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Irmã do meu melhor amigo
Фандом: Lenamiu
Создан: 14.04.2026
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РомантикаДрамаАнгстПовседневностьФлаффЗанавесочная историяРевность
Entre Curvas e Códigos: O Despertar de um Desejo Antigo
O sol de Bangkok refletia-se nas paredes de vidro da sede da Audi Tailândia, criando um brilho quase cegante. No topo do edifício, em uma sala que exalava poder e sofisticação, Miu Natsha Taechamongkalapiwat observava o movimento da cidade lá embaixo. Como herdeira de um império que controlava as operações da Audi e da Subaru no país, sua vida era pautada por números, estratégias e uma disciplina férrea herdada de seus pais, Wirat e Leena. No entanto, naquele dia, sua mente não estava nos relatórios de vendas.
Seu olhar desviou para a revista de moda sobre a mesa de carvalho. Na capa, Lena Lorena Schuett exibia um olhar magnético, vestindo um terno de alta costura que acentuava sua postura impecável. Lorena era uma anomalia fascinante: uma advogada brilhante que ganhava causas impossíveis no tribunal durante o dia e uma modelo de renome internacional que parava o trânsito à noite. Para Miu, ela era muito mais do que isso. Era o amor silencioso que carregava no peito há oito anos, desde os tempos de faculdade.
A porta da sala abriu-se sem aviso, e Miu nem precisou se virar para saber quem era.
— Você ainda está olhando para essa revista? — A voz de Engfa Waraha ecoou pelo recinto, carregada de um tom provocativo.
Ao lado dela, Charlotte Austin sorria, segurando o café de Engfa. As duas eram as melhores amigas de Miu e formavam o casal mais invejado do círculo social tailandês.
— É uma análise de mercado, Engfa. Lorena é a embaixadora da nossa nova campanha — mentiu Miu, fechando a revista rapidamente.
— Sei, uma análise de mercado que dura oito anos — Charlotte brincou, sentando-se na poltrona à frente da mesa. — Miu, o grupo todo vai para a casa de praia este fim de semana. O Wille confirmou que a Lorena vai. É a sua chance de parar de sofrer em silêncio.
Miu suspirou. Wille, seu irmão mais velho, era o melhor amigo de Lorena. Foi através dele que o vínculo entre as duas se manteve, mas também era por causa dele que Miu sentia que precisava manter as aparências. Lorena a via como a "irmãzinha do melhor amigo", ou pelo menos era o que Miu acreditava.
— Não é tão simples — murmurou Miu. — Ela está sempre rodeada de gente. E tem aquele Non... ele não sai do pé dela ultimamente.
— E você tem o Willian — lembrou Engfa, revirando os olhos. — Aquele modelo bonitão que o P'Joe vive tentando empurrar para você nas festas da agência. Se eu fosse a Lorena, teria ciúmes.
Miu sentiu um calafrio. Willian era persistente e, embora fosse um dos modelos mais famosos da Tailândia, seu interesse por Miu era puramente estratégico — e irritante.
O fim de semana chegou mais rápido do que o esperado. A mansão de veraneio da família Taechamongkalapiwat era um refúgio de luxo à beira-mar. O grupo de amigos estava completo. De um lado, o círculo de Miu: Engfa, Charlotte, P'Joe e o onipresente Willian. Do outro, os amigos de Lorena: Non, o fotógrafo Dew, o casal Orm e Lingling, e as inseparáveis Freen e Becky.
A tensão começou logo no jantar de sexta-feira. Lorena estava deslumbrante em um vestido de seda leve, rindo de algo que Non dizia ao seu ouvido. Miu, sentada do outro lado da mesa, apertava o talher com força, enquanto Willian tentava, sem sucesso, chamar sua atenção.
— Miu, você viu as fotos da última campanha da Subaru? — Willian perguntou, inclinando-se perigosamente perto dela. — Eu acho que nossa química nas fotos foi incomparável. Deveríamos repetir a dose... em particular.
