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Droga fiore
Фандом: Bts jikook
Создан: 02.05.2026
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РомантикаAUПовседневностьCharacter studyНецензурная лексикаРевностьЗанавесочная история
Resistência em Tons de Rosa
O restaurante estava quase vazio. Duas mesas ocupadas no fundo, uma televisão ligada sem som passando qualquer programa antigo, luz quente refletindo no chão encerado que brilhava sob as luminárias pendentes. O cheiro de caldo de ossos e óleo de gergelim pairava no ar, denso e acolhedor, contrastando com o silêncio que só era quebrado pelo burburinho baixo dos amigos.
Seokjin saía da cozinha com dois pratos apoiados no braço, a expressão concentrada para não derramar nem uma gota de caldo fumegante.
— Quem pediu o ramyeon extra picante? — perguntou ele, parando diante da mesa central.
Choi levantou a mão, um sorriso desafiador no rosto.
— Eu. Se vier fraco eu devolvo.
Seokjin arqueou uma sobrancelha, o olhar afiado como uma faca de chef.
— Você devolve e eu te expulso, e você ainda vai pagar. — Jin respondeu seco, mas deixou o prato na frente dele com precisão cirúrgica. — Não desperdiço pimenta com amadores.
Namjoon estava no caixa, os dedos longos digitando algo no sistema que parecia travado. Ele nem levantou a cabeça quando comentou:
— Já vou avisando que não vou pagar nada hoje. Funcionário não paga.
— Funcionário trabalha — Hoseok retrucou, sentado ao lado de Jungkook, enquanto batucava o ritmo de uma música inexistente no tampo de madeira.
— Eu estou trabalhando. — Namjoon finalmente olhou para cima, ajustando os óculos.
— Ficar bonito no caixa não conta, Joonie — provocou Hoseok, soltando uma risada alta que ecoou pelo salão vazio.
Namjoon apenas ignorou, voltando sua atenção para a tela, embora um leve rubor tenha surgido em suas bochechas.
Jungkook estava jogado na cadeira, as pernas abertas de um jeito desleixado, um copo de vidro na mão direita. Ele girava o gelo devagar, observando os cubos colidirem contra as paredes do copo. Parecia relaxado, a jaqueta de couro preta escorregando pelos ombros, mas o olhar estava perdido no nada, como se sua mente estivesse a quilômetros dali.
Bangchan, sentado à frente dele, mexia no cardápio de plástico laminado, embora já soubesse todos os pratos de cor.
— A gente precisa comprar roupa nova — anunciou Bangchan, fechando o cardápio com um estalo.
— Pra quê? — Choi perguntou com a boca cheia de macarrão, quase engasgando com a ardência da pimenta.
— Próximo rolê. Não dá pra repetir três festas seguidas com o mesmo visual. As fotos no Instagram vão parecer um looping temporal.
Hoseok apontou para Jungkook, que ainda parecia em transe.
— Ele precisa mais. Só usa preto. Se ele entrar em um quarto escuro, a gente perde o garoto.
— Preto é conceito — Jungkook murmurou sem nem levantar a cabeça, a voz grave e arrastada pelo cansaço.
Seokjin voltou da cozinha com mais pratos, depositando-os na mesa com um ruído seco.
— Conceito é pagar a conta. Andem, comam logo antes que eu mude o preço do menu.
O som metálico do sino acima da porta tocou.
Foi automático.
Jungkook, que até então parecia desligado do mundo, virou os olhos na direção da entrada. O movimento foi lento, quase instintivo.
Primeiro entrou um garoto de cabelos loiros, vibrante, animado demais para aquele horário da noite. Ele usava um cropped marrom que deixava a barriga à mostra, revelando uma pele clara e uma cintura marcada que parecia estreita demais para ser real. O calção ia até os joelhos, acompanhado de tênis largos que davam a ele um ar urbano e despojado. Seus passos eram confiantes, e ele falava alto, rindo de algo que ainda estava terminando de contar.
— Fala sério, nem vale a pena gastar minha saliva com isso. Ele achou mesmo que eu ia cair naquela conversa? — O loiro foi direto para o caixa, ignorando as mesas ocupadas.
Namjoon levantou o olhar, um sorriso mais suave aparecendo em seu rosto.
— Boa noite.
O loiro apoiou os cotovelos no balcão, inclinando o corpo para frente com uma familiaridade que fez Jungkook estreitar os olhos.
— Oii Namjoon, pode trazer um Matcha, um croissant de chocolate pra mim e uma água com gás por gentileza?
Antes que a frase terminasse, o sino da porta tocou de novo.
Dessa vez, o tempo pareceu desacelerar para Jungkook.
Cabelo rosado. Não era um rosa chamativo ou berrante, mas um tom pastel, impecável, que parecia brilhar sob a luz quente do restaurante. Os fios eram macios, caindo de forma leve sobre a testa. Ele vestia uma blusa branca sem mangas, de um tecido leve que parecia flutuar ao redor do seu corpo, com recortes estratégicos nas laterais que revelavam lampejos de pele. Calça cargo branca, com bolsos que marcavam as coxas de forma sutil, e botas pretas baixas que batiam no chão com firmeza.
