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Cãozinho mandado

Фандом: EngLot

Создан: 29.04.2026

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РомантикаКриминалФлаффHurt/ComfortЗанавесочная историяCharacter studyНуарAUЭкшнНарочитая жестокостьРевностьДарк
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O Silêncio das Luvas e o Som do Coração

O escritório de Engfa Waraha era um santuário de ordem e sombras. As paredes eram revestidas de madeira escura, e a única iluminação provinha de uma luminária de mesa de design minimalista, que projetava uma luz fria sobre os relatórios espalhados à sua frente. Com 1,78m de altura e uma postura que exalava uma autoridade gélida, Engfa ajustou os óculos de grau no rosto, os olhos castanhos focados nos detalhes de seu próximo "contrato".

A cicatriz fina em sua bochecha direita, lembrança de um encontro desagradável em Berlim anos atrás, parecia pulsar levemente sob a luz artificial. Suas mãos, sempre cobertas por luvas de couro negro feitas sob medida, moviam-se com uma precisão cirúrgica. Ninguém no mundo do crime organizado ousava questionar a eficácia de Engfa. Ela era o espectro que não deixava rastros, a lâmina que cortava antes que a vítima pudesse sentir o aço.

Entretanto, o silêncio absoluto do escritório foi interrompido por um som que não pertencia àquele ambiente de morte e estratégia: o som de passos leves e saltitantes, seguidos pelo tilintar de um chaveiro de coelhinho.

A expressão de Engfa mudou instantaneamente. A frieza que congelava a espinha de seus inimigos derreteu-se em uma suavidade quase vulnerável. Ela fechou a pasta de arquivos confidenciais com um movimento rápido e empurrou-a para baixo de um monte de papéis inofensivos.

— P'Fa! — A voz doce e vibrante ecoou quando a porta se abriu sem bater.

Charlotte Austin entrou na sala como um raio de sol invadindo uma cripta. Aos 22 anos, com seus cabelos castanho-claros caindo em ondas perfeitas sobre os ombros e um vestido leve que contrastava com a sobriedade do lugar, ela era a antítese de tudo o que Engfa representava.

— Você está atrasada três minutos para o nosso jantar — disse Charlotte, cruzando os braços e fazendo um biquinho que Engfa considerava a coisa mais perigosa do mundo.

Engfa levantou-se imediatamente, a cadeira deslizando silenciosamente sobre o tapete caro. Ela contornou a mesa, ignorando o fato de que estava no meio do planejamento de uma operação de alto risco.

— Peço desculpas, meu amor — disse Engfa, sua voz, antes um sussurro gélido, agora era profunda e aveludada. — O trabalho exigiu um pouco mais de atenção do que eu previ.

Charlotte caminhou até ela, reduzindo a distância entre os dez centímetros de altura que as separavam. Ela olhou para os óculos de Engfa e, com um sorriso travesso, esticou a mão para ajeitá-los.

— O trabalho sempre exige muito de você. Mas eu exijo mais — declarou a mais nova, com a confiança de quem sabia que governava o coração da mulher mais temida da cidade. — Tire isso.

— O quê? Os óculos? — perguntou Engfa, confusa.

— As luvas, Fa. Eu quero sentir suas mãos — ordenou Charlotte, em um tom que não admitia discussões.

Engfa hesitou por uma fração de segundo. Suas mãos eram o mapa de sua vida violenta; os cortes, as calosidades e as cicatrizes recentes de treinos com facas eram algo que ela escondia do mundo como uma armadura. Mas para Charlotte, ela não tinha defesas.

Lentamente, Engfa puxou o couro preto, revelando as mãos longas e marcadas por cortes finos e profundos, alguns ainda em processo de cicatrização. Charlotte pegou as mãos de Engfa entre as suas, pequenos dedos delicados traçando as marcas com uma reverência que quase fazia Engfa perder o fôlego.

— Eles estão doendo hoje? — perguntou Charlotte, levando a mão direita de Engfa aos lábios e depositando um beijo terno sobre uma cicatriz fresca no metacarpo.

— Não mais — murmurou Engfa, fechando os olhos, entregue ao toque. — Nunca dói quando você está perto.

— Ótimo — Charlotte sorriu, puxando Engfa pelo colarinho da camisa social. — Agora, você vai desligar esse computador, vai pegar o meu livro de coelhos que deixei na sala e vai ler para mim enquanto eu descanso no seu colo.

Engfa piscou, o cérebro processando a ordem. Ela tinha uma reunião por vídeo com um fornecedor de armas em trinta minutos.

— Mas, Charlotte, eu tenho uma...

— Fa — interrompeu Charlotte, estreitando os olhos de forma adorável, mas firme. — Eu estou mandando.

— Sim, senhora — respondeu Engfa, sem um pingo de protesto, um sorriso genuíno finalmente surgindo em seu rosto.

A assassina metódica, que planejava mortes com a precisão de um relógio suíço, agora caminhava atrás da namorada, carregando a bolsa dela e pronta para cumprir qualquer capricho. Para Engfa, o mundo lá fora podia ser um campo de batalha, mas dentro daquelas paredes, sob o comando de Charlotte Austin, ela era apenas uma mulher profundamente apaixonada, cujo único objetivo era garantir que o sorriso de Charlotte nunca se apagasse.

