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a familia perfeita

Фандом: Mötley crüe, anos 80

Создан: 14.04.2026

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O Silêncio de Vidro na Franklin Avenue

A mansão em Los Angeles cheirava a uma mistura densa de incenso de sândalo, couro velho e o odor químico residual que parecia emanar dos poros de Nikki Sixx. Eram três da tarde, mas as cortinas pesadas de veludo negro estavam fechadas, mantendo o mundo exterior — e o sol implacável da Califórnia — à distância. Para Nikki, o tempo era uma linha borrada entre a última dose e o próximo ensaio com o Mötley Crüe.

Sentado no sofá de couro da sala de estar, Nikki tentava concentrar-se em um caderno de composições. Suas mãos, adornadas com anéis de prata e unhas roídas, tremiam levemente. A abstinência começava a morder as extremidades de seus nervos, transformando cada pequeno som em uma explosão de estática em seu cérebro.

Foi então que o som começou. Um *vrum-vrum* rítmico e persistente vindo do corredor de mármore.

Kelly, com seus seis anos de idade e uma energia que parecia zombar do estado letárgico do pai, surgiu no campo de visão de Nikki. Ele empurrava um carrinho de metal pesado sobre o piso polido, fazendo um barulho estridente que ecoava pelas paredes altas.

— Kelly, pare com isso — rosnou Nikki, sem levantar os olhos do caderno. Sua voz era um sussurro rouco, carregado de uma ameaça latente.

O menino não parou. Para Kelly, o mundo era um laboratório de sons e texturas. Ele não entendia por que o papai estava sempre com raiva ou por que a casa precisava ser um mausoléu. Ele viu uma coleção de miniaturas de porcelana que Sharise havia colocado em uma mesa lateral baixa e, com a curiosidade típica de sua idade, esticou a mão pequena para pegar um dragão detalhado.

— Eu disse para parar — Nikki repetiu, desta vez fechando o caderno com força. O estalo foi como um tiro.

Kelly olhou para o pai por um segundo, seus olhos grandes e expressivos buscando algum sinal de brincadeira que nunca vinha. Ele tocou a asa do dragão. A peça desequilibrou-se e caiu no chão, quebrando-se em três pedaços com um tilintar cristalino.

A paciência de Nikki, já desgastada pelo abuso de substâncias e pela pressão da fama, rompeu-se instantaneamente. Ele se levantou em um salto, a altura imponente e as roupas pretas fazendo-o parecer uma sombra vingativa sobre o filho.

— Merda, Kelly! Quantas vezes eu tenho que te dizer para não tocar nas minhas coisas? — gritou Nikki, sua voz ecoando violentamente.

Ele agarrou o braço do menino com força excessiva e desferiu um tapa seco na parte de trás de sua coxa. Kelly soltou um grito agudo, mais de susto e traição do que de dor física imediata, embora a marca vermelha começasse a subir na pele clara.

— Vai para o seu quarto! Agora! — ordenou Nikki, apontando para a escadaria.

Sharise apareceu no topo da escada, o rosto pálido, as mãos apertando o corrimão de ferro batido. Ela viu a cena: Nikki ofegante, os olhos vidrados e selvagens, e Kelly soluçando, encolhido perto dos cacos de porcelana.

— Nikki... — ela começou, sua voz falhando. — Ele é só uma criança. Ele não fez por mal.

Nikki virou o pescoço bruscamente para ela, os cabelos negros desgrenhados caindo sobre o rosto.

— Ele é um pequeno demônio que não sabe ouvir! — Nikki rebateu, a mandíbula tensa. — Eu sustento esta casa, eu pago por cada merda que ele quebra. Eu só quero um pouco de paz na porra da minha própria casa!

Sharise desceu os degraus lentamente. Ela queria gritar, queria tirar Kelly dali e correr para longe, mas o medo a mantinha presa a uma coleira invisível. Ela conhecia o Nikki sóbrio, o homem que escrevia poesias sombrias e jurava amor eterno, mas o Nikki que estava diante dela agora era um estranho alimentado por heroína e paranoia. Ela temia que, se o enfrentasse com muita força, a violência que ele direcionava ao filho pudesse se voltar contra ela de formas ainda piores, ou que ele simplesmente desaparecesse em uma overdose definitiva.

