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Cachoeira
Фандом: S/o
Создан: 23.04.2026
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Entre Entre Quedas e Risadas
O sol de domingo parecia ter decidido brilhar com o dobro da intensidade, refletindo-se nas águas cristalinas da piscina do clube. Cecilia estava esparramada em uma espreguiçadeira, os óculos de sol escondendo o brilho travesso em seus olhos enquanto observava Vinicius voltar da lanchonete carregando dois sorvetes. Eles ainda sentiam os músculos levemente dormentes do jogo de vôlei interestadual que haviam disputado na sexta-feira, mas o cansaço era aquele tipo bom, que vinha com a sensação de dever cumprido.
— Aqui, antes que derreta e você coloque a culpa em mim — disse Vinicius, estendendo um picolé de limão para ela.
Cecilia sentou-se devagar, ajeitando a alça do biquíni com uma lentidão deliberada só para vê-lo esperar. Ela pegou o sorvete, mas não sem antes dar um sorrisinho de lado.
— Demorou tanto que eu achei que você tinha parado para tirar um cochilo no caminho, Vini. A idade está pesando depois do jogo?
Vinicius revirou os olhos, sentando-se na borda da espreguiçadeira ao lado dela. Aos dezessete anos, ele tinha o porte de um atleta, mas perto de Cecilia, ele sempre parecia um pouco mais vulnerável às provocações dela.
— Engraçadinha. Eu tive que enfrentar uma fila de dez crianças e um monitor barulhento. E, para sua informação, eu fiz o ponto final da partida, então minha "idade" está muito bem, obrigado.
— Sorte de principiante — provocou ela, lambendo o sorvete. — Amanhã, na trilha, vamos ver quem tem mais resistência. Ou você vai querer que eu leve um desfibrilador na mochila?
Vinicius riu, balançando a cabeça. Ele amava aquele jeito dela, mesmo que passasse metade do tempo sendo o alvo das piadas.
— Amanhã você vai engolir essas palavras, Ceci. A trilha para a cachoeira do Salto não é brincadeira. E eu não quero ouvir você reclamando que o tênis está apertado ou que tem mosquito demais.
— Eu? Reclamar? — Ela levou a mão ao peito, fingindo ofensa. — Você sabe que eu sou uma força da natureza. Você que se prepare para me alcançar.
O restante da tarde no clube passou entre mergulhos refrescantes e discussões bobas sobre quem nadava mais rápido. Para quem os via de fora, eram apenas dois adolescentes aproveitando as férias, mas havia uma conexão profunda ali, forjada em treinos exaustivos e no apoio mútuo que só um namoro de quase dois anos poderia proporcionar.
No dia seguinte, o despertador tocou antes mesmo do sol terminar de subir. Vinicius já estava na porta da casa de Cecilia às sete da manhã, conferindo pela terceira vez se havia levado água suficiente, repelente e um kit de primeiros socorros básico. Ele era o tipo de namorado que previa todos os desastres possíveis, enquanto Cecilia era a que pulava neles de cabeça se achasse que seria divertido.
Quando ela finalmente apareceu na varanda, bocejando e com o cabelo preso em um rabo de cavalo alto, Vinicius franziu o cenho ao olhar para os pés dela.
— Cecilia, você vai de shorts curto de novo? Eu te falei que o mato está alto por causa das chuvas da semana passada.
— Bom dia para você também, meu raio de sol — respondeu ela, aproximando-se e selando os lábios nos dele rapidamente. — E sim, vou. Está um calor de trinta graus, Vini. Eu não vou cozinhar dentro de uma calça de legging só porque você acha que um graveto vai me atacar.
— Não é o graveto, são os carrapatos, as urtigas e as pedras — ele insistiu, ajudando-a a colocar a mochila nas costas. — Se você se ralar, não vem chorar no meu ombro.
— Eu nunca choro — ela piscou, começando a caminhar em direção ao início da trilha que ficava nos arredores da cidade. — No máximo, eu uso o seu ombro como degrau.
A trilha começou com uma subida íngreme. O cheiro de terra úmida e o som dos pássaros preenchiam o ar. Vinicius ia na frente, abrindo caminho e parando a cada cinco minutos para olhar para trás.
— Está tudo bem aí? Quer parar para beber água? — perguntou ele, estendendo a mão para ajudá-la a pular um tronco caído.
