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O lixo de um homem pode ser o tesouro de outro

Фандом: My Hero Academia

Создан: 28.04.2026

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Entre Sombras e Gritos Silenciosos

O silêncio nos corredores da U.A. durante o período noturno era algo que Shota Aizawa Afton — ou Vincent, como seu passado sombrio nas sombras da família Afton costumava sussurrar — apreciava profundamente. Para um homem que vivia dentro de um saco de dormir e cujas olheiras eram marcas registradas de uma alma cansada, a quietude era um luxo. Ele nunca foi um homem de muitos sentimentos. A morte de sua esposa no parto de Erick o endureceu, e o parentesco com William, um monstro em pele de cordeiro, o tornou cínico.

Aizawa caminhava lentamente, seus passos ecoando no piso polido. Ele se lembrava do dia em que descartou Hizashi Yamada de sua vida. Não houve drama da sua parte, apenas uma constatação fria. Hizashi, o homem que Erick chamava de "mãe" por falta de uma figura feminina e pelo jeito vibrante e acolhedor do loiro, havia sido quebrado. O ataque de William quase o matara, e o trauma transformou o sol que era Hizashi em uma lua pálida e trêmula, assolada por pesadelos. Vincent não tinha paciência para consertar pessoas quebradas.

No entanto, enquanto o pai se perdia em sua apatia, o filho florescia em uma direção perigosa.

Erick Afton não era como o pai. Embora herdasse a seriedade e o porte imponente, havia uma chama de gentileza nele que Vincent nunca possuiu. Ele era um sobrevivente. O incidente com seu tio William e o processo de ser "escopetado" junto com seu primo Michael deixaram marcas permanentes, mas também lhe deram uma força latente, uma energia que ele usou para proteger Hizashi naquele dia fatídico.

Naquela noite, Erick não estava em seu dormitório. Ele estava na sala de rádio, o santuário de Hizashi.

— Você está tremendo de novo, Zashi — disse Erick, sua voz grossa e calma cortando o som estático dos equipamentos desligados.

Hizashi Yamada estava sentado em sua cadeira giratória, as mãos apertando as coxas. Ele usava roupas civis, menos chamativas que seu traje de herói, mas seu cabelo loiro ainda era uma marca inconfundível. Ao ouvir a voz de Erick, ele relaxou os ombros, embora o brilho de medo ainda estivesse presente em seus olhos verdes.

— São as memórias, pequeno ouvinte... — Hizashi forçou um sorriso, mas sua voz falhou. — Seu tio... o rosto dele... eu ainda sinto o metal frio no meu pescoço.

Erick aproximou-se e colocou as mãos nos ombros de Hizashi. O toque era possessivo, mas reconfortante. Ele não via Hizashi como o ex-namorado de seu pai, nem como seu professor de inglês. Ele o via como o homem que precisava de proteção, o homem que ele aprendeu a desejar com uma intensidade que beirava o proibido.

— Ele não pode mais te tocar — afirmou Erick, inclinando-se para sussurrar perto do ouvido de Hizashi. — Eu estou aqui. Eu sou um Afton também, mas eu sou o seu escudo.

Hizashi fechou os olhos, deliciando-se com a sensação de segurança. Era irônico e quase pecaminoso. Ele fora apaixonado por Shota por anos, aceitara ser descartado por ele quando seu trauma se tornou um fardo, e agora encontrava consolo nos braços do filho do homem que o abandonou. Erick era o oposto de Shota na cama e no afeto; ele era presente, dominante de uma forma que fazia Hizashi se sentir valorizado, quase como a mulher que ele às vezes desejava ser em espírito.

— Erick, isso é errado... — sussurrou Hizashi, embora suas mãos já estivessem subindo para segurar os braços do rapaz. — Eu sou seu professor. Eu fui... eu fui quase sua madrasta.

— Você foi a única pessoa que me amou de verdade quando meu pai estava ocupado demais dormindo ou ignorando o mundo — Erick rebateu, virando a cadeira de Hizashi para que ficassem frente a frente. — Shota te descartou porque ele é incapaz de lidar com a dor alheia. Eu não. Eu quero a sua dor, Zashi. Eu quero você.

Erick se ajoelhou entre as pernas de Hizashi, olhando-o de baixo para cima com uma determinação que fazia o coração do loiro disparar. Ele sabia que Hizashi amava ser tratado com delicadeza e, ao mesmo tempo, com a firmeza de quem sabia o que queria.

— Diga que me quer — ordenou Erick, sua voz baixando um tom. — Esqueça o Shota. Esqueça as regras da U.A.

— Eu quero... — Hizashi cedeu, as lágrimas de alívio e desejo começando a cair. — Eu quero você, Erick. Por favor... não me deixe como ele deixou.

Erick sorriu, um sorriso que raramente mostrava ao mundo, mas que era reservado exclusivamente para aquele homem barulhento que agora só sussurrava em sua presença. Ele selou seus lábios nos de Hizashi em um beijo profundo, carregado de promessas de proteção e de um amor que desafiava a lógica daquela escola de heróis.

Dias depois, a rotina na U.A. continuava a mesma para os olhos desatentos. Shota Aizawa Afton passava pelos corredores como um fantasma, dando aulas com sua eficiência letárgica, sem sequer imaginar que, sob o mesmo teto, seu filho e seu ex-companheiro compartilhavam segredos que fariam os pilares da sociedade de heróis tremerem.