Ele entrou mais quieto que o amigo loiro. Olhos sérios, uma boca cheia e brilhante que parecia permanentemente curvada em um beicinho desinteressado. A postura era reta, elegante.
E quando ele passou para a frente, caminhando em direção ao balcão...
Jungkook engasgou levemente com a bebida. O gelo bateu em seus dentes e ele sentiu o líquido gelado descer pelo caminho errado.
Aquela bunda com certeza tinha um CPF próprio. Era uma presença por si só, moldada perfeitamente pela calça clara.
— Porra... — Jeon murmurou sem perceber, a voz falhando.
Hoseok, que estava atento à reação do amigo, nem olhou para a porta primeiro. Ele apenas acompanhou a direção do olhar de Jungkook.
— Qual? — perguntou Hoseok, divertido.
— O rosa.
Hoseok virou o pescoço devagar, avaliando a cena.
— O loirinho é mó gatinho — comentou ele, lambendo os lábios de leve ao observar o garoto de cropped. — Mas o rosa…
Jungkook não respondeu. Ele não conseguia. Estava ocupado demais observando a dinâmica no caixa. O loiro falava animado com Namjoon, tocando o braço dele ocasionalmente enquanto ria. Era solar, expansivo. Já o rosado ficou um pouco atrás. Ele sorria de leve para as palhaçadas do amigo, mas não falava tanto. Seus olhos percorriam o ambiente com uma calma quase aristocrática. Mãos nos bolsos, ele parecia estar em seu próprio mundo.
Bangchan cutucou Jungkook com o pé por baixo da mesa, tirando-o do transe.
— Você tá encarando demais.
— Não tô. — Jungkook desviou o olhar por meio segundo antes de voltar para o mesmo ponto.
— Tá sim. Tá parecendo um predador que esqueceu como caçar.
— Me mama, cara. — Jeon ignorou a provocação e continuou olhando para o rosado, tentando ouvir discretamente a conversa no balcão.
— O de sempre também? — Namjoon perguntou, olhando para o de cabelo rosa.
O loiro assentiu animado, respondendo antes do amigo.
— E duas porções extras. Ele finge que não tá com fome, mas tá. Eu conheço a peça.
O rosado revirou os olhos de forma discreta, um gesto que Jungkook achou fascinante. A luz do restaurante batia de um jeito diferente nele, fazendo a pele parecer quase translúcida. Quando ele se moveu para o lado, a blusa branca destacou cada linha de seus ombros e braços.
— Caralho… — Jungkook murmurou novamente, a voz quase um suspiro.
Hoseok soltou um riso baixo, balançando a cabeça.
— Você não superou nem a ressaca da última festa e já tá escolhendo o próximo problema. Porque aquele ali, Jungkook… aquele ali tem cara de que destrói vidas e nem pede desculpa.
O rosado finalmente levantou os olhos. Como se sentisse o peso do olhar de Jungkook atravessando o salão, ele girou a cabeça lentamente.
E cruzou o olhar com Jungkook.
O impacto foi imediato. Jeon sentiu um formigamento na nuca. O garoto não desviou na hora. Ele não sorriu, não pareceu tímido, nem irritado. Ele apenas sustentou o olhar. Foram dois segundos que pareceram durar uma eternidade, um desafio silencioso lançado no meio de um restaurante de ramyeon.
Depois, com uma indiferença que doeu mais que um tapa, ele virou de volta para o loiro, como se Jungkook fosse apenas parte da decoração.
Jungkook endireitou a postura na cadeira, o sangue fervendo de uma forma que ele não sentia há muito tempo.
— Eu vou pedir sobremesa.
— Pede um pudim pra mim — Bangchan falou, sem tirar os olhos do celular.
— Eu vou lá no caixa.
Hoseok abriu um sorriso lento, cheio de segundas intenções.
— Claro que vai. Boa sorte, soldado.
Jungkook levantou-se com uma confiança que ele sempre soube usar a seu favor. Andou até o caixa sem pressa. Ombros soltos, passo firme, o copo ainda na mão. Ele não estava correndo atrás; ele estava marcando território. Cada passo deixava a cena mais nítida, e quanto mais perto ele chegava, mais percebia que o garoto era ainda mais bonito de perto.
E sim, a calça cargo era um crime contra a humanidade. "CADÊ O CPF DESSA PORRA?", ele pensou, sentindo a boca secar.
No caixa, os dois garotos esperavam o pedido ser processado. O loiro continuava seu monólogo animado.
— Você tem que parar de falar isso, Min. É sério, as pessoas acreditam!
Min? Então o rosado se chamava Min. Ou era o sobrenome. Jungkook guardou a informação como se fosse ouro.
O rosado virou o rosto de leve, a expressão séria, mas o canto da boca quase entregando um sorriso para a empolgação do amigo.
— Eu só tô dizendo a verdade — respondeu ele. A voz era exatamente como Jungkook imaginou: baixa, controlada, com uma cadência que exigia atenção.
