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Nossa primeira vez~

Фандом: Forsaken

Создан: 18.04.2026

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РомантикаДрамаАнгстHurt/ComfortПсихологияCharacter studyДискриминацияРевность
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O Aroma do Café e o Calor do Refúgio

A mansão da família de Lance exalava um luxo que sufocava Tessius. O cheiro de pinho fresco da árvore de Natal gigante no hall de entrada misturava-se ao perfume caro dos convidados e ao odor de pratos sofisticados que ele sequer sabia pronunciar o nome. Para um rapaz de dezoito anos que carregava o peso de um passado fragmentado e uma mente que nunca silenciava, aquele ambiente era um campo minado.

Tessius sentia suas mãos tremerem. Não era apenas o frio do inverno lá fora, mas a falta de sua "âncora". Ele olhou para o relógio de pulso pela décima vez em cinco minutos. Fazia exatamente cinquenta e cinco minutos desde sua última xícara de café. A ansiedade generalizada começava a rastejar por sua espinha como insetos gélidos, e as vozes baixas do salão pareciam sussurros distorcidos em sua mente, flertando com a paranoia da esquizofrenia que ele tentava domar diariamente.

— Você está esmagando o copo de cristal, Tess — a voz de Lance surgiu como um bálsamo ao seu lado.

Tessius piscou, focando os olhos castanhos no namorado. Lance estava impecável em um terno sob medida que realçava seus 1,90m de altura, mas seu sorriso era o mesmo de sempre: genuíno, travesso e focado inteiramente em Tessius.

— Eu odeio isso aqui — sussurrou Tessius, a voz rouca e instável. — Essas pessoas... elas me olham como se eu fosse um erro. Como se esperassem eu cometer um deslize para me chamarem de... você sabe.

Lance fechou a expressão imediatamente, a mandíbula tensa. Ele sabia o quanto Tessius lutava para ser reconhecido como o homem que era, o quanto as cicatrizes do passado como uma "garotinha sensível" ainda queimavam.

— Ninguém vai usar os pronomes errados com você, Tess. Eu não permitiria — Lance deu um passo à frente, bloqueando a visão do salão para o namorado. — E você está tremendo. É o café, não é?

— Eu preciso de uma dose. Agora. Ou eu vou começar a arrancar meu cabelo, Lance, eu estou falando sério! — Tessius cravou as unhas na palma da mão, o humor virando bruscamente para a irritação defensiva do Borderline. — Por que você me trouxe para esse circo de gente rica?

Lance não se abalou com a grosseria. Ele conhecia Tessius melhor do que ninguém; amava o rapaz desde que Alison o acolhera, amava a transição, a coragem e até o caos mental que o acompanhava.

— Venha comigo. Vamos sair desse barulho — sugeriu Lance, pegando a mão trêmula de Tessius. — O meu quarto é o único lugar seguro nesta casa. E eu tenho uma cafeteira italiana lá em cima que meu pai — ele fez uma careta ao mencionar Victor — esqueceu que eu escondi.

Tessius assentiu freneticamente, deixando-se ser guiado escada acima, longe da opulência dourada e dos olhares julgadores da elite que cercava os pais de Lance.

Ao entrarem no quarto, o silêncio foi um alívio imediato. O quarto de Lance era vasto, decorado com troféus de caça e móveis de madeira pesada, antecipando o desejo que o jovem tinha de viver em uma cabana. Lance trancou a porta e caminhou direto para um pequeno balcão escondido no closet.

— Senta na cama, Tess. Vou fazer o mais forte que eu tiver.

Tessius desabou no colchão macio, puxando os joelhos contra o peito. Ele odiava se sentir tão vulnerável. O TDAH fazia seus pensamentos saltarem da infância traumática com Elias para a imagem de Mary tentando atacá-los, e depois para o rosto bondoso de Alison. Ele sentia que ia explodir.

— Aqui — disse Lance, aproximando-se alguns minutos depois com uma caneca de cerâmica preta. O vapor subia em volutas densas.

Tessius praticamente arrancou a caneca das mãos dele. O primeiro gole, quente o suficiente para queimar a língua, trouxe uma clareza dolorosa e deliciosa. Ele fechou os olhos, suspirando enquanto a cafeína atingia sua corrente sanguínea, estabilizando as bordas desfiadas de sua sanidade.

— Melhor? — perguntou Lance, sentando-se ao lado dele, observando-o com aquela adoração silenciosa que sempre desarmava Tessius.

