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Фандом: record of ragnarok
Создан: 05.05.2026
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O Trono que se Torna Berço
Os corredores de mármore negro de Helheim raramente conheciam o som da algazarra. O reino dos mortos era, por definição, um lugar de silêncio solene e sombras alongadas, governado pela mão firme e justa de Hades. No entanto, naquela manhã específica, o eco que ricocheteava nas paredes adornadas com crânios de prata não era o lamento de uma alma perdida, mas sim uma risada aguda e desajeitada que faria os Juízes do Inferno questionarem sua própria sanidade.
— Não, Xiao Huang! Esse não é um lugar para sentar! — A voz de Hades, geralmente carregada de uma autoridade que fazia deuses tremerem, soou curiosamente exasperada, quase suplicante.
O Rei do Submundo estava parado no centro do grande salão, observando o pequeno menino de um ano e oito meses tentar escalar a lateral de sua poltrona de despacho. Xiao Huang, com suas bochechas redondas e olhos brilhantes que pareciam conter toda a curiosidade da humanidade, ignorou solenemente o aviso do pai. Ele soltou um balbucio vitorioso e, com um esforço hercúleo para suas pernas curtas, conseguiu se içar para o estofado de veludo.
— Papa! — exclamou o bebê, batendo as palmas das mãos no assento. — Meu!
Hades suspirou, uma mão cobrindo os olhos enquanto um sorriso involuntário brincava em seus lábios. Ele se aproximou e pegou o filho no colo, sentindo o cheiro de talco e aventura que a criança sempre carregava.
— Tudo o que você vê parece ser seu, não é? — murmurou Hades, ajeitando a túnica de seda do pequeno. — Você realmente puxou ao seu outro pai.
Como se fosse invocado pelo comentário, as portas duplas do salão se escancararam com um estrondo desnecessariamente dramático. Qin Shi Huang entrou no recinto com a graça de um predador e a arrogância de quem possuía o universo inteiro sob seus pés. Ele não caminhava; ele desfilava, sua capa longa arrastando pelo chão de obsidiana enquanto a venda sobre seus olhos — que ele raramente tirava, exceto na privacidade de seus aposentos — parecia focar exatamente onde Hades estava.
— E você está surpreso, Hades? — Qin riu, um som melodioso e cheio de confiança. — Onde quer que eu esteja, é o meu trono. E onde quer que o meu filho esteja, é o reino dele. É a lei natural.
Qin aproximou-se do marido, estendendo os braços. Xiao Huang imediatamente começou a pular no colo de Hades, esticando as mãozinhas para o Primeiro Imperador da China.
— Hao! — gritou o bebê, uma das poucas palavras que Qin insistira em ensinar primeiro. — Hao! Hao!
Qin pegou o menino e o jogou para o alto, pegando-o com uma facilidade que escondia a força imensa que possuía. O bebê gargalhou, um som que parecia iluminar as sombras de Helheim.
— Ele está aprendendo rápido — observou Qin, encostando sua testa na do pequeno. — Logo ele estará dando ordens aos seus espectros, e eles obedecerão com mais medo do que obedecem a você.
— Eu não duvido disso — respondeu Hades, aproximando-se para envolver a cintura de Qin com um braço, um gesto de carinho que poucos deuses teriam o privilégio de presenciar. — Mas, por enquanto, eu ficaria satisfeito se ele parasse de tentar usar o meu bidente como brinquedo de dentição.
Qin soltou uma risada curta, mas seus dedos acariciaram suavemente as costas do bebê. Por trás da fachada de superioridade absoluta e da postura inabalável, Qin sentia tudo. Sua sinestesia toque-espelho, embora controlada agora que era um deus-imperador, ainda o tornava sensível ao estado emocional daqueles ao seu redor. Ele sentia a calma profunda e o amor protetor que emanavam de Hades, e sentia a alegria pura e caótica de Xiao Huang.