Cecilia ignorou a mão dele e saltou o tronco com a agilidade de um gato, embora estivesse um pouco ofegante.
— Vini, se você me perguntar isso de novo, eu vou te empurrar naquela vala. Eu jogo vôlei de alto rendimento, esqueceu? Eu não sou uma boneca de porcelana.
— Eu sei que não é — ele murmurou, diminuindo o passo para caminhar ao lado dela conforme o caminho se alargava. — Mas o chão está escorregadio. Eu só não quero que o nosso dia acabe em um pronto-socorro porque você quis ser a "mulher maravilha".
— Admita — disse ela, cutucando as costelas dele com o cotovelo —, você adora cuidar de mim. É o seu complexo de herói aflorando.
Vinicius deu um sorriso de canto, capturando a mão dela e entrelaçando seus dedos por alguns segundos antes que o caminho voltasse a estreitar.
— Talvez eu só goste de garantir que você esteja inteira para eu poder continuar te irritando.
A caminhada durou cerca de uma hora. Conforme se aproximavam da cachoeira, o som da água caindo tornava-se um estrondo refrescante. O terreno, porém, ficou mais acidentado. Rochas cobertas de limo exigiam atenção redobrada.
— Cuidado aqui — avisou Vinicius, firmando os pés em uma rocha estável. — Pisa onde eu pisei. Cecilia, estou falando sério, não tenta inventar caminho por ali.
— Ai, meu Deus, sim, senhor, capitão — ela ironizou, mas seguiu as instruções.
No entanto, a tentação de provocar era maior que o bom senso. Ao ver uma pedra um pouco mais afastada que parecia oferecer uma visão melhor da queda d'água, Cecilia decidiu que o caminho de Vinicius era "seguro demais e chato". Ela deu um passo lateral, tentando se equilibrar em uma superfície que parecia firme, mas que estava camuflada por uma camada fina de lodo.
O pé dela deslizou.
— Opa! — o grito escapou antes que ela pudesse evitar.
Em um reflexo rápido, Vinicius largou a própria mochila no chão e agarrou o braço dela, puxando-a para perto de seu corpo. O impacto fez com que ambos cambaleassem, mas ele conseguiu mantê-los em pé, as mãos firmes na cintura dela.
O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som da cachoeira. Cecilia estava com o coração disparado, o rosto colado ao peito de Vinicius, sentindo a respiração acelerada dele.
— Você está bem? — a voz dele saiu baixa, carregada de uma preocupação genuína que fez a provocação dela morrer na garganta. Ele a afastou apenas o suficiente para inspecionar seus tornozelos e joelhos. — Se machucou? Torceu o pé?
Cecilia olhou para cima, encontrando os olhos castanhos dele cheios de ansiedade. Por um momento, ela se sentiu culpada por ter brincado tanto com o cuidado dele.
— Estou bem, Vini. Sério. Só foi um susto. Você me pegou.
Vinicius soltou um suspiro longo, fechando os olhos por um segundo enquanto encostava a testa na dela.
— Você me mata do coração, Ceci. Eu te avisei sobre o lodo.
Ela soltou uma risadinha nervosa, tentando recuperar o tom habitual para aliviar a tensão.
— Viu? Eu disse que você era o meu herói. Só estava testando seus reflexos. Nota dez, a propósito.
Vinicius soltou a cintura dela, mas não antes de dar um leve peteleco na testa da namorada.
— Você é impossível. Agora, por favor, pode segurar a minha mão até chegarmos na parte plana? Ou isso vai ferir o seu orgulho de "força da natureza"?
Cecilia estendeu a mão, entrelaçando-a na dele com firmeza.
— Só porque eu não quero que você se sinta inútil — ela piscou.
Eles terminaram o trajeto final e a visão que tiveram compensou cada gota de suor e cada susto. A cachoeira do Salto era majestosa, uma cortina de água branca caindo em um poço azul-esmeralda, cercada por paredões de pedra e vegetação densa.
Não havia mais ninguém ali. O lugar era só deles.
Vinicius escolheu uma pedra grande e seca para deixarem as mochilas. Antes mesmo que ele pudesse sugerir que descansassem um pouco e comessem um lanche, Cecilia já estava tirando o tênis e as meias.
— A última a entrar é a mulher do padre! — gritou ela, correndo em direção à beira d'água.