Miu forçou um sorriso, mas seus olhos encontraram os de Lorena. A advogada não estava mais rindo. Seus olhos castanhos brilhavam com uma faísca de irritação que Miu não soube identificar.
— Com certeza, Willian — Lorena interrompeu, sua voz fria como gelo. — A química de vocês é tão óbvia que até os investidores comentaram o quanto parece... ensaiada.
O silêncio caiu sobre a mesa. Non tentou aliviar o clima.
— Ora, Lena, não seja tão dura. O rapaz só está sendo gentil. Aliás, Miu, você está belíssima esta noite.
Desta vez, foi Miu quem sentiu o sangue ferver. Ela odiava o modo como Non olhava para Lorena, mas odiava ainda mais como Lorena parecia permitir aquela proximidade.
— Obrigada, Non — Miu respondeu, sua voz carregada de um sarcasmo sutil. — É bom saber que alguém aqui aprecia a elegância sem segundas intenções.
A noite seguiu pesada. Após o jantar, enquanto os outros se dispersavam para o bar ou para a piscina, Miu caminhou até a varanda que dava para a praia isolada. O som das ondas era a única coisa que acalmava seus pensamentos.
— Você sempre foge quando as coisas ficam interessantes.
Miu se sobressaltou. Lorena estava encostada no batente da porta, segurando uma taça de vinho. A luz da lua refletia em seus ombros nus.
— Eu não estou fugindo, Lorena. Só precisava de ar. O Willian pode ser... sufocante.
— E o Non? — Lorena caminhou até ela, parando a poucos centímetros de distância. O perfume de sândalo e jasmim que ela usava invadiu os sentidos de Miu. — Ele também te sufoca?
— O Non é seu amigo, não meu — rebateu Miu, sentindo o coração acelerar. — Por que o interesse?
— Porque eu vi como você olhou para ele. E vi como você deixou aquele modelo idiota tocar no seu braço a noite toda — Lorena deu um passo à frente, encurralando Miu contra o parapeito de mármore. — O que está acontecendo com você, Miu?
— O que está acontecendo comigo? — Miu soltou uma risada amarga. — Oito anos, Lorena. Oito anos vendo você entrar e sair da minha casa como a melhor amiga do meu irmão. Oito anos vendo você em capas de revistas e nos tribunais, sendo perfeita, sendo inalcançável. E você me pergunta o que está acontecendo?
Lorena hesitou, a expressão de confiança vacilando por um segundo.
— Do que você está falando?
— Eu estou falando que eu não aguento mais! — Miu explodiu, as lágrimas de frustração finalmente vencendo a barreira. — Eu não aguento mais o Willian, eu não aguento mais o Non, e eu não aguento mais fingir que eu só quero ser sua "cunhada por consideração". Eu amo você desde que eu tinha dezenove anos, sua idiota!
O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo som do mar. Miu fechou os olhos, esperando a rejeição, o riso ou o afastamento. Em vez disso, sentiu mãos firmes segurarem seu rosto.
— Você demorou oito anos para dizer isso? — A voz de Lorena era um sussurro rouco. — Oito anos em que eu achei que você me odiava porque sempre saía da sala quando eu chegava? Oito anos em que eu aceitei sair com qualquer um só para tentar tirar você da minha cabeça?
Miu abriu os olhos, atordoada.
— O quê?
— Eu também amo você, Miu — disse Lorena, antes de selar seus lábios nos dela.
O beijo foi uma explosão de necessidade acumulada. Era o gosto de vinho, de desejo reprimido e de uma promessa finalmente cumprida. Lorena a puxou para mais perto, suas mãos descendo para a cintura de Miu, enquanto Miu se perdia na textura do cabelo da advogada.
— Não aqui — ofegou Lorena contra os lábios de Miu. — Alguém pode aparecer.
— Minha suíte — Miu respondeu, a voz trêmula.