Para Qin, que crescera em meio ao desprezo, à dor física compartilhada e ao isolamento de ser um "monstro" antes de se tornar um rei, aquele pequeno núcleo familiar era o seu tesouro mais valioso. Ele protegeria aquela paz com a mesma ferocidade com que unificou a China.
— Ele está com fome — declarou Qin, mudando o tom para algo mais prático, embora ainda mantivesse o ar imperial. — Sinto a inquietação na barriga dele.
— Eu ia pedir para um dos servos preparar algo, mas ele insistiu que queria "o pão do papai" — explicou Hades, revirando os olhos com afeição.
— Ele tem bom gosto — Qin comentou, caminhando em direção à mesa de jantar privativa que ficava nos fundos do salão. — Mas hoje, o Imperador decidirá o cardápio.
Eles se acomodaram, e por alguns momentos, o silêncio retornou, preenchido apenas pelo som de Xiao Huang tentando pronunciar os nomes das frutas sobre a mesa.
— Ma-çã! — disse o bebê, apontando para uma fruta vermelha.
— Quase, pequeno tesouro — corrigiu Qin, cortando um pedaço pequeno. — Diga: Píngguǒ.
— Pin-go! — Xiao Huang repetiu, batendo na mesa.
Hades observava a cena com uma seriedade estratégica, como se estivesse analisando uma batalha, mas seus olhos brilhavam.
— Você o mima demais, Qin. Ele vai crescer achando que os deuses do Olimpo são seus servos pessoais.
— E eles não são? — Qin ergueu uma sobrancelha por baixo da venda, um sorriso desafiador nos lábios. — Se Hermes pode entregar mensagens, ele pode muito bem entregar brinquedos. Ares já serve como um excelente bobo da corte sempre que nos visita.
Hades soltou um suspiro pesado, embora houvesse diversão em seu tom.
— Não deixe Zeus ouvir isso. Ele já está indignado o suficiente porque Xiao Huang puxou a barba dele na última reunião dos deuses.
— Zeus deveria se sentir honrado por mãos tão nobres terem tocado aquela barba maltratada — rebateu Qin, dando o pedaço de maçã ao filho.
O bebê mastigou alegremente, mas logo sua atenção foi desviada. Ele viu uma pequena cicatriz na mão de Qin — uma marca antiga, quase invisível, mas que a criança parecia notar com uma percepção aguçada. Xiao Huang parou de comer e tocou a marca com o dedo gordinho.
— Dói? — perguntou o bebê, a voz subitamente baixa e preocupada.
O corpo de Qin ficou tenso por uma fração de segundo. A sinestesia o fazia sentir o toque suave do filho como uma carícia morna, mas a pergunta trouxe ecos de memórias que ele preferia manter trancadas: o frio das masmorras, os olhares de ódio, a agonia de sentir a dor de um mundo que o rejeitava.
Hades, percebendo a mudança na postura de Qin, colocou a mão sobre a dele. O toque do Rei do Submundo era como uma âncora, firme e inabalável.
— Não dói mais, Xiao Huang — disse Qin, sua voz suavizando-se em uma gentileza que ele raramente mostrava a qualquer outra pessoa. Ele pegou a mão do filho e a beijou. — Porque agora eu tenho você e o seu pai para garantir que nada mais me machuque.
O bebê pareceu satisfeito com a resposta. Ele se inclinou para frente e deu um beijo babado na mão de Qin, exatamente sobre a cicatriz.
— Papa bom — murmurou Xiao Huang, antes de voltar sua atenção para uma uva.
Hades olhou para Qin, seus olhos vermelhos encontrando a venda do marido.
— Você é um homem difícil, Qin Shi Huang — disse Hades em voz baixa. — Mas é um pai admirável.
— Eu sou o Imperador — Qin respondeu, recuperando sua arrogância habitual com um movimento de cabeça. — Ser admirável é o requisito mínimo para a minha existência.
