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A menina do porta ao lado da realeza azul

Fandom: Harry Potter como a mistura de realeza

Criado: 05/04/2026

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O Sangue dos Reis e a Relíquia Viva

O Grande Salão de Hogwarts estava imerso no burburinho habitual de uma manhã de segunda-feira. O aroma de bacon frito, torradas e café pairava no ar, misturando-se à luz pálida do outono que atravessava as janelas altas. Hermione Granger estava absorta em seu exemplar de *Sítios Históricos da Magia*, enquanto Harry e Rony discutiam fervorosamente sobre as táticas de Quadribol para o próximo jogo contra a Grifinória.

— Eu estou dizendo, Harry, se o Dino não cobrir o flanco esquerdo, vamos ficar expostos — dizia Rony com a boca meio cheia de torta de rins.

— Eu sei, Rony, mas temos que focar no batedor deles primeiro — respondeu Harry, embora seus olhos estivessem vagando pela Mesa dos Professores.

Havia algo diferente naquela manhã. A Professora McGonagall parecia particularmente tensa, e o Diretor Dumbledore exibia um brilho de expectativa nos olhos que não passava despercebido. De repente, o som metálico de uma colher batendo em um cálice de ouro silenciou o salão. Dumbledore se levantou, seus trajes azul-estrelado cintilando sob o teto encantado.

— Peço a atenção de todos — começou o diretor, sua voz ecoando com uma autoridade gentil. — Hoje é um dia de excepcional importância para Hogwarts. Receberemos alguns alunos transferidos de programas de tutoria privada de elite, algo raro em nossa instituição. Peço que estendam a eles a hospitalidade que define nossa escola.

Hermione fechou o livro, franzindo a testa.

— Alunos novos no meio do semestre? — sussurrou ela para os meninos. — Isso é contra todas as normas de *Hogwarts: Uma História*.

— Talvez sejam estrangeiros — sugeriu Harry, observando as portas duplas do salão se abrirem.

Um pequeno grupo de jovens entrou, mas uma figura em particular parecia atrair a luz e o fôlego de todos os presentes. No final da fila, caminhava uma garota que parecia ter saído diretamente de uma pintura a óleo do Renascimento.

Sua pele era de uma brancura impecável, descrita nos livros de história como "creme de pêssego", sem uma única imperfeição. Seus cabelos eram de um ruivo acobreado profundo, longos e ondulados, caindo como uma cascata real sobre seus ombros. O rosto, de um formato arredondado e clássico, exibia olhos de um azul tão claro que pareciam refletir o céu de inverno. Ela não apenas caminhava; ela deslizava com uma postura que exalava uma autoridade ancestral, uma mistura de dignidade e uma melancolia altiva.

— Pelas barbas de Merlin... — murmurou Rony, paralisado com a torrada no meio do caminho. — Quem é ela?

A Professora McGonagall desenrolou um pergaminho que parecia muito mais antigo e pesado do que o normal. Ela pigarreou, e sua voz tremeu levemente ao ler o nome.

— Isabel Peverell.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Harry sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O nome Peverell era lendário, ligado ao Conto dos Três Irmãos, a origem das Relíquias da Morte. Todos acreditavam que a linhagem direta havia se extinguido há séculos, restando apenas descendentes distantes por ramos colaterais, como os Gaunt ou o próprio Harry.

Isabel caminhou até o banquinho com uma graça que fazia o uniforme de Hogwarts parecer um traje de coroação. Quando ela se sentou, McGonagall colocou o Chapéu Seletor sobre sua cabeça ruiva. O chapéu nem sequer tocou seus fios de cobre antes de gritar para todo o salão:

— GRIFINÓRIA!

A mesa dos leões explodiu em aplausos, embora muitos estivessem mais confusos do que celebrando. Isabel se levantou, ofereceu um aceno de cabeça quase imperceptível para o diretor e caminhou em direção à mesa da Grifinória. Por instinto, os alunos abriram espaço para ela, e ela se sentou exatamente à frente de Hermione, Harry e Rony.

— Olá — disse ela, sua voz soando como música antiga, clara e firme. — É um prazer conhecer meus novos colegas de casa.

— O prazer é nosso — respondeu Hermione, tentando recuperar sua compostura acadêmica. — Eu sou Hermione Granger. Estes são Rony Weasley e Harry Potter.

Os olhos azul-claros de Isabel pousaram em Harry por um momento a mais. Houve um lampejo de reconhecimento, uma compreensão silenciosa entre dois sangues que compartilhavam raízes profundas e sombrias.

— Harry Potter — disse ela, inclinando levemente a cabeça. — O primo distante que sobreviveu. É fascinante finalmente vê-lo.

— Primo? — Rony engasgou. — Você é uma Peverell? De verdade? Achávamos que a linhagem tinha acabado.

Isabel soltou um suspiro suave, e um sorriso triste brincou em seus lábios.

