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Sonho Dourado
Фандом: Gravity Falls
Создан: 29.04.2026
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O Labirinto de Vidro e Esquecimento
A luz âmbar do final de tarde filtrava-se pelas janelas da biblioteca da universidade, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. Dipper Pines estava cercado por pilhas de livros sobre criptografia e história antiga, mas sua atenção não estava nas páginas amareladas. Seus olhos estavam fixos em William, o estudante de intercâmbio de cabelos loiros platinados e olhos de um dourado hipnótico que se sentara à sua frente.
— Você está encarando de novo, Pinetree — disse William, fechando o livro que segurava com um estalo seco. O sorriso em seu rosto era largo, quase predatório, mas carregava uma doçura que fazia o coração de Dipper acelerar.
— Eu só estava... pensando no projeto — mentiu Dipper, sentindo o rosto esquentar. — E não me chame assim, você sabe que meu nome é Mason.
— Mas "Pinetree" combina muito mais com você — insistiu William, inclinando-se sobre a mesa. — É rústico, misterioso. Como se você escondesse segredos que nem mesmo sabe que possui.
Dipper riu, uma risada nervosa. Ele amava William. Amava o jeito que ele parecia saber exatamente o que ele estava pensando, a forma como ele aparecera em sua vida no momento em que ele mais se sentia sozinho na cidade grande, longe de Mabel e de Stan. William era perfeito. Perfeito demais.
— Às vezes eu sinto que te conheço de algum lugar — murmurou Dipper, a mão subindo inconscientemente para a marca de nascença na testa, escondida sob o cabelo. — Como se estivéssemos repetindo uma conversa que já tivemos mil vezes.
O sorriso de William vacilou por um milésimo de segundo, uma sombra cruzando aqueles olhos dourados antes de ele recuperar a compostura.
— Deve ser o destino, querido. Ou talvez apenas um déjà vu.
Naquela noite, o sonho começou de forma diferente. Dipper não estava na biblioteca, mas em uma floresta cinzenta e bidimensional. O céu era vermelho como sangue e o chão tremia sob seus pés. Ele viu uma estátua de pedra, uma mão estendida em um acordo eterno, coberta de musgo. E então, o flash de um triângulo amarelo com um único olho, rindo enquanto o mundo queimava.
Dipper acordou gritando, o suor frio ensopando seus lençóis. A porta do quarto se abriu e William entrou, a silhueta emoldurada pela luz do corredor.
— Outro pesadelo? — perguntou William, sentando-se na beira da cama e passando a mão pelos cabelos de Dipper.
— Foi... foi ele, Will. O demônio de Gravity Falls. O Bill. — Dipper tremia violentamente. — Eu vi a estátua. Eu senti o cheiro de queimado. Eu achei que ele tinha ido embora para sempre.
William parou o movimento da mão. O quarto pareceu esfriar dez graus.
— É apenas o estresse da faculdade, Dipper. Esqueça o passado. Esqueça Gravity Falls. Você está seguro comigo.
— Mas e se ele voltou? — Dipper olhou nos olhos de William, buscando conforto, mas encontrou algo diferente. As pupilas de William não eram redondas. Por um breve instante, elas se tornaram fendas verticais, negras e profundas como o abismo.
Dipper recuou, batendo as costas na cabeceira da cama.
— Seus olhos... o que há com seus olhos?
William suspirou, um som que não era humano, mas sim o sibilar de estática de rádio antiga. Ele se levantou, e a realidade ao redor deles começou a se desintegrar. As paredes do dormitório derreteram em chamas azuis, e o teto desapareceu, revelando um cosmos caótico de engrenagens e olhos flutuantes.
— Ah, Pinetree... você sempre foi inteligente demais para o seu próprio bem — disse William, ou melhor, Bill. Sua forma humana permaneceu, mas sua aura era uma cacofonia de loucura. — Eu tentei, sabia? Tentei ser o namorado perfeito. Tentei brincar de casinha nesse universo tridimensional patético porque, por algum motivo ridículo, eu não consigo parar de pensar em você.