— Claro — concordou Hades, levantando-se e pegando Xiao Huang, que agora começava a bocejar, o cansaço da manhã finalmente o atingindo. — O Imperador agora vai ajudar a colocar o pequeno príncipe para dormir, ou ele está ocupado demais governando o nada?
Qin levantou-se, ajustando sua armadura decorativa e a capa.
— O Imperador decide que a sesta é uma prioridade de estado.
Eles caminharam juntos pelos corredores até os aposentos reais. O contraste entre eles era gritante: Hades, a personificação da nobreza sombria e do dever; Qin, a personificação do orgulho humano e da vontade indomável. No entanto, entre eles, o bebê Xiao Huang era o elo que unia dois mundos que, em teoria, deveriam ser inimigos.
Ao chegarem ao quarto, Hades colocou o menino no berço esculpido em madeira de sândalo. Xiao Huang se aconchegou em seus cobertores de seda, agarrando um pequeno boneco de pano que Brunhilde, surpreendentemente, havia enviado de presente.
— Papa... — sussurrou o bebê, os olhos fechando. — Papa... Ade...
— Estou aqui, pequeno — respondeu Hades, acariciando o cabelo escuro do filho.
— E o outro papa? — Xiao Huang abriu um olho, procurando por Qin.
Qin aproximou-se do berço, inclinando-se sobre a grade. Ele removeu a venda por um momento, revelando os olhos que viam o fluxo do chi, mas que agora só viam o amor mais puro.
— Eu estou aqui, Xiao Huang. Onde mais eu estaria? O Trono não se move sem o seu Rei.
O bebê deu um último sorriso sonolento antes de cair em um sono profundo e tranquilo.
Os dois governantes ficaram ali por um longo tempo, observando o peito da criança subir e descer ritmadamente. Era um momento de paz que desafiava a natureza de ambos. Hades, o deus que lidava com o fim das vidas, e Qin, o homem que buscou a imortalidade. Naquele bebê, eles encontraram um tipo diferente de eternidade.
— Ele disse meu nome — comentou Hades, finalmente, enquanto saíam do quarto nas pontas dos pés. — Ou algo próximo disso. "Ade".
— Não se empolgue — Qin brincou, recolocando a venda e retomando sua postura altiva. — Ele claramente disse "Hao" com muito mais convicção antes.
— Ele disse "Papa Ade" — insistiu o Rei do Submundo, um brilho de triunfo nos olhos. — Aceite a derrota, Imperador.
Qin parou no meio do corredor e virou-se para o marido. Ele cruzou os braços, um sorriso de canto aparecendo em seu rosto.
— Um Imperador nunca aceita a derrota. Mas... — Ele se aproximou, selando os lábios de Hades em um beijo rápido e firme. — Eu posso abrir uma exceção para o meu consorte. Apenas desta vez.
Hades riu, uma risada baixa e rica que ecoou pelas sombras de Helheim.
— Só desta vez?
— Não me force a repetir — disse Qin, já começando a caminhar em direção à varanda que dava para os campos de asfódelos. — Agora, venha. Temos um reino para governar e, aparentemente, um estoque de maçãs para repor antes que o "pequeno imperador" acorde.
Hades seguiu Qin, observando as costas do homem que desafiara os deuses e conquistara o coração do próprio Submundo. O Ragnarok poderia ter sido uma guerra de ódio e sobrevivência, mas ali, no coração das trevas, eles haviam construído algo que nem mesmo o destino poderia destruir.
Pois, para Qin Shi Huang, o trono não era mais um assento de ouro em um palácio distante. Era qualquer lugar onde sua família estivesse. E para Hades, o Submundo não era mais um lugar de solidão e dever, mas um lar que ecoava com a promessa de um amanhã, carregada na voz de um menino que ainda estava aprendendo a dizer "amor".
