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Desejos
Фандом: Parmiga
Создан: 12.04.2026
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O Perfume das Laranjeiras e o Peso de um Nome
O mármore frio dos corredores da mansão Farmiga em Roma parecia ecoar o peso dos segredos que aquelas paredes guardavam. Vera, com seus dezessete anos e uma delicadeza que escondia uma vontade de ferro, caminhava na ponta dos pés, o coração martelando contra as costelas. O som vinha do escritório de seu pai, uma melodia dissonante de vozes alteradas que quebrava a harmonia habitual da casa.
— Você não pode fazer isso, Jack! Ela é sua filha, não uma moeda de troca! — A voz de Eleanor Farmiga, geralmente suave e melodiosa, estava carregada de um desespero cortante.
— É um negócio, Eleanor! Mike Garcia tem o controle das rotas americanas que precisamos. A dívida é alta demais e o acordo está selado. Vera se casará com ele e garantirá o futuro desta família — respondeu Jack, a voz gélida e pragmática, desprovida de qualquer sentimentalismo paternal.
— Você está vendendo a nossa leoa para um traficante! Eu a protegi desse mundo sujo cada segundo da vida dela para você entregá-la agora? — O grito de Eleanor terminou em um soluço sufocado.
Vera sentiu o mundo girar. O ar parecia ter se transformado em chumbo nos seus pulmões. Mike Garcia. Ela conhecia o nome; um homem conhecido pela crueldade, cujas mãos estavam manchadas por mais sangue do que ela podia imaginar. Sem fôlego, ela recuou, as mãos trêmulas cobrindo a boca para abafar um grito, e correu em direção ao seu quarto.
Ao fechar a porta de carvalho pesado, Vera desabou. Ela se jogou na cama, enterrando o rosto nos travesseiros para que seus soluços não fossem ouvidos pelos seguranças que patrulhavam o jardim. A vida que ela conhecia — as aulas de piano, os passeios por Roma, os sonhos de estudar artes — estava sendo incinerada por uma dívida de máfia.
Horas se passaram. O sol começou a se despedir de Roma, pintando o céu de tons alaranjados e violetas, mas para Vera, tudo era cinza. Uma batida suave na porta a fez se encolher.
— Vera, querida? Sou eu.
Eleanor entrou no quarto. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, mas ela mantinha a postura elegante que a elite romana tanto admirava. Ela sentou-se na beira da cama e começou a acariciar os cabelos loiros da filha.
— Eu ouvi, mamãe — sussurrou Vera, a voz rouca de tanto chorar. — Como ele pôde?
— Seu pai... ele vê o mundo através de números e territórios, Vera. Eu tentei, juro que tentei fazê-lo mudar de ideia. — Eleanor puxou a filha para um abraço apertado, o cheiro de perfume caro e rosas tentando, em vão, trazer algum conforto. — Eu não vou deixar que ele te machuque.
— Mas o acordo está feito. Eu sou apenas uma Farmiga. Um sobrenome em um contrato.
Eleanor tentou fazer com que Vera comesse algo, trazendo uma bandeja com frutas e pães frescos, mas a jovem recusou tudo. O estômago de Vera estava em nós. Ela passou o resto do dia em um estado catatônico, observando as sombras se alongarem pelo quarto até que a noite caísse completamente sobre a Cidade Eterna.
Perto das duas da manhã, Vera se levantou. Ela conhecia a rotina da casa. Sabia que, naquele exato momento, os seguranças do setor oeste trocavam de turno, deixando uma janela de cinco minutos de vigilância frouxa perto do muro baixo que dava para o jardim dos fundos.
Vestindo um casaco escuro e calças simples, ela abriu a janela com cuidado. O ar fresco da noite atingiu seu rosto, trazendo um breve alívio para a febre de sua angústia. Ela desceu pela trepadeira de ferro, seus pés tocando a grama úmida com leveza. Como uma sombra, ela atravessou o jardim e escalou o muro, pulando para o outro lado, para a liberdade temporária das ruas de Roma.
Ela caminhou sem rumo por algum tempo, até que seus pés a levaram, quase por instinto, ao Giardino degli Aranci — o Parque das Laranjeiras. Era o lugar para onde Eleanor a levava quando era criança, um refúgio de paz com uma vista deslumbrante da cidade.
Ao entrar no parque, o perfume cítrico das laranjeiras envolveu seus sentidos. No entanto, ela não estava sozinha. Sentado em um dos bancos de pedra, olhando para o horizonte onde a cúpula de São Pedro se destacava contra o céu escuro, estava um homem.
