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Hilda furacão
Фандом: Hilda furacão
Создан: 07.05.2026
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O Manifesto do Coração e a Invasão do Furacão
Belo Horizonte, em meados dos anos 50, era uma cidade que fingia dormir sob o manto da moralidade mineira, enquanto as luzes da zona boêmia piscavam como olhos conspiradores. Roberto Drummond, com seus óculos impecáveis e os cabelos castanhos devidamente domados pelo fixador, observava a movimentação do Café Nice. Para ele, a capital mineira não era apenas um conjunto de ruas planejadas, mas um tabuleiro de lendas urbanas e hipocrisias perfumadas.
Ele buscava o furo do século. Queria desvendar Hilda Furacão, a mulher que abandonara o véu de noiva e a elite para reinar no Maravilhoso Hotel. Mas o destino, esse editor-chefe caprichoso e irônico, tinha outros planos para a pauta de Roberto.
— O senhor é o jornalista que quer dissecar a vida alheia ou apenas um curioso com excesso de tempo livre? — A voz veio de trás dele, carregada de uma doçura que contrastava com a acidez da pergunta.
Roberto virou-se e sentiu, por um breve segundo, que o mundo ao redor — os políticos cochichando, os engraxates e o cheiro de café torrado — havia silenciado. À sua frente estava Eva. Ela tinha cabelos escuros que terminavam em cachos perfeitos nas pontas, olhos azuis que pareciam guardar segredos de outros carnavais e sardas delicadas que pontilhavam o nariz.
— Sou Roberto Drummond, ao seu dispor — respondeu ele, recuperando o cinismo habitual, embora seu coração tivesse dado um salto digno de um equilibrista de circo. — E não quero dissecar, quero compreender o fenômeno. Hilda é a personificação da quebra de paradigma desta cidade conservadora.
Eva sentou-se à frente dele, com um sorriso enigmático.
— Hilda é minha melhor amiga, Roberto. Se quer saber dela, terá que passar por mim. E aviso logo: eu sou muito mais difícil de ler do que uma manchete de jornal.
O que começou como uma entrevista protocolar transformou-se em um jogo de xadrez de sedução e intelecto. Roberto, o crítico ferrenho da sociedade, encontrou em Eva uma igual. Ela não sabia muito sobre sua origem, tendo crescido sob a proteção de Hilda, mas compartilhava com Roberto algo perigoso para a época: o sonho de um mundo pintado de vermelho, onde a igualdade não fosse apenas uma utopia de rodapé.
Semanas depois, o pretexto de "saber mais sobre Hilda" já estava desgastado como um sapato de boêmio. Roberto agora frequentava reuniões clandestinas em porões enfumaçados, onde jovens intelectuais discutiam Marx e o futuro do Brasil entre goles de cachaça e café frio. Foi em uma dessas noites que ele a viu: Eva, discursando com uma paixão que faria qualquer revolucionário se ajoelhar.
— Você não engana ninguém, Drummond — disse ela, dias depois, enquanto caminhavam pela Praça da Liberdade sob a luz suave dos postes. — Você continua me convidando para jantares e cafés dizendo que quer detalhes sobre o passado da Hilda, mas ainda não anotou uma linha sequer no seu bloco de notas hoje.
— Ora, Eva, a observação participante é uma técnica jornalística refinada — ironizou ele, ajustando os óculos. — Além disso, como posso focar na "Vênus de Belo Horizonte" quando tenho diante de mim uma mulher que cita o Manifesto Comunista com a mesma naturalidade com que pede um pão de queijo?
Eva riu, o som ecoando pelas ruas silenciosas.
— Você é um burguês disfarçado de rebelde, Roberto. O filho do dono do jornal brincando de revolucionário.
— Um burguês que está perdidamente interessado na fonte de suas informações — retrucou ele, parando de caminhar e olhando-a seriamente.
O clima mudou. A tensão política deu lugar a uma eletricidade muito mais antiga e incontrolável. Eva o conduziu até o prédio onde vivia com Hilda. O apartamento era um oásis de sofisticação e liberdade no coração da cidade.
Ao entrarem no quarto de Eva, a porta mal se fechou antes que a urgência tomasse conta. Roberto esqueceu a ironia, esqueceu o materialismo histórico e esqueceu, principalmente, a discrição.
— Se o seu pai te visse agora... — sussurrou Eva entre beijos, as mãos ágeis desabotoando o paletó de linho de Roberto.