— Hades? — chamou Qin, sem olhar para trás.
— Sim?
— Ele realmente disse "Ade". Mas amanhã, vou ensiná-lo a dizer "Invencível".
Hades balançou a cabeça, sorrindo para as sombras.
— Boa sorte com isso, Qin. Boa sorte com isso.
— Não, Xiao Huang! Esse não é um lugar para sentar! — A voz de Hades, geralmente carregada de uma autoridade que fazia deuses tremerem, soou curiosamente exasperada, quase suplicante.
O Rei do Submundo estava parado no centro do grande salão, observando o pequeno menino de um ano e oito meses tentar escalar a lateral de sua poltrona de despacho. Xiao Huang, com suas bochechas redondas e olhos brilhantes que pareciam conter toda a curiosidade da humanidade, ignorou solenemente o aviso do pai. Ele soltou um balbucio vitorioso e, com um esforço hercúleo para suas pernas curtas, conseguiu se içar para o estofado de veludo.
— Papa! — exclamou o bebê, batendo as palmas das mãos no assento. — Meu!
Hades suspirou, uma mão cobrindo os olhos enquanto um sorriso involuntário brincava em seus lábios. Ele se aproximou e pegou o filho no colo, sentindo o cheiro de talco e aventura que a criança sempre carregava.
— Tudo o que você vê parece ser seu, não é? — murmurou Hades, ajeitando a túnica de seda do pequeno. — Você realmente puxou ao seu outro pai.
Como se fosse invocado pelo comentário, as portas duplas do salão se escancararam com um estrondo desnecessariamente dramático. Qin Shi Huang entrou no recinto com a graça de um predador e a arrogância de quem possuía o universo inteiro sob seus pés. Ele não caminhava; ele desfilava, sua capa longa arrastando pelo chão de obsidiana enquanto a venda sobre seus olhos — que ele raramente tirava, exceto na privacidade de seus aposentos — parecia focar exatamente onde Hades estava.
— E você está surpreso, Hades? — Qin riu, um som melodioso e cheio de confiança. — Onde quer que eu esteja, é o meu trono. E onde quer que o meu filho esteja, é o reino dele. É a lei natural.
Qin aproximou-se do marido, estendendo os braços. Xiao Huang imediatamente começou a pular no colo de Hades, esticando as mãozinhas para o Primeiro Imperador da China.
— Hao! — gritou o bebê, uma das poucas palavras que Qin insistira em ensinar primeiro. — Hao! Hao!
Qin pegou o menino e o jogou para o alto, pegando-o com uma facilidade que escondia a força imensa que possuía. O bebê gargalhou, um som que parecia iluminar as sombras de Helheim.
— Ele está aprendendo rápido — observou Qin, encostando sua testa na do pequeno. — Logo ele estará dando ordens aos seus espectros, e eles obedecerão com mais medo do que obedecem a você.
— Eu não duvido disso — respondeu Hades, aproximando-se para envolver a cintura de Qin com um braço, um gesto de carinho que poucos deuses teriam o privilégio de presenciar. — Mas, por enquanto, eu ficaria satisfeito se ele parasse de tentar usar o meu bidente como brinquedo de dentição.
Qin soltou uma risada curta, mas seus dedos acariciaram suavemente as costas do bebê. Por trás da fachada de superioridade absoluta e da postura inabalável, Qin sentia tudo. Sua sinestesia toque-espelho, embora controlada agora que era um deus-imperador, ainda o tornava sensível ao estado emocional daqueles ao seu redor. Ele sentia a calma profunda e o amor protetor que emanavam de Hades, e sentia a alegria pura e caótica de Xiao Huang.
Para Qin, que crescera em meio ao desprezo, à dor física compartilhada e ao isolamento de ser um "monstro" antes de se tornar um rei, aquele pequeno núcleo familiar era o seu tesouro mais valioso. Ele protegeria aquela paz com a mesma ferocidade com que unificou a China.
