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The Ghostwriter of My Heart

Фандом: Idol

Создан: 14.04.2026

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Frequências e Ressonâncias

O estúdio em Bangkok estava mergulhado em uma luz neon violeta que, normalmente, ajudaria Milli a se concentrar. Mas, naquela noite, o brilho das telas de seu celular era a única coisa que prendia sua atenção. As notificações do Twitter não paravam de subir, uma cascata interminável de emojis de fogo, caveiras e teorias conspiratórias.

Kim Haon tinha lançado uma nova faixa. Sem aviso. Sem promoção excessiva. Apenas um link e um impacto que abalou a estrutura do hip-hop asiático em questões de minutos.

Milli bufou, jogando o cabelo trançado para trás dos ombros. Ela apertou o play pela décima vez, fechando os olhos para processar o coreano rápido e fluido de Haon. O ritmo era denso, introspectivo, mas as rimas tinham um peso que muitos estavam interpretando como um ataque direto.

— "A pequena rainha do sul que esqueceu como se curva" — Milli traduziu em voz alta, a voz carregada de sarcasmo. — Sério, Haon? É assim que a gente vai jogar agora?

Ela se levantou da cadeira giratória, os acessórios de prata em seus pulsos tilintando com o movimento brusco. Ela estava usando um moletom oversized verde neon e calças cargo que pareciam grandes demais para sua estatura, mas sua presença de palco — mesmo ali, sozinha — era imensa. Para ela, aquelas letras eram uma afronta à colaboração que quase aconteceu meses atrás, uma sessão de estúdio em Seul que terminou em um silêncio estranho e olhares não ditos.

— Ele acha que pode me usar como degrau para a "filosofia" dele — ela resmungou, pegando o microfone. — Se ele quer uma diss, ele vai ter uma resposta que vai fazer os servidores da gravadora dele derreterem.

Milli começou a rabiscar versos em seu caderno, a caneta se movendo com uma fúria rítmica. Ela já conseguia ouvir a batida em sua cabeça: algo agressivo, tipicamente tailandês, com graves que fariam o chão tremer.

No entanto, conforme ela tentava encaixar as rimas de "ataque", algo a impedia. Ela voltou a ouvir a música de Haon, desta vez isolando a melodia de fundo. Havia um sintetizador melancólico, quase imperceptível, que chorava sob as batidas secas.

Ela pausou a música no meio do segundo verso.

— "Ouro no pescoço, mas o peito ainda é de vidro... eu vi o que você esconde sob as luzes de Coachella" — ela leu a tradução que um fã-clube tinha postado.

Milli parou. O tom não era de escárnio. Haon, com seus olhos expressivos e aquela aura meditativa que ele sempre carregava, não era do tipo que atacava por ego. Ele era profundo demais, contido demais.

— Espere um pouco — murmurou ela, sentando-se novamente. — "Eu vi o que você esconde..."

Ela lembrou-se daquela noite em Seul. O estúdio estava frio, e eles tinham passado horas discutindo sobre o significado de "sucesso". Enquanto ela falava sobre conquistar o mundo e levar a Tailândia para o topo, Haon apenas a observava com aquele sorriso largo e calmo, os traços de seu maxilar definidos pela luz baixa. Ele parecia ver através da persona vibrante da "Milli" e enxergar a Danupha que sentia saudades de casa.

Milli deu o play novamente, focando agora não nas palavras isoladas, mas no sentimento.

— "As fronteiras são linhas que desenhamos no chão, mas o que eu sinto atravessa o mar sem passaporte."

O coração de Milli deu um solavanco. Aquilo não era uma diss. Era um desabafo. Uma confissão de que a distância e a barreira da língua estavam pesando mais do que ele gostaria de admitir.

— Ele é um idiota — disse ela, embora o tom de irritação tivesse sido substituído por algo mais suave. — Um idiota muito talentoso e confuso.

De repente, o celular sobre a mesa vibrou. Não era uma notificação do Twitter. Era uma chamada de vídeo. O nome na tela fez o estômago de Milli dar uma volta completa: *Haon*.

Ela hesitou por três segundos, ajustando os óculos de sol esportivos no topo da cabeça e verificando se seu delineado gráfico ainda estava perfeito. Ela atendeu com uma expressão de tédio cuidadosamente ensaiada.

— Você tem muita coragem de ligar para o meu país depois daquela letra, Kim Haon — disparou ela, antes mesmo que a imagem dele terminasse de carregar.

A tela se iluminou com o rosto de Haon. Ele estava em um estúdio semelhante, mas o dele parecia mais organizado, com algumas plantas ao fundo. Ele usava um gorro preto e um moletom cinza simples. Ao ouvir a voz dela, aquele sorriso característico — o que sempre desarmava os oponentes — surgiu lentamente.

