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Crime Perfeito

Фандом: Moriarty of the patriot

Создан: 18.04.2026

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O Teorema do Caos e a Geometria do Sangue

A fumaça do cachimbo de Sherlock Holmes não se dissipava; ela se enroscava nas vigas do teto de seu apartamento em Baker Street como se tivesse vida própria, imitando as correntes de ar frio que sopravam do Tâmisa. Mas aquele não era o seu apartamento habitual. Neste Londres alternativo, onde a fuligem das fábricas era tingida por um brilho escarlate de uma revolução industrial movida a segredos e sombras, Sherlock não era apenas um detetive consultor. Ele era um caçador que começava a apreciar demais o gosto da presa.

Ele encarava o quadro de cortiça na parede, onde fios de seda vermelha conectavam recortes de jornais, fotos borradas e símbolos matemáticos que não deveriam fazer sentido para ninguém além de um gênio — ou um louco. No centro de tudo, não havia um nome, mas uma silhueta. O "Senhor do Crime".

— Você está demorando muito para me encontrar, Liam — sussurrou Sherlock, as cinzas caindo sobre seu colete desabotoado. — Ou será que sou eu quem está demorando para aceitar que já te encontrei?

Sherlock fechou os olhos e a imagem de William James Moriarty surgiu instantaneamente. Não o professor de matemática respeitável, mas o homem que ele vira brevemente em um beco após o incêndio nas docas. William, com seus olhos cor de rubi que pareciam sangrar inteligência e uma melancolia tão profunda que Sherlock sentia vontade de se afogar nela.

A obsessão de Sherlock por William havia ultrapassado os limites da justiça meses atrás. Ele não queria mais apenas prendê-lo. Ele queria possuir o mecanismo que movia aquela mente. Queria ver William desmoronar sob o peso de seus próprios ideais para que Sherlock pudesse ser o único a sustentar seus restos.

Um som suave de batidas na porta o tirou do transe. Sherlock não se moveu. Ele sabia quem era pelo ritmo. Três batidas leves, um intervalo de dois segundos, e uma última batida firme.

— A porta está aberta, professor — disse Sherlock, sua voz rouca pela falta de sono.

A maçaneta girou e William entrou, fechando a porta silenciosamente atrás de si. Ele usava um sobretudo cinza escuro, impecavelmente passado, contrastando com o caos do quarto de Sherlock. William retirou o chapéu e o colocou sobre a mesa cheia de frascos químicos.

— O senhor parece péssimo, Sherlock — observou William, sua voz suave como veludo, mas com um fio de aço por baixo. — Tem se alimentado ou apenas consumido mistérios e nicotina?

Sherlock finalmente se virou, um sorriso predatório brincando em seus lábios. Ele caminhou lentamente em direção a William, diminuindo o espaço pessoal até que pudesse sentir o cheiro de chá de bergamota e algo metálico — como sangue seco — que emanava do outro.

— Eu me alimento de você, Liam — Sherlock murmurou, inclinando a cabeça. — De cada rastro que você deixa, de cada plano "perfeito" que você executa. Você é o prato mais refinado que Londres já produziu.

William não recuou. Pelo contrário, ele deu um passo à frente, forçando Sherlock a encarar a imensidão vermelha de suas íris. Havia um brilho de desafio ali, misturado com uma resignação perigosa.

— Um apetite perigoso para um homem da lei — disse William, estendendo a mão para ajustar a gola da camisa de Sherlock, que estava torta. Seus dedos roçaram a pele do pescoço do detetive, e Sherlock sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha. — Mas nós dois sabemos que você nunca foi realmente um homem da lei, não é? Você é um homem da verdade. E a verdade é feia.

Sherlock agarrou o pulso de William de forma brusca, prendendo-o. A força foi um pouco além do necessário, um gesto de domínio que William aceitou com uma leve inclinação de sobrancelha.

