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Olhos Oceanos

Фандом: Seraph of the end

Создан: 18.04.2026

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A Gaiola de Vidro e Outono

O vento uivava através das frestas da mansão isolada no topo da colina, um som que Yuuichirou aprendera a odiar. Para o mundo exterior, aquele lugar era uma joia arquitetônica, um refúgio de luxo cercado por florestas densas e portões de ferro forjado. Para Yuu, era um mausoléu decorado com seda e ouro.

Ele estava parado diante da janela do imenso quarto, observando as folhas secas dançarem no jardim. Seus dedos traçavam o vidro frio, sentindo a barreira invisível que o separava da liberdade. Ele se lembrava de como o sol costumava aquecer sua pele quando corria pelas ruas da cidade, antes de Mikaela o encontrar. Antes de Mika decidir que o mundo era perigoso demais para a pureza de Yuu.

A porta rangeu suavemente atrás dele. Não precisava se virar para saber quem era; o cheiro de sândalo e o frio gélido que parecia acompanhar a presença do outro eram inconfundíveis.

— Você está olhando para fora de novo, Yuu-chan. — A voz de Mikaela era melodiosa, mas carregada de uma possessividade que fazia os pelos da nuca de Yuu se arrepiarem.

Yuuichirou não respondeu. Ele apertou os punhos contra o peito, sentindo o tecido caro da camisa que Mika o obrigara a vestir naquela manhã.

— Já conversamos sobre isso — continuou Mika, aproximando-se com passos silenciosos. — O mundo lá fora é cruel. As pessoas mentem, elas machucam. Aqui, você está seguro. Comigo, você é amado.

— Eu não quero segurança, Mika — sussurrou Yuu, sua voz rouca pela falta de uso. — Eu quero viver. Eu quero ver o Guren, ver meus amigos...

O clima na sala mudou instantaneamente. Mikaela envolveu a cintura de Yuu com os braços, puxando-o para trás contra seu peito frio. O contraste entre o calor de Yuu e a temperatura quase inumana de Mika era um lembrete constante do que ele havia se tornado para manter Yuu ao seu lado.

— Eles não se importam com você como eu me importo — Mika murmurou perto de seu ouvido, os lábios roçando o lóbulo da orelha de Yuu. — Eles deixariam você morrer. Eu salvei você, Yuu-chan. Eu transformei este mundo em um altar para você. Por que você insiste em querer voltar para o lixo?

Yuu sentiu as lágrimas pinicarem seus olhos verdes. Ele amava Mika. Esse era o seu maior pecado e sua maior fraqueza. Ele amava o brilho de devoção naqueles olhos azuis, a maneira como Mika cuidava dele quando ficava doente, a forma como ele parecia ser a única âncora de sanidade no mundo distorcido de Mika. Mas esse amor era uma corrente.

— Se você me ama, me deixe sair — Yuu implorou, virando-se nos braços do loiro. — Apenas por uma hora. Eu juro que volto.

Mikaela sorriu, um sorriso triste e predatório. Ele acariciou o rosto de Yuu com o dorso da mão, uma carícia tão terna que chegava a ser dolorosa.

— Eu não posso fazer isso. Você fugiria de mim. E eu teria que caçar você, e isso machucaria nós dois. — Ele inclinou a cabeça, os olhos brilhando com uma intensidade maníaca. — Por que você não pode simplesmente ser feliz aqui, comigo?

— Porque eu sou um prisioneiro, Mika! — Yuu gritou, empurrando o peito do outro. — Não importa o quão bonita seja a gaiola, ela ainda é uma gaiola!

Mika permaneceu imóvel, como uma estátua de mármore. O silêncio que se seguiu foi pesado, sufocante.

— Entendo — disse Mika, sua voz agora desprovida de qualquer emoção. — Talvez você precise de um tempo para refletir sobre o quanto eu faço por você.