Na sala de aula, Erick era o aluno exemplar, sério e focado. Hizashi, o Present Mic, era o professor enérgico que gritava "Yeah!" e animava os alunos. Mas as trocas de olhares eram constantes. Um ajuste na gravata, um toque acidental ao entregar um papel, um sorriso de canto de boca.

Durante o intervalo, Erick encontrou Michael Smithded Afton nos fundos do ginásio. Michael, seu primo, também carregava as cicatrizes da família.

— Você está agindo de forma estranha, Erick — comentou Michael, encostado na parede, observando o primo. — Mais radiante. O que você está aprontando?

— Nada que te interesse, Michael — respondeu Erick, cruzando os braços. — Apenas cuidando do que meu pai jogou fora.

Michael soltou uma risada seca, entendendo imediatamente o que aquilo significava.

— Você está brincando com fogo. Se o Vincent descobrir, ou se a diretoria souber que você está saindo com o Yamada...

— Eles não vão descobrir — interrompeu Erick, seus olhos brilhando com a energia que ele havia despertado durante o trauma do escopetamento. — E se descobrirem, eu não me importo. Hizashi é meu. Eu o salvei do nosso tio, e agora eu o salvo da solidão todos os dias.

Enquanto isso, na sala dos professores, Shota observava Hizashi de longe. Ele notou que o loiro parecia menos assustado ultimamente. Os pesadelos pareciam ter diminuído, e havia um brilho novo em sua pele. Por um breve momento, uma pontada de curiosidade surgiu na mente de Shota, mas ele logo a descartou. Ele não tinha tempo para sentimentos residuais.

— Você parece melhor, Hizashi — comentou Shota, sem tirar os olhos de seus relatórios.

Hizashi deu um pulo, o susto sendo substituído por uma máscara de alegria forçada.

— Oh, Shota! Sim, sim! A vida é uma música que nunca para de tocar, não é? — Ele riu, uma risada que soou quase natural. — Estou apenas focando nos meus alunos. Eles têm muito potencial.

— Especialmente o Erick — Shota disse, finalmente olhando para o colega. — Ele tem evoluído rápido demais. Quase como se estivesse motivado por algo... ou alguém.

Hizashi sentiu um frio na espinha. O olhar de Aizawa era sempre analítico, como se pudesse apagar não apenas as individualidades, mas também as mentiras.

— Ele é seu filho, Shota. O talento está no sangue — Hizashi respondeu rapidamente, pegando seus pertences. — Tenho que ir. Aula extra de inglês! See ya!

Ele saiu da sala quase correndo. Shota franziu o cenho, mas o cansaço falou mais alto e ele voltou a fechar os olhos.

À noite, o encontro secreto aconteceu no antigo laboratório de rádio desativado no subsolo. O lugar era perfeito: isolado, à prova de som e cheio de memórias de uma época em que as coisas eram mais simples.

Erick já estava lá, esperando. Ele havia trazido um pequeno presente para Hizashi — uma fita de áudio antiga que ele encontrou nas coisas de seu pai, contendo gravações de quando Hizashi ainda era um jovem aspirante a herói.

— Para você se lembrar de quem você era antes do medo — disse Erick, entregando a fita.

Hizashi pegou o objeto com mãos trêmulas, mas logo foi puxado para um abraço firme. Ele se sentia pequeno nos braços de Erick, e ele adorava isso. Adorava como o rapaz, apesar de ser mais novo, assumia o papel de protetor com tanta naturalidade.

— Às vezes eu acho que você é mais homem que seu pai jamais foi — sussurrou Hizashi, escondendo o rosto no peito de Erick.

— Eu sou o homem que você precisa — Erick respondeu, levantando o queixo de Hizashi para encará-lo. — Eu não me importo se o mundo nos chamar de loucos. Eu não me importo se o meu pai olhar para nós com nojo. Você me chamou de filho por tanto tempo, mas agora, eu quero que você me chame de seu.

— Meu... — repetiu Hizashi, entregando-se ao beijo de Erick.

O relacionamento era um campo minado. Cada toque era um risco, cada encontro era uma aposta contra o destino. Mas para Erick Afton, proteger Hizashi era sua missão de vida, uma forma de compensar os pecados de sua linhagem. E para Hizashi Yamada, Erick era a cura para o trauma, a voz que silenciava os gritos de William em sua cabeça.

Eles sabiam que a sombra da família Afton era longa e perigosa. William ainda estava por aí, Michael tinha seus próprios segredos, e Shota era um observador silencioso. Mas ali, naquele porão escuro, entre sussurros de amor e promessas proibidas, Erick e seu "Zashi" eram os únicos que importavam.

— Ninguém vai nos separar — prometeu Erick contra os lábios de Hizashi. — Nem o meu pai, nem o passado.

— Eu confio em você, Erick — respondeu Hizashi, fechando os olhos e deixando-se levar pelo calor do jovem que um dia ele cuidou, mas que agora, era o único capaz de salvá-lo de si mesmo.

O amor deles era uma anomalia, um fruto proibido nascido de uma árvore genealógica manchada de sangue e indiferença. Mas era real. E na U.A., onde heróis eram forjados na dor, Erick e Hizashi encontraram sua própria forma de heroísmo: a coragem de amar em meio ao caos.
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