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Apenas amigos?

Фандом: Smalville

Создан: 20.04.2026

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ДрамаАнгстHurt/ComfortCharacter studyСеттинг оригинального произведенияПропущенная сценаРевностьПовседневностьРомантикаФлаффДивергенция
Содержание

O Peso do Silêncio e o Limite do Coração

A noite em Smallville tinha aquele cheiro característico de grama molhada e terra fértil, mas Clark Kent não conseguia apreciar a calmaria. Seus passos eram pesados enquanto ele subia as escadas de metal que levavam ao "Panteão" do Tocha, o refúgio de Chloe Sullivan no porão da escola. Ele não precisava usar sua supervelocidade; sua mente estava correndo rápido demais para que seu corpo precisasse acompanhá-la.

Lana. Sempre Lana. A discussão no Talon ainda ecoava em seus ouvidos, as palavras afiadas sobre segredos, desconfiança e a barreira invisível que ele nunca conseguia derrubar. Clark sentia aquele aperto familiar no peito, a sensação de que, não importa o quanto tentasse ser o herói, ele sempre falhava com as pessoas que mais amava.

Ao entrar na sala, o brilho azulado dos monitores iluminava o rosto concentrado de Chloe. Ela estava digitando furiosamente, o som das teclas batendo como pequenas metralhadoras. Ela nem sequer desviou o olhar quando ele entrou, mas Clark sabia que ela tinha notado sua presença. Chloe sempre notava.

— Ela não entende, Chloe — começou Clark, sem qualquer preâmbulo, jogando-se na cadeira giratória ao lado da mesa dela. — Eu tento explicar que existem coisas que eu simplesmente não posso dizer, mas ela age como se eu estivesse escondendo algo por maldade. É exaustivo.

Chloe parou de digitar por um segundo, os dedos pairando sobre o teclado. Ela fechou os olhos, respirou fundo e voltou ao trabalho.

— Clark, eu estou no meio de um fechamento para a edição de amanhã — disse ela, sua voz carregada de um sarcasmo que ele já conhecia bem. — E, honestamente, meu estoque de paciência para o drama "Clana" está perigosamente baixo hoje.

— Eu só precisava falar com alguém que me entenda — continuou Clark, ignorando o aviso implícito. Ele se inclinou para frente, a expressão de bom moço carregada de uma tristeza genuína. — Eu me sinto um idiota. Eu amo a Lana, mas parece que estamos andando em círculos. Por que tem que ser tão difícil? Por que ela não pode simplesmente confiar em mim?

Chloe parou de digitar abruptamente. Desta vez, ela não voltou ao teclado. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de uma eletricidade que Clark, em sua cegueira emocional, não conseguiu identificar de imediato. Ela se virou lentamente na cadeira, fixando seus olhos penetrantes nos dele.

— Você se sente um idiota, Clark? — perguntou ela, a voz baixa, mas perigosamente firme.

— Sim — ele respondeu, suspirando. — Eu sinto que estou falhando com ela o tempo todo.

Chloe soltou uma risada seca, desprovida de qualquer humor. Ela se levantou, cruzando os braços sobre o peito. Sua estatura baixa nunca a impediu de parecer intimidadora quando estava irritada, e Clark sentiu um frio na espinha que nem a kryptonita costumava causar.

— Não, Clark. Você não é um idiota por causa da Lana — disse ela, dando um passo em direção a ele. — Você é um idiota por causa de mim.

Clark franziu a testa, confuso.

— Do que você está falando? Eu vim aqui porque você é minha melhor amiga, Chloe. Eu confio em você mais do que em qualquer pessoa.

— E é exatamente esse o problema! — explodiu ela, a voz ecoando pelas paredes do porão. — Eu estou cansada, Clark! Exausta! Eu não sou o seu depósito de lixo emocional. Eu não sou o ombro onde você vem chorar toda vez que a garota dos seus sonhos te dá um fora ou questiona suas mentiras.

Clark piscou, surpreso com a intensidade do ataque. Ele tentou se levantar, mas Chloe apontou um dedo acusador para o seu peito, forçando-o a permanecer sentado.

— Chloe, eu não quis...

— Não, agora você vai me escutar — interrompeu ela, os olhos brilhando de raiva e, talvez, de lágrimas contidas. — Você entra aqui, com esse seu jeito de "cachorrinho perdido", esperando que eu largue tudo para consertar o seu ego ferido. Você sabe o que eu sinto por você. Você sempre soube, Clark, mesmo que a gente finja que aquele beijo no baile ou as minhas confissões nunca aconteceram.

— Eu valorizo a nossa amizade acima de tudo... — tentou Clark, mas ela soltou outra risada amarga.

