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Ritmo do coração
Фандом: Parmiga
Создан: 14.04.2026
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РомантикаДрамаHurt/ComfortПсихологияДетективКриминалCharacter studyНуарПовседневностьФлаффЗанавесочная историяЮмор
O Eco do Silêncio e o Azul do Aço
— Prazer, Delegado Wilson — respondi, minha voz ainda um pouco trêmula enquanto estendia a mão para selar o cumprimento.
O toque de sua mão era firme e quente, um contraste gritante com o gelo que eu esperava encontrar após presenciar sua fúria controlada. Patrick Wilson não apenas segurou minha mão; ele pareceu estudar a pulsação no meu pulso por um breve segundo, uma análise silenciosa de quem está acostumado a ler o perigo e o medo. Seus olhos azuis, agora desprovidos daquela tempestade assassina, tinham uma profundidade melancólica que me fez desviar o olhar por um instante.
— O prazer seria meu, Doutora, se as circunstâncias não fossem tão deploráveis — disse ele, soltando minha mão com uma reverência sutil. — Sinto muito que sua primeira impressão do meu distrito tenha sido essa.
Ele se virou para Jack, que ainda observava a cena com uma mistura de alívio e cautela. Patrick ajeitou o sobretudo, recuperando a postura de autoridade que parecia ser sua segunda pele.
— Jack, acompanhe a Dra. Farmiga até o carro e certifique-se de que ela chegue em segurança em casa. Não quero nenhum dos meus homens — ele enfatizou a palavra com um desdém nítido — circulando perto dela esta noite.
— Pode deixar, chefe. Eu cuido disso — Jack assentiu prontamente.
Patrick me lançou um último olhar, um aceno de cabeça quase imperceptível, e caminhou de volta para a delegacia. Seus passos eram pesados, decididos, a silhueta desaparecendo na escuridão do asfalto como se ele pertencesse àquela noite tanto quanto as estrelas frias acima de nós.
— Vem, Vera. Vamos tirar você daqui — disse Jack, abrindo a porta do meu carro para mim.
Eu me sentei no banco do motorista, mas minhas mãos ainda tremiam ao tocar o volante. Jack se inclinou na janela, esperando que eu me acalmasse.
— Ele é sempre assim? — perguntei, olhando para o prédio de tijolos escuros onde Patrick havia entrado. — Tão... intenso?
Jack soltou um suspiro longo, passando a mão pelo cabelo.
— Wilson é um mistério para todo mundo na delegacia, Vera. Ele chegou há quatro dias e já virou o lugar do avesso. Dizem que ele veio da corregedoria de Chicago, com um histórico de não tolerar nem um grama de corrupção ou abuso. Mas o que ele disse agora há pouco... sobre o pai dele...
— Foi pesado — completei, sentindo um nó na garganta. — Ele usa a dor como arma, não é?
— Ele usa a dor como escudo — corrigiu Jack com um meio sorriso triste. — Vá para casa, descanse. Amanhã o dia no hospital vai ser longo e eu não quero Taissa me matando porque deixei você dirigir em choque.
Dirigi mecanicamente pelas ruas familiares de White Plains. As luzes da cidade passavam por mim como borrões de neon, mas a imagem que permanecia retida na minha retina era a do cano da pistola contra a têmpora de Ricardo e o brilho gélido nos olhos de Patrick Wilson. Havia uma escuridão nele que me assustava, mas, ao mesmo tempo, uma sensação estranha de segurança que eu não conseguia explicar.
Ao chegar em casa, o silêncio do meu apartamento pareceu mais pesado do que o normal. Joguei as chaves na mesa da entrada e fui direto para o banheiro. Deixei a água quente escorrer pelas minhas costas, tentando lavar não apenas o cansaço das doze horas de plantão, mas também a sensação das mãos de Ricardo no meu braço. Quando saí, notei as marcas roxas começando a florescer na minha pele clara.
Preparei um chá de camomila, segurando a caneca quente entre as mãos enquanto me encolhia no sofá. Eu deveria estar pensando nos prontuários que não terminei, ou na cirurgia da Amanda na próxima semana, mas minha mente insistia em retornar ao Delegado. "Você quer uma bala no seu crânio?". As palavras dele ecoavam. Ele não era apenas um policial cumprindo o dever; ele era um homem que conhecia o monstro de perto e tinha decidido caçá-lo.
