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Chamas do amor
Фандом: Avatar the last airbender
Создан: 18.04.2026
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РомантикаДрамаАнгстФэнтезиДивергенцияРевностьСеттинг оригинального произведенияCharacter studyAUПсихологияЭкшн
O Retorno das Sombras e das Chamas
A fumaça das chaminés de Caldera City parecia mais densa naquela tarde, como se o próprio ar da Nação do Fogo estivesse pesado com a expectativa. No alto da escadaria do palácio real, o vento soprava meus cabelos pretos, que agora batiam abaixo da cintura, e eu sentia o olhar penetrante de Azula ao meu lado. Eu havia mudado muito nos três anos em que Zuko esteve fora. A menina de rosto redondo dera lugar a uma jovem de pele pálida como porcelana, olhos verde-escuros que pareciam capturar a luz das chamas e uma postura que impunha respeito.
Eu não era apenas uma acompanhante de Azula; eu era uma de suas armas mais letais. Minha dobra de fogo era precisa, fria quando necessário, e as facas escondidas em minhas mangas eram extensões dos meus próprios dedos. Mas, por trás da fachada de guerreira impecável, meu coração batia em um ritmo frenético que eu não sentia há anos.
Zuko estava voltando.
— Você parece tensa, Cherry — a voz de Azula cortou o silêncio, carregada daquela doçura venenosa que só ela possuía. — Não me diga que ainda guarda sentimentos por aquele traidor banido? Ah, esqueci. Ele não é mais um traidor, não é? Ele é o herói que matou o Avatar.
Eu não desviei o olhar do horizonte.
— Estou apenas focada no protocolo, Azula — respondi calmamente, embora minha língua estivesse pronta para disparar uma farpa se ela continuasse. — É um dia importante para a Nação.
Ao meu outro lado, Mai permanecia em seu silêncio habitual, a expressão de tédio mascarando qualquer emoção. Ty Lee, por outro lado, saltitava de ansiedade.
— Ele deve estar tão diferente! — exclamou Ty Lee. — Três anos no mar... ele deve ter ficado tão forte!
— Ele continua sendo o Zuko — disse Mai, sua voz monótona escondendo um interesse que eu conhecia bem. — Provavelmente ainda está mal-humorado.
Eu apertei o punho sob a manga do meu traje carmesim. Mai e eu nunca fomos próximas, apesar de estarmos no mesmo círculo. Havia uma barreira invisível entre nós, construída por anos de olhares silenciosos sobre o mesmo garoto. Eu sabia que ela o queria. E ela sabia que eu o amava.
Quando as carruagens finalmente pararam e as portas se abriram, o tempo pareceu desacelerar. Zuko saiu primeiro. Ele estava mais alto, os ombros mais largos, o cabelo agora curto e bem cuidado. A cicatriz ainda estava lá, marcando seu rosto delicado, mas seus olhos dourados pareciam mais profundos, carregados de uma melancolia que me apertou o peito.
Azula deu um passo à frente, com um sorriso triunfante.
— Bem-vindo ao lar, irmão. O herói da Nação do Fogo.
Zuko olhou para ela com desconfiança, mas depois seus olhos varreram o grupo atrás dela. Quando eles encontraram os meus, houve um breve momento de hesitação. Eu vi a surpresa atravessar suas feições. Ele me reconheceu, apesar do tempo e da minha mudança física.
— Cherry — ele murmurou, quase num suspiro.
— Bem-vindo de volta, Príncipe Zuko — eu disse, fazendo uma reverência impecável, embora minhas mãos estivessem tremendo levemente.
— Vejam só — Azula interveio, deslizando para o lado de Zuko e colocando a mão em seu ombro, enquanto olhava diretamente para mim com um brilho malicioso. — Zuzu, você se lembra da Mai, não é? Ela estava comentando o quanto sentiu sua falta.
Mai deu um passo à frente, sua expressão suavizando apenas um milímetro.
— Zuko.
— Oi, Mai — ele respondeu, parecendo desconfortável com a atenção súbita.