— Bill? — A voz de Dipper falhou, o horror subindo por sua garganta. — Você... você me enganou. Todo esse tempo... cada beijo, cada conversa... foi você?
— Foi maravilhoso, não foi? — Bill gargalhou, um som que ecoava em dimensões que Dipper nem sabia que existiam. — Eu ia te contar eventualmente. Talvez daqui a oitenta anos, quando você estivesse no seu leito de morte. Mas você insiste em cavar, em lembrar.
Dipper sentiu náuseas. A pessoa que ele amava era o monstro que tentara destruir sua família, o ser que torturara seus tios e quase aniquilara a realidade.
— Eu te odeio — cuspiu Dipper, as lágrimas escorrendo. — Eu tenho nojo de você. Saia da minha frente!
O rosto de Bill escureceu. A adoração maníaca em seus olhos se transformou em algo possessivo e frio.
— Ódio é um sentimento tão forte quanto o amor, Pinetree. Mas infelizmente para você, eu não aceito rejeição. Vamos tentar de novo, certo?
Bill estalou os dedos. Um clarão de luz amarela cegou Dipper.
— Durma, meu pequeno pinheiro. Quando acordar, seremos apenas nós dois na biblioteca, e você vai me contar como seu dia foi incrível.
***
Dipper Pines acordou com o som de pássaros cantando. Ele estava na biblioteca da faculdade. À sua frente, William sorria, segurando dois copos de café.
— Você deu uma cochilada, Pinetree — disse William suavemente. — Estava estudando demais?
Dipper piscou, sentindo uma dor de cabeça latejante atrás dos olhos. Havia uma sensação estranha de vazio em seu peito, como se ele tivesse perdido algo importante, mas não conseguia lembrar o quê.
— Acho que sim — respondeu Dipper, massageando as têmporas. — Tive um sonho estranho. Algo sobre... triângulos?
William riu, um som melodioso.
— Geometria é um pesadelo para qualquer um. Beba seu café.
O ciclo continuou. Semanas se passavam, meses de um romance idílico e intenso. Bill era o parceiro perfeito: atento, brilhante e protetor. Mas a mente de Dipper Pines era uma fortaleza construída durante um verão de mistérios. Pequenas rachaduras começaram a aparecer no feitiço de Bill.
Um reflexo no espelho que não batia com os movimentos de William. Uma frase dita em latim invertido durante o sono. O cheiro de ozônio e caramelo queimado que parecia seguir o namorado.
Desta vez, Dipper não confrontou William no quarto. Ele esperou. Ele fingiu dormir enquanto William saía da cama nas primeiras horas da manhã. Ele o seguiu até o porão abandonado do prédio de ciências.
Lá, Dipper viu a verdade sem filtros. William estava flutuando no centro de um círculo rúnico, sua pele brilhando em um tom dourado metálico. Ele estava torturando uma criatura das sombras, rindo enquanto a desintegrava com raios de energia azul.
— É tão bom estar de volta — sibilou Bill para o vazio. — Pinetree quase me pegou da última vez, mas ele é tão fácil de manipular. Ele me ama tanto que dói, não é?
Dipper recuou, mas tropeçou em uma lata de tinta velha. O barulho ecoou como um tiro no porão silencioso.
Bill virou-se instantaneamente. O rosto humano derreteu, revelando o olho único no centro de um rosto distorcido.
— De novo, Mason? Sério? — Bill suspirou, descendo ao chão. — Você está começando a ganhar resistência. Isso é... impressionante. E irritante.
— Quantas vezes? — perguntou Dipper, a voz trêmula de fúria e desespero. — Quantas vezes você apagou minha memória, Bill?
— Perdi a conta por volta da décima quinta vez — admitiu Bill, caminhando em direção a ele. — Mas veja pelo lado positivo: cada vez que recomeçamos, eu aprendo o que você gosta mais. Eu estou me tornando o namorado dos seus sonhos, literalmente!
