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Laços que Permanecem

Fandom: Borusara

Criado: 07/04/2026

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RomanceDramaDor/ConfortoCenário CanônicoDivergênciaCena PerdidaEstudo de Personagem
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As Correntes do Destino e o Calor do Rio

O som da água correndo sobre as pedras era a única melodia que rompia o silêncio da noite em Konoha. Naquele refúgio escondido, onde as árvores pareciam guardar segredos seculares, o tempo parecia ter congelado. Boruto e Sarada estavam sentados à beira do rio, os dedos entrelaçados como se temessem que, ao soltarem, a realidade os puxasse de volta para o peso de suas responsabilidades.

Após as confissões sussurradas e os "eu te amo" que ecoaram como promessas sagradas, Sarada sentiu uma leveza que não experimentava desde que o chapéu de Hokage fora colocado sobre sua cabeça. Ela inclinou o rosto, fechando os olhos, e depositou um selinho demorado nos lábios de Boruto. Foi um toque suave, carregado de uma saudade que sete anos não conseguiram apagar.

Boruto soltou um suspiro pesado, uma mistura de desejo e preocupação. Ele se afastou apenas alguns centímetros, o suficiente para encarar aqueles olhos negros que agora brilhavam com uma malícia que ele conhecia bem.

— Não comece a me beijar desse jeito, Sarada — ele avisou, a voz rouca, tentando manter um resquício de lucidez. — Eu não vou conseguir me controlar, e você sabe disso.

Sarada soltou uma risada baixa, um som que aqueceu o peito de Boruto mais do que qualquer fogueira.

— E quem disse que eu quero que você se controle? — provocou ela, passando a mão pelo contorno da mandíbula dele, sentindo a textura da pele marcada pelas batalhas.

— Você ainda não está com o corpo cem por cento recuperado daquela última missão — Boruto insistiu, embora suas mãos já estivessem descendo para a cintura dela por puro instinto. — Eu não quero te machucar ou exigir demais de você.

Sarada arqueou uma sobrancelha, o orgulho Uchiha reluzindo em seu olhar, misturado a uma feminilidade audaciosa que ela só permitia que ele visse.

— Eu sou a Hokage, Boruto. Eu enfrento exércitos e lido com o conselho da vila todos os dias. Você está mesmo me subestimando? Acha que não aguento você?

— Não é questão de força, Sarada, é questão de cuidado — ele rebateu, mas o sorriso dela estava desarmando todas as suas defesas.

— Eu sou forte, Boruto. E eu sou sua. — Ela se inclinou para frente, selando seus lábios novamente, mas desta vez o beijo não foi um simples toque. Foi profundo, faminto, uma reivindicação de tudo o que haviam perdido no tempo em que estiveram separados.

Boruto gemeu baixo contra a boca dela, a resistência desmoronando como um castelo de areia atingido pela maré. Ele a puxou para mais perto, sentindo o calor do corpo dela através do uniforme oficial que ela ainda usava. Aquele contraste — a líder máxima da vila nos braços do shinobi errante — era a personificação do caos e da perfeição que definiam a vida deles.

— Você é impossível — murmurou Boruto entre os beijos, as mãos agora subindo pelas costas dela, sentindo a firmeza de seus músculos.

— E você sentiu falta disso a cada segundo que esteve fora — ela respondeu, a voz carregada de uma certeza absoluta.

Eles se moveram em sincronia para a margem mais rasa, onde a grama alta e macia encontrava a água fresca. O cenário era uma rima visual da primeira vez que haviam se entregado um ao outro, anos atrás, antes de o mundo desabar sobre suas cabeças. Mas agora, havia uma maturidade diferente. Não era apenas a urgência da juventude, era o desespero de duas almas que haviam sobrevivido ao inferno para se reencontrarem.

— Lembra-se daquela vez? — perguntou Sarada, enquanto Boruto começava a desamarrar a capa dela com dedos trêmulos, algo raro para um homem que conseguia manusear uma katana com precisão milimétrica sob pressão.

— Eu nunca esqueci um único detalhe — ele confessou, os olhos azuis fixos nos dela. — Eu revivi aquele momento em cada noite fria que passei escondido nas sombras das outras nações. Era o que me mantinha humano.

À medida que as roupas eram deixadas de lado, a pele de ambos era banhada pelo luar. Sarada estremeceu, não de frio, mas pela intensidade do olhar de Boruto. Ele a tocava como se ela fosse feita de porcelana, mas a apertava com a força de quem nunca mais pretendia deixá-la ir.

Quando seus corpos finalmente se uniram, o mundo exterior deixou de existir. Não havia mais conselho de Konoha, não havia ameaças de Otsutsuki, não havia o peso de um sobrenome ou de um cargo. Havia apenas o ritmo compartilhado, o calor que emanava de onde suas peles se tocavam e o som da respiração ofegante que se misturava ao murmúrio do rio.

Boruto se perdeu nela. Ele sentia cada cicatriz, cada linha de tensão que Sarada carregava como Hokage, e tentava beijar cada uma delas, querendo levar embora toda a dor que ela sentira em sua ausência. Sarada, por sua vez, envolvia-o com as pernas e braços, prendendo-o a si, querendo garantir que ele estivesse ali, que fosse real, que não fosse apenas mais um sonho de uma noite solitária no escritório.

