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Wasteland
Fandom: Arcane/timebomb
Criado: 01/04/2026
Tags
DramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoDistopiaConsertoViagem no TempoEstudo de PersonagemCiberpunkTentativa de Suicídio
O Eco do Relógio Quebrado
O ar no covil de Jinx estava saturado com o cheiro de ozônio, pólvora e o desespero metálico que parecia emanar das paredes de metal enferrujado. Jinx estava na beira do abismo, o precipício que dava para as águas escuras e tóxicas de Zaun. Seus cabelos azuis, agora curtos e desgrenhados, chicoteavam com o vento frio. Seus dedos, marcados por cortes profundos e sangue seco, tremiam enquanto ela segurava o dispositivo.
Ekko sentiu o peso do Drive-Z em suas costas. A marca da ampulheta branca em seu rosto parecia queimar.
— Jinx, para! — gritou ele, estendendo a mão.
Ela não respondeu. Seus olhos, de um rosa luminescente e doentio causado pela cintila, não tinham o brilho da loucura habitual; estavam vazios. Ela acionou o gatilho da bomba de fumaça modificada.
*BOOM.*
O mundo se dissolveu em fogo e estilhaços. Ekko sentiu a dor da explosão por um milésimo de segundo antes de puxar a alavanca. O tempo rangeu, retrocedendo, as cores se invertendo até ele estar de volta ao momento exato em que ela apertava o botão.
— Eu só quero falar com você, Pow... Jinx! — ele exclamou, a voz falhando.
Desta vez, ela nem sequer piscou. Seus olhos rosa fixaram-se nos dele com uma indiferença que doía mais do que qualquer tiro. Ela apertou o botão novamente.
*BOOM.*
Ekko voltou. Mais uma vez. A ampulheta em seu rosto começava a desbotar, o esforço físico de dobrar a realidade cobrando seu preço.
— Jinx, por favor, me escuta! — Ele tentou se aproximar, mas ela deu um passo para trás, em direção ao vazio.
Sem dizer uma palavra, ela se inclinou para trás, deixando o corpo cair no precipício. O silêncio da queda foi interrompido apenas pelo som do vento antes de Ekko acionar o dispositivo novamente. O mundo girou. Ele estava exausto. A marca branca em sua pele era agora apenas um rastro pálido.
Ele a viu ali, parada, segurando a bomba contra o peito como se fosse um tesouro precioso, a última âncora que a prendia a um mundo que só lhe dera dor. Isha se fora. O ciclo de azar, como Jinx chamava, parecia ter finalmente vencido.
Ekko respirou fundo, tentando controlar o tremor nas mãos. Ele não usou a força. Ele não avançou como o líder dos Incendiários. Ele apenas falou, com a voz carregada de uma sinceridade que ele não sentia desde que eram crianças em ruelas imundas.
— Eu aprendi com alguém muito especial... — começou ele, dando um passo lento, mantendo os olhos fixos naqueles globos rosa que pareciam buscar algo que não existia mais. — Que não importa o que aconteceu no passado, nunca é tarde demais para construir algo novo por quem vale a pena.
Jinx estancou. O dedo, que estava a milímetros de acionar a carga explosiva, hesitou. Ela olhou para ele, e por um momento, a névoa da cintila pareceu recuar diante da dor pura e crua. Ela não riu. Não fez piadas sobre "Garoto-Prodígio". Ela estava devastada, uma casca de metal e arrependimento.
Lentamente, com os dedos ensanguentados e trêmulos, ela começou a abrir a bomba. Ekko observou, o coração martelando contra as costelas. Ela retirou a pequena esfera Hextech de dentro do mecanismo. O brilho azul da gema iluminou o rosto dela, refletindo-se naquelas íris rosadas, criando um contraste cruel.
Ela estendeu a mão, oferecendo a gema para ele.