Tentei dormir, mas o sono era um horizonte inalcançável. Toda vez que fechava os olhos, via o azul do aço da arma e o azul profundo do olhar dele. Patrick Wilson era um enigma que não constava nos meus livros de medicina.
O dia seguinte no hospital foi uma sucessão de batimentos cardíacos e bipes de monitores. Taissa percebeu meu estado logo cedo.
— Vera, que mancha é essa no seu braço? — ela perguntou, puxando minha manga enquanto estávamos no posto de enfermagem.
— Ricardo Miller. Ele foi... insistente demais ontem à noite — respondi, tentando minimizar a situação.
— Aquele desgraçado! — Taissa sibilou, os olhos faiscando. — Jack me contou que o novo delegado quase estourou os miolos dele. Por que você não me ligou?
— Eu só queria esquecer, Tai. O Delegado Wilson resolveu a situação. Ele o suspendeu.
— Wilson, hein? — Taissa cruzou os braços, mudando o tom de voz para algo mais analítico. — Jack diz que ele é um "cavaleiro solitário" com tendências suicidas de honestidade. E que ele é muito bonito, embora pareça que não sorri desde a queda do Muro de Berlim.
— Ele é... eficiente — resumi, sentindo minhas bochechas esquentarem levemente.
Passei a tarde entre pacientes, mas o clima no hospital parecia diferente. Talvez fosse apenas minha percepção alterada. Por volta das cinco da tarde, quando eu estava terminando de preencher a alta do Sr. Miller, ouvi um burburinho vindo da recepção da ala cardíaca.
— Doutora Farmiga? — A secretária chamou pelo interfone. — Há um senhor aqui da delegacia querendo falar com a senhora. Ele diz que é oficial.
Meu coração deu um solavanco que nenhum dos meus aparelhos poderia prever. Caminhei até a recepção, ajeitando o jaleco por puro reflexo nervoso.
Lá estava ele. Patrick Wilson não usava o sobretudo da noite anterior. Estava com uma camisa social azul-escura, as mangas dobradas até os cotovelos, revelando antebraços fortes e uma postura que comandava o respeito imediato de todos os presentes. Ele segurava uma pasta de couro em uma das mãos e, para minha surpresa, uma única rosa branca na outra.
— Delegado — eu disse, parando a alguns passos de distância. — O que faz aqui? Algum problema com o caso?
Ele me observou por um momento, e notei que seus olhos pareciam menos gélidos sob a luz fluorescente do hospital, embora ainda carregassem aquela sombra de cansaço crônico.
— Vim trazer o relatório oficial da ocorrência de ontem — disse ele, estendendo a pasta. Sua voz barítona pareceu preencher o corredor, silenciando as conversas ao redor. — Preciso da sua assinatura como vítima e testemunha para que o processo de expulsão do Miller seja definitivo.
Peguei a pasta, nossos dedos se roçando brevemente. O choque elétrico foi o mesmo da noite anterior.
— Eu não sabia que delegados entregavam relatórios pessoalmente — comentei, tentando manter o tom profissional.
— Eles não entregam — Patrick respondeu, e um esboço de algo que poderia ser um sorriso, mas que parou antes de chegar aos lábios, surgiu em seu rosto. — Mas eu queria me certificar pessoalmente de que você não estava mais... em choque.
Ele então estendeu a rosa branca. Era uma flor solitária, mas perfeita, com gotas de água ainda brilhando nas pétalas.
— O que é isso? — perguntei, surpresa.
— Um pedido de desculpas em nome da polícia de White Plains — disse ele, com uma sinceridade que me desarmou. — E talvez um lembrete de que nem tudo o que vem do outro lado da rua é violento.
Aceitei a flor, sentindo o perfume suave lutar contra o cheiro de antisséptico do hospital.
— Obrigada, Patrick. Eu... eu não esperava por isso.