— Cecilia, espera! Verifica a profundidade primeiro! — ele gritou de volta, embora soubesse que era inútil.
Ele a viu mergulhar e, por alguns segundos, o mundo pareceu parar até que a cabeça dela emergiu da água, jogando os cabelos para trás e soltando uma gargalhada que ecoou pelo cânion.
— Está maravilhosa, Vini! Vem logo! Ou você está com medo de que a água esteja muito gelada para os seus ossos de idoso?
Vinicius riu, sentindo o peso da preocupação finalmente se dissipar. Ele tirou a camiseta e saltou, sentindo o choque térmico revigorante da água contra a pele quente do sol. Ele nadou até ela, e por um tempo, eles apenas flutuaram, deixando que a correnteza suave os balançasse.
Mais tarde, sentados na pedra ao sol para secar, dividindo um sanduíche que ele havia preparado com cuidado, o silêncio era confortável.
— Sabe — começou Cecilia, encostando a cabeça no ombro dele —, apesar de você ser um chato controlador que age como se eu tivesse cinco anos, eu fico feliz que tenha vindo.
Vinicius sorriu, passando o braço pelos ombros dela e puxando-a para mais perto.
— Eu também fico feliz. Alguém tem que garantir que você sobreviva até os dezoito, não é? Caso contrário, quem vai me vencer no vôlei?
— Ninguém — ela respondeu prontamente, fechando os olhos e aproveitando o calor do corpo dele. — Porque eu sou única. E você tem muita sorte de me ter.
— Tenho — admitiu ele, a voz suave e sincera. — Muita sorte.
Cecilia levantou a cabeça, olhando para ele com um brilho malicioso voltando aos olhos.
— Mas só para constar: eu ia conseguir me equilibrar sozinha naquela pedra. Você só quis se exibir.
Vinicius soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás.
— Ah, é? Então da próxima vez eu deixo você testar sua teoria da gravidade por conta própria.
— Você não conseguiria — ela afirmou, convencida. — Você me ama demais para me ver ralando esse joelho perfeito.
Ele não discutiu. Apenas a beijou, sentindo o gosto de água doce e a felicidade simples de um dia de verão. No fundo, ambos sabiam que, entre as implicâncias e os cuidados exagerados, aquele era o equilíbrio perfeito deles. E enquanto houvesse uma trilha nova para percorrer, Vinicius estaria um passo atrás, pronto para segurá-la, e Cecilia estaria um passo à frente, pronta para fazê-lo correr.
— Aqui, antes que derreta e você coloque a culpa em mim — disse Vinicius, estendendo um picolé de limão para ela.
Cecilia sentou-se devagar, ajeitando a alça do biquíni com uma lentidão deliberada só para vê-lo esperar. Ela pegou o sorvete, mas não sem antes dar um sorrisinho de lado.
— Demorou tanto que eu achei que você tinha parado para tirar um cochilo no caminho, Vini. A idade está pesando depois do jogo?
Vinicius revirou os olhos, sentando-se na borda da espreguiçadeira ao lado dela. Aos dezessete anos, ele tinha o porte de um atleta, mas perto de Cecilia, ele sempre parecia um pouco mais vulnerável às provocações dela.
— Engraçadinha. Eu tive que enfrentar uma fila de dez crianças e um monitor barulhento. E, para sua informação, eu fiz o ponto final da partida, então minha "idade" está muito bem, obrigado.
— Sorte de principiante — provocou ela, lambendo o sorvete. — Amanhã, na trilha, vamos ver quem tem mais resistência. Ou você vai querer que eu leve um desfibrilador na mochila?
Vinicius riu, balançando a cabeça. Ele amava aquele jeito dela, mesmo que passasse metade do tempo sendo o alvo das piadas.
— Amanhã você vai engolir essas palavras, Ceci. A trilha para a cachoeira do Salto não é brincadeira. E eu não quero ouvir você reclamando que o tênis está apertado ou que tem mosquito demais.
— Eu? Reclamar? — Ela levou a mão ao peito, fingindo ofensa. — Você sabe que eu sou uma força da natureza. Você que se prepare para me alcançar.
O restante da tarde no clube passou entre mergulhos refrescantes e discussões bobas sobre quem nadava mais rápido. Para quem os via de fora, eram apenas dois adolescentes aproveitando as férias, mas havia uma conexão profunda ali, forjada em treinos exaustivos e no apoio mútuo que só um namoro de quase dois anos poderia proporcionar.