Jungkook chegou ao lado de Namjoon, apoiando o cotovelo no balcão com uma casualidade estudada. Ele se inclinou um pouco, ignorando a presença do loiro por um momento para focar no seu alvo.
Namjoon olhou para ele de canto de olho, já prevendo o desastre.
— O inútil, vai pedir alguma coisa?
Jungkook nem se deu ao trabalho de olhar para o amigo. Manteve os olhos fixos no perfil do rosado, que agora parecia muito interessado em uma mancha invisível no balcão.
— O número do de rosa… você tem? — Jungkook soltou a pergunta com um sorriso discreto, a voz baixa, como se estivesse compartilhando uma piada interna.
Namjoon revirou os olhos com tanta força que Jungkook achou que eles ficariam presos no topo da cabeça.
— Direto você, né? Não. Não tenho.
— Amizade fraca essa, Joonie. Achei que você era o cara dos contatos.
— Cliente — Namjoon respondeu seco, entregando o recibo para o loiro. — Ele é um cliente.
O loiro percebeu o movimento e a tensão súbita. Olhou para Jungkook, os olhos brilhando de curiosidade.
— Vocês se conhecem? — perguntou o loiro, alternando o olhar entre Jungkook e Namjoon.
Namjoon respondeu antes que Jungkook pudesse abrir a boca.
— Infelizmente. É um fardo que carrego.
Jungkook finalmente olhou direto para o rosado. De perto, era uma covardia. Os fios de cabelo pareciam seda, a pele era impecável, e os olhos… os olhos eram atentos, avaliando Jungkook de cima a baixo sem nenhuma pressa, como se estivesse decidindo se ele valia o esforço de uma resposta.
— Boa noite — Jungkook disse, usando seu tom mais charmoso.
O rosado inclinou a cabeça de leve, um movimento quase imperceptível.
— Boa.
Só isso. Sem sorriso largo. Sem simpatia exagerada. Apenas uma palavra que parecia ter sido economizada.
O loiro, sentindo o clima, entrou na conversa para suavizar as arestas.
— A gente sempre vem aqui. A comida do Jin-hyung é a melhor da região.
— Eu sei — respondeu Jungkook, sem tirar os olhos do "Min". — Frequento bastante. Estranho nunca ter visto vocês.
O rosado cruzou os braços sobre o peito. O movimento puxou a blusa branca um pouco mais para cima, expondo a linha da cintura. Jungkook teve que fazer um esforço hercúleo para focar nos olhos dele e não descer o olhar.
— Você trabalha aqui? — o rosado perguntou. A pergunta foi direta, sem rodeios.
— Não. Só atrapalho. É o meu talento natural.
Namjoon confirmou, batendo com a mão no balcão:
— Atrapalha muito. É um profissional na área.
Hoseok, que não aguentava ficar longe de um possível entretenimento, chegou por trás de Jungkook, apoiando-se no ombro dele.
— Boa noite — Hoseok disse, lançando seu melhor sorriso "esperança do grupo" para o loiro.
O loiro, que parecia ser feito de luz solar, sorriu de volta na hora.
— Oi! Eu sou o Jimin. E esse é o Yoongi.
— Prazer, Jimin. Eu sou o Hoseok. E esse espécime aqui é o Jungkook.
Jungkook amaldiçoou Hoseok mentalmente por entregar seu nome tão fácil, mas aproveitou a deixa. Então o loiro era Jimin e o rosado era Yoongi.
— Vocês são amigos? — Jungkook perguntou, voltando sua atenção para Yoongi.
Yoongi nem mudou a expressão. Ele apenas lançou um olhar rápido para Jungkook. Era um olhar frio, avaliativo. Jungkook sustentou a encarada, sentindo um desafio vibrar entre eles.
— Sempre vem aqui? — Jungkook insistiu, sorrindo de canto.
Jimin respondeu antes, saltitando levemente.
— Quase toda semana! A gente mora aqui perto, então virou nosso refúgio.
Yoongi pegou a bebida que Namjoon colocou no balcão. Ele nem olhou para Jungkook enquanto dava o primeiro gole. O silêncio dele era afiado, cortante. Ele parecia não ter o menor interesse em participar daquela dança de paquera.
— E você? — Jungkook arriscou, dando um passo discreto para mais perto dele. — Gosta do quê daqui? Além do silêncio, obviamente.
Yoongi o encarou por dois segundos. O tempo suficiente para Jungkook notar uma pequena pinta perto de sua orelha.
— Da comida. Claramente. — Ele foi seco. Rápido. Eficiente em encerrar o assunto.
Jungkook ficou meio sem reação por um microssegundo, algo raro para ele, mas o sorriso em sua face não vacilou. Ele gostava de um desafio, e Yoongi parecia ser o nível mestre.
Hoseok mordeu o lábio para não rir da cara do amigo. Jimin, percebendo que o amigo estava sendo mais difícil que o normal, deu um cutucão leve no braço de Yoongi.
— Para. Não seja grosso.