— Você é um monstro! — gritou Dipper, virando-se para correr.
Ele correu pelos corredores da faculdade, mas o espaço estava se dobrando. As escadas levavam ao teto, as portas se abriam para o vácuo do espaço. Bill não estava correndo; ele estava em todos os lugares ao mesmo tempo.
— Não há para onde ir, Pinetree! — a voz de Bill vinha das paredes. — Eu sou o dono deste jogo! Eu sou o mestre do tempo e do espaço, e você é meu prêmio!
Dipper conseguiu alcançar a saída principal, mas ao abrir as portas, não encontrou a rua da cidade. Ele encontrou uma sala infinita de espelhos. Em cada espelho, ele via uma versão diferente de seu relacionamento com William.
Em um, eles estavam jantando. Em outro, Bill estava limpando uma lágrima de seu rosto. Em um terceiro, Dipper estava gritando de horror enquanto Bill estalava os dedos.
— Você vê? — Bill apareceu atrás dele, envolvendo os braços em volta da cintura de Dipper. — Nós somos perfeitos juntos. Eu te amo, Dipper. Do meu jeito caótico e distorcido, eu te amo mais do que qualquer humano jamais poderia.
— Isso não é amor — soluçou Dipper, tentando se soltar. — É uma prisão.
— Qual a diferença, se você for feliz nela? — Bill virou Dipper para encará-lo. — Eu posso fazer você esquecer a dor. Posso fazer você esquecer Gravity Falls, a Mabel, os Stan... podemos ser apenas nós dois, para sempre.
— Eu nunca vou parar de lutar — desafiou Dipper, olhando nos olhos do demônio. — Meu cérebro está criando resistência, Bill. Você mesmo disse. Um dia, você não vai conseguir mais apagar. E nesse dia, eu vou encontrar um jeito de te destruir de novo.
O olhar de Bill suavizou-se em uma tristeza psicótica.
— Talvez. Mas até lá, vamos nos divertir.
Mais uma vez, o estalo de dedos. Mais uma vez, o clarão.
***
Dipper acordou em seu apartamento. O cheiro de panquecas vinha da cozinha. Ele se espreguiçou, sentindo-se estranhamente leve, embora uma pontada de dor de cabeça o incomodasse.
— Bom dia, dorminhoco! — chamou William da cozinha.
Dipper levantou-se e foi até ele, abraçando-o por trás.
— Bom dia. Tive um sonho estranho de novo.
William parou de mexer a massa das panquecas por um segundo. Suas mãos tremeram levemente, um detalhe que Dipper não percebeu.
— É mesmo? Sobre o quê?
— Eu não lembro direito... — Dipper franziu a testa. — Tinha muita luz amarela. E eu estava correndo.
— Bem, você está aqui agora — disse William, virando-se e beijando a testa de Dipper, exatamente sobre a marca da Ursa Maior. — E eu nunca vou deixar você ir.
Dipper sorriu, mas por um breve momento, ao olhar para a janela, ele viu seu próprio reflexo. Atrás dele, na sombra projetada por William na parede, não havia um homem, mas a silhueta longa e pontiaguda de um triângulo com um chapéu de coco.
Dipper piscou e a sombra voltou ao normal.
— Will? — chamou Dipper, uma nota de dúvida em sua voz.
— Sim, Pinetree?
— Por que você me chamou de Pinetree? Eu te disse que meu nome é Mason.
William sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos dourados.
— Força do hábito, querido. Apenas força do hábito.
Dipper sentiu um calafrio. Uma imagem mental de uma estátua de pedra no meio da floresta brilhou em sua mente como um relâmpago. Ele apertou os punhos. Algo estava errado. Ele sabia que algo estava errado.
