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Meu yang

Fandom: Meu universo

Criado: 21/03/2026

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Entre Instrumentos e Notas Musicais

O corredor da escola estava aquele caos típico de intervalo. O som de risadas, o bater de armários e o burburinho constante formavam a trilha sonora de mais uma manhã comum. Eu caminhava ao lado das meninas, rindo de alguma piada interna que a Juliana tinha acabado de contar, quando avistamos o "comitê de boas-vindas" parado perto do pátio central.

Luan, Aquilino e Trani estavam lá, encostados na parede com aquela postura de quem manda no pedaço, mas que a gente sabia que não passava de fachada. No entanto, meu coração deu um solavanco quando percebi que, entre eles, estava o Ekene. Ele era de outra sala, mas parecia se encaixar perfeitamente ali. Alto, magro, com aquelas tranças impecáveis que sempre me distraíam nas aulas de educação física e aquele sorriso que parecia iluminar o corredor inteiro.

— Ih, lá vêm os encrenqueiros — provoquei, passando por eles e dando um empurrãozinho de leve no ombro do Luan.

— Encrenqueiros somos nós? Vocês que não conseguem ver a gente e já querem atenção — rebateu Luan, já começando a implicar com a Juliana, como sempre fazia.

O que era para ser apenas uma passagem rápida acabou se tornando uma perseguição amigável. Eles decidiram nos seguir pelo pátio, e a dinâmica do grupo logo se dividiu em duplas de pura implicância. Trani começou a zoar o cabelo da Sonya, Aquilino estava tentando roubar o lanche da Heloísa, e Luan e Juliana pareciam estar em uma competição de quem falava mais alto.

Eu acabei ficando um pouco mais atrás, caminhando lado a lado com o Ekene.

— Eles não cansam nunca, né? — comentou Ekene, soltando uma risada baixa que fez meu estômago dar um nó.

— É o combustível deles. Se não irritarem alguém por cinco minutos, eles entram em combustão espontânea — respondi, olhando para cima para conseguir encarar os olhos dele. A diferença de altura era gritante, eu me sentia minúscula perto dele, mas era uma sensação boa.

— Olha, eu não sei eles, mas eu já estou exausto de andar de um lado para o outro — ele confessou, parando de caminhar e olhando em direção ao refeitório. — Minhas pernas não foram feitas para esse maratona de intervalo.

— Então vamos sentar ali no refeitório — sugeri, tentando parecer casual, embora estivesse vibrando por dentro com a oportunidade de ficar a sós com ele. — Deixa eles se matarem lá na frente.

Caminhamos até as mesas de metal e nos sentamos um de frente para o outro. A conversa fluiu de um jeito perigosamente fácil. Falamos sobre as aulas, sobre os professores chatos e, eventualmente, o assunto caiu na fanfarra. Eu sabia que ele era envolvido com música, e o brilho nos olhos dele quando falava sobre o assunto era contagiante.

— O tio do meu professor de música pediu um favor — disse ele, batucando levemente na mesa com os dedos longos. — Tenho que organizar os instrumentos na salinha de música agora. Estão uma bagunça, e ele precisa de tudo em ordem para o ensaio de amanhã.

— Parece trabalhoso — comentei, observando o movimento das mãos dele.

— É um pouco. Mas é relaxante, de certa forma. Só que o tempo está curto.

— Bom, a próxima aula é de tutoria — lembrei, dando de ombros. — Se você quiser uma ajuda para terminar mais rápido, eu posso ir com você. Sou ótima em organizar coisas, juro.

Ekene me olhou com um sorrisinho de canto, aquele tipo de olhar que parece ler seus pensamentos mais profundos. A tensão entre nós, que já vinha crescendo nas últimas semanas em trocas de olhares nos corredores, parecia ter atingido um novo patamar naquele banco de refeitório.

— Aceito a ajuda, Maria. Vai ser bem melhor do que ficar lá sozinho.

Esperamos o sinal bater e o fluxo de alunos diminuir. Quando o pátio finalmente começou a esvaziar, deslizamos para o corredor que levava à sala de música, entrando rapidamente e fechando a porta atrás de nós.

O silêncio da sala era quase absoluto, quebrado apenas pelo som abafado dos passos nos corredores distantes. O cheiro de madeira e metal polido preenchia o ar. Começamos a trabalhar: ele pegava os bumbos e caixas mais pesados, e eu organizava as estantes de partitura e os instrumentos menores.

— Você leva jeito para a coisa — ele comentou, enquanto empilhava as caixas de som no canto.

— Eu disse que era boa. Você que não acreditou — brinquei, sentindo o calor subir pelo meu rosto quando percebi que ele estava me observando.