— Eu também não esperava encontrar uma médica que mantém a calma sob a mira de uma arma — ele retrucou, inclinando a cabeça. — Jack me disse que você é a melhor cardiologista deste estado. Ele diz que você conserta corações.
— É o que eu faço — respondi, sentindo um peso estranho no peito. — Mas o tipo de coração que eu conserto é feito de músculo e válvulas. Os outros... os que estão quebrados por dentro... esses são mais difíceis.
Patrick fixou o olhar no meu, e por um segundo, o mundo ao redor — os bipes, as macas passando, os chamados de emergência — desapareceu. Havia uma conexão silenciosa ali, um reconhecimento mútuo de duas pessoas que lidavam diariamente com a fragilidade da vida, cada uma à sua maneira.
— É — ele disse em voz baixa, quase um sussurro. — Esses são quase impossíveis de remendar.
Ele pigarreou, recuperando a compostura.
— Preciso voltar. Tenho uma montanha de papéis e um distrito para limpar. Assine o relatório e peça para o Jack me entregar amanhã, se não for incômodo.
— Eu farei isso.
Ele deu um passo para trás, mas hesitou.
— Dra. Farmiga... Vera.
— Sim?
— Durma bem esta noite. Você está segura agora.
Eu o observei caminhar em direção à saída, a rosa branca firme em minha mão. Taissa apareceu ao meu lado pouco depois, os olhos arregalados.
— Uma rosa, Vera? O Delegado "Coração de Gelo" te trouxe uma rosa?
Eu não respondi de imediato. Olhei para a flor e depois para a porta por onde ele havia saído. Meu trabalho era entender o ritmo dos corações, prever suas falhas e garantir sua sobrevivência. Mas naquele momento, o ritmo do meu próprio coração estava irregular, acelerado por um homem que carregava uma arma no coldre e uma ferida aberta na alma.
— Ele não tem o coração de gelo, Tai — eu disse finalmente, sentindo o calor da flor contra meus dedos. — Ele só está tentando manter o que sobrou dele protegido.
Caminhei de volta para a minha sala, a rosa branca sendo a única cor vibrante naquele labirinto de azulejos brancos. Pela primeira vez em muito tempo, eu não estava pensando no passado, mas sim no que aconteceria quando o sol se pusesse novamente e as luzes da delegacia se acendessem do outro lado da rua.
O toque de sua mão era firme e quente, um contraste gritante com o gelo que eu esperava encontrar após presenciar sua fúria controlada. Patrick Wilson não apenas segurou minha mão; ele pareceu estudar a pulsação no meu pulso por um breve segundo, uma análise silenciosa de quem está acostumado a ler o perigo e o medo. Seus olhos azuis, agora desprovidos daquela tempestade assassina, tinham uma profundidade melancólica que me fez desviar o olhar por um instante.
— O prazer seria meu, Doutora, se as circunstâncias não fossem tão deploráveis — disse ele, soltando minha mão com uma reverência sutil. — Sinto muito que sua primeira impressão do meu distrito tenha sido essa.
Ele se virou para Jack, que ainda observava a cena com uma mistura de alívio e cautela. Patrick ajeitou o sobretudo, recuperando a postura de autoridade que parecia ser sua segunda pele.
— Jack, acompanhe a Dra. Farmiga até o carro e certifique-se de que ela chegue em segurança em casa. Não quero nenhum dos meus homens — ele enfatizou a palavra com um desdém nítido — circulando perto dela esta noite.
— Pode deixar, chefe. Eu cuido disso — Jack assentiu prontamente.
Patrick me lançou um último olhar, um aceno de cabeça quase imperceptível, e caminhou de volta para a delegacia. Seus passos eram pesados, decididos, a silhueta desaparecendo na escuridão do asfalto como se ele pertencesse àquela noite tanto quanto as estrelas frias acima de nós.
— Vem, Vera. Vamos tirar você daqui — disse Jack, abrindo a porta do meu carro para mim.
Eu me sentei no banco do motorista, mas minhas mãos ainda tremiam ao tocar o volante. Jack se inclinou na janela, esperando que eu me acalmasse.
— Ele é sempre assim? — perguntei, olhando para o prédio de tijolos escuros onde Patrick havia entrado. — Tão... intenso?