No dia seguinte, o despertador tocou antes mesmo do sol terminar de subir. Vinicius já estava na porta da casa de Cecilia às sete da manhã, conferindo pela terceira vez se havia levado água suficiente, repelente e um kit de primeiros socorros básico. Ele era o tipo de namorado que previa todos os desastres possíveis, enquanto Cecilia era a que pulava neles de cabeça se achasse que seria divertido.
Quando ela finalmente apareceu na varanda, bocejando e com o cabelo preso em um rabo de cavalo alto, Vinicius franziu o cenho ao olhar para os pés dela.
— Cecilia, você vai de shorts curto de novo? Eu te falei que o mato está alto por causa das chuvas da semana passada.
— Bom dia para você também, meu raio de sol — respondeu ela, aproximando-se e selando os lábios nos dele rapidamente. — E sim, vou. Está um calor de trinta graus, Vini. Eu não vou cozinhar dentro de uma calça de legging só porque você acha que um graveto vai me atacar.
— Não é o graveto, são os carrapatos, as urtigas e as pedras — ele insistiu, ajudando-a a colocar a mochila nas costas. — Se você se ralar, não vem chorar no meu ombro.
— Eu nunca choro — ela piscou, começando a caminhar em direção ao início da trilha que ficava nos arredores da cidade. — No máximo, eu uso o seu ombro como degrau.
A trilha começou com uma subida íngreme. O cheiro de terra úmida e o som dos pássaros preenchiam o ar. Vinicius ia na frente, abrindo caminho e parando a cada cinco minutos para olhar para trás.
— Está tudo bem aí? Quer parar para beber água? — perguntou ele, estendendo a mão para ajudá-la a pular um tronco caído.
Cecilia ignorou a mão dele e saltou o tronco com a agilidade de um gato, embora estivesse um pouco ofegante.
— Vini, se você me perguntar isso de novo, eu vou te empurrar naquela vala. Eu jogo vôlei de alto rendimento, esqueceu? Eu não sou uma boneca de porcelana.
— Eu sei que não é — ele murmurou, diminuindo o passo para caminhar ao lado dela conforme o caminho se alargava. — Mas o chão está escorregadio. Eu só não quero que o nosso dia acabe em um pronto-socorro porque você quis ser a "mulher maravilha".
— Admita — disse ela, cutucando as costelas dele com o cotovelo —, você adora cuidar de mim. É o seu complexo de herói aflorando.
Vinicius deu um sorriso de canto, capturando a mão dela e entrelaçando seus dedos por alguns segundos antes que o caminho voltasse a estreitar.
— Talvez eu só goste de garantir que você esteja inteira para eu poder continuar te irritando.
A caminhada durou cerca de uma hora. Conforme se aproximavam da cachoeira, o som da água caindo tornava-se um estrondo refrescante. O terreno, porém, ficou mais acidentado. Rochas cobertas de limo exigiam atenção redobrada.
— Cuidado aqui — avisou Vinicius, firmando os pés em uma rocha estável. — Pisa onde eu pisei. Cecilia, estou falando sério, não tenta inventar caminho por ali.
— Ai, meu Deus, sim, senhor, capitão — ela ironizou, mas seguiu as instruções.
No entanto, a tentação de provocar era maior que o bom senso. Ao ver uma pedra um pouco mais afastada que parecia oferecer uma visão melhor da queda d'água, Cecilia decidiu que o caminho de Vinicius era "seguro demais e chato". Ela deu um passo lateral, tentando se equilibrar em uma superfície que parecia firme, mas que estava camuflada por uma camada fina de lodo.
O pé dela deslizou.
— Opa! — o grito escapou antes que ela pudesse evitar.
Em um reflexo rápido, Vinicius largou a própria mochila no chão e agarrou o braço dela, puxando-a para perto de seu corpo. O impacto fez com que ambos cambaleassem, mas ele conseguiu mantê-los em pé, as mãos firmes na cintura dela.
O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som da cachoeira. Cecilia estava com o coração disparado, o rosto colado ao peito de Vinicius, sentindo a respiração acelerada dele.