Vera tentou recuar, mas acabou tropeçando em um galho seco, quebrando o silêncio da noite com um estalo seco.
— É um pouco tarde para uma caminhada recreativa, não acha? — O homem falou sem se virar. Sua voz era calma, profunda e tinha um timbre que estranhamente não transmitia perigo.
Vera se empertigou, tentando recuperar a compostura de uma Farmiga.
— Eu poderia dizer o mesmo do senhor. O parque está fechado.
O homem se virou lentamente. Ele era jovem, talvez alguns anos mais velho que ela, com feições marcantes e olhos de um azul tão intenso que pareciam brilhar sob a luz fraca dos postes distantes. Ele se levantou, revelando uma estatura imponente.
— Por que você está fugindo? — perguntou ele, direto.
— Eu não estou fugindo — mentiu Vera, desviando o olhar.
O homem soltou um riso curto e sem humor, aproximando-se um passo.
— Mentira. Ninguém pula muros e corre pelas ruas a essa hora se não estiver fugindo de algo. Ou de alguém. — Ele estendeu a mão e, antes que ela pudesse protestar, retirou um pequeno galho que havia ficado preso no cabelo dela durante a fuga. — E você tem um galo começando a se formar na testa. Deve ter batido na janela ou no muro.
Vera levou a mão à testa, sentindo a pequena protuberância dolorida. Ela suspirou, a exaustão vencendo sua fachada de arrogância.
— Não é normal alguém estar aqui às duas da manhã — rebateu ela, tentando mudar o foco.
— Eu estou tendo um dia difícil — respondeu ele, os olhos azuis perdendo um pouco do brilho, tornando-se sombrios. — Às vezes, o peso do mundo fica grande demais para ser carregado dentro de quatro paredes.
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, apenas ouvindo o vento sussurrar entre as laranjeiras. Havia uma conexão silenciosa ali, uma compreensão mútua de que ambos carregavam fardos que não haviam escolhido.
O homem estendeu a mão direita em um gesto formal, mas gentil.
— Patrick. Patrick Wilson.
Vera estancou. O nome ecoou em sua mente como um trovão. Ela repetiu o sobrenome em um sussurro, quase sem acreditar.
— Wilson?
— Sim. Algum problema? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— Você é dos Wilson de Florença? — perguntou ela, a voz carregada de uma nova tensão.
Patrick assentiu, um meio sorriso amargo surgindo em seus lábios.
— Exatamente. O clã Wilson.
Vera soltou uma risada nervosa, dando um passo para trás. O destino tinha um senso de humor doentio. Os Wilson eram a família mais poderosa do norte, rivais históricos dos Farmiga. Seu pai passara anos amaldiçoando aquele sobrenome em jantares e reuniões de negócios.
— O que faltava no meu dia era estar falando com um cabo da máfia em um parque deserto — disse ela, cruzando os braços.
— Eu não sou um cabo — corrigiu ele, a voz mantendo a calma, embora houvesse uma centelha de diversão em seus olhos.
— Você é um Wilson — rebateu Vera, como se isso explicasse tudo. — No meu mundo, isso significa que você é um soldado, um herdeiro ou um carrasco.
Patrick deu de ombros, voltando a se sentar no banco de pedra e fazendo um sinal para que ela se juntasse a ele.
— E no meu mundo, nomes são apenas etiquetas que nos colocam antes de nascermos. Mas você ainda não me disse o seu. Como devo chamar a garota que foge no meio da noite e conhece tão bem a hierarquia das famílias?
Vera hesitou. Se dissesse seu sobrenome, a rivalidade entre as famílias poderia tornar aquele encontro perigoso. Mas ali, sob as laranjeiras, envolta pela escuridão e pelo perfume cítrico, ela não queria ser a "moeda de troca" de Jack Farmiga.
— Vera — disse ela finalmente, sentando-se na outra extremidade do banco, mantendo uma distância segura. — Apenas Vera.
— Apenas Vera — repetiu Patrick, saboreando o nome. — Um nome simples para uma situação tão complicada.
— Você não faz ideia do quanto — sussurrou ela, olhando para as luzes de Roma.
— Talvez eu faça — disse Patrick, sua voz baixando de tom. — Talvez estejamos no mesmo barco, Vera. Fugindo de destinos que outros escreveram para nós.