Yoongi deu de ombros, a expressão de "não estou nem aí" intacta.
Namjoon colocou a sacola com os croissants e as porções extras no balcão.
— Pedido pronto, meninos.
Jimin pegou a sacola, animado.
— Valeu, Joonie! Até a próxima!
Yoongi já estava virando o corpo para sair, a calça cargo fazendo um som suave de tecido roçando em tecido. Jungkook, sentindo que a oportunidade estava escapando, passou a mão no balcão e se inclinou, bloqueando levemente o caminho de saída de Yoongi.
— Vai embora sem se despedir, Min Yoongi? — Jungkook insistiu, a voz agora um pouco mais grave, mais carregada.
Yoongi parou. Ele não virou o corpo todo, apenas o pescoço, o suficiente para que seus olhos encontrassem os de Jungkook uma última vez naquela noite.
— Não te conheço.
A frase foi dita com uma simplicidade devastadora. Não havia raiva, apenas um fato.
E então ele continuou andando, seguindo Jimin para fora do restaurante.
Hoseok soltou um suspiro baixo, quase um assobio.
— Caralho… essa doeu até em mim.
Jimin abriu a porta, ainda acenando.
— Tchau, gente! Apareçam qualquer dia!
Yoongi saiu logo atrás, a postura reta, a blusa branca sumindo na escuridão da rua. O sino da porta tocou uma última vez, e o som pareceu vibrar no ar vazio que eles deixaram para trás.
Jungkook ficou parado, olhando para a porta de vidro. Ele ainda conseguia ver o rastro do cabelo rosa na sua mente.
Hoseok encostou no seu ombro, apertando de leve.
— Esse aí é dos difíceis, Kook. Nível impossível.
Jungkook não se moveu. Ele sentia o peito diferente. A adrenalina da festa de ontem tinha sido substituída por algo muito mais focado. Ele foi ignorado. Ele, Jeon Jungkook, que raramente ouvia um "não", tinha sido despachado com três palavras.
E por algum motivo… aquilo foi viciante.
Ele sentia uma curiosidade crua. Um interesse que não vinha da facilidade, mas da resistência. Yoongi era como um código que ele não conseguia decifrar de primeira, e Jungkook sempre foi excelente em quebrar sistemas.
Ele virou-se para Namjoon, que ainda o observava com uma mistura de pena e diversão.
— Quem é ele, Namjoon? De verdade.
Namjoon suspirou, limpando o balcão.
— Amigo de faculdade do Jin. Eles estudaram artes juntos. O Yoongi é produtor musical, ou algo assim. Ele é na dele, Jungkook. Não gosta de jogos.
Seokjin saiu da cozinha, limpando as mãos no avental.
— O que você fez com o meu produtor favorito? — Jin perguntou, estreitando os olhos.
Hoseok cruzou os braços, rindo.
— O Jungkook tentou a sorte. Levou um "não te conheço" na testa.
Jin soltou uma gargalhada alta.
— Bem a cara do Yoongi. Ele não tem paciência para garotos bonitos que acham que o mundo gira em torno deles.
Jungkook ficou alguns segundos em silêncio, processando a informação.
— Eles vêm sempre?
— Às vezes — Namjoon respondeu. — Geralmente tarde, quando querem fugir do barulho.
— Ele é sempre assim? Tão… — Jungkook gesticulou, tentando encontrar a palavra certa.
Namjoon ergueu uma sobrancelha.
— Assim como?
— Seco. Como se eu fosse invisível.
Namjoon soltou um pequeno sorriso, um pouco mais compreensivo agora.
— Ele só não é fácil, Jungkook. O Yoongi vê através das pessoas. Se você quer a atenção dele, vai ter que oferecer mais do que um rostinho bonito e uma jaqueta de couro.
Aquilo ficou martelando na cabeça de Jungkook enquanto ele voltava para a mesa.
"Não é fácil."
Ele apoiou os cotovelos na madeira, olhando para o lugar onde Yoongi estava sentado mentalmente. Repassou cada detalhe. O jeito que ele não virou o corpo todo. A forma como sustentou o olhar. A resposta curta. A ausência total de necessidade de agradar.
Yoongi não tentou impressionar ninguém. Ele simplesmente existiu, e isso foi o suficiente para desestabilizar Jungkook completamente.
Hoseok se inclinou mais perto, observando a expressão do amigo.
— Você gostou do desafio, né?
Jungkook não respondeu de imediato. Ele pegou o copo de gelo, agora derretido, e bebeu o resto da água. O canto da sua boca subiu em um sorriso predatório, mas carregado de um brilho novo.
— Ele nem sabe quem eu sou — Jungkook murmurou para si mesmo.
Ele respirou fundo, sentindo o ar do restaurante agora mais leve. A sensação era clara. Ele estava encantado. Não pelo sorriso que não recebeu, nem pela simpatia que lhe foi negada. Mas exatamente pela ausência de tudo isso.
Yoongi era uma fortaleza de cabelos cor-de-rosa, e Jungkook acabara de declarar guerra aos seus muros.