— Ele está com fome — declarou Qin, mudando o tom para algo mais prático, embora ainda mantivesse o ar imperial. — Sinto a inquietação na barriga dele.
— Eu ia pedir para um dos servos preparar algo, mas ele insistiu que queria "o pão do papai" — explicou Hades, revirando os olhos com afeição.
— Ele tem bom gosto — Qin comentou, caminhando em direção à mesa de jantar privativa que ficava nos fundos do salão. — Mas hoje, o Imperador decidirá o cardápio.
Eles se acomodaram, e por alguns momentos, o silêncio retornou, preenchido apenas pelo som de Xiao Huang tentando pronunciar os nomes das frutas sobre a mesa.
— Ma-çã! — disse o bebê, apontando para uma fruta vermelha.
— Quase, pequeno tesouro — corrigiu Qin, cortando um pedaço pequeno. — Diga: Píngguǒ.
— Pin-go! — Xiao Huang repetiu, batendo na mesa.
Hades observava a cena com uma seriedade estratégica, como se estivesse analisando uma batalha, mas seus olhos brilhavam.
— Você o mima demais, Qin. Ele vai crescer achando que os deuses do Olimpo são seus servos pessoais.
— E eles não são? — Qin ergueu uma sobrancelha por baixo da venda, um sorriso desafiador nos lábios. — Se Hermes pode entregar mensagens, ele pode muito bem entregar brinquedos. Ares já serve como um excelente bobo da corte sempre que nos visita.
Hades soltou um suspiro pesado, embora houvesse diversão em seu tom.
— Não deixe Zeus ouvir isso. Ele já está indignado o suficiente porque Xiao Huang puxou a barba dele na última reunião dos deuses.
— Zeus deveria se sentir honrado por mãos tão nobres terem tocado aquela barba maltratada — rebateu Qin, dando o pedaço de maçã ao filho.
O bebê mastigou alegremente, mas logo sua atenção foi desviada. Ele viu uma pequena cicatriz na mão de Qin — uma marca antiga, quase invisível, mas que a criança parecia notar com uma percepção aguçada. Xiao Huang parou de comer e tocou a marca com o dedo gordinho.
— Dói? — perguntou o bebê, a voz subitamente baixa e preocupada.
O corpo de Qin ficou tenso por uma fração de segundo. A sinestesia o fazia sentir o toque suave do filho como uma carícia morna, mas a pergunta trouxe ecos de memórias que ele preferia manter trancadas: o frio das masmorras, os olhares de ódio, a agonia de sentir a dor de um mundo que o rejeitava.
Hades, percebendo a mudança na postura de Qin, colocou a mão sobre a dele. O toque do Rei do Submundo era como uma âncora, firme e inabalável.
— Não dói mais, Xiao Huang — disse Qin, sua voz suavizando-se em uma gentileza que ele raramente mostrava a qualquer outra pessoa. Ele pegou a mão do filho e a beijou. — Porque agora eu tenho você e o seu pai para garantir que nada mais me machuque.
O bebê pareceu satisfeito com a resposta. Ele se inclinou para frente e deu um beijo babado na mão de Qin, exatamente sobre a cicatriz.
— Papa bom — murmurou Xiao Huang, antes de voltar sua atenção para uma uva.
Hades olhou para Qin, seus olhos vermelhos encontrando a venda do marido.
— Você é um homem difícil, Qin Shi Huang — disse Hades em voz baixa. — Mas é um pai admirável.
— Eu sou o Imperador — Qin respondeu, recuperando sua arrogância habitual com um movimento de cabeça. — Ser admirável é o requisito mínimo para a minha existência.
— Claro — concordou Hades, levantando-se e pegando Xiao Huang, que agora começava a bocejar, o cansaço da manhã finalmente o atingindo. — O Imperador agora vai ajudar a colocar o pequeno príncipe para dormir, ou ele está ocupado demais governando o nada?