Jack soltou um suspiro longo, passando a mão pelo cabelo.
— Wilson é um mistério para todo mundo na delegacia, Vera. Ele chegou há quatro dias e já virou o lugar do avesso. Dizem que ele veio da corregedoria de Chicago, com um histórico de não tolerar nem um grama de corrupção ou abuso. Mas o que ele disse agora há pouco... sobre o pai dele...
— Foi pesado — completei, sentindo um nó na garganta. — Ele usa a dor como arma, não é?
— Ele usa a dor como escudo — corrigiu Jack com um meio sorriso triste. — Vá para casa, descanse. Amanhã o dia no hospital vai ser longo e eu não quero Taissa me matando porque deixei você dirigir em choque.
Dirigi mecanicamente pelas ruas familiares de White Plains. As luzes da cidade passavam por mim como borrões de neon, mas a imagem que permanecia retida na minha retina era a do cano da pistola contra a têmpora de Ricardo e o brilho gélido nos olhos de Patrick Wilson. Havia uma escuridão nele que me assustava, mas, ao mesmo tempo, uma sensação estranha de segurança que eu não conseguia explicar.
Ao chegar em casa, o silêncio do meu apartamento pareceu mais pesado do que o normal. Joguei as chaves na mesa da entrada e fui direto para o banheiro. Deixei a água quente escorrer pelas minhas costas, tentando lavar não apenas o cansaço das doze horas de plantão, mas também a sensação das mãos de Ricardo no meu braço. Quando saí, notei as marcas roxas começando a florescer na minha pele clara.
Preparei um chá de camomila, segurando a caneca quente entre as mãos enquanto me encolhia no sofá. Eu deveria estar pensando nos prontuários que não terminei, ou na cirurgia da Amanda na próxima semana, mas minha mente insistia em retornar ao Delegado. "Você quer uma bala no seu crânio?". As palavras dele ecoavam. Ele não era apenas um policial cumprindo o dever; ele era um homem que conhecia o monstro de perto e tinha decidido caçá-lo.
Tentei dormir, mas o sono era um horizonte inalcançável. Toda vez que fechava os olhos, via o azul do aço da arma e o azul profundo do olhar dele. Patrick Wilson era um enigma que não constava nos meus livros de medicina.
O dia seguinte no hospital foi uma sucessão de batimentos cardíacos e bipes de monitores. Taissa percebeu meu estado logo cedo.
— Vera, que mancha é essa no seu braço? — ela perguntou, puxando minha manga enquanto estávamos no posto de enfermagem.
— Ricardo Miller. Ele foi... insistente demais ontem à noite — respondi, tentando minimizar a situação.
— Aquele desgraçado! — Taissa sibilou, os olhos faiscando. — Jack me contou que o novo delegado quase estourou os miolos dele. Por que você não me ligou?
— Eu só queria esquecer, Tai. O Delegado Wilson resolveu a situação. Ele o suspendeu.
— Wilson, hein? — Taissa cruzou os braços, mudando o tom de voz para algo mais analítico. — Jack diz que ele é um "cavaleiro solitário" com tendências suicidas de honestidade. E que ele é muito bonito, embora pareça que não sorri desde a queda do Muro de Berlim.
— Ele é... eficiente — resumi, sentindo minhas bochechas esquentarem levemente.
Passei a tarde entre pacientes, mas o clima no hospital parecia diferente. Talvez fosse apenas minha percepção alterada. Por volta das cinco da tarde, quando eu estava terminando de preencher a alta do Sr. Miller, ouvi um burburinho vindo da recepção da ala cardíaca.
— Doutora Farmiga? — A secretária chamou pelo interfone. — Há um senhor aqui da delegacia querendo falar com a senhora. Ele diz que é oficial.
Meu coração deu um solavanco que nenhum dos meus aparelhos poderia prever. Caminhei até a recepção, ajeitando o jaleco por puro reflexo nervoso.