Ele se recostou na cadeira, sentindo-se mais desperto do que em qualquer momento daquela semana. O tédio tinha desaparecido.
— Ele vai saber — afirmou Jungkook, os olhos fixos na porta como se pudesse ver o futuro escrito no vidro. — Ele com certeza vai saber exatamente quem eu sou.
Seokjin saía da cozinha com dois pratos apoiados no braço, a expressão concentrada para não derramar nem uma gota de caldo fumegante.
— Quem pediu o ramyeon extra picante? — perguntou ele, parando diante da mesa central.
Choi levantou a mão, um sorriso desafiador no rosto.
— Eu. Se vier fraco eu devolvo.
Seokjin arqueou uma sobrancelha, o olhar afiado como uma faca de chef.
— Você devolve e eu te expulso, e você ainda vai pagar. — Jin respondeu seco, mas deixou o prato na frente dele com precisão cirúrgica. — Não desperdiço pimenta com amadores.
Namjoon estava no caixa, os dedos longos digitando algo no sistema que parecia travado. Ele nem levantou a cabeça quando comentou:
— Já vou avisando que não vou pagar nada hoje. Funcionário não paga.
— Funcionário trabalha — Hoseok retrucou, sentado ao lado de Jungkook, enquanto batucava o ritmo de uma música inexistente no tampo de madeira.
— Eu estou trabalhando. — Namjoon finalmente olhou para cima, ajustando os óculos.
— Ficar bonito no caixa não conta, Joonie — provocou Hoseok, soltando uma risada alta que ecoou pelo salão vazio.
Namjoon apenas ignorou, voltando sua atenção para a tela, embora um leve rubor tenha surgido em suas bochechas.
Jungkook estava jogado na cadeira, as pernas abertas de um jeito desleixado, um copo de vidro na mão direita. Ele girava o gelo devagar, observando os cubos colidirem contra as paredes do copo. Parecia relaxado, a jaqueta de couro preta escorregando pelos ombros, mas o olhar estava perdido no nada, como se sua mente estivesse a quilômetros dali.
Bangchan, sentado à frente dele, mexia no cardápio de plástico laminado, embora já soubesse todos os pratos de cor.
— A gente precisa comprar roupa nova — anunciou Bangchan, fechando o cardápio com um estalo.
— Pra quê? — Choi perguntou com a boca cheia de macarrão, quase engasgando com a ardência da pimenta.
— Próximo rolê. Não dá pra repetir três festas seguidas com o mesmo visual. As fotos no Instagram vão parecer um looping temporal.
Hoseok apontou para Jungkook, que ainda parecia em transe.
— Ele precisa mais. Só usa preto. Se ele entrar em um quarto escuro, a gente perde o garoto.
— Preto é conceito — Jungkook murmurou sem nem levantar a cabeça, a voz grave e arrastada pelo cansaço.
Seokjin voltou da cozinha com mais pratos, depositando-os na mesa com um ruído seco.
— Conceito é pagar a conta. Andem, comam logo antes que eu mude o preço do menu.
O som metálico do sino acima da porta tocou.
Foi automático.
Jungkook, que até então parecia desligado do mundo, virou os olhos na direção da entrada. O movimento foi lento, quase instintivo.
Primeiro entrou um garoto de cabelos loiros, vibrante, animado demais para aquele horário da noite. Ele usava um cropped marrom que deixava a barriga à mostra, revelando uma pele clara e uma cintura marcada que parecia estreita demais para ser real. O calção ia até os joelhos, acompanhado de tênis largos que davam a ele um ar urbano e despojado. Seus passos eram confiantes, e ele falava alto, rindo de algo que ainda estava terminando de contar.
— Fala sério, nem vale a pena gastar minha saliva com isso. Ele achou mesmo que eu ia cair naquela conversa? — O loiro foi direto para o caixa, ignorando as mesas ocupadas.
Namjoon levantou o olhar, um sorriso mais suave aparecendo em seu rosto.
— Boa noite.
O loiro apoiou os cotovelos no balcão, inclinando o corpo para frente com uma familiaridade que fez Jungkook estreitar os olhos.
— Oii Namjoon, pode trazer um Matcha, um croissant de chocolate pra mim e uma água com gás por gentileza?
Antes que a frase terminasse, o sino da porta tocou de novo.
Dessa vez, o tempo pareceu desacelerar para Jungkook.
Cabelo rosado. Não era um rosa chamativo ou berrante, mas um tom pastel, impecável, que parecia brilhar sob a luz quente do restaurante. Os fios eram macios, caindo de forma leve sobre a testa. Ele vestia uma blusa branca sem mangas, de um tecido leve que parecia flutuar ao redor do seu corpo, com recortes estratégicos nas laterais que revelavam lampejos de pele. Calça cargo branca, com bolsos que marcavam as coxas de forma sutil, e botas pretas baixas que batiam no chão com firmeza.
Ele entrou mais quieto que o amigo loiro. Olhos sérios, uma boca cheia e brilhante que parecia permanentemente curvada em um beicinho desinteressado. A postura era reta, elegante.