Sem mais uma palavra, Mika se retirou, trancando a porta por fora. O som do clique da fechadura ecoou no coração de Yuu como um tiro.

Ele desabou no chão, soluçando silenciosamente. Ele planejava aquilo há semanas. Ele sabia que Mika estaria ocupado com "negócios" naquela noite — negócios que Yuu preferia não saber os detalhes sangrentos. Ele tinha uma faca de prata escondida sob o colchão, e tinha observado a troca de turnos dos guardas na base da colina.

— Eu sinto muito, Mika — soluçou Yuu, abraçando os próprios joelhos. — Mas eu não consigo respirar aqui.

A noite caiu, e com ela veio a oportunidade. Yuu usou a faca para forçar a trava de uma das janelas laterais do corredor, algo que ele vinha afrouxando há dias. O salto para o telhado da varanda foi arriscado, e ele sentiu o tornozelo latejar ao atingir o chão do jardim, mas a adrenalina era mais forte que a dor.

Ele correu. Correu até seus pulmões queimarem, atravessando a mata fechada que cercava a propriedade. Cada estalo de galho parecia o som dos passos de Mika atrás dele. A escuridão era total, mas ele se guiava pelas luzes distantes da cidade, o farol de uma vida que ele acreditava ter perdido.

Quando finalmente alcançou a estrada de terra que levava à rodovia principal, Yuu parou para recuperar o fôlego. Suas roupas estavam rasgadas, e seu rosto arranhado pelos espinhos. Ele sentia uma mistura inebriante de medo e esperança.

— Eu consegui — ofegou ele, um sorriso trêmulo surgindo em seus lábios.

— Conseguiu o quê, Yuu-chan?

O sangue de Yuu congelou nas veias. Ele se virou lentamente.

Mikaela estava parado no meio da estrada, a poucos metros de distância. Ele não parecia zangado; parecia desapontado, o que era mil vezes pior. Ele segurava um guarda-chuva negro, embora não estivesse chovendo, e suas roupas impecáveis contrastavam violentamente com o estado deplorável de Yuu.

— Como... como você chegou aqui primeiro? — Yuu recuou, tropeçando nos próprios pés.

— Eu conheço cada centímetro desta floresta, Yuu. Eu conheço cada batida do seu coração. Você realmente achou que eu não perceberia que você estava afrouxando aquela janela? — Mika caminhou em direção a ele, lentamente. — Eu deixei você vir. Queria ver até onde sua determinação o levaria. Queria que você visse que, não importa o quanto corra, o mundo lá fora não tem nada para você.

— Você está louco! — Yuu gritou, as lágrimas voltando a cair. — Me deixa ir, Mika! Por favor!

Mikaela parou diante dele e soltou o guarda-chuva, deixando-o cair na lama. Ele estendeu a mão e segurou o rosto de Yuu com uma força firme, mas não agressiva.

— Olhe para você — disse Mika, limpando uma gota de sangue da bochecha de Yuu com o polegar. — Você está ferido. Está tremendo de frio. O mundo já começou a quebrar você em apenas vinte minutos.

— É melhor estar quebrado lá fora do que ser seu brinquedo aqui dentro! — Yuu cuspiu as palavras, embora seu corpo estivesse cedendo ao cansaço.

Mika o puxou para um abraço apertado. Yuu tentou lutar, socando as costas de Mika, mas o loiro era como uma muralha. Gradualmente, a resistência de Yuu se transformou em espasmos de choro. Ele agarrou a camisa de Mika, enterrando o rosto em seu ombro.

— Eu odeio você — soluçou Yuu. — Eu odeio tanto você.

— Eu sei — respondeu Mika, acariciando os cabelos negros de Yuu. — Mas eu amo você o suficiente por nós dois. Eu vou levar você para casa agora. Vou preparar um banho quente, cuidar desses ferimentos e colocar você na cama.