— Ele escreveria um editorial sobre a decadência da juventude — respondeu Roberto, prensando-a contra a parede. — E eu seria o primeiro a assinar embaixo.
O beijo era intenso, uma mistura de desejo acumulado e a adrenalina de estarem desafiando todas as regras daquela Belo Horizonte provinciana. O paletó de Roberto voou para o canto do quarto, e ele já se perdia na curva do pescoço de Eva, cujos cachos estavam agora gloriosamente desarrumados.
Foi então que a porta se escancarou com um estrondo dramático.
— Eva, você não imagina o que aquele delegado hipócrita tentou fazer... — A voz de Hilda Furacão entrou no quarto antes mesmo dela.
Hilda parou abruptamente. Ela estava deslumbrante em um vestido de seda que abraçava suas curvas, o olhar forte e chamativo fixo na cena diante de si. O cabelo claro e cacheado parecia brilhar sob a luz fraca do abajur.
A visão era, no mínimo, inusitada: sua melhor amiga, a séria e ideológica Eva, estava com as costas coladas na parede, as mãos firmes nos ombros de um homem que tentava, freneticamente, recuperar o fôlego e a dignidade ao mesmo tempo.
— Mas o que é isso? — exclamou Hilda, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha perfeitamente delineada. — Eva, minha querida, eu sabia que você gostava de literatura russa, mas não sabia que estava fazendo laboratório com o herdeiro da imprensa mineira!
Roberto, com a camisa desalinhada e os óculos levemente tortos, tentou recompor sua postura de intelectual crítico.
— Dona Hilda... eu... estamos apenas... — começou ele, a voz falhando miseravelmente.
— "Apenas" tirando o paletó para discutir a reforma agrária, suponho? — Hilda soltou uma risada sonora e provocativa, entrando de vez no quarto e sentando-se na beira da cama, ignorando completamente o constrangimento alheio. — Francamente, Roberto, eu esperava mais criatividade de um escritor.
Eva, embora corada, não se deixou abater. Endireitou o vestido e deu um sorriso desafiador para a amiga.
— Hilda, não seja inconveniente. Roberto é um companheiro de luta.
— Ah, vejo que a "luta" está sendo corpo a corpo! — Hilda brincou, seus olhos brilhando com a malícia de quem adorava chocar a sociedade. — Eu saio de casa para fugir dos olhares tortos da elite e chego aqui para encontrar o próprio Drummond desmanchando a reputação da minha protegida. Que delícia de hipocrisia, Roberto! Você critica tanto a cidade, mas adora um pecado escondido entre quatro paredes, não é?
Roberto finalmente ajustou os óculos e recuperou seu tom irônico, embora o rosto ainda estivesse quente.
— A verdade, Hilda, é que Belo Horizonte é pequena demais para o que sentimos. E, se quer saber, a liberdade que você tanto prega parece ter contagiado o seu apartamento.
Hilda levantou-se, caminhando até ele com a elegância de uma pantera. Ela o analisou de cima a baixo, um sorriso de aprovação surgindo em seus lábios.
— Gosto de você, jornalista. Você tem coragem, ou é apenas muito tonto. De qualquer forma, Eva é o que há de mais verdadeiro nesta cidade de máscaras. Se você a magoar, eu farei com que sua coluna no jornal seja lida apenas pelas beatas da Igreja de Lourdes.
— Considere isso um aviso mais eficiente do que a censura do governo — respondeu Roberto, olhando para Eva com uma ternura que ele raramente demonstrava.
Hilda deu de ombros, caminhando em direção à porta com um balanço de quadris que paralisava qualquer homem, mas que ali era apenas natural.
— Bom, continuem a "revolução". Só tentem não derrubar o prédio. Eu vou para a sala abrir uma garrafa de vinho e celebrar o fato de que, pelo menos nesta casa, ninguém finge ser santo.
Quando a porta se fechou novamente, o silêncio retornou, mas a atmosfera estava mais leve. Roberto olhou para Eva, que ainda tinha as bochechas rosadas de riso e vergonha.
— Bem — disse Roberto, puxando-a de volta para seus braços —, onde estávamos antes de sermos interrompidos pelo furacão?
— Acho que você estava prestes a me convencer de que o amor é a única propriedade que não deve ser privada — murmurou Eva, puxando-o pela gola da camisa.
— Uma tese brilhante — concordou ele, antes de selar o acordo com um beijo que, certamente, não seria noticiado em nenhum jornal, mas que escreveria a história mais importante de sua vida.
