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Oceano

Фандом: Parmiga

Создан: 21.04.2026

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РомантикаДрамаПовседневностьHurt/ComfortДетективКриминалЗанавесочная историяCharacter study
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Cicatrizes e Recomeços

A semana no distrito havia sido um teste de paciência e resistência. Entre relatórios de conduta, a burocracia para afastar Miller e a tentativa de organizar uma equipe que ainda me olhava com uma mistura de respeito e temor, eu mal tive tempo de respirar. Mas, em cada momento de silêncio no meu escritório improvisado, meus olhos invariavelmente buscavam a janela que dava para o hospital do outro lado da rua. Eu me pegava procurando por um vislumbre de um jaleco branco ou de um cabelo loiro cortado na altura do queixo.

Vera Farmiga era um enigma que eu não esperava encontrar nesta cidade. Ela tinha uma força silenciosa, uma resiliência que eu reconhecia porque a via no espelho todas as manhãs.

Na sexta-feira, eu só queria o silêncio do meu apartamento temporário, mas Jack tinha outros planos.

— Nem tente negar, Wilson — disse Jack, encostado na porta da minha sala com um sorriso insistente. — É uma tradição do distrito. O novo delegado sempre paga a primeira rodada, ou pelo menos finge que gosta da nossa companhia por uma hora em um bar.

— Jack, eu tenho muito o que organizar para a mudança de amanhã — tentei argumentar, massageando as têmporas.

— Bobagem. A papelada não vai fugir. Além disso, eu chamei a Taissa e a Vera. Elas precisam de um descanso tanto quanto você. A Vera teve uma semana pesada na cardiologia.

O nome dela agiu como um gatilho. A imagem dela segurando o lírio branco que eu lhe dei voltou à minha mente. Eu queria vê-la fora daquele ambiente estéril de hospital. Queria ver se o azul dos olhos dela mudava sob as luzes de um bar.

— Tudo bem, Jack. Você venceu — suspirei, rendendo-me. — Mas apenas uma rodada.

O bar "The Rusty Anchor" estava meia-luz, saturado com o som de conversas baixas e o tilintar de copos. Meus homens já estavam lá, ocupando uma mesa grande nos fundos. Eu me sentei, tentando relaxar os ombros, mas o instinto de policial nunca desligava totalmente. Eu estava de costas para a parede, observando a entrada.

Cerca de vinte minutos depois, elas chegaram.

O ar pareceu sumir dos meus pulmões por um segundo. Vera não estava de jaleco. Ela usava uma calça escura justa e uma blusa de seda num tom de azul profundo que fazia seus olhos brilharem como safiras sob a iluminação âmbar do bar. Seu cabelo estava levemente bagunçado, de um jeito natural que a deixava ainda mais bonita, se é que isso era possível. Ela parecia menos a médica intocável e mais uma mulher real, embora ainda carregasse aquela aura de mistério que me fascinava.

— Boa noite, cavalheiros — disse Taissa, animada, puxando Vera para a mesa.

— Boa noite — Vera murmurou, sua voz suave quase se perdendo no barulho do bar.

Ela se sentou ao meu lado, já que era o único lugar vago. Senti o perfume dela — algo floral e limpo, nada parecido com o cheiro de hospital. Era o cheiro da gardênia que eu lhe dera, ou talvez algo próprio dela.

— Doutora — eu disse, inclinando a cabeça levemente. — Fico feliz que tenha vindo.

— Patrick — ela respondeu, usando meu nome como havíamos combinado. Ela parecia um pouco tímida, seus dedos brincando com a borda do guardanapo de papel. — Jack foi muito convincente. Ele disse que se eu não viesse, você prenderia todo o turno da noite por vadiagem.

Eu ri, um som que raramente saía da minha garganta com tanta facilidade.

— Ele exagera. Mas fico feliz que o medo da lei tenha funcionado. Como foi sua semana?

— Intensa — ela admitiu, relaxando um pouco mais o corpo. — Muitos corações precisando de conserto. E a sua?

— Muitos problemas precisando de ordem — respondi. — Mas nada que uma boa suspensão não resolva.