Eu senti uma pontada de irritação. Azula estava começando seus jogos. Ela sabia exatamente o que estava fazendo ao empurrar Mai para cima dele na minha frente. Era a forma dela de manter o controle, de nos lembrar que ela era a mestre de cerimônias de nossas vidas.
— Venham — disse Azula, dando as costas e caminhando para dentro do palácio. — Temos muito o que comemorar. O Avatar está morto, e a honra de Zuko foi restaurada.
Caminhamos pelos corredores familiares, mas o clima era sufocante. Zuko caminhava ao lado de Azula, enquanto Mai se posicionava estrategicamente perto dele. Eu me mantive um passo atrás, observando.
— Você está muito bonita, Cherry — a voz de Ty Lee soou ao meu lado, num sussurro. — Ele mal conseguiu tirar os olhos de você por um segundo.
— Não comece, Ty Lee — eu murmurei, embora meu rosto tenha esquentado levemente.
Mais tarde naquela noite, o palácio estava em uma celebração contida. Zuko parecia um estranho em sua própria casa. Eu o encontrei em uma das varandas que davam para os jardins de lótus, o lugar onde costumávamos brincar quando crianças. Ele estava apoiado no parapeito, olhando para a lua.
— O palácio parece diferente — ele disse, sem se virar. Ele sabia que era eu. Pelo meu passo, ou talvez pelo meu cheiro.
— O palácio é o mesmo, Zuko — eu disse, aproximando-me e ficando ao lado dele. O vento soprava meus cabelos, e eu os afastei do rosto. — Você é quem mudou.
Ele finalmente se virou para mim. À luz da lua, sua cicatriz parecia menos agressiva, e seus olhos dourados brilhavam com uma intensidade que me deixava sem fôlego.
— Você também mudou — ele admitiu, sua voz ficando mais baixa. — Eu quase não te reconheci. Você... você se tornou uma mulher incrível, Cherry.
— Eu tive que crescer — respondi, mantendo meu tom sério, embora meu coração estivesse aos saltos. — Três anos é muito tempo para esperar por alguém que não sabíamos se voltaria.
Zuko baixou o olhar.
— Eu sinto muito por ter ido embora daquela forma. Mas eu não tinha escolha. Eu precisava da minha honra de volta.
— E agora você a tem — eu disse, embora houvesse uma nota de dúvida na minha voz. — Azula diz que você derrotou o Avatar em Ba Sing Se. Isso é o que você sempre quis, não é?
Zuko hesitou. Por um momento, a máscara de príncipe herdeiro caiu, e eu vi o garoto confuso que ele costumava ser.
— Sim. É o que eu queria.
Antes que pudéssemos continuar, o som de passos rítmicos ecoou no corredor. Mai apareceu na sombra da porta, com os braços cruzados dentro das mangas compridas.
— Zuko — ela chamou, sua voz fria como gelo. — Azula está chamando para o jantar oficial. Ela disse que você não deveria se isolar com as... visitas.
Eu senti o insulto velado na palavra "visitas". Eu morava no palácio tanto quanto elas, mas Mai sempre tentava me colocar em um lugar de inferioridade técnica.
— Eu já estou indo, Mai — disse Zuko, suspirando.
Mai não se moveu. Ela olhou para mim, seus olhos estreitos cheios de uma rivalidade silenciosa.
— Cherry, Azula também quer falar com você. Ela disse algo sobre praticar suas técnicas de facas amanhã cedo. Parece que você perdeu a precisão ultimamente.
Eu sorri, um sorriso que não chegava aos meus olhos, mas que carregava todo o perigo de uma chama azul.
— Minha precisão está melhor do que nunca, Mai — eu disse, dando um passo em direção a ela. — Se você quiser, posso demonstrar agora mesmo. Tenho certeza de que você adoraria ver como uma lâmina pode chegar perto do alvo sem realmente cortar... ou talvez cortando apenas o necessário.
Mai não recuou, mas houve um lampejo de surpresa em seu olhar. Ela não estava acostumada a eu revidar de forma tão direta.
— Chega — disse Zuko, colocando-se entre nós duas. Ele parecia exausto. — Vamos apenas entrar.