Ekko olhou para a pequena bolinha azul. Por um segundo, a ponte voltou à sua mente. O som dos tiros, o cheiro de sangue, a dor da explosão que quase os matou. Naquela ponte, foi a última vez que ele viu os olhos dela azuis. Foi a última vez que ele viu Powder antes que a cintila de Singed a transformasse em algo que o mundo temia. Ele não queria aquela gema. Ele não queria o poder que destruiu tudo o que eles amavam.
Ele ignorou a esfera Hextech. Em vez disso, ele estendeu as mãos e pegou apenas a carcaça da bomba, desarmando-a silenciosamente e jogando-a para o lado. A gema continuou na palma da mão de Jinx, um peso inútil agora.
— Eu não quero isso — sussurrou Ekko. — Eu quero você.
As pernas de Jinx cederam. O peso de tudo o que ela carregava — a morte de Silco, o sacrifício de Isha, a rejeição de Vi, a transformação dolorosa nas mãos de Singed — desabou sobre ela de uma só vez. Ela caiu sentada no chão frio de metal, a gema Hextech rolando para o lado, esquecida.
Ela começou a soluçar. Não eram os soluços histéricos de Jinx, mas o choro desesperado de uma criança que se perdeu no escuro e percebeu que não há caminho de volta.
Ekko não hesitou. Ele se ajoelhou e a puxou para um abraço apertado.
— Está tudo bem... está tudo bem — ele murmurou, enterrando o rosto no ombro dela, sentindo o cheiro de pólvora e o calor febril da cintila que corria em suas veias.
Jinx enterrou o rosto no peito de Ekko, suas mãos ensanguentadas agarrando o tecido da roupa dele com uma força de quem está se afogando. O choro dela era um som quebrado, agudo e sufocante.
— Eu estraguei tudo... — ela conseguiu articular entre os soluços, a voz rouca e pequena. — Ekko... eu quebrei tudo de novo. A Isha... ela...
— Eu sei — interrompeu ele suavemente, apertando-a mais forte, como se pudesse manter os pedaços dela colados apenas com a pressão de seus braços. — Eu sei, Pow. Mas você não está sozinha. Não desta vez.
— Dói — ela gemeu, o corpo inteiro tremendo. — Dói tanto que eu só queria que parasse.
Ekko fechou os olhos, sentindo as lágrimas dele também começarem a cair. Ele se lembrou de cada vez que teve que lutar contra ela, de cada vez que desejou que as coisas fossem diferentes. O Z-Drive podia voltar o tempo, mas não podia curar as cicatrizes na alma. No entanto, ali, naquele momento, o tempo não importava. Não havia passado, não havia futuro, apenas o peso de dois sobreviventes de uma guerra que nunca pediram para lutar.
— Eu estou aqui — ele repetiu, balançando-a levemente, como se estivessem de volta ao esconderijo de Vander, longe das bombas e da política de Piltover. — Eu não vou a lugar nenhum.
Jinx chorou até que não houvesse mais lágrimas, apenas tremores residuais. O brilho rosa de seus olhos parecia menos agressivo sob a luz fraca do covil, suavizado pela exaustão. Ela se afastou apenas o suficiente para olhar para ele, o rosto manchado de fuligem e dor.
— Por que você voltou? — perguntou ela, a voz um fio de som. — Você viu o que eu fiz. Na ponte... em todo lugar.
Ekko limpou uma lágrima do rosto dela com o polegar, ignorando a aspereza da pele marcada pela cintila.
— Porque eu cansei de ver as pessoas que eu amo desaparecerem — respondeu ele com firmeza. — E porque, não importa o quanto você tente se explodir ou se jogar de lugares, eu sempre vou estar lá para puxar a alavanca e tentar de novo. Até você entender que não precisa carregar isso sozinha.
Jinx olhou para as próprias mãos, para o sangue seco sob as unhas. Ela se sentia um monstro, uma maldição ambulante. Mas o calor do abraço de Ekko era real. Era a única coisa real em um mundo de fantasmas e sombras.
— O ciclo de azar... — ela sussurrou.
— Nós vamos quebrá-lo — disse Ekko, pegando a mão dela, entrelaçando seus dedos nos dela. — Um segundo de cada vez.