A resistência estava crescendo. O labirinto de vidro estava começando a rachar. E Bill Cipher, observando o brilho de desconfiança nos olhos de seu amado, soube que em breve teria que quebrar a mente de Dipper um pouco mais para mantê-lo ao seu lado.
Era um ciclo eterno de amor e loucura, e Bill não pretendia ser o primeiro a desistir.
— Você está encarando de novo, Pinetree — disse William, fechando o livro que segurava com um estalo seco. O sorriso em seu rosto era largo, quase predatório, mas carregava uma doçura que fazia o coração de Dipper acelerar.
— Eu só estava... pensando no projeto — mentiu Dipper, sentindo o rosto esquentar. — E não me chame assim, você sabe que meu nome é Mason.
— Mas "Pinetree" combina muito mais com você — insistiu William, inclinando-se sobre a mesa. — É rústico, misterioso. Como se você escondesse segredos que nem mesmo sabe que possui.
Dipper riu, uma risada nervosa. Ele amava William. Amava o jeito que ele parecia saber exatamente o que ele estava pensando, a forma como ele aparecera em sua vida no momento em que ele mais se sentia sozinho na cidade grande, longe de Mabel e de Stan. William era perfeito. Perfeito demais.
— Às vezes eu sinto que te conheço de algum lugar — murmurou Dipper, a mão subindo inconscientemente para a marca de nascença na testa, escondida sob o cabelo. — Como se estivéssemos repetindo uma conversa que já tivemos mil vezes.
O sorriso de William vacilou por um milésimo de segundo, uma sombra cruzando aqueles olhos dourados antes de ele recuperar a compostura.
— Deve ser o destino, querido. Ou talvez apenas um déjà vu.
Naquela noite, o sonho começou de forma diferente. Dipper não estava na biblioteca, mas em uma floresta cinzenta e bidimensional. O céu era vermelho como sangue e o chão tremia sob seus pés. Ele viu uma estátua de pedra, uma mão estendida em um acordo eterno, coberta de musgo. E então, o flash de um triângulo amarelo com um único olho, rindo enquanto o mundo queimava.
Dipper acordou gritando, o suor frio ensopando seus lençóis. A porta do quarto se abriu e William entrou, a silhueta emoldurada pela luz do corredor.
— Outro pesadelo? — perguntou William, sentando-se na beira da cama e passando a mão pelos cabelos de Dipper.
— Foi... foi ele, Will. O demônio de Gravity Falls. O Bill. — Dipper tremia violentamente. — Eu vi a estátua. Eu senti o cheiro de queimado. Eu achei que ele tinha ido embora para sempre.
William parou o movimento da mão. O quarto pareceu esfriar dez graus.
— É apenas o estresse da faculdade, Dipper. Esqueça o passado. Esqueça Gravity Falls. Você está seguro comigo.
— Mas e se ele voltou? — Dipper olhou nos olhos de William, buscando conforto, mas encontrou algo diferente. As pupilas de William não eram redondas. Por um breve instante, elas se tornaram fendas verticais, negras e profundas como o abismo.
Dipper recuou, batendo as costas na cabeceira da cama.
— Seus olhos... o que há com seus olhos?
William suspirou, um som que não era humano, mas sim o sibilar de estática de rádio antiga. Ele se levantou, e a realidade ao redor deles começou a se desintegrar. As paredes do dormitório derreteram em chamas azuis, e o teto desapareceu, revelando um cosmos caótico de engrenagens e olhos flutuantes.
— Ah, Pinetree... você sempre foi inteligente demais para o seu próprio bem — disse William, ou melhor, Bill. Sua forma humana permaneceu, mas sua aura era uma cacofonia de loucura. — Eu tentei, sabia? Tentei ser o namorado perfeito. Tentei brincar de casinha nesse universo tridimensional patético porque, por algum motivo ridículo, eu não consigo parar de pensar em você.
— Bill? — A voz de Dipper falhou, o horror subindo por sua garganta. — Você... você me enganou. Todo esse tempo... cada beijo, cada conversa... foi você?
