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Castamar

Fandom: A cozinheira de Castamar

Criado: 05/04/2026

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RomanceDramaHistóricoPsicológicoMistérioSuspenseEstudo de PersonagemTragédiaNoir GóticoSombrio
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Sombras e Sedas em Castamar

O sol de Castamar começava a se pôr, tingindo as janelas de carmesim e ouro, mas para Clara, a beleza da propriedade sempre vinha acompanhada de uma leve melancolia. Como irmã de Diego, o Duque de Castamar, ela gozava de uma liberdade que poucas mulheres de sua posição possuíam. Diego a amava profundamente e, após as tragédias que assolaram a família, ele permitia que ela vivesse conforme seus próprios termos, sem a pressa de um casamento por conveniência.

Clara era uma alma curiosa, dedicada aos livros e às artes, mas havia um território que permanecia um mapa em branco para ela: a intimidade. Ela via o amor nos olhos de seu irmão por Amelia, ouvia os sussurros nos corredores, mas a experiência carnal era um mistério envolto em rendas e protocolos.

Até que Enrique de Arcona cruzou seu caminho de forma definitiva.

Enrique era um homem de sorrisos fáceis e intenções sombrias. Ele gravitava em torno de Castamar não por lealdade, mas por uma vingança silenciosa que nutria contra Diego. No entanto, ao observar Clara na biblioteca naquela tarde, algo nele vacilou. Ela não era apenas a irmã do seu inimigo; ela era uma criatura de uma pureza desconcertante, com olhos que pareciam ler a alma de quem a cercava.

— A senhorita parece perdida em pensamentos que nenhum desses livros poderia conter — disse Enrique, encostando-se no batente da porta de carvalho.

Clara deu um pequeno salto, fechando o volume que segurava. O coração disparou, uma reação que ela ainda não sabia nomear.

— O senhor tem o hábito de assustar as damas, Dom Enrique? — perguntou ela, tentando manter a voz firme.

Ele se aproximou com passos lentos, a bota ecoando suavemente no tapete caro.

— Apenas as que me interessam — ele respondeu, parando a uma distância que desafiava o decoro. — E a senhorita, Clara, é o maior interesse que Castamar já produziu.

Clara sentiu o rosto esquentar. Ela amava o irmão acima de tudo e sabia que Diego confiava em Enrique, embora às vezes o achasse impulsivo. Se Enrique era amigo de Diego, ela sentia que podia baixar a guarda. O que ela não sabia era que, naquela mesma manhã, Enrique estivera em um beco escuro de Madri, conspirando para arruinar o ducado.

— Meu irmão fala bem de sua astúcia — disse ela, desviando o olhar. — Mas não sabia que a usava para lisonjear irmãs alheias.

— Não é lisonja se for a verdade — Enrique estendeu a mão, tocando levemente a ponta dos dedos de Clara. — Há uma curiosidade em seus olhos, Clara. Algo que clama para ser descoberto.

O toque dele foi como uma centelha em palha seca. Clara, que nunca permitira que um homem se aproximasse tanto, sentiu uma vertigem desconhecida. Ela era independente em suas ideias, mas seu corpo era um instrumento que nunca fora tocado.

— Eu... eu não sei do que o senhor está falando — sussurrou ela, embora sua mão não se afastasse da dele.

— Sabe sim — Enrique murmurou, aproximando o rosto do dela. — Você conhece o mundo através das páginas, mas nunca o sentiu na pele. Deixe-me mostrar o que os livros não podem ensinar.

Antes que ela pudesse protestar, Enrique a puxou para o espaço sombreado entre as estantes altas. O beijo foi súbito, faminto e carregado de uma perícia que a deixou sem fôlego. Clara soltou um suspiro involuntário contra os lábios dele. Era uma invasão, mas uma que ela desejava sem saber.

— Enrique... — ela ofegou, quando ele desceu os beijos para seu pescoço. — Isso não é correto. Diego...

— Diego não precisa saber de tudo — interrompeu ele, sua voz rouca de desejo e de uma malícia que ela confundiu com paixão. — Este momento é nosso. Apenas nosso.

Ele a conduziu para um divã escondido no fundo da biblioteca, um refúgio que raramente era usado. As mãos dele, experientes, começaram a desfazer os pequenos botões do vestido de Clara. Ela tremia, não de medo, mas de uma antecipação que a sufocava.