— Você vai me trancar de novo — afirmou Yuu, a voz sem vida.

— Vou proteger você de novo — corrigiu Mika, beijando o topo da cabeça de Yuu. — Um dia você vai entender. Um dia, você vai me agradecer por não ter deixado você se perder na escuridão.

Mikaela pegou Yuu nos braços, carregando-o como se ele fosse algo frágil e precioso. Enquanto caminhavam de volta para a mansão, Yuu olhou por cima do ombro de Mika para as luzes da cidade, que agora pareciam tão distantes quanto as estrelas.

Dentro do quarto, o ritual de cuidado de Mika era quase hipnótico. Ele lavou o corpo de Yuu com uma esponja macia, tratando cada arranhão com uma pomada perfumada. Ele vestiu Yuu com um pijama de seda limpo e o deitou na cama imensa, cobrindo-o com edredons pesados.

Mika sentou-se na beirada da cama, observando Yuu com uma adoração que beirava o religioso.

— Você está com fome? — perguntou ele suavemente.

Yuu balançou a cabeça negativamente, mantendo os olhos fixos no teto.

— Yuu-chan... olhe para mim.

Relutantemente, Yuu virou o rosto. A expressão de Mika não era a de um monstro, mas a de alguém desesperadamente solitário, alguém cujo mundo inteiro havia sido reduzido a uma única pessoa.

— Eu não faço isso para ser cruel — disse Mika, sua voz falhando levemente. — Eu perdi tudo, Yuu. Minha família, minha humanidade... tudo o que me restou foi você. Se eu perder você, não sobra nada de Mikaela Hyakuya. Eu morreria. Você entende isso?

Yuu sentiu um aperto no peito. Ele sabia que era verdade. O amor de Mika era doentio, distorcido e asfixiante, mas era real. Era a coisa mais real que Yuu já conhecera.

— Você está me matando aos poucos, Mika — sussurrou Yuu.

Mika inclinou-se e pressionou a testa contra a de Yuu.

— Então morreremos juntos, daqui a muitos anos, neste lugar seguro. — Ele selou a promessa com um beijo suave nos lábios de Yuu.

Era um beijo que sabia a desespero e a uma doçura amarga. Yuu não retribuiu de imediato, mas também não se afastou. Eventualmente, suas mãos subiram para tocar o pescoço de Mika, cedendo à gravidade daquela afeição sombria.

Mika se deitou ao lado dele, puxando-o para perto, prendendo as pernas de Yuu entre as suas para garantir que ele não se moveria durante a noite.

— Durma agora, meu Yuu-chan — murmurou Mika contra sua nuca. — Amanhã será um novo dia. Eu trouxe aqueles livros que você queria. Podemos lê-los no jardim, se você prometer não tentar correr.

Yuu fechou os olhos, sentindo o calor do corpo de Mika começar a fundir-se com o seu. Ele sabia que tentaria fugir de novo. Talvez na próxima semana, talvez no próximo mês. Mas, por enquanto, enquanto o cansaço o vencia e o cheiro de sândalo o envolvia, ele se permitiu o luxo de se sentir amado, mesmo que esse amor fosse a sua prisão.

— Só não me deixe sozinho — sussurrou Yuu, quase inaudível.

Mika apertou o abraço, um sorriso vitorioso e triste brincando em seus lábios na penumbra do quarto.

— Nunca. Eu nunca vou deixar você, Yuu-chan.

Lá fora, o vento continuava a uivar, mas dentro da mansão, o silêncio era absoluto, quebrado apenas pela respiração rítmica de dois corações que batiam em descompasso, unidos por um laço que nem a razão, nem a liberdade, pareciam capazes de romper. Yuu adormeceu com o gosto das lágrimas de Mika em sua pele, sonhando com campos abertos onde eles poderiam correr sem medo, sabendo que, ao acordar, as paredes de vidro estariam lá, mais altas e mais fortes do que nunca.
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