— Boruto... — ela arquejou, o nome dele soando como uma prece.

— Eu estou aqui, Sarada. Eu não vou a lugar nenhum — ele prometeu, a voz vibrando contra o pescoço dela.

O clímax veio como uma onda avassaladora, deixando-os exaustos e trêmulos, envoltos um no outro enquanto a água do rio lambia seus pés. O silêncio que se seguiu não era desconfortável; era o silêncio da paz finalmente alcançada.

Minutos depois, Boruto a puxou para o seu peito, cobrindo-os com sua capa de viagem, que cheirava a terra e aventura, mas que agora servia como o cobertor mais luxuoso do mundo.

— Você está bem? — ele perguntou, preocupado, beijando o topo da cabeça dela. — Eu não exagerei?

Sarada soltou um suspiro satisfeito, aninhando-se mais profundamente no abraço dele.

— Eu disse que aguentava. Na verdade, acho que era exatamente disso que eu precisava para me sentir "cem por cento" recuperada.

Eles riram baixo, uma cumplicidade que só quem cresceu junto poderia ter. No entanto, a realidade logo começou a se infiltrar novamente.

— Como vamos fazer amanhã? — perguntou Sarada, a voz agora mais séria. — Shikamaru já está desconfiado das minhas "saídas noturnas" para inspecionar as fronteiras. E Mitsuki... ele me olha como se soubesse exatamente onde você está escondido.

Boruto suspirou, passando a mão pelos cabelos loiros e úmidos.

— Deixe que desconfiem. Por enquanto, a burocracia é nossa melhor aliada. Vou continuar entregando meus relatórios diretamente a você, sob o pretexto de missões confidenciais de inteligência. Ninguém questiona a Hokage quando o assunto é segurança nacional.

— É um jogo perigoso, Boruto — disse ela, levantando a cabeça para olhá-lo. — Se o conselho descobrir que estou mantendo um relacionamento com um shinobi que ainda é visto com ressalvas por muitos... eles podem tentar usar isso contra a minha autoridade.

— Eu sei. Mas eu passei sete anos sendo um fantasma para proteger esta vila. Agora, eu vou ser o seu porto seguro nas sombras para que você possa brilhar na luz. Se eles quiserem me julgar, que tentem. Mas ninguém vai tirar você de mim de novo.

Sarada sentiu uma pontada de preocupação, mas a determinação na voz dele a acalmou.

— Konohamaru também vai perceber logo — comentou ela. — Ele nos conhece bem demais. Ele foi nosso mestre.

— O "mano" Konohamaru é leal a você acima de tudo — Boruto ponderou. — Ele pode não gostar do segredo, mas ele vai entender o porquê. Ele sabe o que você sacrificou por esse cargo.

Eles ficaram em silêncio por um tempo, observando as estrelas refletidas na superfície da água. A transição de Boruto de um andarilho para alguém fixo em Konoha não seria fácil. Ele ainda carregava o peso de sua jornada solitária, e Sarada ainda carregava o peso de um povo. Mas ali, naquele momento, eles eram apenas dois jovens que se amavam, desafiando as probabilidades.

— Você prometeu que não me deixaria mais — lembrou Sarada, a voz subitamente pequena, revelando a vulnerabilidade que ela escondia de todos os outros.

Boruto segurou o rosto dela com ambas as mãos, obrigando-a a olhar diretamente para ele.

— Eu morreria antes de quebrar essa promessa de novo, Sarada. Minha vida errante acabou. Minha casa não é mais um acampamento em algum país distante. Minha casa é onde você estiver. Mesmo que tenhamos que nos encontrar às escondidas em rios ou em escritórios trancados à meia-noite... eu estarei lá.

Sarada sorriu, um sorriso que iluminou seu rosto de uma forma que nenhum título de Hokage jamais faria.

— Então acho melhor começarmos a planejar nossa próxima "reunião estratégica" — brincou ela, começando a se vestir enquanto o sol ameaçava dar os primeiros sinais de vida no horizonte. — Temos muitos relatórios para revisar.

— Muitos mesmo — concordou Boruto, ajudando-a a ajustar o colete. — E eu pretendo ser muito minucioso em cada um deles.

Eles caminharam de volta para a vila separadamente, como haviam combinado. Boruto desapareceu entre as sombras das árvores com a agilidade de um mestre, enquanto Sarada seguiu pela trilha principal, recompondo sua postura de líder.

Ao atravessar os portões de Konoha, ela sentiu o peso do chapéu de Hokage retornar, mas desta vez, a carga parecia mais leve. Ela não estava mais carregando o mundo sozinha. Nas sombras, um passo atrás dela, estava o homem que era sua força, seu segredo e seu amor.

O relacionamento clandestino era um campo minado político, e as consequências de uma descoberta poderiam ser desastrosas. No entanto, enquanto Sarada subia as escadas do prédio administrativo e via o sol nascer sobre as faces esculpidas dos Hokages, ela sabia que valeria a pena cada risco. O fogo da vontade queimava em seu peito, mas agora, era o calor de Boruto que mantinha a chama viva.

O jogo de aparências estava apenas começando, e eles estavam prontos para jogar. Porque, no final das contas, o destino deles sempre esteve entrelaçado, e nem mesmo as leis de uma vila ou o tempo poderiam desfazer o que o coração já havia selado à beira daquele rio.
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