Enquanto caminhavam para a área de estar da cobertura, Charlotte parou de repente e virou-se.

— E depois do livro, eu quero sorvete de baunilha. Com calda de morango.

— Eu vou buscar agora mesmo — disse Engfa, já pegando as chaves do carro.

— Agora não, boba! — Charlotte riu, puxando-a de volta. — Primeiro o carinho. Depois o sorvete. Você é tão obediente às vezes que chega a ser fofo.

Engfa envolveu a cintura de Charlotte com os braços, puxando-a para perto, sentindo o perfume de flores que sempre emanava da pele da mais nova. Ela encostou a testa na de Charlotte, os óculos quase se chocando.

— Eu faria qualquer coisa por você, Charlotte. Você sabe disso. Eu destruiria o mundo se você pedisse, ou buscaria um pote de sorvete no meio de uma nevasca.

Charlotte sorriu, seus olhos brilhando com uma mistura de carinho e possessividade.

— Eu sei. Por isso eu escolhi você. Agora, vamos. O coelho do livro não vai se salvar sozinho.

Engfa seguiu Charlotte, deixando para trás o sangue e o aço de sua profissão. Naquele momento, ela não era a "Sombra de Bangkok". Ela era apenas Fa, a namorada de Charlotte, pronta para ser o que quer que sua pequena rainha decidisse que ela deveria ser.

Sentadas no sofá de veludo, Charlotte se acomodou entre as pernas de Engfa, encostando as costas no peito largo da mais velha. Engfa abriu o livro ilustrado sobre a vida de coelhos selvagens, um contraste bizarro com os manuais de balística que costumava ler.

— "O coelho saltou sobre a cerca, procurando o trevo mais doce..." — começou Engfa, sua voz grave e calma preenchendo o ambiente.

Charlotte fechou os olhos, saboreando a vibração no peito de Engfa contra suas costas. Ela pegou a mão desprotegida da namorada e começou a brincar com os dedos dela, traçando cada linha, cada corte.

— Fa? — chamou Charlotte baixinho.

— Sim, meu amor?

— Promete que nunca vai deixar ninguém chegar perto de mim? — A pergunta, embora feita em tom de brincadeira, carregava uma ponta de seriedade que Charlotte raramente mostrava.

Engfa parou a leitura. Ela baixou o livro e apertou Charlotte um pouco mais forte, um gesto puramente instintivo de proteção. Seus olhos, por trás das lentes, brilharam com uma intensidade predatória que faria qualquer homem tremer.

— Ninguém, Charlotte. Eu sou a sua barreira contra o mundo. Qualquer um que ousar olhar para você da maneira errada, ou pensar em lhe causar qualquer desconforto... não terá a chance de se arrepender.

Charlotte virou o rosto para cima, encontrando o olhar de Engfa. Ela não sentia medo daquela escuridão; ela se sentia segura nela.

— Eu gosto quando você fica toda protetora — confessou Charlotte, puxando o rosto de Engfa para um beijo rápido e doce. — Mas agora, menos conversa de assassina e mais história de coelho. Continue.

Engfa relaxou os ombros, a tensão assassina dissipando-se instantaneamente sob o comando da namorada.

— Como desejar, pequena. "O trevo era verde e brilhante, e o coelho sabia que aquele seria o melhor banquete de sua vida..."

E assim, a noite prosseguiu. A mulher mais perigosa do país lia contos de fadas para a jovem que detinha o verdadeiro poder naquela casa. Para Engfa, não havia hierarquia maior do que o desejo de Charlotte. Se o mundo a via como um monstro, Charlotte a via como sua salvadora, e Engfa estava mais do que disposta a desempenhar os dois papéis, desde que, no final do dia, pudesse sentir os lábios de Charlotte curando as feridas de suas mãos e de sua alma.

Horas depois, quando Charlotte finalmente pegou no sono no colo de Engfa, a mais velha permaneceu imóvel. Ela não queria acordá-la. Com cuidado, Engfa pegou o celular que vibrava silenciosamente no bolso de sua calça. Uma mensagem de texto de seu contato principal.

"O alvo foi localizado. Instruções?"

Engfa olhou para o rosto calmo de Charlotte, que dormia com a mão entrelaçada na sua, o polegar da jovem descansando sobre uma cicatriz em seu pulso.

Ela digitou a resposta com uma mão só, sem hesitar.

"Cancele tudo por hoje. Tenho assuntos mais importantes. E se alguém ligar de novo nas próximas oito horas, considere-se desempregado. Ou morto."

Ela guardou o celular, ajeitou os óculos e voltou a observar o sono de Charlotte. O trabalho podia esperar. O sorvete de baunilha, no entanto, teria que ser providenciado assim que ela acordasse. Engfa já estava planejando a rota mais rápida para a sorveteria favorita de Charlotte, garantindo que nenhum semáforo ou obstáculo se atrevesse a atrasar o desejo de sua namorada.

Afinal, ser uma assassina metódica era apenas o seu trabalho. Ser o "cãozinho" de Charlotte Austin era a sua verdadeira vocação.
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