
← Назад
0 лайков
Entre farpas e gols
Фандом: S/o
Создан: 23.04.2026
Теги
РомантикаДрамаПовседневностьHurt/ComfortФлаффРеализмЮморЗанавесочная историяСеттинг оригинального произведения
Entre o Apito e o Perdão
O ginásio da escola estava um caos absoluto. O cheiro de suor misturado com spray de arnica pairava no ar, e o barulho das vuvuzelas das turmas do primeiro ano quase impedia Cecilia de ouvir seus próprios pensamentos. Ela estava sentada no banco de reservas do time de vôlei da 3 JC, ajustando compulsivamente a joelheira, embora soubesse que dificilmente entraria naquele set. Seus olhos, no entanto, não estavam na bola de vôlei, mas sim no campo de futebol society que ficava logo ao lado do ginásio coberto, onde a final masculina estava prestes a começar.
Vinicius estava lá. Ele usava o colete numerado da 3 JC e parecia concentrado, prendendo o cabelo com um elástico enquanto ouvia as instruções do treinador. Cecilia sentiu aquela pontada familiar de irritação misturada com algo que ela se recusava terminantemente a chamar de "saudade" ou "afeto".
— Você vai acabar furando o garoto com os olhos — comentou Mariana, sua melhor amiga e levantadora titular, sentando-se ao lado dela.
— Eu só estou garantindo que ele não vá fazer nenhuma palhaçada e perder o jogo para a nossa sala — retrucou Cecilia, cruzando os braços com força. — Ele é um idiota, Mari. Você sabe o que ele fez no oitavo ano.
— Ceci, isso faz quatro anos — suspirou Mariana. — Ele já te pediu desculpas umas mil vezes. Ele mudou. Olha como ele te olha agora.
— Ele me olha com cara de quem quer me irritar — Cecilia insistiu, embora sentisse as bochechas esquentarem.
A verdade era que Vinicius vinha tentando se aproximar há meses. Ele oferecia carona, trazia o chocolate favorito dela nas reuniões de formatura e, principalmente, aguentava todas as patadas que ela distribuía sem revidar com a mesma moeda. Mas Cecilia tinha medo. No oitavo ano, quando ela confessou que gostava dele, Vinicius tinha rido na frente dos amigos, uma reação imatura que deixou uma cicatriz profunda na autoestima da garota. Agora que os sentimentos estavam voltando a borbulhar, a teimosia era sua única defesa.
— Ei, Cecilia! — A voz de Vinicius ecoou da grade que separava o ginásio do campo. Ele acenava para ela, com um sorriso de lado que sempre a desarmava. — Se a gente ganhar, você aceita jantar comigo? Sem brigas?
Cecilia levantou-se, caminhando até a grade apenas para poder falar baixo o suficiente para ninguém mais ouvir, embora seu tom fosse ácido.
— Se vocês ganharem, eu aceito não te xingar por cinco minutos, Vinicius. Agora foca no jogo e para de passar vergonha.
— Isso é um "talvez" para mim — ele piscou, correndo de volta para o centro do campo quando o juiz apitou o início da partida contra a 2 MT.
O jogo estava tenso. A turma do segundo ano era agressiva, fisicamente maior e claramente disposta a tudo para tirar o título dos veteranos. Cecilia tentava prestar atenção no vôlei, mas sua cabeça virava para o lado a cada grito da torcida do futebol. Vinicius estava jogando como nunca. Ele era o motor do time, driblando com uma facilidade que sempre a impressionou, apesar de ela nunca admitir.
Faltavam apenas cinco minutos para o fim do segundo tempo. O placar estava empatado em 1 a 1. Vinicius recebeu a bola na intermediária e arrancou em direção ao gol. Foi quando o desastre aconteceu.
Um zagueiro da 2 MT, claramente frustrado por ter sido driblado três vezes seguidas, não visou a bola. Ele entrou com um carrinho criminoso, atingindo em cheio o tornozelo de apoio de Vinicius. O impacto foi seco. Com o impulso da queda, Vinicius foi projetado para frente, batendo a cabeça com força contra a trave de metal antes de desabar no gramado sintético.
O silêncio caiu sobre o ginásio por um segundo, seguido por um coro de exclamações horrorizadas.
Cecilia sentiu seu coração parar. Antes mesmo de o juiz apitar, ela já estava pulando a grade baixa do ginásio, correndo pelo asfalto quente em direção ao campo.
— Vinicius! — ela gritou, a voz saindo rasgada.
No campo, o juiz apenas sinalizou falta, sem sequer mostrar um cartão amarelo para o agressor, que caminhava de volta para sua posição como se nada tivesse acontecido.