— Eu nunca... — ela começou a dizer, os olhos arregalados enquanto a pele dos ombros era exposta ao ar frio da sala.

— Eu sei — disse ele, suavizando o tom. — Eu serei gentil. Deixe-me ser o primeiro a te despertar.

A inocência de Clara era um contraste gritante com a escuridão no coração de Enrique. Enquanto ele a possuía, explorando cada curva de seu corpo virgem com uma mistura de luxúria e uma estranha, quase imperceptível, ternura, sua mente ainda traçava os planos para derrubar o irmão dela. Ele sentia o calor dela, ouvia seus gemidos de descoberta e dor inicial que logo se transformavam em prazer, e uma parte dele sentia o peso da traição. Mas o ódio por Diego era uma ferida mais antiga e profunda.

Clara entregou-se totalmente. Para ela, aquele ato era um selo de união, algo que a ligava a Enrique e, por extensão, fortalecia os laços de amizade que ele tinha com seu irmão. Em sua mente pura, ela estava vivendo o amor que lia nos poemas.

Horas depois, quando as sombras já haviam dominado a biblioteca e apenas uma única vela queimava em um suporte distante, Clara descansava a cabeça no peito de Enrique, coberta apenas por seu xale de seda.

— Você está bem? — perguntou ele, passando a mão pelos cabelos desalinhados dela.

— Eu me sinto... diferente — confessou ela, a voz baixa. — Sinto que agora entendo por que o mundo gira. Enrique, você é um homem bom por cuidar de mim assim.

As palavras dela foram como um punhal nas costas dele. Enrique fechou os olhos por um segundo.

— Você não deve tirar conclusões sobre o meu caráter por uma tarde de prazer, Clara — disse ele, tentando manter a distância emocional.

— Mas você é amigo de Diego — ela insistiu, sentando-se e segurando a mão dele. — E agora, você é algo mais para mim. Eu faria qualquer coisa para proteger aqueles que amo. Meu irmão e você.

Enrique sentiu um gosto amargo na boca. Ele se levantou, começando a se vestir com uma pressa que ela não compreendeu.

— O que foi? — perguntou ela, preocupada.

— Preciso ir. Tenho assuntos a tratar na cidade — mentiu ele. Na verdade, ele tinha um encontro com o marquês de Soto, para discutir como sabotar o próximo carregamento de suprimentos que Diego esperava.

— Voltará amanhã? — Clara perguntou, os olhos brilhando com uma esperança que o incomodava.

— Voltarei — respondeu ele, aproximando-se para um último beijo, desta vez mais frio. — Mas lembre-se, Clara: o que aconteceu aqui deve permanecer em segredo. Diego não entenderia. Ele é... protetor demais.

— Eu sei — disse ela, sorrindo docemente. — Guardarei nosso segredo como o tesouro mais precioso de Castamar.

Enrique saiu da biblioteca sem olhar para trás. Ele caminhou pelos jardins, sentindo o perfume das flores que Diego tanto se orgulhava de cultivar. Cada passo era uma mentira. Ele acabara de desonrar a irmã do homem que fingia apoiar, usando a inocência dela para satisfazer um desejo que agora o deixava inquieto.

Enquanto montava em seu cavalo, Enrique viu Diego na varanda superior, acenando para ele com um sorriso de confiança. O Duque de Castamar não desconfiava de nada. Não sabia que sua irmã agora pertencia, em corpo e segredo, ao seu pior inimigo.

Clara, ainda na biblioteca, vestia-se lentamente, sentindo o latejar suave em seu corpo, uma lembrança constante de Enrique. Ela olhou para o retrato da família na parede e sorriu para a imagem de Diego.

— Agora eu entendo, irmão — sussurrou ela para o vazio. — Agora eu entendo o que é amar alguém a ponto de querer fundir sua alma à dele.

Ela não podia imaginar que, enquanto sonhava com futuros encontros, Enrique de Arcona estava galopando em direção à traição final, usando o amor dela como um escudo e a ignorância de Diego como sua maior arma. A tragédia de Castamar estava apenas começando, e Clara, em sua doce e recém-descoberta feminilidade, era a peça mais frágil e perigosa de um tabuleiro que ela sequer sabia que existia.
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