— Amizade? É isso que você chama quando usa alguém como estepe emocional? — Ela começou a andar de um lado para o outro, gesticulando com as mãos. — Eu fico aqui, pesquisando sobre monstros da semana, limpando sua barra, guardando seus segredos que poderiam me mandar para um manicômio ou para a cadeia, e o que eu recebo em troca? Um assento na primeira fila para o musical interminável de "Clark e Lana: A Tragédia".

— Eu não sabia que você se sentia assim — murmurou Clark, sentindo-se pequeno diante da fúria dela.

— É claro que não sabia! — rebateu ela, sendo direta como apenas Chloe Sullivan conseguia ser. — Porque você é egoísta, Clark. Você é altruísta com o mundo, salva pessoas de incêndios e acidentes, mas quando se trata do coração das pessoas que estão bem debaixo do seu nariz, você é cego. É intrometido da minha parte dizer isso? Talvez. Mas eu cansei de ser a "garota inteligente e sarcástica" que guarda as chaves do reino enquanto o rei está ocupado demais sofrendo por outra rainha.

Clark ficou em silêncio, a mente processando as palavras dela como se fossem golpes físicos. Ele sempre viu Chloe como sua rocha, a pessoa infalível que sempre teria as respostas e o apoio de que ele precisava. Ele nunca parou para pensar no custo que isso tinha para ela.

— Chloe, eu sinto muito — disse ele, a voz falhando. — Eu nunca quis te machucar. Você é a pessoa mais importante da minha vida.

— Então prove — disse ela, parando na frente dele, com a respiração ofegante. — Pare de me usar como muleta. Se você quer ficar com a Lana, vá resolver seus problemas com ela. Mas não venha me pedir para curar as feridas que ela causa, sabendo que cada palavra que você diz sobre o quanto a ama é como um soco no meu estômago. Eu tenho sentimentos, Clark. Eu não sou um computador onde você insere seus problemas e sai com uma solução.

— Você tem razão — admitiu ele, levantando-se lentamente. Ele era muito mais alto que ela, mas naquele momento, sentia-se minúsculo. — Eu fui um idiota. Eu me deixei levar pelo meu próprio egoísmo e não vi o quanto estava sendo injusto com você.

Chloe desviou o olhar, limpando bruscamente uma lágrima que teimava em cair. O silêncio que se seguiu não era mais carregado de raiva, mas de uma melancolia profunda.

— Eu só... eu preciso de espaço, Clark — disse ela, a voz agora mais suave, porém firme. — Eu não posso ser essa pessoa para você agora. Eu não sou o seu ombro de choro para assuntos de romance. Não quando o romance não sou eu.

Clark sentiu uma pontada de dor no peito, uma que não tinha nada a ver com Lana Lang. Era a percepção de que ele poderia perder a pessoa que realmente o conhecia por inteiro. Ele estendeu a mão para tocar o ombro dela, mas hesitou e a recolheu.

— Eu entendo — disse ele, sinceramente. — Eu vou embora. Mas quero que saiba que eu me importo com você. Não apenas pelo que você faz por mim, mas por quem você é. Você é incrível, Chloe. E eu sinto muito por ter demorado tanto para agir como se soubesse disso.

Chloe não respondeu. Ela voltou para sua mesa e sentou-se, encarando a tela do computador sem realmente ver nada. Clark caminhou em direção à saída, mas parou na porta e olhou para trás uma última vez.

— Boa noite, Chloe.

— Boa noite, Clark — respondeu ela, sem olhar para trás.

O som dos passos de Clark desaparecendo pelo corredor deixou um vazio estranho no porão. Chloe finalmente permitiu que as lágrimas caíssem, mas não era uma lágrima de derrota. Era o alívio de quem finalmente tinha estabelecido um limite.

Do lado de fora, Clark caminhava sob o luar de Smallville. A discussão com Lana parecia agora um detalhe insignificante diante da revelação de Chloe. Ele sempre se orgulhou de sua perseverança, de sua força física, mas percebeu que era um covarde emocional. Ele tinha medo de encarar a verdade sobre Chloe porque isso mudaria tudo. E ele gostava do conforto da rotina, mesmo que essa rotina estivesse destruindo sua melhor amiga.

Ele olhou para as mãos, as mesmas mãos que podiam parar trens, e percebeu que elas eram inúteis para consertar o que ele acabara de quebrar. Chloe Sullivan era inteligente, gênio e, acima de tudo, corajosa o suficiente para dizer o que ele precisava ouvir, não o que ele queria.

Naquela noite, Clark Kent não voou para casa, nem usou sua velocidade. Ele caminhou cada quilômetro até a fazenda, deixando que o peso de suas ações o acompanhasse a cada passo. Ele sabia que as coisas nunca mais seriam as mesmas entre eles. E, pela primeira vez, ele entendeu que isso era necessário. Chloe merecia mais do que as sobras do seu coração. E ele precisava aprender a ser o homem que ela acreditava que ele era, não apenas o herói que o mundo via.
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