Belo Horizonte continuava lá fora, com seus segredos e lendas urbanas. Mas dentro daquele quarto, entre um paletó jogado ao chão e o riso abafado de Hilda na sala ao lado, Roberto Drummond descobria que a maior subversão de todas não estava nos livros de política, mas no azul dos olhos de uma comunista que o fazia esquecer até mesmo do seu precioso bloco de notas.
Ele buscava o furo do século. Queria desvendar Hilda Furacão, a mulher que abandonara o véu de noiva e a elite para reinar no Maravilhoso Hotel. Mas o destino, esse editor-chefe caprichoso e irônico, tinha outros planos para a pauta de Roberto.
— O senhor é o jornalista que quer dissecar a vida alheia ou apenas um curioso com excesso de tempo livre? — A voz veio de trás dele, carregada de uma doçura que contrastava com a acidez da pergunta.
Roberto virou-se e sentiu, por um breve segundo, que o mundo ao redor — os políticos cochichando, os engraxates e o cheiro de café torrado — havia silenciado. À sua frente estava Eva. Ela tinha cabelos escuros que terminavam em cachos perfeitos nas pontas, olhos azuis que pareciam guardar segredos de outros carnavais e sardas delicadas que pontilhavam o nariz.
— Sou Roberto Drummond, ao seu dispor — respondeu ele, recuperando o cinismo habitual, embora seu coração tivesse dado um salto digno de um equilibrista de circo. — E não quero dissecar, quero compreender o fenômeno. Hilda é a personificação da quebra de paradigma desta cidade conservadora.
Eva sentou-se à frente dele, com um sorriso enigmático.
— Hilda é minha melhor amiga, Roberto. Se quer saber dela, terá que passar por mim. E aviso logo: eu sou muito mais difícil de ler do que uma manchete de jornal.
O que começou como uma entrevista protocolar transformou-se em um jogo de xadrez de sedução e intelecto. Roberto, o crítico ferrenho da sociedade, encontrou em Eva uma igual. Ela não sabia muito sobre sua origem, tendo crescido sob a proteção de Hilda, mas compartilhava com Roberto algo perigoso para a época: o sonho de um mundo pintado de vermelho, onde a igualdade não fosse apenas uma utopia de rodapé.
Semanas depois, o pretexto de "saber mais sobre Hilda" já estava desgastado como um sapato de boêmio. Roberto agora frequentava reuniões clandestinas em porões enfumaçados, onde jovens intelectuais discutiam Marx e o futuro do Brasil entre goles de cachaça e café frio. Foi em uma dessas noites que ele a viu: Eva, discursando com uma paixão que faria qualquer revolucionário se ajoelhar.
— Você não engana ninguém, Drummond — disse ela, dias depois, enquanto caminhavam pela Praça da Liberdade sob a luz suave dos postes. — Você continua me convidando para jantares e cafés dizendo que quer detalhes sobre o passado da Hilda, mas ainda não anotou uma linha sequer no seu bloco de notas hoje.
— Ora, Eva, a observação participante é uma técnica jornalística refinada — ironizou ele, ajustando os óculos. — Além disso, como posso focar na "Vênus de Belo Horizonte" quando tenho diante de mim uma mulher que cita o Manifesto Comunista com a mesma naturalidade com que pede um pão de queijo?
Eva riu, o som ecoando pelas ruas silenciosas.
— Você é um burguês disfarçado de rebelde, Roberto. O filho do dono do jornal brincando de revolucionário.
— Um burguês que está perdidamente interessado na fonte de suas informações — retrucou ele, parando de caminhar e olhando-a seriamente.
O clima mudou. A tensão política deu lugar a uma eletricidade muito mais antiga e incontrolável. Eva o conduziu até o prédio onde vivia com Hilda. O apartamento era um oásis de sofisticação e liberdade no coração da cidade.
Ao entrarem no quarto de Eva, a porta mal se fechou antes que a urgência tomasse conta. Roberto esqueceu a ironia, esqueceu o materialismo histórico e esqueceu, principalmente, a discrição.
— Se o seu pai te visse agora... — sussurrou Eva entre beijos, as mãos ágeis desabotoando o paletó de linho de Roberto.
— Ele escreveria um editorial sobre a decadência da juventude — respondeu Roberto, prensando-a contra a parede. — E eu seria o primeiro a assinar embaixo.
O beijo era intenso, uma mistura de desejo acumulado e a adrenalina de estarem desafiando todas as regras daquela Belo Horizonte provinciana. O paletó de Roberto voou para o canto do quarto, e ele já se perdia na curva do pescoço de Eva, cujos cachos estavam agora gloriosamente desarrumados.