Elas caminharam apressadas pelo corredor, mas a urgência era tanta que, ao entrarem no elevador privativo que levava à cobertura, Lorena não resistiu. Ela pressionou o botão de parada e empurrou Miu contra a parede espelhada.
— Lena, o elevador... — Miu tentou protestar, mas foi calada por um beijo voraz.
— Ninguém vai entrar, Miu. Eu quero você agora.
A tensão que as cercava há anos transformou-se em uma chama incontrolável. Ali mesmo, entre o metal frio e o reflexo de seus corpos entrelaçados, elas se pertenceram pela primeira vez. Foi caótico, intenso e desesperado, um acerto de contas com o tempo perdido.
...
Meses depois, a dinâmica entre elas havia mudado drasticamente, embora o mundo exterior ainda não soubesse de todos os detalhes. O escritório de advocacia de Lorena e a sede da Audi tornaram-se palcos de encontros clandestinos.
Certo dia, Miu visitou o escritório de Lorena para tratar de um "contrato de exclusividade" da marca. Assim que a secretária fechou a porta, Lorena trancou a entrada e puxou Miu para cima da mesa de carvalho, espalhando processos importantes pelo chão.
— Dra. Schuett, isso é muito pouco profissional — provocou Miu, desabotoando a blusa de seda da namorada.
— Eu sou uma advogada, Miu. Sei exatamente como contornar as regras — Lorena sorriu, beijando o pescoço da herdeira.
A provocação continuava em todos os lugares. Em um jantar de gala da Subaru, com o elevador cheio de executivos e amigos como Dew e Lingling, Lorena sussurrava coisas obscenas no ouvido de Miu enquanto mantinha uma expressão perfeitamente séria para os colegas. Miu precisava cravar as unhas na própria palma da mão para não entregar o que estava sentindo sob a saia lápis, onde a mão de Lorena repousava discretamente.
O ciúme, no entanto, ainda era um tempero presente. Quando Willian tentou mais uma vez se aproximar de Miu em um evento de lançamento, Lorena não se conteve. Ela caminhou até o centro do salão, tirou o microfone da mão do mestre de cerimônias e olhou diretamente para Miu.
— Eu gostaria de fazer um anúncio — a voz de Lorena ecoou, firme e poderosa. — Muitas pessoas perguntam qual é o segredo do sucesso da minha carreira e da minha vida pessoal. O segredo é ter ao meu lado a mulher mais incrível deste mundo. Miu Natsha, você aceita ser minha esposa e parar de dar trela para modelos de quinta categoria?
O salão irrompeu em aplausos e assobios. Engfa e Charlotte gritavam de alegria lá atrás, enquanto Wille apenas sorria, sabendo que sua irmã finalmente estava em boas mãos. Miu, com os olhos brilhando, subiu ao palco e aceitou o anel de diamante que Lorena tirou do bolso do terno.
Quatro anos de casamento se passaram como um sonho. A mansão em Bangkok agora tinha novos sons. Após um processo cuidadoso de inseminação artificial, a família cresceu.
— Valentina, solte o sapato da sua mãe! — Miu ria, tentando capturar a pequena menina de cabelos escuros que corria pela sala.
— E Henrique, pare de tentar escalar o sofá com esse carrinho da Audi! — Lorena completou, pegando o menino no colo e dando-lhe um beijo na testa.
Valentina era a cópia fiel de Miu, com a mesma determinação no olhar, enquanto Henrique herdara o sorriso charmoso e a inteligência rápida de Lorena.
À noite, quando as crianças finalmente dormiam, as duas se sentavam na varanda, observando as luzes da cidade.
— Sabe — começou Lorena, encostando a cabeça no ombro de Miu —, eu ainda sinto ciúmes quando vejo os estagiários novos olhando para você na empresa.
Miu riu, entrelaçando seus dedos aos dela.
— E eu ainda sinto vontade de te trancar em um elevador toda vez que você usa esse terno de advogada.