Lá estava ele. Patrick Wilson não usava o sobretudo da noite anterior. Estava com uma camisa social azul-escura, as mangas dobradas até os cotovelos, revelando antebraços fortes e uma postura que comandava o respeito imediato de todos os presentes. Ele segurava uma pasta de couro em uma das mãos e, para minha surpresa, uma única rosa branca na outra.
— Delegado — eu disse, parando a alguns passos de distância. — O que faz aqui? Algum problema com o caso?
Ele me observou por um momento, e notei que seus olhos pareciam menos gélidos sob a luz fluorescente do hospital, embora ainda carregassem aquela sombra de cansaço crônico.
— Vim trazer o relatório oficial da ocorrência de ontem — disse ele, estendendo a pasta. Sua voz barítona pareceu preencher o corredor, silenciando as conversas ao redor. — Preciso da sua assinatura como vítima e testemunha para que o processo de expulsão do Miller seja definitivo.
Peguei a pasta, nossos dedos se roçando brevemente. O choque elétrico foi o mesmo da noite anterior.
— Eu não sabia que delegados entregavam relatórios pessoalmente — comentei, tentando manter o tom profissional.
— Eles não entregam — Patrick respondeu, e um esboço de algo que poderia ser um sorriso, mas que parou antes de chegar aos lábios, surgiu em seu rosto. — Mas eu queria me certificar pessoalmente de que você não estava mais... em choque.
Ele então estendeu a rosa branca. Era uma flor solitária, mas perfeita, com gotas de água ainda brilhando nas pétalas.
— O que é isso? — perguntei, surpresa.
— Um pedido de desculpas em nome da polícia de White Plains — disse ele, com uma sinceridade que me desarmou. — E talvez um lembrete de que nem tudo o que vem do outro lado da rua é violento.
Aceitei a flor, sentindo o perfume suave lutar contra o cheiro de antisséptico do hospital.
— Obrigada, Patrick. Eu... eu não esperava por isso.
— Eu também não esperava encontrar uma médica que mantém a calma sob a mira de uma arma — ele retrucou, inclinando a cabeça. — Jack me disse que você é a melhor cardiologista deste estado. Ele diz que você conserta corações.
— É o que eu faço — respondi, sentindo um peso estranho no peito. — Mas o tipo de coração que eu conserto é feito de músculo e válvulas. Os outros... os que estão quebrados por dentro... esses são mais difíceis.
Patrick fixou o olhar no meu, e por um segundo, o mundo ao redor — os bipes, as macas passando, os chamados de emergência — desapareceu. Havia uma conexão silenciosa ali, um reconhecimento mútuo de duas pessoas que lidavam diariamente com a fragilidade da vida, cada uma à sua maneira.
— É — ele disse em voz baixa, quase um sussurro. — Esses são quase impossíveis de remendar.
Ele pigarreou, recuperando a compostura.
— Preciso voltar. Tenho uma montanha de papéis e um distrito para limpar. Assine o relatório e peça para o Jack me entregar amanhã, se não for incômodo.
— Eu farei isso.
Ele deu um passo para trás, mas hesitou.
— Dra. Farmiga... Vera.
— Sim?
— Durma bem esta noite. Você está segura agora.
Eu o observei caminhar em direção à saída, a rosa branca firme em minha mão. Taissa apareceu ao meu lado pouco depois, os olhos arregalados.
— Uma rosa, Vera? O Delegado "Coração de Gelo" te trouxe uma rosa?
Eu não respondi de imediato. Olhei para a flor e depois para a porta por onde ele havia saído. Meu trabalho era entender o ritmo dos corações, prever suas falhas e garantir sua sobrevivência. Mas naquele momento, o ritmo do meu próprio coração estava irregular, acelerado por um homem que carregava uma arma no coldre e uma ferida aberta na alma.
— Ele não tem o coração de gelo, Tai — eu disse finalmente, sentindo o calor da flor contra meus dedos. — Ele só está tentando manter o que sobrou dele protegido.
Caminhei de volta para a minha sala, a rosa branca sendo a única cor vibrante naquele labirinto de azulejos brancos. Pela primeira vez em muito tempo, eu não estava pensando no passado, mas sim no que aconteceria quando o sol se pusesse novamente e as luzes da delegacia se acendessem do outro lado da rua.
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