— Pelo visto, você já ouviu — disse ele, a voz calma e profunda contrastando com a energia elétrica dela.

— O mundo inteiro ouviu! — Milli exclamou, gesticulando dramaticamente com suas unhas longas e decoradas. — Meus fãs estão prontos para declarar guerra à Coreia do Sul. Eles acham que você me chamou de arrogante.

Haon soltou uma risada curta, inclinando-se para frente. Seus olhos, sempre tão meditativos, brilhavam através da câmera.

— E você? O que você acha? — perguntou ele, o tom de voz baixando um pouco. — Você realmente acha que eu gastaria meu tempo escrevendo uma música inteira apenas para te insultar, Danupha?

Milli sentiu o uso de seu nome real como um choque elétrico. Ela cruzou os braços, tentando manter a postura de "bad girl".

— Eu achei que você estava sendo um filósofo pretensioso de novo — respondeu ela. — Mas aí eu ouvi o segundo verso. A parte sobre o mar e o passaporte.

O silêncio se instalou entre os dois por alguns segundos, preenchido apenas pelo chiado estático da conexão internacional. Haon desviou o olhar por um momento, parecendo subitamente mais jovem, menos o "vencedor do High School Rapper" e mais o garoto de Seul que gostava de meditar.

— Eu não sabia como te dizer que a sessão de estúdio não terminou porque a música estava ruim — admitiu ele, voltando a olhar para a câmera. — Terminou porque eu não conseguia me concentrar em nada além do fato de que você ia embora no dia seguinte.

Milli sentiu o calor subir pelo pescoço, mas não desviou o olhar. Ela era uma rapper; ela vivia da verdade, por mais desconfortável que fosse.

— Então você decide lançar uma música que parece um ataque para o mundo todo, só para me dizer que sentiu minha falta? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Isso é muito ineficiente, Haon.

— No hip-hop, a gente esconde o coração atrás de batidas pesadas — disse ele com um meio sorriso. — Achei que você entenderia o código.

— Eu entendi. Mas agora eu tenho um problema — Milli suspirou, pegando seu caderno de letras e mostrando para a câmera. — Eu já tinha escrito metade de uma resposta cheia de xingamentos e referências à comida tailandesa que você não ia gostar.

Haon riu, um som genuíno que preencheu o estúdio de Milli através dos alto-falantes.

— Por favor, não apague — pediu ele. — Eu adoraria ouvir o que a "pequena rainha do sul" tem a dizer sobre mim.

— Oh, você vai ouvir — Milli sorriu, um sorriso que misturava diversão e desafio. — Mas eu vou mudar o tom. Se você quer falar de sentimentos mal resolvidos em rede nacional, eu vou te mostrar como a gente faz isso em Bangkok.

— Isso é um convite para uma colaboração oficial? — perguntou Haon, os olhos brilhando.

— É um aviso — corrigiu ela. — Prepare o seu tradutor, Kim Haon. Porque a minha resposta não vai ser sobre guerra. Vai ser sobre o que acontece quando o gelo de Seul encontra o calor da Tailândia.

Haon relaxou na cadeira, a expressão de tensão que ele carregava desde o lançamento da música desaparecendo completamente.

— Estou esperando — disse ele. — Não me faça esperar muito, Milli. O tempo passa diferente quando estou ouvindo apenas a minha própria voz.

Milli desligou a chamada sem dizer adeus, um hábito que ela mantinha para manter o controle da situação. Ela olhou para o microfone e depois para a letra em seu caderno. O neon violeta do estúdio parecia mais vibrante agora.

Ela não ia mais escrever uma diss. Ela ia escrever uma ponte.

Com um movimento rápido, ela rasgou a página anterior e começou uma nova. O título, escrito em letras grandes e estilizadas, dizia apenas: "Sem Passaporte".

Lá fora, os fãs continuavam a debater nas redes sociais, criando teorias sobre a rivalidade entre os dois maiores talentos de suas gerações. Mal sabiam eles que, enquanto o mundo esperava por uma batalha, Milli e Haon estavam apenas começando uma conversa que nenhuma fronteira seria capaz de calar.

Milli começou a gravar. Sua voz saiu forte, rítmica, mas com uma suavidade que ela raramente mostrava. Ela estava rimando em tailandês, mas sabia que, desta vez, Haon não precisaria de um dicionário para entender exatamente o que ela estava dizendo.

Afinal, a música deles sempre foi a mesma frequência, apenas em tons diferentes.
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