Ele começou a caminhar, e Mai imediatamente se posicionou ao lado dele, lançando-me um olhar de triunfo por estar caminhando com ele. Eu fiquei para trás por um momento, respirando fundo o ar gelado da noite.
Eu sabia o que Azula estava fazendo. Ela queria criar discórdia, queria ver quem de nós quebraria primeiro sob a pressão de seu sadismo psicológico. Ela usaria Mai para me atingir, e usaria meu afeto por Zuko para mantê-lo sob controle.
Mas Azula e Mai se esqueceram de um detalhe importante: eu não era mais a menina gentil que apenas observava das sombras. Eu era uma mestre das chamas e do aço, e se elas queriam jogar, eu estava mais do que pronta para queimar o tabuleiro.
Caminhei em direção ao salão de jantar, cada passo firme e decidido. Ao entrar, vi Zuko sentado entre Azula e Mai. Azula sorriu para mim, um sorriso predatório.
— Sente-se, Cherry — disse a princesa, apontando para um lugar afastado de Zuko. — Estávamos justamente falando sobre como Zuko e Mai formam um par visualmente... adequado para a nova era da Nação do Fogo. Não concorda?
Eu me sentei, mantendo minha expressão serena e meu rosto delicado imóvel como uma estátua. Olhei diretamente para Azula, ignorando o desconforto óbvio de Zuko.
— A aparência é importante para o povo, Azula — eu disse, minha voz saindo clara e afiada. — Mas a Nação do Fogo foi construída sobre o poder e a verdade. E a verdade sempre encontra um jeito de aparecer, não importa o quanto tentemos mascará-la com arranjos convenientes.
Zuko olhou para mim, e por um breve segundo, houve uma conexão elétrica entre nós. Ele sabia que eu estava falando de mais do que apenas política.
O jantar prosseguiu sob um véu de tensão. Mai tentava puxar assunto com Zuko, que respondia com monossílabos. Azula continuava a alfinetar, jogando elogios falsos para Mai e tarefas exaustivas para mim.
Quando o jantar terminou, Zuko se levantou rapidamente.
— Preciso descansar. Foi uma longa viagem.
— Claro, Zuzu — disse Azula. — Mai, por que você não o acompanha até os aposentos dele? Para garantir que ele não se perca... ou mude de ideia sobre onde pertence.
Mai assentiu e se aproximou dele. Zuko olhou para mim uma última vez antes de sair, um olhar carregado de palavras não ditas.
Eu permaneci à mesa, observando as chamas das velas dançarem.
— Você deveria tomar cuidado, Cherry — disse Azula, levantando-se e caminhando até mim. Ela se inclinou, sussurrando no meu ouvido. — O ciúme é uma emoção tão... comum. Eu esperava mais de você.
— Não é ciúme, Azula — eu respondi, levantando-me e ficando na altura dela. — É apenas uma observação de quão baixo você está disposta a descer para manipular seu próprio irmão. E quanto a Mai... ela está apenas ocupando um espaço que ela nunca poderá preencher de verdade.
Azula soltou uma risada curta e fria.
— Veremos. A propósito, amanhã no treino, não use fogo. Quero ver o que você pode fazer apenas com suas facas. Tente não errar o boneco de treino... ou qualquer outra coisa que esteja no caminho.
Ela saiu do salão, deixando-me sozinha com o silêncio e o eco das minhas próprias batidas cardíacas.
Eu sabia que o retorno de Zuko era apenas o começo de uma tempestade. Ele estava em conflito, dividido entre a honra que pensava querer e a verdade que ele sabia ser real. E enquanto Mai e Azula tentavam prendê-lo em um futuro que ele não escolhera, eu estaria lá, nas sombras e nas chamas, esperando o momento certo para lembrá-lo de quem ele realmente era.
Porque Zuko não pertencia a Azula, e ele certamente não pertencia a Mai. Ele era o fogo que eu carregava em minha alma, e eu não deixaria ninguém apagar essa chama.