Qin levantou-se, ajustando sua armadura decorativa e a capa.
— O Imperador decide que a sesta é uma prioridade de estado.
Eles caminharam juntos pelos corredores até os aposentos reais. O contraste entre eles era gritante: Hades, a personificação da nobreza sombria e do dever; Qin, a personificação do orgulho humano e da vontade indomável. No entanto, entre eles, o bebê Xiao Huang era o elo que unia dois mundos que, em teoria, deveriam ser inimigos.
Ao chegarem ao quarto, Hades colocou o menino no berço esculpido em madeira de sândalo. Xiao Huang se aconchegou em seus cobertores de seda, agarrando um pequeno boneco de pano que Brunhilde, surpreendentemente, havia enviado de presente.
— Papa... — sussurrou o bebê, os olhos fechando. — Papa... Ade...
— Estou aqui, pequeno — respondeu Hades, acariciando o cabelo escuro do filho.
— E o outro papa? — Xiao Huang abriu um olho, procurando por Qin.
Qin aproximou-se do berço, inclinando-se sobre a grade. Ele removeu a venda por um momento, revelando os olhos que viam o fluxo do chi, mas que agora só viam o amor mais puro.
— Eu estou aqui, Xiao Huang. Onde mais eu estaria? O Trono não se move sem o seu Rei.
O bebê deu um último sorriso sonolento antes de cair em um sono profundo e tranquilo.
Os dois governantes ficaram ali por um longo tempo, observando o peito da criança subir e descer ritmadamente. Era um momento de paz que desafiava a natureza de ambos. Hades, o deus que lidava com o fim das vidas, e Qin, o homem que buscou a imortalidade. Naquele bebê, eles encontraram um tipo diferente de eternidade.
— Ele disse meu nome — comentou Hades, finalmente, enquanto saíam do quarto nas pontas dos pés. — Ou algo próximo disso. "Ade".
— Não se empolgue — Qin brincou, recolocando a venda e retomando sua postura altiva. — Ele claramente disse "Hao" com muito mais convicção antes.
— Ele disse "Papa Ade" — insistiu o Rei do Submundo, um brilho de triunfo nos olhos. — Aceite a derrota, Imperador.
Qin parou no meio do corredor e virou-se para o marido. Ele cruzou os braços, um sorriso de canto aparecendo em seu rosto.
— Um Imperador nunca aceita a derrota. Mas... — Ele se aproximou, selando os lábios de Hades em um beijo rápido e firme. — Eu posso abrir uma exceção para o meu consorte. Apenas desta vez.
Hades riu, uma risada baixa e rica que ecoou pelas sombras de Helheim.
— Só desta vez?
— Não me force a repetir — disse Qin, já começando a caminhar em direção à varanda que dava para os campos de asfódelos. — Agora, venha. Temos um reino para governar e, aparentemente, um estoque de maçãs para repor antes que o "pequeno imperador" acorde.
Hades seguiu Qin, observando as costas do homem que desafiara os deuses e conquistara o coração do próprio Submundo. O Ragnarok poderia ter sido uma guerra de ódio e sobrevivência, mas ali, no coração das trevas, eles haviam construído algo que nem mesmo o destino poderia destruir.
Pois, para Qin Shi Huang, o trono não era mais um assento de ouro em um palácio distante. Era qualquer lugar onde sua família estivesse. E para Hades, o Submundo não era mais um lugar de solidão e dever, mas um lar que ecoava com a promessa de um amanhã, carregada na voz de um menino que ainda estava aprendendo a dizer "amor".
— Hades? — chamou Qin, sem olhar para trás.
— Sim?
— Ele realmente disse "Ade". Mas amanhã, vou ensiná-lo a dizer "Invencível".
Hades balançou a cabeça, sorrindo para as sombras.
— Boa sorte com isso, Qin. Boa sorte com isso.
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