— A verdade é que você está matando pessoas para "limpar" este mundo — sibilou Sherlock, puxando William para mais perto, até que seus peitos se tocassem. — E a verdade é que eu não me importo com as vidas que você tirou. Eu só me importo que você está fazendo isso sozinho. Como você ousa tentar mudar o mundo sem me convidar para o baile?

William soltou um riso baixo, uma melodia sombria que ecoou pelo quarto escuro.

— Você é um monstro, Sherlock Holmes. Escondido atrás de uma lupa e de uma reputação brilhante.

— E você é o meu criador, Liam — Sherlock respondeu, soltando o pulso dele apenas para segurar seu queixo com firmeza. — Você me deu um propósito que não seja o tédio. Você me deu um espelho.

William suspirou, e por um momento, a máscara de Senhor do Crime caiu, revelando o cansaço de um homem que carregava o pecado de uma nação nas costas.

— Se você sabe quem eu sou... por que não me entrega? — perguntou William em voz baixa. — Por que me convidar para seus aposentos no meio da noite?

— Porque a prisão é pequena demais para você — Sherlock aproximou o rosto do de William, seus lábios quase se tocando. — E eu sou egoísta demais para compartilhar seu brilho com um carrasco. Se alguém for te destruir, serei eu. Se alguém for te salvar, serei eu.

— Salvação e destruição são a mesma coisa nas suas mãos, Sherlock? — William perguntou, fechando os olhos por um breve segundo, entregando-se ao toque possessivo de Sherlock.

— Para você, Liam? — Sherlock sussurrou contra a pele do outro. — Eu farei com que sejam indistinguíveis.

Sherlock soltou o queixo de William, mas apenas para envolver a cintura dele com um braço, puxando-o para um abraço que parecia mais uma captura. Ele enterrou o rosto na curva do pescoço de William, inalando profundamente. Havia algo de doentio na forma como Sherlock o segurava, como se William fosse um objeto precioso e frágil que ele pretendia quebrar para poder consertar do seu jeito.

— Você está tremendo — notou Sherlock, sentindo a vibração no corpo do professor.

— É o frio de Londres — mentiu William, embora soubesse que Sherlock detectaria a mentira em um microssegundo.

— Não — Sherlock se afastou apenas o suficiente para olhar em seus olhos novamente. — É a antecipação. Você sabe que o jogo está mudando. Você veio aqui hoje esperando que eu te prendesse, para que o seu plano final pudesse começar. O sacrifício do Senhor do Crime.

William permaneceu em silêncio, sua expressão tornando-se uma máscara de mármore. Sherlock acertara em cheio.

— Sinto muito em decepcioná-lo, meu caro matemático — continuou Sherlock, seus dedos agora traçando o contorno da mandíbula de William com uma delicadeza perturbadora. — Mas eu não vou deixar você morrer. Eu não vou deixar você se tornar um mártir para esses porcos aristocratas ou para os pobres que você tanto defende.

— Você não pode parar o que já foi colocado em movimento, Sherlock — disse William, sua voz recuperando a autoridade. — O sistema precisa de um vilão para ser purificado. O sangue deve ser derramado.

— Então que seja o meu — Sherlock rebateu, seus olhos brilhando com uma intensidade maníaca. — Se você precisa de sangue para sua revolução, use o meu. Mas você não vai a lugar nenhum onde eu não possa te seguir. Eu vou te arrastar para o inferno se for preciso, Liam, mas você será meu lá também.

William sentiu um arrepio que não tinha nada a ver com medo, mas com algo muito mais sombrio: reconhecimento. Sherlock Holmes estava se tornando o que ele mais temia e, ao mesmo tempo, o que ele mais desejava. Um igual que não tinha medo de se sujar.

— Você fala de possessão como se fosse amor — William observou, sua mão subindo para tocar o peito de Sherlock, sentindo o coração do detetive batendo em um ritmo frenético.

— O amor é uma construção lógica para pessoas comuns, Liam — Sherlock disse, cobrindo a mão de William com a sua, pressionando-a contra seu coração. — O que temos é um teorema. Uma equação que só pode ser resolvida se ambos os lados forem iguais a zero. Se você desaparecer, eu deixo de existir. Entende?