Saí da sala e caminhei em direção aos meus próprios aposentos, mas parei diante da janela que dava para o pátio de treinamento. Peguei uma de minhas facas escondidas e a girei entre os dedos, sentindo o peso familiar do metal. Com um movimento rápido e fluido, lancei-a em direção a um pilar de madeira distante. A lâmina cravou-se exatamente no centro de uma pequena marca que eu havia feito anos atrás.
— O jogo começou, Azula — sussurrei para a noite. — E eu nunca perco o meu alvo.
Eu não era apenas uma acompanhante de Azula; eu era uma de suas armas mais letais. Minha dobra de fogo era precisa, fria quando necessário, e as facas escondidas em minhas mangas eram extensões dos meus próprios dedos. Mas, por trás da fachada de guerreira impecável, meu coração batia em um ritmo frenético que eu não sentia há anos.
Zuko estava voltando.
— Você parece tensa, Cherry — a voz de Azula cortou o silêncio, carregada daquela doçura venenosa que só ela possuía. — Não me diga que ainda guarda sentimentos por aquele traidor banido? Ah, esqueci. Ele não é mais um traidor, não é? Ele é o herói que matou o Avatar.
Eu não desviei o olhar do horizonte.
— Estou apenas focada no protocolo, Azula — respondi calmamente, embora minha língua estivesse pronta para disparar uma farpa se ela continuasse. — É um dia importante para a Nação.
Ao meu outro lado, Mai permanecia em seu silêncio habitual, a expressão de tédio mascarando qualquer emoção. Ty Lee, por outro lado, saltitava de ansiedade.
— Ele deve estar tão diferente! — exclamou Ty Lee. — Três anos no mar... ele deve ter ficado tão forte!
— Ele continua sendo o Zuko — disse Mai, sua voz monótona escondendo um interesse que eu conhecia bem. — Provavelmente ainda está mal-humorado.
Eu apertei o punho sob a manga do meu traje carmesim. Mai e eu nunca fomos próximas, apesar de estarmos no mesmo círculo. Havia uma barreira invisível entre nós, construída por anos de olhares silenciosos sobre o mesmo garoto. Eu sabia que ela o queria. E ela sabia que eu o amava.
Quando as carruagens finalmente pararam e as portas se abriram, o tempo pareceu desacelerar. Zuko saiu primeiro. Ele estava mais alto, os ombros mais largos, o cabelo agora curto e bem cuidado. A cicatriz ainda estava lá, marcando seu rosto delicado, mas seus olhos dourados pareciam mais profundos, carregados de uma melancolia que me apertou o peito.
Azula deu um passo à frente, com um sorriso triunfante.
— Bem-vindo ao lar, irmão. O herói da Nação do Fogo.
Zuko olhou para ela com desconfiança, mas depois seus olhos varreram o grupo atrás dela. Quando eles encontraram os meus, houve um breve momento de hesitação. Eu vi a surpresa atravessar suas feições. Ele me reconheceu, apesar do tempo e da minha mudança física.
— Cherry — ele murmurou, quase num suspiro.
— Bem-vindo de volta, Príncipe Zuko — eu disse, fazendo uma reverência impecável, embora minhas mãos estivessem tremendo levemente.
— Vejam só — Azula interveio, deslizando para o lado de Zuko e colocando a mão em seu ombro, enquanto olhava diretamente para mim com um brilho malicioso. — Zuzu, você se lembra da Mai, não é? Ela estava comentando o quanto sentiu sua falta.
Mai deu um passo à frente, sua expressão suavizando apenas um milímetro.
— Zuko.
— Oi, Mai — ele respondeu, parecendo desconfortável com a atenção súbita.
Eu senti uma pontada de irritação. Azula estava começando seus jogos. Ela sabia exatamente o que estava fazendo ao empurrar Mai para cima dele na minha frente. Era a forma dela de manter o controle, de nos lembrar que ela era a mestre de cerimônias de nossas vidas.
— Venham — disse Azula, dando as costas e caminhando para dentro do palácio. — Temos muito o que comemorar. O Avatar está morto, e a honra de Zuko foi restaurada.