Lorena sorriu, puxando a esposa para um beijo calmo e cheio de promessas.
— Algumas coisas nunca mudam, Miu. E eu espero que nunca mudem mesmo.
Ali, entre o império automobilístico e os tribunais, elas haviam construído algo muito mais sólido do que qualquer marca ou contrato: uma vida baseada na verdade que levaram oito anos para admitir, mas que agora celebrariam para sempre.
Seu olhar desviou para a revista de moda sobre a mesa de carvalho. Na capa, Lena Lorena Schuett exibia um olhar magnético, vestindo um terno de alta costura que acentuava sua postura impecável. Lorena era uma anomalia fascinante: uma advogada brilhante que ganhava causas impossíveis no tribunal durante o dia e uma modelo de renome internacional que parava o trânsito à noite. Para Miu, ela era muito mais do que isso. Era o amor silencioso que carregava no peito há oito anos, desde os tempos de faculdade.
A porta da sala abriu-se sem aviso, e Miu nem precisou se virar para saber quem era.
— Você ainda está olhando para essa revista? — A voz de Engfa Waraha ecoou pelo recinto, carregada de um tom provocativo.
Ao lado dela, Charlotte Austin sorria, segurando o café de Engfa. As duas eram as melhores amigas de Miu e formavam o casal mais invejado do círculo social tailandês.
— É uma análise de mercado, Engfa. Lorena é a embaixadora da nossa nova campanha — mentiu Miu, fechando a revista rapidamente.
— Sei, uma análise de mercado que dura oito anos — Charlotte brincou, sentando-se na poltrona à frente da mesa. — Miu, o grupo todo vai para a casa de praia este fim de semana. O Wille confirmou que a Lorena vai. É a sua chance de parar de sofrer em silêncio.
Miu suspirou. Wille, seu irmão mais velho, era o melhor amigo de Lorena. Foi através dele que o vínculo entre as duas se manteve, mas também era por causa dele que Miu sentia que precisava manter as aparências. Lorena a via como a "irmãzinha do melhor amigo", ou pelo menos era o que Miu acreditava.
— Não é tão simples — murmurou Miu. — Ela está sempre rodeada de gente. E tem aquele Non... ele não sai do pé dela ultimamente.
— E você tem o Willian — lembrou Engfa, revirando os olhos. — Aquele modelo bonitão que o P'Joe vive tentando empurrar para você nas festas da agência. Se eu fosse a Lorena, teria ciúmes.
Miu sentiu um calafrio. Willian era persistente e, embora fosse um dos modelos mais famosos da Tailândia, seu interesse por Miu era puramente estratégico — e irritante.
O fim de semana chegou mais rápido do que o esperado. A mansão de veraneio da família Taechamongkalapiwat era um refúgio de luxo à beira-mar. O grupo de amigos estava completo. De um lado, o círculo de Miu: Engfa, Charlotte, P'Joe e o onipresente Willian. Do outro, os amigos de Lorena: Non, o fotógrafo Dew, o casal Orm e Lingling, e as inseparáveis Freen e Becky.
A tensão começou logo no jantar de sexta-feira. Lorena estava deslumbrante em um vestido de seda leve, rindo de algo que Non dizia ao seu ouvido. Miu, sentada do outro lado da mesa, apertava o talher com força, enquanto Willian tentava, sem sucesso, chamar sua atenção.
— Miu, você viu as fotos da última campanha da Subaru? — Willian perguntou, inclinando-se perigosamente perto dela. — Eu acho que nossa química nas fotos foi incomparável. Deveríamos repetir a dose... em particular.
Miu forçou um sorriso, mas seus olhos encontraram os de Lorena. A advogada não estava mais rindo. Seus olhos castanhos brilhavam com uma faísca de irritação que Miu não soube identificar.
— Com certeza, Willian — Lorena interrompeu, sua voz fria como gelo. — A química de vocês é tão óbvia que até os investidores comentaram o quanto parece... ensaiada.