E quando ele passou para a frente, caminhando em direção ao balcão...
Jungkook engasgou levemente com a bebida. O gelo bateu em seus dentes e ele sentiu o líquido gelado descer pelo caminho errado.
Aquela bunda com certeza tinha um CPF próprio. Era uma presença por si só, moldada perfeitamente pela calça clara.
— Porra... — Jeon murmurou sem perceber, a voz falhando.
Hoseok, que estava atento à reação do amigo, nem olhou para a porta primeiro. Ele apenas acompanhou a direção do olhar de Jungkook.
— Qual? — perguntou Hoseok, divertido.
— O rosa.
Hoseok virou o pescoço devagar, avaliando a cena.
— O loirinho é mó gatinho — comentou ele, lambendo os lábios de leve ao observar o garoto de cropped. — Mas o rosa…
Jungkook não respondeu. Ele não conseguia. Estava ocupado demais observando a dinâmica no caixa. O loiro falava animado com Namjoon, tocando o braço dele ocasionalmente enquanto ria. Era solar, expansivo. Já o rosado ficou um pouco atrás. Ele sorria de leve para as palhaçadas do amigo, mas não falava tanto. Seus olhos percorriam o ambiente com uma calma quase aristocrática. Mãos nos bolsos, ele parecia estar em seu próprio mundo.
Bangchan cutucou Jungkook com o pé por baixo da mesa, tirando-o do transe.
— Você tá encarando demais.
— Não tô. — Jungkook desviou o olhar por meio segundo antes de voltar para o mesmo ponto.
— Tá sim. Tá parecendo um predador que esqueceu como caçar.
— Me mama, cara. — Jeon ignorou a provocação e continuou olhando para o rosado, tentando ouvir discretamente a conversa no balcão.
— O de sempre também? — Namjoon perguntou, olhando para o de cabelo rosa.
O loiro assentiu animado, respondendo antes do amigo.
— E duas porções extras. Ele finge que não tá com fome, mas tá. Eu conheço a peça.
O rosado revirou os olhos de forma discreta, um gesto que Jungkook achou fascinante. A luz do restaurante batia de um jeito diferente nele, fazendo a pele parecer quase translúcida. Quando ele se moveu para o lado, a blusa branca destacou cada linha de seus ombros e braços.
— Caralho… — Jungkook murmurou novamente, a voz quase um suspiro.
Hoseok soltou um riso baixo, balançando a cabeça.
— Você não superou nem a ressaca da última festa e já tá escolhendo o próximo problema. Porque aquele ali, Jungkook… aquele ali tem cara de que destrói vidas e nem pede desculpa.
O rosado finalmente levantou os olhos. Como se sentisse o peso do olhar de Jungkook atravessando o salão, ele girou a cabeça lentamente.
E cruzou o olhar com Jungkook.
O impacto foi imediato. Jeon sentiu um formigamento na nuca. O garoto não desviou na hora. Ele não sorriu, não pareceu tímido, nem irritado. Ele apenas sustentou o olhar. Foram dois segundos que pareceram durar uma eternidade, um desafio silencioso lançado no meio de um restaurante de ramyeon.
Depois, com uma indiferença que doeu mais que um tapa, ele virou de volta para o loiro, como se Jungkook fosse apenas parte da decoração.
Jungkook endireitou a postura na cadeira, o sangue fervendo de uma forma que ele não sentia há muito tempo.
— Eu vou pedir sobremesa.
— Pede um pudim pra mim — Bangchan falou, sem tirar os olhos do celular.
— Eu vou lá no caixa.
Hoseok abriu um sorriso lento, cheio de segundas intenções.
— Claro que vai. Boa sorte, soldado.
Jungkook levantou-se com uma confiança que ele sempre soube usar a seu favor. Andou até o caixa sem pressa. Ombros soltos, passo firme, o copo ainda na mão. Ele não estava correndo atrás; ele estava marcando território. Cada passo deixava a cena mais nítida, e quanto mais perto ele chegava, mais percebia que o garoto era ainda mais bonito de perto.
E sim, a calça cargo era um crime contra a humanidade. "CADÊ O CPF DESSA PORRA?", ele pensou, sentindo a boca secar.
No caixa, os dois garotos esperavam o pedido ser processado. O loiro continuava seu monólogo animado.
— Você tem que parar de falar isso, Min. É sério, as pessoas acreditam!
Min? Então o rosado se chamava Min. Ou era o sobrenome. Jungkook guardou a informação como se fosse ouro.
O rosado virou o rosto de leve, a expressão séria, mas o canto da boca quase entregando um sorriso para a empolgação do amigo.
— Eu só tô dizendo a verdade — respondeu ele. A voz era exatamente como Jungkook imaginou: baixa, controlada, com uma cadência que exigia atenção.
Jungkook chegou ao lado de Namjoon, apoiando o cotovelo no balcão com uma casualidade estudada. Ele se inclinou um pouco, ignorando a presença do loiro por um momento para focar no seu alvo.
Namjoon olhou para ele de canto de olho, já prevendo o desastre.