Terminamos o serviço mais rápido do que o esperado. Ainda faltavam uns vinte minutos para o fim da aula de tutoria. O silêncio da sala agora parecia mais denso, carregado de algo que nenhum de nós tinha coragem de nomear ainda.

— Cansada? — perguntou ele, sentando-se no chão, encostado em um dos armários de instrumentos.

— Um pouco — admiti, sentando ao lado dele, mantendo uma distância pequena, mas que parecia queimar.

Ficamos ali, batendo papo sobre coisas aleatórias, mas o tom da voz dele tinha mudado. Estava mais baixo, mais rouco. Ele se aproximou um pouco mais, o ombro dele roçando no meu.

— Sabe, Maria... — ele começou, virando o rosto para me encarar. — Você é bem diferente do que eu imaginava quando te via de longe com as meninas.

— Ah, é? E o que você imaginava? — perguntei, desafiando-o com o olhar, embora meu coração estivesse martelando contra as costelas.

— Que você era só brava. Mas você é... interessante. E muito bonita.

Ele não desviou o olhar. A mão dele subiu lentamente e ele afastou uma mecha de cabelo do meu rosto, os dedos roçando na minha bochecha. O toque enviou uma descarga elétrica por todo o meu corpo. A tensão sexual que estava nos rondando o intervalo inteiro finalmente transbordou.

Ekene se aproximou mais, eliminando o espaço entre nós. Eu conseguia sentir o calor que emanava dele. Quando seus lábios finalmente encontraram os meus, foi como se tudo ao redor tivesse desaparecido. O beijo começou lento, quase uma exploração, mas logo se tornou intenso, urgente. Minhas mãos encontraram o caminho para a nuca dele, sentindo a textura de suas tranças, enquanto ele me puxava para mais perto, como se quisesse me fundir a ele.

Entre um beijo e outro, com a respiração ofegante, ele se afastou apenas alguns milímetros, seus olhos escuros fixos nos meus, brilhando com uma mistura de desejo e diversão.

— Você sempre disse que queria conhecer a minha escola de samba, né? — ele sussurrou contra meus lábios, um sorriso convencido brincando em seu rosto.

— Quero. Você prometeu me levar lá um dia — respondi, quase sem fôlego.

— Então se prepara — ele disse, a voz descendo uma oitava, carregada de uma confiança que me arrepiou inteira. — Porque agora eu vou te mostrar o que é a pegada louka.

O que se seguiu ali dentro, entre os instrumentos de percussão e o silêncio cúmplice da sala de música, foi uma entrega que nenhum de nós esperava para uma tarde de terça-feira. Cada toque, cada carícia e cada palavra sussurrada pareciam amplificados pelo ambiente proibido. Ekene tinha uma intensidade que condizia perfeitamente com a fama da sua escola de samba; era um ritmo frenético, envolvente e impossível de ignorar.

O tempo pareceu parar, mas o sinal da escola, impiedoso como sempre, tocou alto, ecoando pelas paredes da salinha e nos trazendo de volta à realidade.

Nos separamos rapidamente, rindo da situação enquanto tentávamos ajeitar as roupas e o cabelo. Eu sentia meu rosto queimando, e o sorriso no rosto do Ekene era de quem tinha acabado de ganhar o melhor prêmio do mundo.

— Tudo certo? — perguntou ele, terminando de ajustar a camiseta e me estendendo a mão para me ajudar a levantar do chão.

— Tudo ótimo — respondi, limpando a poeira da minha calça e respirando fundo para recuperar a compostura.

Saímos da sala um de cada vez, com um intervalo de alguns segundos, para não levantar suspeitas. No corredor, o movimento de alunos voltando para as salas já tinha começado. Encontramos o resto do grupo perto da nossa sala de aula.

— Onde vocês se enfiaram? — perguntou Juliana, cruzando os braços e me olhando com uma sobrancelha erguida. — A gente procurou vocês no refeitório e nada.

— O Ekene precisava de ajuda com os instrumentos do tio dele — respondi, com a voz mais neutra que consegui fingir. — Eu só dei uma mãozinha para ele não demorar a tarde toda.

Ekene passou por nós, trocando um hi-five rápido com o Luan e o Trani. Antes de seguir para a sala dele, ele me lançou um último olhar por cima do ombro, um brilho cúmplice que só eu entenderia.

— Valeu pela ajuda, Maria — disse ele, em voz alta para que todos ouvissem. — A organização ficou... impecável.

Eu apenas assenti, sentindo o calor subir novamente pelo pescoço enquanto as meninas começavam a me bombardear com perguntas. Caminhei para dentro da sala, sentindo que, depois daquela tarde, as aulas de música e o som da fanfarra nunca mais seriam os mesmos para mim.
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