Eles ficaram ali, sentados no chão frio, cercados pelos destroços de uma vida de caos. O vento continuava a uivar lá fora, mas dentro daquele covil sombrio, pela primeira vez em anos, o relógio parecia ter parado de contar os segundos para a próxima tragédia. Pela primeira vez, havia apenas o silêncio da cura, lenta e dolorosa, mas finalmente iniciada.
Ekko sentiu o peso do Drive-Z em suas costas. A marca da ampulheta branca em seu rosto parecia queimar.
— Jinx, para! — gritou ele, estendendo a mão.
Ela não respondeu. Seus olhos, de um rosa luminescente e doentio causado pela cintila, não tinham o brilho da loucura habitual; estavam vazios. Ela acionou o gatilho da bomba de fumaça modificada.
*BOOM.*
O mundo se dissolveu em fogo e estilhaços. Ekko sentiu a dor da explosão por um milésimo de segundo antes de puxar a alavanca. O tempo rangeu, retrocedendo, as cores se invertendo até ele estar de volta ao momento exato em que ela apertava o botão.
— Eu só quero falar com você, Pow... Jinx! — ele exclamou, a voz falhando.
Desta vez, ela nem sequer piscou. Seus olhos rosa fixaram-se nos dele com uma indiferença que doía mais do que qualquer tiro. Ela apertou o botão novamente.
*BOOM.*
Ekko voltou. Mais uma vez. A ampulheta em seu rosto começava a desbotar, o esforço físico de dobrar a realidade cobrando seu preço.
— Jinx, por favor, me escuta! — Ele tentou se aproximar, mas ela deu um passo para trás, em direção ao vazio.
Sem dizer uma palavra, ela se inclinou para trás, deixando o corpo cair no precipício. O silêncio da queda foi interrompido apenas pelo som do vento antes de Ekko acionar o dispositivo novamente. O mundo girou. Ele estava exausto. A marca branca em sua pele era agora apenas um rastro pálido.
Ele a viu ali, parada, segurando a bomba contra o peito como se fosse um tesouro precioso, a última âncora que a prendia a um mundo que só lhe dera dor. Isha se fora. O ciclo de azar, como Jinx chamava, parecia ter finalmente vencido.
Ekko respirou fundo, tentando controlar o tremor nas mãos. Ele não usou a força. Ele não avançou como o líder dos Incendiários. Ele apenas falou, com a voz carregada de uma sinceridade que ele não sentia desde que eram crianças em ruelas imundas.
— Eu aprendi com alguém muito especial... — começou ele, dando um passo lento, mantendo os olhos fixos naqueles globos rosa que pareciam buscar algo que não existia mais. — Que não importa o que aconteceu no passado, nunca é tarde demais para construir algo novo por quem vale a pena.
Jinx estancou. O dedo, que estava a milímetros de acionar a carga explosiva, hesitou. Ela olhou para ele, e por um momento, a névoa da cintila pareceu recuar diante da dor pura e crua. Ela não riu. Não fez piadas sobre "Garoto-Prodígio". Ela estava devastada, uma casca de metal e arrependimento.
Lentamente, com os dedos ensanguentados e trêmulos, ela começou a abrir a bomba. Ekko observou, o coração martelando contra as costelas. Ela retirou a pequena esfera Hextech de dentro do mecanismo. O brilho azul da gema iluminou o rosto dela, refletindo-se naquelas íris rosadas, criando um contraste cruel.
Ela estendeu a mão, oferecendo a gema para ele.
Ekko olhou para a pequena bolinha azul. Por um segundo, a ponte voltou à sua mente. O som dos tiros, o cheiro de sangue, a dor da explosão que quase os matou. Naquela ponte, foi a última vez que ele viu os olhos dela azuis. Foi a última vez que ele viu Powder antes que a cintila de Singed a transformasse em algo que o mundo temia. Ele não queria aquela gema. Ele não queria o poder que destruiu tudo o que eles amavam.