— Você está brincando? — Cecilia explodiu, chegando ao centro da confusão. Ela ignorou os jogadores que se empurravam e foi direto para cima do juiz, um professor de geografia que parecia querer apenas que o jogo acabasse logo. — Você não viu o que ele fez? Ele quase quebrou a perna dele e ele bateu a cabeça! Isso é expulsão!
— Calma, Cecilia, foi um lance de jogo — disse o juiz, tentando afastá-la.
— Lance de jogo? Você é cego ou só incompetente? — ela esbravejou, os olhos faiscando de uma fúria protetora que ela não conseguia conter. — Ele está no chão e não se mexe! Se você não fizer nada, eu mesma tiro esse garoto de campo a tapas!
— Cecilia... — uma voz fraca veio debaixo dela.
Ela se ajoelhou instantaneamente, esquecendo o juiz e o agressor. Vinicius estava pálido, com um corte na têmpora que começava a sangrar e o tornozelo direito já inchando visivelmente.
— Não tenta levantar — ela ordenou, sua voz tremendo apesar da tentativa de parecer firme. — Você bateu a cabeça, Vini. Fica parado.
— A gente... a gente ganhou a falta? — ele perguntou, tentando focar os olhos nela.
— Esquece a falta, seu idiota teimoso! — Cecilia sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos. — Você me deu um susto de morte. Por que você sempre tem que ser tão inconsequente?
— Eu queria ganhar... por você — ele murmurou, fechando os olhos por um segundo enquanto uma careta de dor atravessava seu rosto.
A equipe de primeiros socorros da escola chegou com a maca, e Cecilia se recusou a sair do lado dele. Ela segurou a mão de Vinicius com força, ignorando os olhares de toda a escola. A teimosia que a impedira de perdoá-lo por anos parecia ter evaporado no momento em que ela o viu atingir aquela trave.
Enquanto o levavam para a enfermaria improvisada no prédio administrativo, Cecilia continuava xingando o juiz e o jogador adversário em voz alta, garantindo que todos soubessem que ela não deixaria aquela injustiça passar em branco.
— Você é muito brava quando quer — Vinicius disse, já deitado em uma das macas da enfermaria, enquanto a enfermeira limpava o corte em sua testa.
— Alguém tem que ser, já que você prefere usar a cabeça para aparar traves de ferro — ela rebateu, mas não soltou a mão dele.
A enfermeira terminou o curativo e aplicou gelo no tornozelo dele, informando que ele precisaria ir ao hospital para um raio-X por precaução, mas que parecia ser apenas uma entorse feia. Quando a mulher se afastou para preencher a ficha, o silêncio se instalou entre os dois.
Cecilia olhou para as próprias mãos, sentindo o peso do arrependimento por ter gasto tanto tempo brigando.
— Desculpa — ela disse, tão baixo que ele quase não ouviu.
— Pelo quê? Por quase bater no professor de geografia? Foi a coisa mais legal que alguém já fez por mim — ele riu, mas logo parou, sentindo a dor no tornozelo.
— Por ser tão difícil — ela continuou, olhando-o nos olhos. — Eu passei os últimos anos usando o que aconteceu no oitavo ano como um escudo. Eu não queria me machucar de novo, então eu achei que era mais fácil te odiar do que aceitar que... que eu ainda gosto de você.
Vinicius apertou a mão dela, o olhar suavizando.
— Eu fui um moleque, Ceci. Eu me arrependi no segundo seguinte àquela risada, mas eu não sabia como consertar. Eu tentei ser o cara que você merece nesses últimos tempos, mas achei que você nunca ia me perdoar de verdade.
— Eu sou teimosa, Vinicius. Você sabe disso.
— Eu sei. É uma das coisas que eu mais gosto em você.
Cecilia deu um sorriso triste, aproximando-se da maca.
— O jogo acabou em W.O. porque a nossa sala se recusou a continuar depois que o juiz não expulsou o outro garoto. Todo mundo ficou do seu lado.
— Então eu não ganhei o jantar? — ele perguntou, com um brilho de esperança nos olhos.
Cecilia revirou os olhos, mas dessa vez havia carinho no gesto. Ela se inclinou e depositou um beijo suave na testa dele, logo abaixo do curativo.
— Você não ganhou o jantar pelo jogo. Mas ganhou porque eu cansei de lutar contra o que eu sinto. Assim que você conseguir andar sem parecer um pinguim manco, você me leva para comer.
Vinicius sorriu, um sorriso largo e genuíno que iluminou seu rosto apesar dos hematomas.
— É o melhor acordo que já fiz na vida.