Caminhamos pelos corredores familiares, mas o clima era sufocante. Zuko caminhava ao lado de Azula, enquanto Mai se posicionava estrategicamente perto dele. Eu me mantive um passo atrás, observando.
— Você está muito bonita, Cherry — a voz de Ty Lee soou ao meu lado, num sussurro. — Ele mal conseguiu tirar os olhos de você por um segundo.
— Não comece, Ty Lee — eu murmurei, embora meu rosto tenha esquentado levemente.
Mais tarde naquela noite, o palácio estava em uma celebração contida. Zuko parecia um estranho em sua própria casa. Eu o encontrei em uma das varandas que davam para os jardins de lótus, o lugar onde costumávamos brincar quando crianças. Ele estava apoiado no parapeito, olhando para a lua.
— O palácio parece diferente — ele disse, sem se virar. Ele sabia que era eu. Pelo meu passo, ou talvez pelo meu cheiro.
— O palácio é o mesmo, Zuko — eu disse, aproximando-me e ficando ao lado dele. O vento soprava meus cabelos, e eu os afastei do rosto. — Você é quem mudou.
Ele finalmente se virou para mim. À luz da lua, sua cicatriz parecia menos agressiva, e seus olhos dourados brilhavam com uma intensidade que me deixava sem fôlego.
— Você também mudou — ele admitiu, sua voz ficando mais baixa. — Eu quase não te reconheci. Você... você se tornou uma mulher incrível, Cherry.
— Eu tive que crescer — respondi, mantendo meu tom sério, embora meu coração estivesse aos saltos. — Três anos é muito tempo para esperar por alguém que não sabíamos se voltaria.
Zuko baixou o olhar.
— Eu sinto muito por ter ido embora daquela forma. Mas eu não tinha escolha. Eu precisava da minha honra de volta.
— E agora você a tem — eu disse, embora houvesse uma nota de dúvida na minha voz. — Azula diz que você derrotou o Avatar em Ba Sing Se. Isso é o que você sempre quis, não é?
Zuko hesitou. Por um momento, a máscara de príncipe herdeiro caiu, e eu vi o garoto confuso que ele costumava ser.
— Sim. É o que eu queria.
Antes que pudéssemos continuar, o som de passos rítmicos ecoou no corredor. Mai apareceu na sombra da porta, com os braços cruzados dentro das mangas compridas.
— Zuko — ela chamou, sua voz fria como gelo. — Azula está chamando para o jantar oficial. Ela disse que você não deveria se isolar com as... visitas.
Eu senti o insulto velado na palavra "visitas". Eu morava no palácio tanto quanto elas, mas Mai sempre tentava me colocar em um lugar de inferioridade técnica.
— Eu já estou indo, Mai — disse Zuko, suspirando.
Mai não se moveu. Ela olhou para mim, seus olhos estreitos cheios de uma rivalidade silenciosa.
— Cherry, Azula também quer falar com você. Ela disse algo sobre praticar suas técnicas de facas amanhã cedo. Parece que você perdeu a precisão ultimamente.
Eu sorri, um sorriso que não chegava aos meus olhos, mas que carregava todo o perigo de uma chama azul.
— Minha precisão está melhor do que nunca, Mai — eu disse, dando um passo em direção a ela. — Se você quiser, posso demonstrar agora mesmo. Tenho certeza de que você adoraria ver como uma lâmina pode chegar perto do alvo sem realmente cortar... ou talvez cortando apenas o necessário.
Mai não recuou, mas houve um lampejo de surpresa em seu olhar. Ela não estava acostumada a eu revidar de forma tão direta.
— Chega — disse Zuko, colocando-se entre nós duas. Ele parecia exausto. — Vamos apenas entrar.
Ele começou a caminhar, e Mai imediatamente se posicionou ao lado dele, lançando-me um olhar de triunfo por estar caminhando com ele. Eu fiquei para trás por um momento, respirando fundo o ar gelado da noite.
Eu sabia o que Azula estava fazendo. Ela queria criar discórdia, queria ver quem de nós quebraria primeiro sob a pressão de seu sadismo psicológico. Ela usaria Mai para me atingir, e usaria meu afeto por Zuko para mantê-lo sob controle.
