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Entre o terror e o horror

Фандом: Invocação do mal,annabelle,a freira,atividade paranormal

Создан: 06.05.2026

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O Corredor dos Sussurros Esquecidos

A luz do entardecer filtrava-se pelas janelas altas da Escola Estadual Santo Amaro, tingindo os corredores de um laranja doentio que parecia sangrar sobre o piso de linóleo. Leah ajustou a alça da mochila, revirando os olhos para a discussão fútil que acontecia à sua frente.

— Eu já disse, Lukas, meu celular descarregou! — exclamou Leah, soltando uma risada sarcástica que ecoou pelo corredor vazio. — Você não precisa surtar porque eu não respondi sua mensagem de cinco minutos atrás.

Lukas parou de andar, segurando o braço de Leah com uma força um pouco acima do necessário. Seus olhos escuros faiscavam de uma possessividade que Leah costumava achar charmosa, mas que agora só parecia sufocante.

— Eu vi você rindo com o Gabriel no intervalo, Leah. Não me faça de idiota — rosnou Lukas, a voz baixa e perigosa.

— Solta ela, Lukas — a voz de Gabriel veio de trás deles. Ele caminhava com as mãos nos bolsos, o olhar fixo no namorado da melhor amiga. — A gente estava terminando o trabalho de história. Nem todo mundo vive em função das suas paranoias.

Lukas soltou o braço de Leah, dando um passo em direção a Gabriel, mas foi interrompido pelo som estridente de um salto alto batendo contra o chão. Gaby aproximava-se, retocando o batom cereja enquanto Daniel a seguia como um cachorrinho fiel, carregando a bolsa de grife dela.

— Ai, gente, sério? — Gaby fez um biquinho, ajeitando uma mecha do cabelo loiro platinado. — Parem de brigar. O zelador já trancou o portão principal e a gente ainda não achou a saída lateral. Esse lugar é um mofo só, está acabando com o meu brilho.

— Eu odeio esse lugar — resmungou Daniel, olhando nervoso para as sombras que se alongavam nos cantos. — Por que as luzes estão apagadas? O treino de vôlei nem acabou direito.

— Porque a escola está vazia, gênio — Leah provocou, tentando aliviar a tensão. — Somos só nós, a poeira e o ego inflado do Lukas.

De repente, um estrondo metálico ecoou vindo do final do corredor. O som de armários batendo, um por um, em uma sequência frenética.

— Que porra foi essa? — Lukas perguntou, o ciúme sendo substituído por um instinto de alerta.

— Deve ser o vento — disse Gaby, embora sua voz tivesse subido uma oitava. — Daniel, faz alguma coisa!

— Eu? Eu quero ir embora! — Daniel exclamou, os olhos arregalados. — Eu disse que não devíamos ter ficado para a reunião do grêmio. Filmes de terror começam exatamente assim.

— Deixa de ser covarde, Daniel — Gabriel disse, dando um passo à frente. — Vamos ver o que é.

Eles caminharam cautelosamente. O ar, antes quente e abafado, tornou-se subitamente gélido. Leah sentiu os pelos do braço se arrepiarem. Quando chegaram ao bloco C, pararam subitamente. No meio do corredor, uma cadeira de madeira da sala de artes estava virada de costas para eles.

Sentada na cadeira, estava uma boneca de porcelana, com tranças ruivas e um vestido branco encardido.

— Mas que diabos... — Leah murmurou, franzindo o cenho. — Isso é uma Annabelle de camelô?

— Não toca nisso! — Daniel gritou, puxando Gaby para trás de si. — É idêntica à do filme, Leah!

— Alguém está pregando uma peça na gente — Lukas declarou, embora sua mão estivesse tremendo levemente. — Gabriel, foi você? Tentando assustar a Leah para ela correr para os seus braços?

— Cresça, Lukas — Gabriel rebateu, mas seus olhos não saíam da boneca. — Eu nem sabia que essa coisa estava aqui.