— E só para constar — ela acrescentou, recuperando um pouco de sua postura firme —, eu ainda vou ter uma conversa muito séria com aquele zagueiro do segundo ano. Ninguém toca no meu... em você... desse jeito e sai impune.
Vinicius riu, sentindo que, apesar da dor física, aquele era o melhor dia dos seus últimos quatro anos.
— Eu não duvido nada, Ceci. Eu não duvido nada.
Vinicius estava lá. Ele usava o colete numerado da 3 JC e parecia concentrado, prendendo o cabelo com um elástico enquanto ouvia as instruções do treinador. Cecilia sentiu aquela pontada familiar de irritação misturada com algo que ela se recusava terminantemente a chamar de "saudade" ou "afeto".
— Você vai acabar furando o garoto com os olhos — comentou Mariana, sua melhor amiga e levantadora titular, sentando-se ao lado dela.
— Eu só estou garantindo que ele não vá fazer nenhuma palhaçada e perder o jogo para a nossa sala — retrucou Cecilia, cruzando os braços com força. — Ele é um idiota, Mari. Você sabe o que ele fez no oitavo ano.
— Ceci, isso faz quatro anos — suspirou Mariana. — Ele já te pediu desculpas umas mil vezes. Ele mudou. Olha como ele te olha agora.
— Ele me olha com cara de quem quer me irritar — Cecilia insistiu, embora sentisse as bochechas esquentarem.
A verdade era que Vinicius vinha tentando se aproximar há meses. Ele oferecia carona, trazia o chocolate favorito dela nas reuniões de formatura e, principalmente, aguentava todas as patadas que ela distribuía sem revidar com a mesma moeda. Mas Cecilia tinha medo. No oitavo ano, quando ela confessou que gostava dele, Vinicius tinha rido na frente dos amigos, uma reação imatura que deixou uma cicatriz profunda na autoestima da garota. Agora que os sentimentos estavam voltando a borbulhar, a teimosia era sua única defesa.
— Ei, Cecilia! — A voz de Vinicius ecoou da grade que separava o ginásio do campo. Ele acenava para ela, com um sorriso de lado que sempre a desarmava. — Se a gente ganhar, você aceita jantar comigo? Sem brigas?
Cecilia levantou-se, caminhando até a grade apenas para poder falar baixo o suficiente para ninguém mais ouvir, embora seu tom fosse ácido.
— Se vocês ganharem, eu aceito não te xingar por cinco minutos, Vinicius. Agora foca no jogo e para de passar vergonha.
— Isso é um "talvez" para mim — ele piscou, correndo de volta para o centro do campo quando o juiz apitou o início da partida contra a 2 MT.
O jogo estava tenso. A turma do segundo ano era agressiva, fisicamente maior e claramente disposta a tudo para tirar o título dos veteranos. Cecilia tentava prestar atenção no vôlei, mas sua cabeça virava para o lado a cada grito da torcida do futebol. Vinicius estava jogando como nunca. Ele era o motor do time, driblando com uma facilidade que sempre a impressionou, apesar de ela nunca admitir.
Faltavam apenas cinco minutos para o fim do segundo tempo. O placar estava empatado em 1 a 1. Vinicius recebeu a bola na intermediária e arrancou em direção ao gol. Foi quando o desastre aconteceu.
Um zagueiro da 2 MT, claramente frustrado por ter sido driblado três vezes seguidas, não visou a bola. Ele entrou com um carrinho criminoso, atingindo em cheio o tornozelo de apoio de Vinicius. O impacto foi seco. Com o impulso da queda, Vinicius foi projetado para frente, batendo a cabeça com força contra a trave de metal antes de desabar no gramado sintético.
O silêncio caiu sobre o ginásio por um segundo, seguido por um coro de exclamações horrorizadas.
Cecilia sentiu seu coração parar. Antes mesmo de o juiz apitar, ela já estava pulando a grade baixa do ginásio, correndo pelo asfalto quente em direção ao campo.
— Vinicius! — ela gritou, a voz saindo rasgada.
No campo, o juiz apenas sinalizou falta, sem sequer mostrar um cartão amarelo para o agressor, que caminhava de volta para sua posição como se nada tivesse acontecido.
— Você está brincando? — Cecilia explodiu, chegando ao centro da confusão. Ela ignorou os jogadores que se empurravam e foi direto para cima do juiz, um professor de geografia que parecia querer apenas que o jogo acabasse logo. — Você não viu o que ele fez? Ele quase quebrou a perna dele e ele bateu a cabeça! Isso é expulsão!
— Calma, Cecilia, foi um lance de jogo — disse o juiz, tentando afastá-la.