Mas Azula e Mai se esqueceram de um detalhe importante: eu não era mais a menina gentil que apenas observava das sombras. Eu era uma mestre das chamas e do aço, e se elas queriam jogar, eu estava mais do que pronta para queimar o tabuleiro.
Caminhei em direção ao salão de jantar, cada passo firme e decidido. Ao entrar, vi Zuko sentado entre Azula e Mai. Azula sorriu para mim, um sorriso predatório.
— Sente-se, Cherry — disse a princesa, apontando para um lugar afastado de Zuko. — Estávamos justamente falando sobre como Zuko e Mai formam um par visualmente... adequado para a nova era da Nação do Fogo. Não concorda?
Eu me sentei, mantendo minha expressão serena e meu rosto delicado imóvel como uma estátua. Olhei diretamente para Azula, ignorando o desconforto óbvio de Zuko.
— A aparência é importante para o povo, Azula — eu disse, minha voz saindo clara e afiada. — Mas a Nação do Fogo foi construída sobre o poder e a verdade. E a verdade sempre encontra um jeito de aparecer, não importa o quanto tentemos mascará-la com arranjos convenientes.
Zuko olhou para mim, e por um breve segundo, houve uma conexão elétrica entre nós. Ele sabia que eu estava falando de mais do que apenas política.
O jantar prosseguiu sob um véu de tensão. Mai tentava puxar assunto com Zuko, que respondia com monossílabos. Azula continuava a alfinetar, jogando elogios falsos para Mai e tarefas exaustivas para mim.
Quando o jantar terminou, Zuko se levantou rapidamente.
— Preciso descansar. Foi uma longa viagem.
— Claro, Zuzu — disse Azula. — Mai, por que você não o acompanha até os aposentos dele? Para garantir que ele não se perca... ou mude de ideia sobre onde pertence.
Mai assentiu e se aproximou dele. Zuko olhou para mim uma última vez antes de sair, um olhar carregado de palavras não ditas.
Eu permaneci à mesa, observando as chamas das velas dançarem.
— Você deveria tomar cuidado, Cherry — disse Azula, levantando-se e caminhando até mim. Ela se inclinou, sussurrando no meu ouvido. — O ciúme é uma emoção tão... comum. Eu esperava mais de você.
— Não é ciúme, Azula — eu respondi, levantando-me e ficando na altura dela. — É apenas uma observação de quão baixo você está disposta a descer para manipular seu próprio irmão. E quanto a Mai... ela está apenas ocupando um espaço que ela nunca poderá preencher de verdade.
Azula soltou uma risada curta e fria.
— Veremos. A propósito, amanhã no treino, não use fogo. Quero ver o que você pode fazer apenas com suas facas. Tente não errar o boneco de treino... ou qualquer outra coisa que esteja no caminho.
Ela saiu do salão, deixando-me sozinha com o silêncio e o eco das minhas próprias batidas cardíacas.
Eu sabia que o retorno de Zuko era apenas o começo de uma tempestade. Ele estava em conflito, dividido entre a honra que pensava querer e a verdade que ele sabia ser real. E enquanto Mai e Azula tentavam prendê-lo em um futuro que ele não escolhera, eu estaria lá, nas sombras e nas chamas, esperando o momento certo para lembrá-lo de quem ele realmente era.
Porque Zuko não pertencia a Azula, e ele certamente não pertencia a Mai. Ele era o fogo que eu carregava em minha alma, e eu não deixaria ninguém apagar essa chama.
Saí da sala e caminhei em direção aos meus próprios aposentos, mas parei diante da janela que dava para o pátio de treinamento. Peguei uma de minhas facas escondidas e a girei entre os dedos, sentindo o peso familiar do metal. Com um movimento rápido e fluido, lancei-a em direção a um pilar de madeira distante. A lâmina cravou-se exatamente no centro de uma pequena marca que eu havia feito anos atrás.
— O jogo começou, Azula — sussurrei para a noite. — E eu nunca perco o meu alvo.
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