— Foi maravilhoso, não foi? — Bill gargalhou, um som que ecoava em dimensões que Dipper nem sabia que existiam. — Eu ia te contar eventualmente. Talvez daqui a oitenta anos, quando você estivesse no seu leito de morte. Mas você insiste em cavar, em lembrar.
Dipper sentiu náuseas. A pessoa que ele amava era o monstro que tentara destruir sua família, o ser que torturara seus tios e quase aniquilara a realidade.
— Eu te odeio — cuspiu Dipper, as lágrimas escorrendo. — Eu tenho nojo de você. Saia da minha frente!
O rosto de Bill escureceu. A adoração maníaca em seus olhos se transformou em algo possessivo e frio.
— Ódio é um sentimento tão forte quanto o amor, Pinetree. Mas infelizmente para você, eu não aceito rejeição. Vamos tentar de novo, certo?
Bill estalou os dedos. Um clarão de luz amarela cegou Dipper.
— Durma, meu pequeno pinheiro. Quando acordar, seremos apenas nós dois na biblioteca, e você vai me contar como seu dia foi incrível.
***
Dipper Pines acordou com o som de pássaros cantando. Ele estava na biblioteca da faculdade. À sua frente, William sorria, segurando dois copos de café.
— Você deu uma cochilada, Pinetree — disse William suavemente. — Estava estudando demais?
Dipper piscou, sentindo uma dor de cabeça latejante atrás dos olhos. Havia uma sensação estranha de vazio em seu peito, como se ele tivesse perdido algo importante, mas não conseguia lembrar o quê.
— Acho que sim — respondeu Dipper, massageando as têmporas. — Tive um sonho estranho. Algo sobre... triângulos?
William riu, um som melodioso.
— Geometria é um pesadelo para qualquer um. Beba seu café.
O ciclo continuou. Semanas se passavam, meses de um romance idílico e intenso. Bill era o parceiro perfeito: atento, brilhante e protetor. Mas a mente de Dipper Pines era uma fortaleza construída durante um verão de mistérios. Pequenas rachaduras começaram a aparecer no feitiço de Bill.
Um reflexo no espelho que não batia com os movimentos de William. Uma frase dita em latim invertido durante o sono. O cheiro de ozônio e caramelo queimado que parecia seguir o namorado.
Desta vez, Dipper não confrontou William no quarto. Ele esperou. Ele fingiu dormir enquanto William saía da cama nas primeiras horas da manhã. Ele o seguiu até o porão abandonado do prédio de ciências.
Lá, Dipper viu a verdade sem filtros. William estava flutuando no centro de um círculo rúnico, sua pele brilhando em um tom dourado metálico. Ele estava torturando uma criatura das sombras, rindo enquanto a desintegrava com raios de energia azul.
— É tão bom estar de volta — sibilou Bill para o vazio. — Pinetree quase me pegou da última vez, mas ele é tão fácil de manipular. Ele me ama tanto que dói, não é?
Dipper recuou, mas tropeçou em uma lata de tinta velha. O barulho ecoou como um tiro no porão silencioso.
Bill virou-se instantaneamente. O rosto humano derreteu, revelando o olho único no centro de um rosto distorcido.
— De novo, Mason? Sério? — Bill suspirou, descendo ao chão. — Você está começando a ganhar resistência. Isso é... impressionante. E irritante.
— Quantas vezes? — perguntou Dipper, a voz trêmula de fúria e desespero. — Quantas vezes você apagou minha memória, Bill?
— Perdi a conta por volta da décima quinta vez — admitiu Bill, caminhando em direção a ele. — Mas veja pelo lado positivo: cada vez que recomeçamos, eu aprendo o que você gosta mais. Eu estou me tornando o namorado dos seus sonhos, literalmente!
— Você é um monstro! — gritou Dipper, virando-se para correr.