Sherlock inclinou-se e, desta vez, não houve hesitação. Ele beijou William. Não foi um beijo de conforto ou de romance de folhetim. Foi um beijo faminto, exigente, carregado com a frustração de meses de perseguição e o peso de segredos não ditos. Tinha o gosto de tabaco e a urgência de dois homens que sabiam que o mundo ao redor deles estava prestes a queimar.

William respondeu com a mesma intensidade, suas mãos agarrando os ombros de Sherlock, puxando-o para mais perto. Por um momento, a geometria do plano de William foi esquecida. Não havia Londres, não havia nobreza, não havia Senhor do Crime. Havia apenas o calor de Sherlock e a escuridão compartilhada que os unia.

Quando se separaram, ambos estavam arfantes. Sherlock sorriu, um sorriso que não chegou aos olhos, mas que carregava uma promessa perigosa.

— Agora — disse Sherlock, sua voz um sussurro sombrio —, conte-me sobre o seu próximo passo. E não ouse omitir nenhum detalhe. Eu quero saber exatamente onde vou ter que te interceptar para impedir que você cometa a idiotice de se sacrificar.

William ajeitou o sobretudo, recuperando sua compostura, embora seus lábios ainda estivessem vermelhos e seu olhar estivesse menos focado do que o normal.

— Você acha que pode me controlar, Sherlock? — William perguntou, caminhando em direção à porta.

— Eu não quero te controlar, Liam — Sherlock respondeu, voltando para sua mesa e pegando o cachimbo. — Eu quero ser a única variável que você não consegue prever. Eu quero ser o erro no seu cálculo perfeito.

William parou com a mão na maçaneta e olhou por cima do ombro.

— Você já é, Sherlock. Desde o momento em que nos conhecemos naquele navio.

— Ótimo — Sherlock acendeu o fósforo, a chama iluminando seu rosto anguloso. — Porque eu estou apenas começando a jogar. E neste universo, professor, eu não jogo para vencer. Eu jogo para manter o jogo infinito.

William saiu, fechando a porta atrás de si. Sherlock ficou sozinho na penumbra, mas o cheiro de William ainda pairava no ar. Ele caminhou até o quadro de cortiça e, com uma caneta preta, desenhou um círculo perfeito ao redor da silhueta central. Depois, escreveu um único nome abaixo, não "Moriarty", mas "William".

Ele sabia que o que estava sentindo era uma forma de loucura. O desejo de ver William cair, não para o chão, mas em seus braços. O desejo de ser o único a testemunhar a vulnerabilidade de um deus caído.

Sherlock sentou-se em sua poltrona, observando a fumaça subir. Ele tinha muito trabalho a fazer. Ele precisava sabotar os próprios planos de William, criar uma rede de segurança que William odiaria, mas que o manteria vivo. Ele seria o vilão da história de William se isso significasse que William continuaria a ser o protagonista da sua.

— Você não vai morrer por Londres, Liam — Sherlock murmurou para o vazio, seus olhos fixos na porta por onde o outro saíra. — Você vai viver por mim. Mesmo que eu tenha que te acorrentar a esta cidade, a este quarto... a mim.

Lá fora, a chuva começou a cair, lavando as ruas de Londres, mas incapaz de limpar a mancha de obsessão que agora definia o maior detetive do mundo. O jogo não era mais sobre justiça. Era sobre a geometria do sangue e o teorema de dois corações negros que se encontraram na escuridão e decidiram que nunca mais ficariam sozinhos, não importa o preço que o resto do mundo tivesse que pagar.

Sherlock fechou os olhos e sorriu. O caos nunca foi tão belo. E William James Moriarty, o mestre do caos, finalmente encontrara seu mestre. Ou talvez, Sherlock pensou enquanto caía em um sono inquieto, eles fossem apenas duas metades de um mesmo desastre, esperando pelo momento em que o mundo finalmente parasse de girar para que pudessem, enfim, colidir em definitivo.
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