— Lance de jogo? Você é cego ou só incompetente? — ela esbravejou, os olhos faiscando de uma fúria protetora que ela não conseguia conter. — Ele está no chão e não se mexe! Se você não fizer nada, eu mesma tiro esse garoto de campo a tapas!
— Cecilia... — uma voz fraca veio debaixo dela.
Ela se ajoelhou instantaneamente, esquecendo o juiz e o agressor. Vinicius estava pálido, com um corte na têmpora que começava a sangrar e o tornozelo direito já inchando visivelmente.
— Não tenta levantar — ela ordenou, sua voz tremendo apesar da tentativa de parecer firme. — Você bateu a cabeça, Vini. Fica parado.
— A gente... a gente ganhou a falta? — ele perguntou, tentando focar os olhos nela.
— Esquece a falta, seu idiota teimoso! — Cecilia sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos. — Você me deu um susto de morte. Por que você sempre tem que ser tão inconsequente?
— Eu queria ganhar... por você — ele murmurou, fechando os olhos por um segundo enquanto uma careta de dor atravessava seu rosto.
A equipe de primeiros socorros da escola chegou com a maca, e Cecilia se recusou a sair do lado dele. Ela segurou a mão de Vinicius com força, ignorando os olhares de toda a escola. A teimosia que a impedira de perdoá-lo por anos parecia ter evaporado no momento em que ela o viu atingir aquela trave.
Enquanto o levavam para a enfermaria improvisada no prédio administrativo, Cecilia continuava xingando o juiz e o jogador adversário em voz alta, garantindo que todos soubessem que ela não deixaria aquela injustiça passar em branco.
— Você é muito brava quando quer — Vinicius disse, já deitado em uma das macas da enfermaria, enquanto a enfermeira limpava o corte em sua testa.
— Alguém tem que ser, já que você prefere usar a cabeça para aparar traves de ferro — ela rebateu, mas não soltou a mão dele.
A enfermeira terminou o curativo e aplicou gelo no tornozelo dele, informando que ele precisaria ir ao hospital para um raio-X por precaução, mas que parecia ser apenas uma entorse feia. Quando a mulher se afastou para preencher a ficha, o silêncio se instalou entre os dois.
Cecilia olhou para as próprias mãos, sentindo o peso do arrependimento por ter gasto tanto tempo brigando.
— Desculpa — ela disse, tão baixo que ele quase não ouviu.
— Pelo quê? Por quase bater no professor de geografia? Foi a coisa mais legal que alguém já fez por mim — ele riu, mas logo parou, sentindo a dor no tornozelo.
— Por ser tão difícil — ela continuou, olhando-o nos olhos. — Eu passei os últimos anos usando o que aconteceu no oitavo ano como um escudo. Eu não queria me machucar de novo, então eu achei que era mais fácil te odiar do que aceitar que... que eu ainda gosto de você.
Vinicius apertou a mão dela, o olhar suavizando.
— Eu fui um moleque, Ceci. Eu me arrependi no segundo seguinte àquela risada, mas eu não sabia como consertar. Eu tentei ser o cara que você merece nesses últimos tempos, mas achei que você nunca ia me perdoar de verdade.
— Eu sou teimosa, Vinicius. Você sabe disso.
— Eu sei. É uma das coisas que eu mais gosto em você.
Cecilia deu um sorriso triste, aproximando-se da maca.
— O jogo acabou em W.O. porque a nossa sala se recusou a continuar depois que o juiz não expulsou o outro garoto. Todo mundo ficou do seu lado.
— Então eu não ganhei o jantar? — ele perguntou, com um brilho de esperança nos olhos.
Cecilia revirou os olhos, mas dessa vez havia carinho no gesto. Ela se inclinou e depositou um beijo suave na testa dele, logo abaixo do curativo.
— Você não ganhou o jantar pelo jogo. Mas ganhou porque eu cansei de lutar contra o que eu sinto. Assim que você conseguir andar sem parecer um pinguim manco, você me leva para comer.
Vinicius sorriu, um sorriso largo e genuíno que iluminou seu rosto apesar dos hematomas.
— É o melhor acordo que já fiz na vida.
— E só para constar — ela acrescentou, recuperando um pouco de sua postura firme —, eu ainda vou ter uma conversa muito séria com aquele zagueiro do segundo ano. Ninguém toca no meu... em você... desse jeito e sai impune.
Vinicius riu, sentindo que, apesar da dor física, aquele era o melhor dia dos seus últimos quatro anos.
— Eu não duvido nada, Ceci. Eu não duvido nada.
Хотите создать свой фанфик?
Зарегистрируйтесь на Fanfy и создавайте свои собственные истории!
Создать свой фанфик