— Vem, Kelly — disse ela suavemente, estendendo a mão para o filho. — Vamos para o quarto brincar com os blocos de montar.

O menino correu para os braços da mãe, escondendo o rosto em sua saia. Sharise lançou um olhar rápido para Nikki — um olhar que misturava piedade, medo e uma centelha de ressentimento que ela tentava apagar todos os dias.

— Você precisa descansar, Nikki — sussurrou ela antes de subir.

Sozinho na sala, Nikki chutou o que restava do dragão de porcelana. O barulho o irritou novamente. Ele caminhou até a mesa de centro, onde um pequeno espelho e um canudo de prata o esperavam.

— Descansar... — resmungou ele para as paredes vazias. — Como se eu pudesse.

Ele se curvou sobre o espelho, aspirando a linha de pó branco com uma precisão mecânica. O alívio foi quase instantâneo, uma onda fria que anestesiou a raiva, mas também a culpa que tentava emergir do fundo de sua consciência. Ele se recostou no sofá, fechando os olhos.

Lá em cima, o som do choro de Kelly havia cessado, substituído pelo murmúrio baixo de Sharise tentando confortá-lo. Nikki sentia o coração bater em um ritmo frenético, descompassado com o silêncio da casa. Ele era o rei de Sunset Strip, o arquiteto do caos, mas dentro daquelas quatro paredes, ele se sentia um prisioneiro de sua própria criação.

— Ele tem que aprender — justificou Nikki para si mesmo, as palavras saindo arrastadas. — O mundo não é gentil, Kelly. Melhor aprender comigo do que com a rua.

Mas, no fundo, sob as camadas de narcóticos e ego, uma pequena parte de Nikki Sixx sabia que ele estava apenas repetindo os ciclos de dor que jurara quebrar. Ele olhou para as próprias mãos, as mesmas mãos que escreviam hinos para uma geração, e viu nelas a sombra do próprio pai que o abandonara.

O silêncio na mansão voltou a ser absoluto, um silêncio pesado e sufocante, onde o único som era o tique-taque de um relógio de ouro na parede, contando os segundos até o próximo colapso.

Horas depois, a noite caiu sobre Los Angeles. As luzes da cidade brilhavam como joias distantes através das janelas da Franklin Avenue. Nikki ainda estava no sofá, mas agora o efeito da droga estava passando, deixando para trás um vazio cinzento e uma irritabilidade latente.

Ele se levantou, as pernas um pouco instáveis, e caminhou em direção à cozinha em busca de uma garrafa de Jack Daniel's. No caminho, passou pela porta entreaberta do quarto de Kelly.

O abajur de dinossauro projetava sombras suaves nas paredes. Sharise havia adormecido na poltrona ao lado da cama. Kelly estava profundamente adormecido, o rosto ainda inchado pelo choro, agarrado a um urso de pelúcia desgastado.

Nikki parou na soleira. Por um momento fugaz, o cinismo desapareceu. Ele viu a fragilidade do filho, a pureza de uma criança que não pediu para nascer em um furacão de excessos. Ele sentiu um aperto no peito que nenhuma droga conseguia aliviar.

— Merda — sussurrou ele, a voz embargada.

Ele deu um passo para dentro do quarto, sua intenção era talvez tocar o cabelo do menino, um gesto de desculpa silencioso que ele nunca conseguiria verbalizar. Mas, ao se aproximar, seu pé bateu em um robô de plástico no chão, fazendo um ruído seco.

Kelly se mexeu no sono, soltando um suspiro trêmulo, e instintivamente se encolheu, protegendo o rosto com o braço pequeno.

O gesto atingiu Nikki como um soco no estômago. O filho tinha medo dele. Mesmo dormindo, o corpo de Kelly reagia à presença do pai como se esperasse um golpe.

A culpa, antes sufocada, subiu pela garganta de Nikki como bile. Ele recuou rapidamente, saindo do quarto e fechando a porta em silêncio.

Ele não foi para a cozinha. Voltou para a sala, para o seu caderno e para o seu espelho.

— Sharise! — gritou ele, sua voz cortando a paz da casa novamente.

A mulher apareceu na porta do quarto segundos depois, o cabelo bagunçado e os olhos injetados de sono e alerta.

— O que foi, Nikki? Aconteceu alguma coisa?