Ele correu pelos corredores da faculdade, mas o espaço estava se dobrando. As escadas levavam ao teto, as portas se abriam para o vácuo do espaço. Bill não estava correndo; ele estava em todos os lugares ao mesmo tempo.
— Não há para onde ir, Pinetree! — a voz de Bill vinha das paredes. — Eu sou o dono deste jogo! Eu sou o mestre do tempo e do espaço, e você é meu prêmio!
Dipper conseguiu alcançar a saída principal, mas ao abrir as portas, não encontrou a rua da cidade. Ele encontrou uma sala infinita de espelhos. Em cada espelho, ele via uma versão diferente de seu relacionamento com William.
Em um, eles estavam jantando. Em outro, Bill estava limpando uma lágrima de seu rosto. Em um terceiro, Dipper estava gritando de horror enquanto Bill estalava os dedos.
— Você vê? — Bill apareceu atrás dele, envolvendo os braços em volta da cintura de Dipper. — Nós somos perfeitos juntos. Eu te amo, Dipper. Do meu jeito caótico e distorcido, eu te amo mais do que qualquer humano jamais poderia.
— Isso não é amor — soluçou Dipper, tentando se soltar. — É uma prisão.
— Qual a diferença, se você for feliz nela? — Bill virou Dipper para encará-lo. — Eu posso fazer você esquecer a dor. Posso fazer você esquecer Gravity Falls, a Mabel, os Stan... podemos ser apenas nós dois, para sempre.
— Eu nunca vou parar de lutar — desafiou Dipper, olhando nos olhos do demônio. — Meu cérebro está criando resistência, Bill. Você mesmo disse. Um dia, você não vai conseguir mais apagar. E nesse dia, eu vou encontrar um jeito de te destruir de novo.
O olhar de Bill suavizou-se em uma tristeza psicótica.
— Talvez. Mas até lá, vamos nos divertir.
Mais uma vez, o estalo de dedos. Mais uma vez, o clarão.
***
Dipper acordou em seu apartamento. O cheiro de panquecas vinha da cozinha. Ele se espreguiçou, sentindo-se estranhamente leve, embora uma pontada de dor de cabeça o incomodasse.
— Bom dia, dorminhoco! — chamou William da cozinha.
Dipper levantou-se e foi até ele, abraçando-o por trás.
— Bom dia. Tive um sonho estranho de novo.
William parou de mexer a massa das panquecas por um segundo. Suas mãos tremeram levemente, um detalhe que Dipper não percebeu.
— É mesmo? Sobre o quê?
— Eu não lembro direito... — Dipper franziu a testa. — Tinha muita luz amarela. E eu estava correndo.
— Bem, você está aqui agora — disse William, virando-se e beijando a testa de Dipper, exatamente sobre a marca da Ursa Maior. — E eu nunca vou deixar você ir.
Dipper sorriu, mas por um breve momento, ao olhar para a janela, ele viu seu próprio reflexo. Atrás dele, na sombra projetada por William na parede, não havia um homem, mas a silhueta longa e pontiaguda de um triângulo com um chapéu de coco.
Dipper piscou e a sombra voltou ao normal.
— Will? — chamou Dipper, uma nota de dúvida em sua voz.
— Sim, Pinetree?
— Por que você me chamou de Pinetree? Eu te disse que meu nome é Mason.
William sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos dourados.
— Força do hábito, querido. Apenas força do hábito.
Dipper sentiu um calafrio. Uma imagem mental de uma estátua de pedra no meio da floresta brilhou em sua mente como um relâmpago. Ele apertou os punhos. Algo estava errado. Ele sabia que algo estava errado.
A resistência estava crescendo. O labirinto de vidro estava começando a rachar. E Bill Cipher, observando o brilho de desconfiança nos olhos de seu amado, soube que em breve teria que quebrar a mente de Dipper um pouco mais para mantê-lo ao seu lado.
Era um ciclo eterno de amor e loucura, e Bill não pretendia ser o primeiro a desistir.
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