Vera olhou para ele, e pela primeira vez naquela noite, sentiu que não estava sozinha em sua prisão de ouro e sangue. O herdeiro dos Wilson e a filha dos Farmiga, dois estranhos unidos pela sombra de seus sobrenomes, ali, onde o perfume das laranjeiras era a única coisa que parecia real.
— Você não pode fazer isso, Jack! Ela é sua filha, não uma moeda de troca! — A voz de Eleanor Farmiga, geralmente suave e melodiosa, estava carregada de um desespero cortante.
— É um negócio, Eleanor! Mike Garcia tem o controle das rotas americanas que precisamos. A dívida é alta demais e o acordo está selado. Vera se casará com ele e garantirá o futuro desta família — respondeu Jack, a voz gélida e pragmática, desprovida de qualquer sentimentalismo paternal.
— Você está vendendo a nossa leoa para um traficante! Eu a protegi desse mundo sujo cada segundo da vida dela para você entregá-la agora? — O grito de Eleanor terminou em um soluço sufocado.
Vera sentiu o mundo girar. O ar parecia ter se transformado em chumbo nos seus pulmões. Mike Garcia. Ela conhecia o nome; um homem conhecido pela crueldade, cujas mãos estavam manchadas por mais sangue do que ela podia imaginar. Sem fôlego, ela recuou, as mãos trêmulas cobrindo a boca para abafar um grito, e correu em direção ao seu quarto.
Ao fechar a porta de carvalho pesado, Vera desabou. Ela se jogou na cama, enterrando o rosto nos travesseiros para que seus soluços não fossem ouvidos pelos seguranças que patrulhavam o jardim. A vida que ela conhecia — as aulas de piano, os passeios por Roma, os sonhos de estudar artes — estava sendo incinerada por uma dívida de máfia.
Horas se passaram. O sol começou a se despedir de Roma, pintando o céu de tons alaranjados e violetas, mas para Vera, tudo era cinza. Uma batida suave na porta a fez se encolher.
— Vera, querida? Sou eu.
Eleanor entrou no quarto. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, mas ela mantinha a postura elegante que a elite romana tanto admirava. Ela sentou-se na beira da cama e começou a acariciar os cabelos loiros da filha.
— Eu ouvi, mamãe — sussurrou Vera, a voz rouca de tanto chorar. — Como ele pôde?
— Seu pai... ele vê o mundo através de números e territórios, Vera. Eu tentei, juro que tentei fazê-lo mudar de ideia. — Eleanor puxou a filha para um abraço apertado, o cheiro de perfume caro e rosas tentando, em vão, trazer algum conforto. — Eu não vou deixar que ele te machuque.
— Mas o acordo está feito. Eu sou apenas uma Farmiga. Um sobrenome em um contrato.
Eleanor tentou fazer com que Vera comesse algo, trazendo uma bandeja com frutas e pães frescos, mas a jovem recusou tudo. O estômago de Vera estava em nós. Ela passou o resto do dia em um estado catatônico, observando as sombras se alongarem pelo quarto até que a noite caísse completamente sobre a Cidade Eterna.
Perto das duas da manhã, Vera se levantou. Ela conhecia a rotina da casa. Sabia que, naquele exato momento, os seguranças do setor oeste trocavam de turno, deixando uma janela de cinco minutos de vigilância frouxa perto do muro baixo que dava para o jardim dos fundos.
Vestindo um casaco escuro e calças simples, ela abriu a janela com cuidado. O ar fresco da noite atingiu seu rosto, trazendo um breve alívio para a febre de sua angústia. Ela desceu pela trepadeira de ferro, seus pés tocando a grama úmida com leveza. Como uma sombra, ela atravessou o jardim e escalou o muro, pulando para o outro lado, para a liberdade temporária das ruas de Roma.
Ela caminhou sem rumo por algum tempo, até que seus pés a levaram, quase por instinto, ao Giardino degli Aranci — o Parque das Laranjeiras. Era o lugar para onde Eleanor a levava quando era criança, um refúgio de paz com uma vista deslumbrante da cidade.
Ao entrar no parque, o perfume cítrico das laranjeiras envolveu seus sentidos. No entanto, ela não estava sozinha. Sentado em um dos bancos de pedra, olhando para o horizonte onde a cúpula de São Pedro se destacava contra o céu escuro, estava um homem.
Vera tentou recuar, mas acabou tropeçando em um galho seco, quebrando o silêncio da noite com um estalo seco.