O silêncio caiu sobre a mesa. Non tentou aliviar o clima.
— Ora, Lena, não seja tão dura. O rapaz só está sendo gentil. Aliás, Miu, você está belíssima esta noite.
Desta vez, foi Miu quem sentiu o sangue ferver. Ela odiava o modo como Non olhava para Lorena, mas odiava ainda mais como Lorena parecia permitir aquela proximidade.
— Obrigada, Non — Miu respondeu, sua voz carregada de um sarcasmo sutil. — É bom saber que alguém aqui aprecia a elegância sem segundas intenções.
A noite seguiu pesada. Após o jantar, enquanto os outros se dispersavam para o bar ou para a piscina, Miu caminhou até a varanda que dava para a praia isolada. O som das ondas era a única coisa que acalmava seus pensamentos.
— Você sempre foge quando as coisas ficam interessantes.
Miu se sobressaltou. Lorena estava encostada no batente da porta, segurando uma taça de vinho. A luz da lua refletia em seus ombros nus.
— Eu não estou fugindo, Lorena. Só precisava de ar. O Willian pode ser... sufocante.
— E o Non? — Lorena caminhou até ela, parando a poucos centímetros de distância. O perfume de sândalo e jasmim que ela usava invadiu os sentidos de Miu. — Ele também te sufoca?
— O Non é seu amigo, não meu — rebateu Miu, sentindo o coração acelerar. — Por que o interesse?
— Porque eu vi como você olhou para ele. E vi como você deixou aquele modelo idiota tocar no seu braço a noite toda — Lorena deu um passo à frente, encurralando Miu contra o parapeito de mármore. — O que está acontecendo com você, Miu?
— O que está acontecendo comigo? — Miu soltou uma risada amarga. — Oito anos, Lorena. Oito anos vendo você entrar e sair da minha casa como a melhor amiga do meu irmão. Oito anos vendo você em capas de revistas e nos tribunais, sendo perfeita, sendo inalcançável. E você me pergunta o que está acontecendo?
Lorena hesitou, a expressão de confiança vacilando por um segundo.
— Do que você está falando?
— Eu estou falando que eu não aguento mais! — Miu explodiu, as lágrimas de frustração finalmente vencendo a barreira. — Eu não aguento mais o Willian, eu não aguento mais o Non, e eu não aguento mais fingir que eu só quero ser sua "cunhada por consideração". Eu amo você desde que eu tinha dezenove anos, sua idiota!
O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo som do mar. Miu fechou os olhos, esperando a rejeição, o riso ou o afastamento. Em vez disso, sentiu mãos firmes segurarem seu rosto.
— Você demorou oito anos para dizer isso? — A voz de Lorena era um sussurro rouco. — Oito anos em que eu achei que você me odiava porque sempre saía da sala quando eu chegava? Oito anos em que eu aceitei sair com qualquer um só para tentar tirar você da minha cabeça?
Miu abriu os olhos, atordoada.
— O quê?
— Eu também amo você, Miu — disse Lorena, antes de selar seus lábios nos dela.
O beijo foi uma explosão de necessidade acumulada. Era o gosto de vinho, de desejo reprimido e de uma promessa finalmente cumprida. Lorena a puxou para mais perto, suas mãos descendo para a cintura de Miu, enquanto Miu se perdia na textura do cabelo da advogada.
— Não aqui — ofegou Lorena contra os lábios de Miu. — Alguém pode aparecer.
— Minha suíte — Miu respondeu, a voz trêmula.
Elas caminharam apressadas pelo corredor, mas a urgência era tanta que, ao entrarem no elevador privativo que levava à cobertura, Lorena não resistiu. Ela pressionou o botão de parada e empurrou Miu contra a parede espelhada.
— Lena, o elevador... — Miu tentou protestar, mas foi calada por um beijo voraz.
— Ninguém vai entrar, Miu. Eu quero você agora.