Enquanto discutiam, a luz do teto começou a piscar violentamente. O som de uma respiração pesada e gutural preencheu o espaço, vindo de todos os lados e de lugar nenhum ao mesmo tempo.

— Olhem... — Gaby apontou para a parede, sua voz falhando.

Nas sombras projetadas pelas luzes piscantes, a silhueta de uma mulher alta, vestindo um hábito de freira, parecia se destacar da escuridão. Seus olhos eram dois pontos amarelos brilhantes, fixos no grupo.

— Isso não é uma brincadeira — Leah sussurrou, a inteligência e o sarcasmo dando lugar ao puro instinto de sobrevivência. — Corram!

Eles dispararam pelo corredor, mas as portas das salas de aula começaram a bater simultaneamente, como se mãos invisíveis as açoitassem. O som era ensurdecedor, um bombardeio de madeira contra metal.

— Por aqui! — Lukas gritou, puxando Leah em direção às escadas.

Ao chegarem ao segundo andar, Daniel tropeçou e caiu. Quando Gaby se virou para ajudá-lo, ela soltou um grito que gelou o sangue de todos.

— Daniel! Os seus pés!

Do chão, mãos pálidas e translúcidas emergiam do próprio piso, agarrando os tornozelos de Daniel. Ele tentava se desvencilhar, chutando o ar freneticamente.

— Me tira daqui! Me tira daqui! — ele berrava, as lágrimas escorrendo pelo rosto.

Gabriel correu de volta, agarrando Daniel pelos ombros e puxando-o com toda a força. Com um estalo seco, as mãos fantasmagóricas soltaram o rapaz, mas deixaram marcas roxas profundas em sua pele.

— Precisamos sair desta escola agora! — Gabriel gritou.

Eles se refugiaram na biblioteca, batendo as portas duplas e trancando-as com um pedaço de madeira que Lukas arrancou de uma mesa. O silêncio que se seguiu era quase pior que o barulho.

— O que está acontecendo? — Gaby choramingava, sentada no chão, abraçando os próprios joelhos. — Isso é impossível. Fantasmas não existem.

— Diga isso para as marcas no tornozelo do Daniel — Leah disse, embora estivesse tão pálida quanto a amiga. — Aquela coisa... aquela freira. Eu senti uma maldade que não é humana.

Lukas caminhava de um lado para o outro, socando a palma da mão.

— Se eu descobrir quem está fazendo isso...

— Ninguém está fazendo isso, Lukas! — Leah explodiu. — Para de tentar ser o machão e entenda que estamos em perigo!

— Eu estou tentando proteger você! — Lukas gritou de volta, aproximando-se dela. — Mas você prefere ficar grudada nesse idiota do Gabriel!

— Agora não é hora para o seu ciúme doentio! — Gabriel interveio, colocando-se entre os dois.

Antes que Lukas pudesse responder, os livros nas estantes começaram a voar. Não apenas caíam, mas eram arremessados com força letal em direção a eles.

— Cuidado! — Daniel puxou Gaby para baixo de uma mesa de carvalho.

Leah sentiu um livro raspar sua orelha. Ela olhou para o fundo da biblioteca e viu uma câmera de vídeo antiga, montada em um tripé que não estava lá segundos antes. A luz vermelha de "REC" brilhava intensamente.

— Uma câmera de Atividade Paranormal? — Leah murmurou, incrédula.

— Leah, sai daí! — Gabriel gritou.

Uma força invisível agarrou Leah pela cintura e a içou no ar. Ela gritou, esperneando, enquanto era arrastada em direção ao teto.

— Leah! — Lukas e Gabriel gritaram em uníssono.

Lukas pulou, tentando segurar as pernas dela, mas foi repelido por uma onda de choque invisível que o jogou contra uma estante. Gabriel, agindo por puro reflexo, pegou um crucifixo de metal que decorava a parede da biblioteca — uma relíquia da fundação católica da escola — e o ergueu.

— Solta ela! — Gabriel bradou, embora não soubesse exatamente o que estava fazendo.