— O mundo mágico esquece que o sangue não flui apenas através de varinhas, mas também através de coroas. Minha família retirou-se para o mundo trouxa quando a perseguição se tornou insuportável, mas nunca deixamos de ser quem somos. Sou a última de minha linhagem, a herdeira final de Ignoto.

— Mas você disse algo sobre coroas — interveio Hermione, cujos olhos brilhavam de curiosidade. — Eu li sobre a aparência de Catarina de Aragão, a rainha consorte da Inglaterra. Você é a imagem cuspida dela.

Isabel olhou para Hermione com respeito.

— Você é muito perspicaz, senhorita Granger. Minha ancestralidade não se limita aos Peverell. Sou descendente direta de cada monarca que governou as terras trouxas, desde os reis guerreiros do século I até as linhagens soberanas que definiram os últimos séculos. O sangue real e o sangue mágico se fundiram em mim para criar uma... última representação.

— Então você é, tipo... uma rainha? — perguntou Rony, boquiaberto.

— No mundo trouxa, eu seria considerada a legítima soberana de várias linhagens extintas — respondeu ela com simplicidade, como se falasse sobre o clima. — Mas aqui, sou apenas Isabel. Uma estudante em busca de compreender o legado que carrego.

A conversa foi interrompida quando as corujas começaram a entrar no salão para a entrega do correio. No entanto, em vez das aves comuns, uma águia dourada majestosa desceu em direção a Isabel, carregando um envelope lacrado com cera púrpura e o brasão de armas real.

Ela pegou a carta com dedos longos e pálidos, quebrando o lacre com uma elegância natural. Enquanto lia, o salão inteiro parecia observar cada movimento seu.

— Algum problema? — Harry perguntou, notando a sombra que cruzou o rosto dela.

— Apenas deveres que não podem ser ignorados — disse ela, guardando a carta na dobra de suas vestes. — Ser a última de uma linhagem significa que cada sussurro do passado exige uma resposta no presente.

— Deve ser difícil — comentou Harry, sentindo uma estranha empatia. — Carregar um nome que todos esperam algo de você.

Isabel olhou para ele, e por um momento, a beleza estonteante de seu rosto foi substituída por uma expressão de sabedoria secular.

— Nós não escolhemos nossos nomes, Harry Potter. Mas escolhemos se seremos o fim de uma história ou o começo de uma nova. Eu vim para Hogwarts porque o equilíbrio está mudando. O retorno de certas sombras exige que o sangue antigo se levante novamente.

Hermione sentiu um calafrio. Ela sabia que Isabel não estava falando apenas de genealogia. Havia um poder ali, uma magia que cheirava a carvalho antigo, ouro e sacrifício.

— O que você quer dizer com "o sangue antigo se levante"? — perguntou Hermione em voz baixa.

Isabel inclinou-se para frente, o cabelo ruivo caindo sobre a mesa como um manto de fogo.

— O Lorde das Trevas acredita que é o herdeiro de uma linhagem nobre, mas ele é apenas um eco de uma linhagem que se corrompeu. Ele esqueceu que existem forças mais velhas que as dele. Forças que não vêm de ambição, mas de direito divino e sacrifício.

Ela se levantou, e o movimento foi tão súbito e majestoso que o barulho ao redor cessou novamente.

— Com licença, preciso falar com o Diretor Dumbledore sobre minhas acomodações. Foi um prazer conhecê-los.

Enquanto ela se afastava, sua silhueta destacando-se contra as grandes portas, Rony soltou o ar que nem percebera que estava prendendo.

— Munique, Harry... ela é... uau.

— Ela é perigosa — corrigiu Hermione, embora seus olhos estivessem cheios de admiração. — Não perigosa como um inimigo, mas como uma força da natureza. Harry, você percebeu o que ela é? Ela não é apenas uma bruxa. Ela é a união de dois mundos que tentamos manter separados por séculos. A realeza trouxa e a nobreza bruxa mais pura.

Harry olhou para a sua própria mão, pensando na Capa da Invisibilidade que estava em seu malão, a Relíquia que o ligava a ela.

— Ela disse que o sangue antigo precisa se levantar — repetiu Harry. — Acho que Hogwarts acabou de se tornar o centro de algo muito maior do que uma guerra bruxa.

— Se ela é realmente descendente de Catarina de Aragão e dos Peverell — murmurou Hermione, já planejando uma ida à biblioteca —, ela possui reivindicações de terras e magias que nem o Ministério ousaria tocar. Ela é intocável.

Naquele momento, Isabel parou à porta e olhou para trás uma última vez. A luz do sol atingiu seus olhos azuis claros, fazendo-os brilhar com uma intensidade quase sobrenatural. Ela deu um pequeno sorriso para o trio — um sorriso que prometia alianças, segredos e uma mudança irrevogável no destino do mundo mágico.

A última Peverell havia chegado, e com ela, a majestade de milênios. Hogwarts nunca mais seria a mesma.
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