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Amor escolar

Фандом: Vida real

Создан: 20.04.2026

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Entre Estantes e Segredos

O silêncio da sala de aula era quebrado apenas pelo som do giz batendo no quadro negro e pelo ventilador de teto que girava preguiçosamente, sem dar conta do calor daquela tarde. Maria Roberta sentia as pálpebras pesarem. Seus cachos caíam sobre o rosto enquanto ela apoiava a bochecha na palma da mão, os olhos focados em um ponto inexistente no caderno. Ao seu lado, Jackson não estava em situação melhor; ele já havia cruzado os braços sobre a mesa e repousado a cabeça, entregue a um cochilo estratégico.

— Maria Roberta! Jackson! — A voz da professora de História cortou o ar como um chicote, fazendo os dois darem um pulo.

Maria ajeitou os óculos rapidamente, tentando fingir que estava anotando algo importante, enquanto Jackson esfregava os olhos com as costas das mãos, exibindo aquela expressão de quem foi interrompido em um sonho muito bom. Ele tinha esse jeito: um misto de marrento com uma carinha de sono que, secretamente, Maria achava adorável.

— Já que a aula de hoje parece estar servindo de canção de ninar para vocês — continuou a professora, com os braços cruzados e uma sobrancelha erguida —, vocês vão ser úteis. Desçam até a biblioteca e busquem o novo lote de livros didáticos. São três caixas pesadas. Talvez o exercício físico desperte vocês.

Jackson soltou um suspiro audível, empurrando a cadeira para trás com um barulho arrastado. Maria Roberta apenas assentiu, sentindo o rosto esquentar pela atenção de toda a turma. Ela se levantou, sua estatura baixa fazendo-a parecer ainda menor ao lado de Jackson, que tinha uma altura média, mas uma presença que preenchia o espaço.

Eles saíram da sala sob os olhares curiosos dos colegas. O corredor estava vazio, ecoando apenas o som dos sapatos deles no chão de granilite.

— Ela é muito ranzinza, fala sério — resmungou Jackson, passando a mão pelo cabelo bagunçado. — Eu estava quase descobrindo quem era o assassino no meu sonho.

— Se você prestasse atenção na Revolução Industrial em vez de dormir, ela não teria te pegado — Maria retrucou, embora um sorriso brincasse no canto de seus lábios.

— Ah, qual é, Roberta? Até você estava pescando. Seus cachos estavam quase varrendo a mesa.

Ela deu um leve empurrão no ombro dele, e ele riu, um som baixo e rouco que fez o estômago dela dar uma leve pirueta. Ao chegarem à biblioteca, encontraram a Dona Sônia, a bibliotecária, que parecia estar com pressa para organizar alguns arquivos nos fundos.

— Os livros da professora de História? Estão naquela sala de depósitos ali no fundo — disse a senhora, entregando um molho de chaves para Jackson. — Eu preciso resolver um problema na secretaria. Tranquem a porta por dentro enquanto estiverem lá para ninguém entrar e bagunçar as pilhas que eu já separei. Quando terminarem, levem as chaves para mim no balcão principal.

Jackson pegou as chaves com um aceno de cabeça. Eles caminharam até a sala indicada, um espaço menor, cercado por estantes altas e cheirando a papel antigo e madeira. Assim que entraram, Jackson girou a chave na fechadura, seguindo as instruções da bibliotecária, e o clique metálico pareceu estranhamente alto naquele ambiente confinado.

As caixas estavam empilhadas em um canto, mas o espaço entre as estantes era estreito. Maria começou a verificar os títulos, tentando focar no trabalho, mas a presença de Jackson logo atrás dela era impossível de ignorar.

— São esses aqui — disse ela, apontando para a pilha de baixo. — Vamos ter que levar de duas em duas viagens.

— Espera um pouco, Roberta — Jackson murmurou, encostando-se em uma das estantes e cruzando os braços. Ele a observava com um olhar intenso, aquele jeito marrento que ele usava para esconder o quanto era, no fundo, um garoto atencioso. — A gente tem tempo. O sinal do intervalo só toca daqui a vinte minutos.

Maria sentiu o coração acelerar. Ela se virou para ele, ficando a poucos centímetros de distância. A diferença de altura obrigava-a a olhar para cima, o que destacava ainda mais seus olhos grandes e os cachos que moldavam seu rosto.

— A gente devia levar logo os livros, Jackson. A professora vai reclamar da demora.