Ele ignorou a esfera Hextech. Em vez disso, ele estendeu as mãos e pegou apenas a carcaça da bomba, desarmando-a silenciosamente e jogando-a para o lado. A gema continuou na palma da mão de Jinx, um peso inútil agora.
— Eu não quero isso — sussurrou Ekko. — Eu quero você.
As pernas de Jinx cederam. O peso de tudo o que ela carregava — a morte de Silco, o sacrifício de Isha, a rejeição de Vi, a transformação dolorosa nas mãos de Singed — desabou sobre ela de uma só vez. Ela caiu sentada no chão frio de metal, a gema Hextech rolando para o lado, esquecida.
Ela começou a soluçar. Não eram os soluços histéricos de Jinx, mas o choro desesperado de uma criança que se perdeu no escuro e percebeu que não há caminho de volta.
Ekko não hesitou. Ele se ajoelhou e a puxou para um abraço apertado.
— Está tudo bem... está tudo bem — ele murmurou, enterrando o rosto no ombro dela, sentindo o cheiro de pólvora e o calor febril da cintila que corria em suas veias.
Jinx enterrou o rosto no peito de Ekko, suas mãos ensanguentadas agarrando o tecido da roupa dele com uma força de quem está se afogando. O choro dela era um som quebrado, agudo e sufocante.
— Eu estraguei tudo... — ela conseguiu articular entre os soluços, a voz rouca e pequena. — Ekko... eu quebrei tudo de novo. A Isha... ela...
— Eu sei — interrompeu ele suavemente, apertando-a mais forte, como se pudesse manter os pedaços dela colados apenas com a pressão de seus braços. — Eu sei, Pow. Mas você não está sozinha. Não desta vez.
— Dói — ela gemeu, o corpo inteiro tremendo. — Dói tanto que eu só queria que parasse.
Ekko fechou os olhos, sentindo as lágrimas dele também começarem a cair. Ele se lembrou de cada vez que teve que lutar contra ela, de cada vez que desejou que as coisas fossem diferentes. O Z-Drive podia voltar o tempo, mas não podia curar as cicatrizes na alma. No entanto, ali, naquele momento, o tempo não importava. Não havia passado, não havia futuro, apenas o peso de dois sobreviventes de uma guerra que nunca pediram para lutar.
— Eu estou aqui — ele repetiu, balançando-a levemente, como se estivessem de volta ao esconderijo de Vander, longe das bombas e da política de Piltover. — Eu não vou a lugar nenhum.
Jinx chorou até que não houvesse mais lágrimas, apenas tremores residuais. O brilho rosa de seus olhos parecia menos agressivo sob a luz fraca do covil, suavizado pela exaustão. Ela se afastou apenas o suficiente para olhar para ele, o rosto manchado de fuligem e dor.
— Por que você voltou? — perguntou ela, a voz um fio de som. — Você viu o que eu fiz. Na ponte... em todo lugar.
Ekko limpou uma lágrima do rosto dela com o polegar, ignorando a aspereza da pele marcada pela cintila.
— Porque eu cansei de ver as pessoas que eu amo desaparecerem — respondeu ele com firmeza. — E porque, não importa o quanto você tente se explodir ou se jogar de lugares, eu sempre vou estar lá para puxar a alavanca e tentar de novo. Até você entender que não precisa carregar isso sozinha.
Jinx olhou para as próprias mãos, para o sangue seco sob as unhas. Ela se sentia um monstro, uma maldição ambulante. Mas o calor do abraço de Ekko era real. Era a única coisa real em um mundo de fantasmas e sombras.
— O ciclo de azar... — ela sussurrou.
— Nós vamos quebrá-lo — disse Ekko, pegando a mão dela, entrelaçando seus dedos nos dela. — Um segundo de cada vez.
Eles ficaram ali, sentados no chão frio, cercados pelos destroços de uma vida de caos. O vento continuava a uivar lá fora, mas dentro daquele covil sombrio, pela primeira vez em anos, o relógio parecia ter parado de contar os segundos para a próxima tragédia. Pela primeira vez, havia apenas o silêncio da cura, lenta e dolorosa, mas finalmente iniciada.