Nossa conversa foi interrompida pelo toque vibrante do meu celular no bolso da jaqueta. Olhei o visor e vi o nome de Alex Garcia. Meu semblante mudou instantaneamente para algo mais sério. Alex não ligava a essa hora a menos que fosse importante.

— Com licença, preciso atender — eu disse a Vera, que assentiu com um olhar compreensivo.

Afastei-me da mesa e fui para um canto mais reservado perto dos banheiros.

— Alex? Aconteceu alguma coisa? — perguntei, a voz baixa e tensa.

— Calma, garoto — a voz rouca e firme do meu padrasto e mentor soou do outro lado. — Só boas notícias. A casa em Columbia está pronta. Terminei de instalar o sistema de segurança hoje. Câmeras térmicas, sensores de movimento e a cerca reforçada. Está um bunker, exatamente como você pediu. Os seguranças da vigilância privada já estão em seus postos.

Senti um peso enorme sair dos meus ombros. Aquela casa não era apenas um imóvel; era o santuário que eu estava preparando para o que eu tinha de mais precioso no mundo.

— Obrigado, Alex. Eu não sei o que faria sem você.

— Não agradeça. Sua mãe está radiante — Alex continuou. — Eleanor passou o dia arrumando o quarto da pequena. E falando nisso... amanhã de manhã, saímos cedo daqui. Vamos levar a pequena Liz para você. Ela não para de perguntar pelo pai e pelo Zeus.

Um sorriso involuntário surgiu no meu rosto. A saudade de Liz era uma dor física constante.

— Mal posso esperar para vê-la. Estarei esperando.

— Esteja pronto, Wilson. Ela está com muita energia. Até amanhã.

Desliguei o telefone e respirei fundo, tentando processar a alegria e a ansiedade. Quando voltei para a mesa, Jack e Taissa haviam acabado de se levantar.

— Vamos buscar mais uma rodada e uns petiscos — anunciou Jack, piscando para mim de um jeito nada sutil antes de arrastar a irmã para o balcão.

Ficamos apenas Vera e eu. O silêncio entre nós não era desconfortável, mas carregado de uma eletricidade nova.

— Boas notícias? — perguntou ela, observando minha expressão mais leve.

— As melhores — confessei, aproximando minha cadeira um pouco mais da dela. — Minha família chega amanhã. Minha mãe, meu melhor amigo e... minha filha.

Vera ergueu as sobrancelhas, surpresa.

— Você tem uma filha?

— Tenho. O nome dela é Liz. Ela tem seis anos e é a razão pela qual eu ainda mantenho minha sanidade neste emprego — eu disse, sentindo uma vulnerabilidade que raramente mostrava a estranhos. — Estou me mudando para uma casa definitiva amanhã. Queria que ela tivesse um lugar seguro, longe de tudo o que deixamos para trás.

Vera me olhou com uma doçura que me desarmou. Ela estendeu a mão e tocou levemente o meu pulso, um gesto de conforto que fez meu coração errar a batida.

— Você parece um pai muito dedicado, Patrick. Ela tem sorte de ter você para protegê-la.

— Às vezes eu sinto que é ela quem me protege — respondi honestamente. — E você, Vera? O que te mantém sã em meio a tantos prontuários e cirurgias?

Ela desviou o olhar por um momento, as sombras voltando aos seus olhos azuis.

— O trabalho, eu acho. A sensação de que posso controlar o destino de alguém, pelo menos por algumas horas. É... uma distração necessária.

Eu queria perguntar do que ela estava se distraindo, mas sabia que era cedo demais. Nós dois tínhamos muros altos. O fato de estarmos conversando ali, naquela noite, já era uma rachadura considerável em nossas defesas.

Conversamos por mais algum tempo sobre coisas triviais — música, o frio da cidade, a comida do bar — até que Jack e Taissa voltaram. A noite terminou com um sentimento de promessa. Quando nos despedimos no estacionamento, não houve armas ou ameaças, apenas um "boa noite" suave e um olhar que dizia que aquilo era apenas o começo.