— Um pouco — Tessius rosnou, embora seus ombros tivessem relaxado. — Desculpe por ser um idiota lá embaixo.

— Você nunca é um idiota para mim, Tessius. Você é apenas você. E eu amo cada parte, inclusive a que quer morder a cabeça de todo mundo quando está sem café.

Lance estendeu a mão e acariciou o rosto de Tessius, o polegar traçando a linha da mandíbula. Tessius inclinou-se para o toque, a possessividade borbulhando em seu peito. Ele não era apenas grato por Lance; ele era obcecado por ele. Lance era o único que via o homem por trás dos traumas, o único que nunca o tratou como uma "pobre garotinha".

— Você vai mesmo embora? — Tessius perguntou, a voz baixa. — Quando fizer dezoito... a cabana?

— Eu vou. E eu quero que você venha comigo. Longe de tudo isso, Tess. Só nós, a floresta, e todo o café que você conseguir beber.

Tessius deixou a caneca vazia na mesa de cabeceira e avançou sobre Lance, empurrando-o contra os travesseiros. A agitação da cafeína agora se transformava em uma energia diferente, mais focada, mais faminta.

— Você é meu, Lance — Tessius declarou, os olhos brilhando com uma intensidade que beirava o perigoso. — Se eu for com você, você sabe que eu não vou deixar ninguém mais chegar perto, não sabe?

Lance soltou uma risada curta e rouca, as mãos grandes encontrando a cintura de Tessius e puxando-o para mais perto, sentindo a estrutura de 1,70m do namorado encaixar-se perfeitamente entre suas pernas.

— É exatamente isso que eu quero. Eu sou seu, Tess. Sempre fui.

Tessius o beijou com uma urgência desesperada. Havia gosto de café amargo e uma necessidade crua em seus lábios. Lance respondeu com a mesma intensidade, sua "língua afiada" agora ocupada em explorar a boca de Tessius, provocando gemidos baixos que vibravam contra seu peito.

As mãos de Tessius, ainda levemente trêmulas, começaram a abrir os botões da camisa formal de Lance. Ele precisava sentir a pele dele, precisava de algo real para ancorar sua mente que, às vezes, tentava convencê-lo de que nada daquilo era real.

— Você está pensando demais de novo — sussurrou Lance entre beijos, descendo para o pescoço de Tessius, onde o pulso dele batia freneticamente. — Fica aqui comigo. Só aqui.

— Eu estou aqui — Tessius arqueou as costas quando Lance mordeu de leve o lóbulo de sua orelha. — Eu não vou a lugar nenhum.

Lance girou os corpos, ficando por cima, mas mantendo o peso apoiado nos cotovelos para não esmagar o namorado. Ele olhou nos olhos de Tessius com uma seriedade que silenciou qualquer voz intrusa na mente do outro.

— Você é o homem mais incrível que eu já conheci, Tessius. Nunca deixe ninguém dizer o contrário. Nem mesmo as vozes na sua cabeça.

As lágrimas que Tessius vinha segurando desde que chegara à mansão finalmente transbordaram, mas não eram de tristeza. Eram de alívio. Ele puxou Lance para baixo para outro beijo, este mais lento, mais profundo, enquanto as roupas eram descartadas com pressa e desejo.

O calor do quarto de Lance era o oposto do frio gelado da sala de jantar lá embaixo. Ali, entre lençóis de seda e o aroma persistente de café, Tessius sentia-se seguro. Lance era seu porto seguro, o caçador que o protegia do mundo e de si mesmo.

— Lance... — Tessius arqueou, as unhas cravando-se nos ombros largos do maior enquanto o prazer começava a nublar seus sentidos.

— Eu te peguei, Tess. Eu sempre te pego — Lance murmurou contra sua pele, sua voz uma promessa de um futuro que ainda estava por vir, em uma cabana longe de tudo, onde o único barulho seria o vento nas árvores e o som de seus corações batendo em uníssono.

Naquela noite de Natal, no quarto luxuoso de uma mansão que nenhum dos dois queria herdar, Tessius entendeu que não importava o quão quebrada sua mente estivesse, ou o quão viciado ele fosse em café para mascarar sua dor; com Lance, ele era inteiro. E Lance, o herdeiro que preferia a floresta, encontrou em Tessius a única coisa que valia a pena caçar e manter para sempre.
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