Foi então que a porta se escancarou com um estrondo dramático.
— Eva, você não imagina o que aquele delegado hipócrita tentou fazer... — A voz de Hilda Furacão entrou no quarto antes mesmo dela.
Hilda parou abruptamente. Ela estava deslumbrante em um vestido de seda que abraçava suas curvas, o olhar forte e chamativo fixo na cena diante de si. O cabelo claro e cacheado parecia brilhar sob a luz fraca do abajur.
A visão era, no mínimo, inusitada: sua melhor amiga, a séria e ideológica Eva, estava com as costas coladas na parede, as mãos firmes nos ombros de um homem que tentava, freneticamente, recuperar o fôlego e a dignidade ao mesmo tempo.
— Mas o que é isso? — exclamou Hilda, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha perfeitamente delineada. — Eva, minha querida, eu sabia que você gostava de literatura russa, mas não sabia que estava fazendo laboratório com o herdeiro da imprensa mineira!
Roberto, com a camisa desalinhada e os óculos levemente tortos, tentou recompor sua postura de intelectual crítico.
— Dona Hilda... eu... estamos apenas... — começou ele, a voz falhando miseravelmente.
— "Apenas" tirando o paletó para discutir a reforma agrária, suponho? — Hilda soltou uma risada sonora e provocativa, entrando de vez no quarto e sentando-se na beira da cama, ignorando completamente o constrangimento alheio. — Francamente, Roberto, eu esperava mais criatividade de um escritor.
Eva, embora corada, não se deixou abater. Endireitou o vestido e deu um sorriso desafiador para a amiga.
— Hilda, não seja inconveniente. Roberto é um companheiro de luta.
— Ah, vejo que a "luta" está sendo corpo a corpo! — Hilda brincou, seus olhos brilhando com a malícia de quem adorava chocar a sociedade. — Eu saio de casa para fugir dos olhares tortos da elite e chego aqui para encontrar o próprio Drummond desmanchando a reputação da minha protegida. Que delícia de hipocrisia, Roberto! Você critica tanto a cidade, mas adora um pecado escondido entre quatro paredes, não é?
Roberto finalmente ajustou os óculos e recuperou seu tom irônico, embora o rosto ainda estivesse quente.
— A verdade, Hilda, é que Belo Horizonte é pequena demais para o que sentimos. E, se quer saber, a liberdade que você tanto prega parece ter contagiado o seu apartamento.
Hilda levantou-se, caminhando até ele com a elegância de uma pantera. Ela o analisou de cima a baixo, um sorriso de aprovação surgindo em seus lábios.
— Gosto de você, jornalista. Você tem coragem, ou é apenas muito tonto. De qualquer forma, Eva é o que há de mais verdadeiro nesta cidade de máscaras. Se você a magoar, eu farei com que sua coluna no jornal seja lida apenas pelas beatas da Igreja de Lourdes.
— Considere isso um aviso mais eficiente do que a censura do governo — respondeu Roberto, olhando para Eva com uma ternura que ele raramente demonstrava.
Hilda deu de ombros, caminhando em direção à porta com um balanço de quadris que paralisava qualquer homem, mas que ali era apenas natural.
— Bom, continuem a "revolução". Só tentem não derrubar o prédio. Eu vou para a sala abrir uma garrafa de vinho e celebrar o fato de que, pelo menos nesta casa, ninguém finge ser santo.
Quando a porta se fechou novamente, o silêncio retornou, mas a atmosfera estava mais leve. Roberto olhou para Eva, que ainda tinha as bochechas rosadas de riso e vergonha.
— Bem — disse Roberto, puxando-a de volta para seus braços —, onde estávamos antes de sermos interrompidos pelo furacão?
— Acho que você estava prestes a me convencer de que o amor é a única propriedade que não deve ser privada — murmurou Eva, puxando-o pela gola da camisa.
— Uma tese brilhante — concordou ele, antes de selar o acordo com um beijo que, certamente, não seria noticiado em nenhum jornal, mas que escreveria a história mais importante de sua vida.
Belo Horizonte continuava lá fora, com seus segredos e lendas urbanas. Mas dentro daquele quarto, entre um paletó jogado ao chão e o riso abafado de Hilda na sala ao lado, Roberto Drummond descobria que a maior subversão de todas não estava nos livros de política, mas no azul dos olhos de uma comunista que o fazia esquecer até mesmo do seu precioso bloco de notas.
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