— Você está bem? — a voz dele saiu baixa, carregada de uma preocupação genuína que fez a provocação dela morrer na garganta. Ele a afastou apenas o suficiente para inspecionar seus tornozelos e joelhos. — Se machucou? Torceu o pé?
Cecilia olhou para cima, encontrando os olhos castanhos dele cheios de ansiedade. Por um momento, ela se sentiu culpada por ter brincado tanto com o cuidado dele.
— Estou bem, Vini. Sério. Só foi um susto. Você me pegou.
Vinicius soltou um suspiro longo, fechando os olhos por um segundo enquanto encostava a testa na dela.
— Você me mata do coração, Ceci. Eu te avisei sobre o lodo.
Ela soltou uma risadinha nervosa, tentando recuperar o tom habitual para aliviar a tensão.
— Viu? Eu disse que você era o meu herói. Só estava testando seus reflexos. Nota dez, a propósito.
Vinicius soltou a cintura dela, mas não antes de dar um leve peteleco na testa da namorada.
— Você é impossível. Agora, por favor, pode segurar a minha mão até chegarmos na parte plana? Ou isso vai ferir o seu orgulho de "força da natureza"?
Cecilia estendeu a mão, entrelaçando-a na dele com firmeza.
— Só porque eu não quero que você se sinta inútil — ela piscou.
Eles terminaram o trajeto final e a visão que tiveram compensou cada gota de suor e cada susto. A cachoeira do Salto era majestosa, uma cortina de água branca caindo em um poço azul-esmeralda, cercada por paredões de pedra e vegetação densa.
Não havia mais ninguém ali. O lugar era só deles.
Vinicius escolheu uma pedra grande e seca para deixarem as mochilas. Antes mesmo que ele pudesse sugerir que descansassem um pouco e comessem um lanche, Cecilia já estava tirando o tênis e as meias.
— A última a entrar é a mulher do padre! — gritou ela, correndo em direção à beira d'água.
— Cecilia, espera! Verifica a profundidade primeiro! — ele gritou de volta, embora soubesse que era inútil.
Ele a viu mergulhar e, por alguns segundos, o mundo pareceu parar até que a cabeça dela emergiu da água, jogando os cabelos para trás e soltando uma gargalhada que ecoou pelo cânion.
— Está maravilhosa, Vini! Vem logo! Ou você está com medo de que a água esteja muito gelada para os seus ossos de idoso?
Vinicius riu, sentindo o peso da preocupação finalmente se dissipar. Ele tirou a camiseta e saltou, sentindo o choque térmico revigorante da água contra a pele quente do sol. Ele nadou até ela, e por um tempo, eles apenas flutuaram, deixando que a correnteza suave os balançasse.
Mais tarde, sentados na pedra ao sol para secar, dividindo um sanduíche que ele havia preparado com cuidado, o silêncio era confortável.
— Sabe — começou Cecilia, encostando a cabeça no ombro dele —, apesar de você ser um chato controlador que age como se eu tivesse cinco anos, eu fico feliz que tenha vindo.
Vinicius sorriu, passando o braço pelos ombros dela e puxando-a para mais perto.
— Eu também fico feliz. Alguém tem que garantir que você sobreviva até os dezoito, não é? Caso contrário, quem vai me vencer no vôlei?
— Ninguém — ela respondeu prontamente, fechando os olhos e aproveitando o calor do corpo dele. — Porque eu sou única. E você tem muita sorte de me ter.
— Tenho — admitiu ele, a voz suave e sincera. — Muita sorte.
Cecilia levantou a cabeça, olhando para ele com um brilho malicioso voltando aos olhos.
— Mas só para constar: eu ia conseguir me equilibrar sozinha naquela pedra. Você só quis se exibir.
Vinicius soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás.
— Ah, é? Então da próxima vez eu deixo você testar sua teoria da gravidade por conta própria.
— Você não conseguiria — ela afirmou, convencida. — Você me ama demais para me ver ralando esse joelho perfeito.
Ele não discutiu. Apenas a beijou, sentindo o gosto de água doce e a felicidade simples de um dia de verão. No fundo, ambos sabiam que, entre as implicâncias e os cuidados exagerados, aquele era o equilíbrio perfeito deles. E enquanto houvesse uma trilha nova para percorrer, Vinicius estaria um passo atrás, pronto para segurá-la, e Cecilia estaria um passo à frente, pronta para fazê-lo correr.
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