— Cadê a chave do carro? — perguntou ele, pegando sua jaqueta de couro preta.

— Você não pode dirigir assim, Nikki. Por favor, já é tarde...

— Eu não perguntei a hora, Sharise! — Ele se aproximou dela, o cheiro de suor e álcool emanando de seu corpo. — Eu preciso sair. Preciso ver o Tommy. Preciso sair desta porra de casa antes que eu enlouqueça.

Sharise suspirou, os ombros caindo em sinal de derrota. Ela foi até o aparador na entrada e pegou as chaves do Corvette.

— Tome. Só... por favor, tente voltar inteiro. Pelo Kelly.

Nikki pegou as chaves sem olhar para ela.

— O Kelly está bem. Ele só precisa deixar de ser tão sensível.

Ele saiu pela porta da frente, o motor do carro rugindo na garagem momentos depois, rasgando o silêncio da noite. Sharise ficou parada no corredor, ouvindo o som do motor se afastar até desaparecer no burburinho de Los Angeles.

Ela caminhou até o quarto do filho e sentou-se na beira da cama. Kelly não acordou, mas sua respiração ainda era irregular. Ela passou a mão pela testa do menino, afastando uma mecha de cabelo loiro.

— Vai ficar tudo bem, meu amor — mentiu ela, as lágrimas finalmente rolando pelo seu rosto. — O papai só está cansado. Ele ama você.

No fundo, Sharise sabia que o amor de Nikki era uma coisa perigosa, um incêndio que aquecia, mas que também reduzia tudo ao redor a cinzas. E, enquanto Nikki Sixx acelerava pelas colinas de Hollywood em busca de sua próxima dose de esquecimento, os cacos do dragão de porcelana permaneciam no chão da sala, um lembrete silencioso de que, naquela casa, a beleza era sempre a primeira coisa a ser quebrada.

Nikki dirigia sem destino, o vento frio batendo em seu rosto através da janela aberta. Ele ligou o rádio em uma estação de rock qualquer, mas a música parecia monótona. Nada era alto o suficiente para abafar a imagem de Kelly se encolhendo no sono.

— Eu sou um astro do rock — disse ele para si mesmo, apertando o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. — Eu sou Nikki Sixx. Eu não deveria me importar com isso.

Mas ele se importava. E era esse o problema. O vício lhe dava a ilusão de poder, mas a realidade de sua paternidade lhe mostrava sua mais profunda fraqueza. Ele era um homem que podia comandar estádios lotados, mas que não conseguia controlar o próprio temperamento diante de uma criança de seis anos.

Ele parou o carro em um mirante que dava para as luzes da cidade. Pegou um maço de cigarros e acendeu um, observando a fumaça se dissipar no ar noturno.

— Amanhã eu vou comprar um brinquedo novo para ele — murmurou Nikki. — O maior que eu encontrar.

Era o seu ciclo. Explosão, violência, culpa e suborno. Ele acreditava genuinamente que um novo conjunto de trens elétricos ou uma guitarra miniatura poderia apagar a marca de um tapa ou o eco de um grito.

Ele jogou a ponta do cigarro fora e deu meia volta com o carro. Ele não iria ver Tommy. Ele voltaria para casa, esperaria o amanhecer e tentaria ser o pai que Kelly merecia, pelo menos até a próxima linha de pó ou o próximo brinquedo quebrado.

Ao entrar novamente na mansão, o silêncio o recebeu como um velho inimigo. Nikki caminhou lentamente até o quarto do filho mais uma vez. Ele não entrou. Apenas encostou a testa na madeira fria da porta.

— Desculpe, garoto — sussurrou ele, tão baixo que nem ele mesmo tinha certeza se havia falado.

Mas as desculpas de Nikki Sixx eram como suas promessas de sobriedade: sinceras no momento em que eram ditas, mas destinadas a serem esquecidas assim que o sol nascesse e a necessidade de anestesia voltasse a clamar por sua alma.

Lá dentro, Kelly sonhava com monstros que tinham cabelos pretos e mãos que cheiravam a couro, enquanto Sharise, no quarto ao lado, rezava para que o amanhã trouxesse um Nikki que ela ainda pudesse reconhecer.

A noite na Franklin Avenue continuava, indiferente à tragédia silenciosa que se desenrolava sob seu teto de milhões de dólares.
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