— O inútil, vai pedir alguma coisa?
Jungkook nem se deu ao trabalho de olhar para o amigo. Manteve os olhos fixos no perfil do rosado, que agora parecia muito interessado em uma mancha invisível no balcão.
— O número do de rosa… você tem? — Jungkook soltou a pergunta com um sorriso discreto, a voz baixa, como se estivesse compartilhando uma piada interna.
Namjoon revirou os olhos com tanta força que Jungkook achou que eles ficariam presos no topo da cabeça.
— Direto você, né? Não. Não tenho.
— Amizade fraca essa, Joonie. Achei que você era o cara dos contatos.
— Cliente — Namjoon respondeu seco, entregando o recibo para o loiro. — Ele é um cliente.
O loiro percebeu o movimento e a tensão súbita. Olhou para Jungkook, os olhos brilhando de curiosidade.
— Vocês se conhecem? — perguntou o loiro, alternando o olhar entre Jungkook e Namjoon.
Namjoon respondeu antes que Jungkook pudesse abrir a boca.
— Infelizmente. É um fardo que carrego.
Jungkook finalmente olhou direto para o rosado. De perto, era uma covardia. Os fios de cabelo pareciam seda, a pele era impecável, e os olhos… os olhos eram atentos, avaliando Jungkook de cima a baixo sem nenhuma pressa, como se estivesse decidindo se ele valia o esforço de uma resposta.
— Boa noite — Jungkook disse, usando seu tom mais charmoso.
O rosado inclinou a cabeça de leve, um movimento quase imperceptível.
— Boa.
Só isso. Sem sorriso largo. Sem simpatia exagerada. Apenas uma palavra que parecia ter sido economizada.
O loiro, sentindo o clima, entrou na conversa para suavizar as arestas.
— A gente sempre vem aqui. A comida do Jin-hyung é a melhor da região.
— Eu sei — respondeu Jungkook, sem tirar os olhos do "Min". — Frequento bastante. Estranho nunca ter visto vocês.
O rosado cruzou os braços sobre o peito. O movimento puxou a blusa branca um pouco mais para cima, expondo a linha da cintura. Jungkook teve que fazer um esforço hercúleo para focar nos olhos dele e não descer o olhar.
— Você trabalha aqui? — o rosado perguntou. A pergunta foi direta, sem rodeios.
— Não. Só atrapalho. É o meu talento natural.
Namjoon confirmou, batendo com a mão no balcão:
— Atrapalha muito. É um profissional na área.
Hoseok, que não aguentava ficar longe de um possível entretenimento, chegou por trás de Jungkook, apoiando-se no ombro dele.
— Boa noite — Hoseok disse, lançando seu melhor sorriso "esperança do grupo" para o loiro.
O loiro, que parecia ser feito de luz solar, sorriu de volta na hora.
— Oi! Eu sou o Jimin. E esse é o Yoongi.
— Prazer, Jimin. Eu sou o Hoseok. E esse espécime aqui é o Jungkook.
Jungkook amaldiçoou Hoseok mentalmente por entregar seu nome tão fácil, mas aproveitou a deixa. Então o loiro era Jimin e o rosado era Yoongi.
— Vocês são amigos? — Jungkook perguntou, voltando sua atenção para Yoongi.
Yoongi nem mudou a expressão. Ele apenas lançou um olhar rápido para Jungkook. Era um olhar frio, avaliativo. Jungkook sustentou a encarada, sentindo um desafio vibrar entre eles.
— Sempre vem aqui? — Jungkook insistiu, sorrindo de canto.
Jimin respondeu antes, saltitando levemente.
— Quase toda semana! A gente mora aqui perto, então virou nosso refúgio.
Yoongi pegou a bebida que Namjoon colocou no balcão. Ele nem olhou para Jungkook enquanto dava o primeiro gole. O silêncio dele era afiado, cortante. Ele parecia não ter o menor interesse em participar daquela dança de paquera.
— E você? — Jungkook arriscou, dando um passo discreto para mais perto dele. — Gosta do quê daqui? Além do silêncio, obviamente.
Yoongi o encarou por dois segundos. O tempo suficiente para Jungkook notar uma pequena pinta perto de sua orelha.
— Da comida. Claramente. — Ele foi seco. Rápido. Eficiente em encerrar o assunto.
Jungkook ficou meio sem reação por um microssegundo, algo raro para ele, mas o sorriso em sua face não vacilou. Ele gostava de um desafio, e Yoongi parecia ser o nível mestre.
Hoseok mordeu o lábio para não rir da cara do amigo. Jimin, percebendo que o amigo estava sendo mais difícil que o normal, deu um cutucão leve no braço de Yoongi.
— Para. Não seja grosso.
Yoongi deu de ombros, a expressão de "não estou nem aí" intacta.
Namjoon colocou a sacola com os croissants e as porções extras no balcão.
— Pedido pronto, meninos.
Jimin pegou a sacola, animado.
— Valeu, Joonie! Até a próxima!