A entidade soltou Leah, que caiu nos braços de Gabriel. Lukas, levantando-se com dificuldade, olhou para a cena com um ódio que transcendia o medo do sobrenatural.

— Solta a minha namorada — Lukas rosnou, avançando para cima de Gabriel mesmo com o ambiente desmoronando ao redor deles.

— Lukas, para! — Leah gritou, mas era tarde demais.

Lukas empurrou Gabriel, e os dois começaram a lutar no chão, entre livros voadores e sombras que se contorciam.

— Vocês são idiotas? — Gaby gritou debaixo da mesa. — A gente vai morrer e vocês estão brigando por causa de namoro?

Nesse momento, o rádio da biblioteca ligou sozinho. Uma música distorcida e antiga começou a tocar, e a temperatura caiu tanto que a respiração de todos tornou-se visível. No centro da sala, a boneca apareceu novamente, desta vez flutuando a poucos centímetros do chão. Atrás dela, a Freira surgiu, estendendo uma mão esquelética.

— Ela quer a gente — Daniel soluçou. — Ela quer as nossas almas.

As luzes se apagaram completamente. O único brilho vinha dos olhos amarelos da entidade.

— Precisamos rezar ou algo assim! — Gaby gritou, o desespero quebrando sua fachada de patricinha.

— Leah, o que a gente faz? Você é a esperta! — Lukas implorou, o medo finalmente quebrando sua arrogância.

Leah olhou ao redor, o cérebro trabalhando a mil por hora. Ela viu o crucifixo que Gabriel tinha deixado cair.

— O porão! — Leah disse. — O zelador disse que o quadro de força principal fica lá. Se conseguirmos ligar os geradores de emergência, talvez a luz forte afaste essas coisas.

— Ou nos deixe mais visíveis — Daniel retrucou, mas não tinha outra opção.

Eles correram como nunca haviam corrido na vida. O corredor parecia se esticar, as paredes se fechando como se a escola fosse um organismo vivo tentando digeri-los. Eles chegaram à porta do porão, e Lukas a arrombou com um ombro só.

Lá embaixo, o cheiro de mofo e óleo era sufocante.

— Daniel, me ajuda com a alavanca! — Lukas comandou.

Os dois homens se esforçaram para puxar a alavanca enferrujada enquanto Leah, Gabriel e Gaby vigiavam a escada. A Freira apareceu no topo, descendo os degraus sem tocar neles, flutuando como um pesadelo vivo.

— Rápido! — Leah gritou.

Com um estalo metálico e um clarão de faíscas, a alavanca cedeu. As luzes do porão e de todo o prédio acenderam-se com uma intensidade ofuscante. A Freira soltou um grito desumano, um som que parecia vidro quebrando, e dissolveu-se em fumaça negra. A boneca, que estava no meio do caminho, caiu inerte no chão, tornando-se apenas um brinquedo velho novamente.

O silêncio retornou, mas desta vez era o silêncio da exaustão.

Lukas respirava pesadamente, encostado no gerador. Ele olhou para Leah, depois para Gabriel.

— Leah... eu... — Lukas começou, tentando recuperar sua postura.

— Não, Lukas — Leah o interrompeu, a voz firme. — Acabou. O seu ciúme quase matou a gente lá em cima. Eu não sou sua propriedade.

Lukas abriu a boca para protestar, mas o olhar de desprezo de Gaby e a postura defensiva de Gabriel o fizeram calar-se.

— Vamos sair daqui — disse Daniel, a voz ainda tremendo. — Eu nunca mais quero ver uma escola na minha vida.

Eles caminharam em direção à saída, a luz do dia começando a surgir no horizonte. Mas, enquanto cruzavam o portão principal, Leah olhou para trás uma última vez.

Na janela do segundo andar, a cortina da biblioteca se mexeu. E, por um breve segundo, ela viu o brilho amarelo nos olhos da escuridão, observando-os partir. A atividade paranormal na Santo Amaro estava longe de terminar; eles apenas tinham sobrevivido à primeira aula.
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