— Deixa ela reclamar — ele disse, dando um passo à frente, diminuindo o espaço que restava entre eles. — Você fica muito brava quando te acordam, sabia? Fica com um biquinho engraçado.

— Eu não fico de biquinho — ela protestou, embora soubesse que era verdade.

— Fica sim. Exatamente assim — ele estendeu a mão e, com o polegar, tocou levemente o lábio inferior dela.

O toque foi como uma faísca. O clima na sala mudou instantaneamente. O cheiro de livros velhos e o calor da tarde pareciam ter criado uma bolha onde só existiam os dois. Jackson não desviou o olhar; ele deslizou a mão do rosto dela para a nuca, perdendo os dedos entre os cachos macios.

— Você está muito tensa — ele sussurrou, a voz agora suave, perdendo toda a marra de minutos atrás.

— É a escola, Jackson... a gente não devia...

— Shhh. Ninguém está vendo.

Ele se inclinou lentamente. Maria Roberta sentiu a respiração dele contra a sua pele antes mesmo de os lábios se tocarem. Foi um beijo calmo no início, um reconhecimento. A mão dele na nuca dela a puxava para mais perto, enquanto a outra mão de Jackson pousava na cintura dela, firmando-a contra ele.

Maria correspondeu, subindo as mãos pelos braços dele até envolver seu pescoço. O beijo se tornou mais profundo, mais urgente, mas mantendo uma doçura que era característica deles. O mundo lá fora — a professora de História, os livros didáticos, as provas — desapareceu. Ali, entre as estantes de madeira escura, o tempo parecia ter parado.

Jackson a conduziu levemente para trás até que as costas dela tocassem a estante. O contato frio da madeira contrastava com o calor do corpo dele. Ele interrompeu o beijo por um segundo apenas para trilhar um caminho de beijos lentos pela mandíbula dela até chegar ao pescoço, fazendo Maria soltar um suspiro baixo.

— Você é tão linda, Roberta — ele murmurou contra a pele dela. — E esse seu cabelo... eu queria fazer isso desde a primeira aula.

— Por que não fez? — ela perguntou, a voz falhando um pouco, enquanto acariciava a nuca dele.

— Porque eu achei que você ia me dar um soco — ele brincou, voltando a olhar nos olhos dela com um sorriso fofo que derretia qualquer resquício de resistência que ela pudesse ter.

Eles voltaram a se beijar, um amasso mais intenso, mas cheio de carinho. As mãos dele exploravam as curvas dela com respeito, e Maria se sentia segura, envolvida por aquele jeito protetor que ele tinha. Era lento, era bom, era exatamente o que ambos precisavam para fugir da rotina maçante da escola.

De repente, um som estridente cortou o silêncio da biblioteca. O sinal do intervalo.

O som ecoou pelas paredes, trazendo-os de volta à realidade de forma abrupta. Eles se separaram, ambos ofegantes e com os cabelos levemente desarrumados. Maria Roberta levou as mãos ao rosto, sentindo as bochechas queimarem, enquanto Jackson tentava recuperar a compostura, limpando um pouco do batom dela que havia ficado no canto de sua boca.

— O sinal... — Maria disse, tentando ajeitar os cachos com os dedos.

— É, eu ouvi — Jackson respondeu, soltando uma risada nervosa, mas satisfeita. — Acho que o nosso "tempo extra" acabou.

Eles rapidamente pegaram as caixas de livros. Jackson, com sua força, pegou as duas mais pesadas, deixando a mais leve para Maria. Ele caminhou até a porta, destrancou-a e esperou que ela passasse primeiro.

Antes de saírem do corredor da biblioteca em direção ao pátio onde os outros alunos já se aglomeravam, Jackson parou e colocou a caixa no chão por um segundo. Ele se aproximou de Maria, que o olhou curiosa.

Ele não a beijou de novo, mas inclinou-se e depositou um beijo demorado e terno na testa dela. Depois, segurou o rosto dela com as duas mãos por um breve momento, olhando-a com uma doçura que ninguém mais na escola costumava ver.

— A gente se vê depois do intervalo, tá? — ele disse, com a voz suave. — Tenta não dormir na próxima aula... a menos que queira buscar mais livros comigo.

Ele deu uma piscadinha, pegou a caixa novamente e saiu andando com aquele seu jeito marrento de sempre, mas Maria Roberta ficou ali por um segundo a mais, com um sorriso bobo no rosto e o coração batendo forte, sabendo que, a partir daquele dia, as aulas de História nunca mais seriam as mesmas.
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