Yoongi já estava virando o corpo para sair, a calça cargo fazendo um som suave de tecido roçando em tecido. Jungkook, sentindo que a oportunidade estava escapando, passou a mão no balcão e se inclinou, bloqueando levemente o caminho de saída de Yoongi.
— Vai embora sem se despedir, Min Yoongi? — Jungkook insistiu, a voz agora um pouco mais grave, mais carregada.
Yoongi parou. Ele não virou o corpo todo, apenas o pescoço, o suficiente para que seus olhos encontrassem os de Jungkook uma última vez naquela noite.
— Não te conheço.
A frase foi dita com uma simplicidade devastadora. Não havia raiva, apenas um fato.
E então ele continuou andando, seguindo Jimin para fora do restaurante.
Hoseok soltou um suspiro baixo, quase um assobio.
— Caralho… essa doeu até em mim.
Jimin abriu a porta, ainda acenando.
— Tchau, gente! Apareçam qualquer dia!
Yoongi saiu logo atrás, a postura reta, a blusa branca sumindo na escuridão da rua. O sino da porta tocou uma última vez, e o som pareceu vibrar no ar vazio que eles deixaram para trás.
Jungkook ficou parado, olhando para a porta de vidro. Ele ainda conseguia ver o rastro do cabelo rosa na sua mente.
Hoseok encostou no seu ombro, apertando de leve.
— Esse aí é dos difíceis, Kook. Nível impossível.
Jungkook não se moveu. Ele sentia o peito diferente. A adrenalina da festa de ontem tinha sido substituída por algo muito mais focado. Ele foi ignorado. Ele, Jeon Jungkook, que raramente ouvia um "não", tinha sido despachado com três palavras.
E por algum motivo… aquilo foi viciante.
Ele sentia uma curiosidade crua. Um interesse que não vinha da facilidade, mas da resistência. Yoongi era como um código que ele não conseguia decifrar de primeira, e Jungkook sempre foi excelente em quebrar sistemas.
Ele virou-se para Namjoon, que ainda o observava com uma mistura de pena e diversão.
— Quem é ele, Namjoon? De verdade.
Namjoon suspirou, limpando o balcão.
— Amigo de faculdade do Jin. Eles estudaram artes juntos. O Yoongi é produtor musical, ou algo assim. Ele é na dele, Jungkook. Não gosta de jogos.
Seokjin saiu da cozinha, limpando as mãos no avental.
— O que você fez com o meu produtor favorito? — Jin perguntou, estreitando os olhos.
Hoseok cruzou os braços, rindo.
— O Jungkook tentou a sorte. Levou um "não te conheço" na testa.
Jin soltou uma gargalhada alta.
— Bem a cara do Yoongi. Ele não tem paciência para garotos bonitos que acham que o mundo gira em torno deles.
Jungkook ficou alguns segundos em silêncio, processando a informação.
— Eles vêm sempre?
— Às vezes — Namjoon respondeu. — Geralmente tarde, quando querem fugir do barulho.
— Ele é sempre assim? Tão… — Jungkook gesticulou, tentando encontrar a palavra certa.
Namjoon ergueu uma sobrancelha.
— Assim como?
— Seco. Como se eu fosse invisível.
Namjoon soltou um pequeno sorriso, um pouco mais compreensivo agora.
— Ele só não é fácil, Jungkook. O Yoongi vê através das pessoas. Se você quer a atenção dele, vai ter que oferecer mais do que um rostinho bonito e uma jaqueta de couro.
Aquilo ficou martelando na cabeça de Jungkook enquanto ele voltava para a mesa.
"Não é fácil."
Ele apoiou os cotovelos na madeira, olhando para o lugar onde Yoongi estava sentado mentalmente. Repassou cada detalhe. O jeito que ele não virou o corpo todo. A forma como sustentou o olhar. A resposta curta. A ausência total de necessidade de agradar.
Yoongi não tentou impressionar ninguém. Ele simplesmente existiu, e isso foi o suficiente para desestabilizar Jungkook completamente.
Hoseok se inclinou mais perto, observando a expressão do amigo.
— Você gostou do desafio, né?
Jungkook não respondeu de imediato. Ele pegou o copo de gelo, agora derretido, e bebeu o resto da água. O canto da sua boca subiu em um sorriso predatório, mas carregado de um brilho novo.
— Ele nem sabe quem eu sou — Jungkook murmurou para si mesmo.
Ele respirou fundo, sentindo o ar do restaurante agora mais leve. A sensação era clara. Ele estava encantado. Não pelo sorriso que não recebeu, nem pela simpatia que lhe foi negada. Mas exatamente pela ausência de tudo isso.
Yoongi era uma fortaleza de cabelos cor-de-rosa, e Jungkook acabara de declarar guerra aos seus muros.
Ele se recostou na cadeira, sentindo-se mais desperto do que em qualquer momento daquela semana. O tédio tinha desaparecido.
— Ele vai saber — afirmou Jungkook, os olhos fixos na porta como se pudesse ver o futuro escrito no vidro. — Ele com certeza vai saber exatamente quem eu sou.
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