava, em que cada toque era um poema e cada beijo, uma eternidade. Mas também havia dias sombrios, em que as diferenças pareciam intransponíveis e as brigas, inevitáveis. A rotina, o estresse do dia a dia, as pressões externas, tudo contribuía para a ebulição de sentimentos que, por vezes, ameaçavam destruir o que eles haviam construído com tanto esforço.
Naquela manhã de outono, o sol entrava tímido pela janela do quarto, pintando as paredes com tons dourados. Raquel acordou com a sensação de que algo estava diferente. Ares ainda dormia ao seu lado, o rosto sereno, os cabelos escuros espalhados pelo travesseiro. Ela o observou por alguns instantes, sentindo o calor do corpo dele contra o seu. Um turbilhão de pensamentos a invadiu. Nos últimos meses, a distância entre eles parecia ter crescido, não fisicamente, mas emocionalmente. As conversas se tornaram mais curtas, os abraços menos apertados, e o silêncio, antes confortável, agora pesava.
Ela se levantou em silêncio, cuidando para não acordá-lo. Foi até a cozinha e preparou o café da manhã: torradas, ovos mexidos e café fresco, do jeito que Ares gostava. Enquanto esperava a chaleira ferver, pegou o celular e abriu o aplicativo de mensagens. Uma notificação chamou sua atenção: uma mensagem de Artemis, a irmã de Ares. "Bom dia, Raquel! Não se esqueça do jantar de hoje à noite na casa dos meus pais. É importante que vocês dois venham."
Raquel suspirou. O jantar na casa dos Hidalgos era sempre um evento. A família de Ares era imponente, tradicional e, por vezes, um tanto opressora. Embora os pais de Ares a tivessem aceitado, ela ainda sentia um certo desconforto, como se estivesse sempre sendo avaliada. Além disso, as brigas recentes com Ares haviam deixado um rastro de tensão entre eles, e a ideia de ter que fingir que tudo estava bem na frente de sua família era exaustiva.
Ares finalmente acordou, bocejando e se espreguiçando. "Bom dia, meu amor", disse ele, com a voz rouca de sono. "Que cheiro maravilhoso! Você é a melhor cozinheira do mundo."
Raquel forçou um sorriso. "Bom dia. Preparei seu café favorito."
Enquanto tomavam café, Raquel tentou puxar assunto, mas Ares parecia distraído. Ele respondia com monossílabos, seus olhos fixos na tela do celular. "Ares, você se lembra do jantar na casa dos seus pais hoje à noite, não é?" perguntou ela, tentando soar casual.
Ele ergueu os olhos do celular, a testa franzida. "Ah, sim. Tinha esquecido completamente. Tenho um trabalho da faculdade para entregar amanhã e estou super atarefado."
O coração de Raquel apertou. "Mas é importante, Ares. A Artemis disse que era importante."
Ele suspirou, um gesto que Raquel conhecia bem. "Eu sei, eu sei. Mas é que... eu realmente estou com a cabeça cheia. Não sei se consigo ir."
Uma pontada de mágoa a atingiu. "Você sempre diz isso. Sempre tem uma desculpa quando se trata da sua família. E quando se trata de nós", ela acrescentou, a voz embargada, "parece que eu sou a única que se importa em manter as coisas."
Ares largou o celular na mesa, o olhar irritado. "Não é verdade, Raquel! Eu me importo com você, com a gente. Mas eu também tenho minhas responsabilidades, meus compromissos. Você não entende a pressão que eu sofro?"
"Eu entendo, Ares! Eu entendo perfeitamente! Mas parece que você não entende a minha. Parece que eu sempre tenho que ceder, sempre tenho que ser a compreensiva, enquanto você faz o que quer." As palavras saíram de sua boca como um rio revolto, carregadas de frustração e ressentimento.
A discussão se estendeu, como tantas outras que haviam tido nos últimos tempos. Palavras duras foram ditas, mágoas antigas foram revividas, e o silêncio que se seguiu foi mais pesado do que qualquer grito. Ares se levantou da mesa, o rosto fechado. "Eu preciso ir para a faculdade. A gente conversa depois."
Ele saiu do apartamento, deixando Raquel sozinha, com o coração partido e a mente em ebulição. Ela se sentou no sofá, abraçando os joelhos, as lágrimas escorrendo pelo rosto. O que estava acontecendo com eles? O amor que parecia tão forte, tão indestrutível, estaria se desfazendo aos poucos?
Naquela tarde, Raquel tentou se distrair com seus estudos, mas as palavras de Ares ecoavam em sua mente. Ela não conseguia se concentrar. Decidiu dar uma volta, na esperança de clarear as ideias. Caminhou pelas ruas movimentadas de Barcelona, observando as pessoas, os casais de mãos dadas, as famílias com crianças. Uma sensação de solidão a invadiu.
De repente, seu celular tocou. Era Yoshi. "Raquel, tudo bem? Você parece meio para baixo."
Yoshi era seu melhor amigo, e ele a conhecia melhor do que ninguém. "Não muito, Yoshi. Eu e o Ares brigamos de novo."
"Ah, não. De novo? O que aconteceu dessa vez?"