A tensão que as cercava há anos transformou-se em uma chama incontrolável. Ali mesmo, entre o metal frio e o reflexo de seus corpos entrelaçados, elas se pertenceram pela primeira vez. Foi caótico, intenso e desesperado, um acerto de contas com o tempo perdido.
...
Meses depois, a dinâmica entre elas havia mudado drasticamente, embora o mundo exterior ainda não soubesse de todos os detalhes. O escritório de advocacia de Lorena e a sede da Audi tornaram-se palcos de encontros clandestinos.
Certo dia, Miu visitou o escritório de Lorena para tratar de um "contrato de exclusividade" da marca. Assim que a secretária fechou a porta, Lorena trancou a entrada e puxou Miu para cima da mesa de carvalho, espalhando processos importantes pelo chão.
— Dra. Schuett, isso é muito pouco profissional — provocou Miu, desabotoando a blusa de seda da namorada.
— Eu sou uma advogada, Miu. Sei exatamente como contornar as regras — Lorena sorriu, beijando o pescoço da herdeira.
A provocação continuava em todos os lugares. Em um jantar de gala da Subaru, com o elevador cheio de executivos e amigos como Dew e Lingling, Lorena sussurrava coisas obscenas no ouvido de Miu enquanto mantinha uma expressão perfeitamente séria para os colegas. Miu precisava cravar as unhas na própria palma da mão para não entregar o que estava sentindo sob a saia lápis, onde a mão de Lorena repousava discretamente.
O ciúme, no entanto, ainda era um tempero presente. Quando Willian tentou mais uma vez se aproximar de Miu em um evento de lançamento, Lorena não se conteve. Ela caminhou até o centro do salão, tirou o microfone da mão do mestre de cerimônias e olhou diretamente para Miu.
— Eu gostaria de fazer um anúncio — a voz de Lorena ecoou, firme e poderosa. — Muitas pessoas perguntam qual é o segredo do sucesso da minha carreira e da minha vida pessoal. O segredo é ter ao meu lado a mulher mais incrível deste mundo. Miu Natsha, você aceita ser minha esposa e parar de dar trela para modelos de quinta categoria?
O salão irrompeu em aplausos e assobios. Engfa e Charlotte gritavam de alegria lá atrás, enquanto Wille apenas sorria, sabendo que sua irmã finalmente estava em boas mãos. Miu, com os olhos brilhando, subiu ao palco e aceitou o anel de diamante que Lorena tirou do bolso do terno.
Quatro anos de casamento se passaram como um sonho. A mansão em Bangkok agora tinha novos sons. Após um processo cuidadoso de inseminação artificial, a família cresceu.
— Valentina, solte o sapato da sua mãe! — Miu ria, tentando capturar a pequena menina de cabelos escuros que corria pela sala.
— E Henrique, pare de tentar escalar o sofá com esse carrinho da Audi! — Lorena completou, pegando o menino no colo e dando-lhe um beijo na testa.
Valentina era a cópia fiel de Miu, com a mesma determinação no olhar, enquanto Henrique herdara o sorriso charmoso e a inteligência rápida de Lorena.
À noite, quando as crianças finalmente dormiam, as duas se sentavam na varanda, observando as luzes da cidade.
— Sabe — começou Lorena, encostando a cabeça no ombro de Miu —, eu ainda sinto ciúmes quando vejo os estagiários novos olhando para você na empresa.
Miu riu, entrelaçando seus dedos aos dela.
— E eu ainda sinto vontade de te trancar em um elevador toda vez que você usa esse terno de advogada.
Lorena sorriu, puxando a esposa para um beijo calmo e cheio de promessas.
— Algumas coisas nunca mudam, Miu. E eu espero que nunca mudem mesmo.
Ali, entre o império automobilístico e os tribunais, elas haviam construído algo muito mais sólido do que qualquer marca ou contrato: uma vida baseada na verdade que levaram oito anos para admitir, mas que agora celebrariam para sempre.
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