— É um pouco tarde para uma caminhada recreativa, não acha? — O homem falou sem se virar. Sua voz era calma, profunda e tinha um timbre que estranhamente não transmitia perigo.
Vera se empertigou, tentando recuperar a compostura de uma Farmiga.
— Eu poderia dizer o mesmo do senhor. O parque está fechado.
O homem se virou lentamente. Ele era jovem, talvez alguns anos mais velho que ela, com feições marcantes e olhos de um azul tão intenso que pareciam brilhar sob a luz fraca dos postes distantes. Ele se levantou, revelando uma estatura imponente.
— Por que você está fugindo? — perguntou ele, direto.
— Eu não estou fugindo — mentiu Vera, desviando o olhar.
O homem soltou um riso curto e sem humor, aproximando-se um passo.
— Mentira. Ninguém pula muros e corre pelas ruas a essa hora se não estiver fugindo de algo. Ou de alguém. — Ele estendeu a mão e, antes que ela pudesse protestar, retirou um pequeno galho que havia ficado preso no cabelo dela durante a fuga. — E você tem um galo começando a se formar na testa. Deve ter batido na janela ou no muro.
Vera levou a mão à testa, sentindo a pequena protuberância dolorida. Ela suspirou, a exaustão vencendo sua fachada de arrogância.
— Não é normal alguém estar aqui às duas da manhã — rebateu ela, tentando mudar o foco.
— Eu estou tendo um dia difícil — respondeu ele, os olhos azuis perdendo um pouco do brilho, tornando-se sombrios. — Às vezes, o peso do mundo fica grande demais para ser carregado dentro de quatro paredes.
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, apenas ouvindo o vento sussurrar entre as laranjeiras. Havia uma conexão silenciosa ali, uma compreensão mútua de que ambos carregavam fardos que não haviam escolhido.
O homem estendeu a mão direita em um gesto formal, mas gentil.
— Patrick. Patrick Wilson.
Vera estancou. O nome ecoou em sua mente como um trovão. Ela repetiu o sobrenome em um sussurro, quase sem acreditar.
— Wilson?
— Sim. Algum problema? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— Você é dos Wilson de Florença? — perguntou ela, a voz carregada de uma nova tensão.
Patrick assentiu, um meio sorriso amargo surgindo em seus lábios.
— Exatamente. O clã Wilson.
Vera soltou uma risada nervosa, dando um passo para trás. O destino tinha um senso de humor doentio. Os Wilson eram a família mais poderosa do norte, rivais históricos dos Farmiga. Seu pai passara anos amaldiçoando aquele sobrenome em jantares e reuniões de negócios.
— O que faltava no meu dia era estar falando com um cabo da máfia em um parque deserto — disse ela, cruzando os braços.
— Eu não sou um cabo — corrigiu ele, a voz mantendo a calma, embora houvesse uma centelha de diversão em seus olhos.
— Você é um Wilson — rebateu Vera, como se isso explicasse tudo. — No meu mundo, isso significa que você é um soldado, um herdeiro ou um carrasco.
Patrick deu de ombros, voltando a se sentar no banco de pedra e fazendo um sinal para que ela se juntasse a ele.
— E no meu mundo, nomes são apenas etiquetas que nos colocam antes de nascermos. Mas você ainda não me disse o seu. Como devo chamar a garota que foge no meio da noite e conhece tão bem a hierarquia das famílias?
Vera hesitou. Se dissesse seu sobrenome, a rivalidade entre as famílias poderia tornar aquele encontro perigoso. Mas ali, sob as laranjeiras, envolta pela escuridão e pelo perfume cítrico, ela não queria ser a "moeda de troca" de Jack Farmiga.
— Vera — disse ela finalmente, sentando-se na outra extremidade do banco, mantendo uma distância segura. — Apenas Vera.
— Apenas Vera — repetiu Patrick, saboreando o nome. — Um nome simples para uma situação tão complicada.
— Você não faz ideia do quanto — sussurrou ela, olhando para as luzes de Roma.
— Talvez eu faça — disse Patrick, sua voz baixando de tom. — Talvez estejamos no mesmo barco, Vera. Fugindo de destinos que outros escreveram para nós.
Vera olhou para ele, e pela primeira vez naquela noite, sentiu que não estava sozinha em sua prisão de ouro e sangue. O herdeiro dos Wilson e a filha dos Farmiga, dois estranhos unidos pela sombra de seus sobrenomes, ali, onde o perfume das laranjeiras era a única coisa que parecia real.
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