Raquel contou a ele sobre a discussão, sobre a indiferença de Ares, sobre a sensação de que ele estava se afastando. Yoshi a ouviu com paciência, oferecendo palavras de consolo e apoio. "Olha, Raquel, eu sei que é difícil, mas vocês precisam conversar. De verdade. Não adianta ficar guardando as coisas."
"Eu sei. Mas parece que não adianta. Parece que a gente está em um ciclo vicioso."
"Talvez vocês precisem de um tempo. Não para terminar, mas para respirar, para pensar. Para se reencontrarem."
A ideia a assustou. Um tempo? Ela nunca havia pensado nessa possibilidade. Mas, ao mesmo tempo, a ideia de continuar vivendo naquele limbo, naquela montanha-russa de emoções, era ainda mais assustadora.
À noite, Raquel se arrumou para o jantar na casa dos Hidalgos. Ela vestiu um vestido elegante, maquiou-se levemente e tentou parecer o mais normal possível. Ares chegou em casa um pouco antes do horário combinado, o rosto ainda fechado. Ele não se desculpou, nem tocou no assunto da briga. Apenas disse: "Vamos? Não quero que meus pais fiquem bravos."
O jantar foi tão tenso quanto Raquel imaginava. Os pais de Ares, Juan e Apolonia, a cumprimentaram com um sorriso forçado. Artemis, a irmã mais velha de Ares, tentou animar o ambiente, mas era visível que a tensão entre Raquel e Ares estava no ar. A conversa girava em torno dos negócios da família, da faculdade de Ares, dos planos de viagem de Artemis. Raquel se sentia invisível, uma intrusa naquele universo de riqueza e poder.
Em um determinado momento, Juan, o pai de Ares, perguntou: "E você, Raquel? Como estão seus estudos? Já pensou em uma carreira mais... estável?"
Raquel sentiu o sangue ferver. "Estou indo muito bem, senhor Hidalgo. E sim, estou pensando em uma carreira que me faça feliz, não apenas estável."
Ares a olhou de soslaio, um aviso silencioso. Mas Raquel estava cansada de se calar.
"A literatura é uma paixão para mim", continuou ela. "E eu acredito que podemos ser felizes fazendo o que amamos, mesmo que não seja o caminho mais tradicional."
Apolonia, a mãe de Ares, interveio. "Claro, querida. Mas é importante ter um plano B, não é? A vida não é só feita de paixões."
Raquel forçou um sorriso. "Eu tenho um plano B, senhora Hidalgo. E um plano C, e um plano D. Eu sou uma pessoa independente e sei o que quero."
Ares pigarreou, tentando mudar de assunto. "Mãe, pai, vocês viram as notícias sobre a nova aquisição da empresa?"
A conversa se desviou para os negócios, e Raquel se sentiu aliviada. Mas a sensação de ser julgada, de não pertencer àquele mundo, permaneceu.
Depois do jantar, enquanto voltavam para casa, o silêncio entre eles era ensurdecedor. Raquel queria desabafar, queria gritar, queria chorar. Mas as palavras pareciam presas em sua garganta.
Quando chegaram ao apartamento, Ares foi direto para o quarto. "Vou tomar um banho", disse ele, sem olhar para ela.
Raquel ficou na sala, olhando para a janela, a mesma janela que um dia havia sido o portal para o amor, e que agora parecia um espelho, refletindo a imagem de um amor que se desfazia. Ela sentiu uma pontada de desespero. Não podia perder Ares. Não podia perder o amor que havia lutado tanto para conquistar.
Quando Ares saiu do banho, Raquel estava sentada na cama, o rosto banhado em lágrimas. Ele a olhou, o semblante suavizado. "Raquel, o que houve?"
"O que houve, Ares?", disse ela, a voz embargada. "O que está acontecendo com a gente? Parece que estamos nos perdendo um do outro."
Ele se sentou ao lado dela, hesitando em tocá-la. "Eu sei. Eu também sinto isso."
"Então por que não fazemos nada a respeito? Por que você se afasta? Por que você não me ouve?"
Ele suspirou, os olhos fixos em um ponto distante. "É difícil, Raquel. Eu tenho muitas pressões. A faculdade, a empresa, meus pais... Eu me sinto sufocado, às vezes."
"E eu? Você acha que eu não sinto? Eu também tenho meus sonhos, meus medos. Eu preciso de você, Ares. Preciso que você esteja aqui, de verdade."
Ele finalmente a olhou, os olhos marejados. "Eu estou aqui, Raquel. Eu te amo."
"Se você me ama, então me mostre. Me mostre que você está disposto a lutar por nós, a superar isso. Porque eu não aguento mais viver assim, Ares. Essa montanha-russa de emoções está me exaurindo."
Ele a abraçou forte, um abraço que parecia dizer mais do que mil palavras. "Eu vou lutar, Raquel. Eu prometo. Eu não quero te perder."
Naquele abraço, Raquel sentiu um fio de esperança. Talvez, apenas talvez, eles conseguissem superar mais essa fase. Talvez o amor que os unia fosse forte o suficiente para resistir a todas as tempestades. Mas ela sabia que a luta seria longa, e que o caminho para a felicidade plena estava repleto de desafios. O lado oculto do paraíso estava se revelando, e eles teriam que ser mais fortes do que nunca para não se perderem nele. No dia seguinte, eles teriam que começar a reconstruir, tijolo por tijolo, a ponte que os levaria de volta um ao outro.