***

O sábado de manhã começou com uma lambida molhada e entusiasmada no meu rosto.

— Zeus! Já vou, garoto! — resmunguei, empurrando o enorme Pastor Alemão que parecia achar que seis da manhã era o horário perfeito para brincar.

Levantei-me com a determinação de quem tem um longo dia pela frente. Tomei um banho rápido, sentindo a água quente despertar meus músculos, e tomei um café forte enquanto olhava as caixas empilhadas na sala do apartamento. Zeus me seguia para todo lado, balançando a cauda, parecendo saber que algo grande estava para acontecer.

Passei a manhã transportando o que restava das minhas coisas para a nova casa em Columbia. Era uma propriedade isolada, cercada por árvores altas e um gramado vasto, com uma arquitetura sólida de pedra e madeira. Era o lugar perfeito para Liz crescer.

Trabalhei sem parar, organizando os móveis, testando os novos sistemas de segurança e garantindo que o quarto de Liz estivesse exatamente como ela gostava, com suas bonecas e livros de histórias.

A manhã de domingo nasceu clara e fria. Eu estava sentado na varanda da frente, com Zeus deitado aos meus pés, quando vi o SUV preto de Alex dobrar a esquina e subir a ladeira de cascalho. Meu coração disparou.

Assim que o carro parou, a porta traseira se abriu e um pequeno vulto saltitante saiu correndo.

— Papai! — o grito agudo de Liz ecoou pelo ar puro da manhã.

Eu me ajoelhei no gramado bem a tempo de recebê-la em meus braços. O impacto do seu corpo pequeno contra o meu foi a melhor sensação que tive em meses. O cheiro de xampu de maçã e infância me preencheu.

— Oi, meu amor! Que saudade eu estava de você — eu disse, enterrando o rosto no pescoço dela enquanto ela me apertava com toda a força que tinha.

— Eu também, papai! A vovó disse que a casa nova é gigante! — ela exclamou, afastando-se para me olhar com seus olhos que eram uma mistura perfeita dos meus e de algo mais suave.

Alex e minha mãe, Eleanor, saíram do carro logo em seguida. Alex me deu um aceno de cabeça sólido, o olhar de um homem que sabia o valor da segurança que havíamos construído. Minha mãe veio ao meu encontro com lágrimas nos olhos, abraçando-me com força.

— Você conseguiu, Patrick — ela sussurrou. — Estamos em casa.

— Estamos, mãe. Finalmente.

Mas a atenção de Liz já havia sido capturada por outra coisa. Zeus, que estava sentado pacientemente esperando seu turno, soltou um ganido baixo.

— Zeus! — Liz gritou, soltando-se de mim e correndo em direção ao cachorro.

O enorme Pastor Alemão, que poderia derrubar um homem adulto em segundos, derreteu-se completamente. Ele deitou de barriga para cima, deixando que as mãos pequenas de Liz o acariciassem freneticamente.

— Ele sentiu sua falta, pequena — disse Alex, aproximando-se e colocando a mão no meu ombro. — E como estão as coisas na delegacia? Algum problema que eu precise saber?

Olhei para minha filha brincando com o cachorro no gramado, o sol iluminando seus cabelos claros. Pensei no hospital do outro lado da rua da delegacia, e em uma certa médica de olhos azuis que parecia habitar meus pensamentos mais do que eu deveria permitir.

— O trabalho é o de sempre, Alex — respondi, observando o horizonte. — Mas acho que, pela primeira vez em muito tempo, as coisas estão começando a entrar nos eixos.

Eu ainda tinha cicatrizes, e sabia que Vera também tinha as dela. Mas, enquanto observava Liz rir e Zeus correr em círculos, senti que talvez, apenas talvez, Columbia fosse o lugar onde essas cicatrizes finalmente começariam a fechar. E eu mal podia esperar pela próxima vez que teria uma desculpa para cruzar a rua e ver a Doutora Farmiga novamente. Dessa vez, não por causa de um crime, mas porque meu coração, por mais blindado que fosse, estava começando a bater em um ritmo que eu não podia mais ignorar.
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