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Фандом: record of ragnarok

Создан: 09.05.2026

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O Trono de Vidro Quebrado e o Rei Solitário

A sensação de queda era a única coisa que Qin Shi Huang ainda conseguia processar com clareza. O mundo girava em um borrão de escarlate e dourado. Momentos antes, ele sentia o calor das mãos daquele que amava, o peso da coroa que finalmente parecia leve e a promessa de um futuro de paz. Então, veio o frio. O metal gélido de uma lança atravessando seu crânio, o som seco do osso partindo e o empurrão violento que o mandou escada abaixo, como um brinquedo descartado.

A morte não foi o fim, mas o início de uma servidão amarga. Por ter manchado o solo com o sangue de milhares em suas conquistas, Qin foi jogado em um limbo cinzento, um lugar onde a luz do sol nunca alcançava. Ali, ele não era o Primeiro Imperador da China; era apenas mais uma alma condenada, obrigada a trabalhar ao lado de assassinos e suicidas.

O trabalho era cruel e irônico. Eles deveriam observar os vivos, sussurrar em seus ouvidos, manipular as cordas do destino para que outros se matassem. Cada morte colhida era um "ponto". A promessa era simples: alcance a cota e você poderá ver quem deseja. Qin, movido por uma necessidade desesperada de entender o porquê da traição, de olhar nos olhos do homem que o matou, tornou-se o mais eficiente dos ceifadores. Ele era teatral, estratégico, analisando as fraquezas humanas para induzir o fim.

Mas, no dia em que o contador finalmente atingiu o número prometido, a recompensa foi uma gargalhada fria das sombras.

— Você perdeu, Pequeno Rei — ecoou a voz dos administradores do abismo. — Seus pontos foram anulados por excesso de orgulho. Comece de novo.

Naquele momento, algo dentro de Qin Shi Huang quebrou, mas não foi sua vontade. Foi sua paciência. Ele não era um escravo. Ele era o Rei onde quer que estivesse.

— Entendo — disse Qin, ajustando a venda sobre os olhos, embora sua visão agora fosse puramente espiritual. — Se o meu papel é causar a morte para ganhar o direito de ver quem amo, então eu renuncio a esse trono de cinzas.

Ele começou a fazer o oposto. Onde deveria haver um sussurro de desespero, ele levava uma canção de resiliência. Onde deveria haver uma lâmina, ele colocava um escudo invisível. Qin passou a salvar as almas que deveria condenar. O caos que ele instaurou no sistema do submundo foi tamanho que, eventualmente, o abismo o cuspiu para fora.

Ele foi expulso para as margens do Helheim, a terra dos mortos governada pelos deuses.

Qin caminhava pelas planícies desoladas de Helheim com a mesma elegância de quando desfilava por seu palácio em Xianyang. Seus trajes estavam puídos e sua aura carregava a cicatriz da lança que o matara, mas seus ombros permaneciam retos.

— Que lugar mais sem graça — comentou Qin para o vazio, ajeitando as mangas de sua túnica rasgada. — Falta cor. Falta um trono digno para o Homem que Unificou Tudo sob o Céu.

— Você está em território proibido, humano.

A voz era profunda, ressonante e carregava um peso que teria feito qualquer outro homem cair de joelhos. Qin, no entanto, apenas virou o rosto levemente, um sorriso provocador brincando em seus lábios.

Hades, o Rei do Submundo, aproximava-se. Ele segurava seu bidente com uma firmeza tranquila, sua expressão era de uma seriedade absoluta. Não havia crueldade em seus olhos, apenas a autoridade natural de quem mantém a ordem no cosmos.

— Oh? — Qin inclinou a cabeça. — E quem seria você para me dizer onde posso ou não pisar? O caminho por onde eu passo se torna a estrada do Rei.

Hades parou a poucos metros dele. Ele observou o humano à sua frente. Havia algo estranho nele. A marca da morte em sua cabeça era profunda, indicando uma traição violenta, mas o brilho em seus olhos — mesmo por trás da venda — era de uma vivacidade indomável.

— Eu sou Hades — respondeu o deus, sua voz calma como o olho de uma tempestade. — E este reino é minha responsabilidade. Você foi expulso do poço das almas condenadas por insubordinação. Um feito raro, admito.

— "Insubordinação" é uma palavra tão feia — Qin gesticulou dramaticamente, as unhas compridas e decoradas brilhando sob a luz pálida de Helheim. — Eu prefiro chamar de "reestruturação de prioridades". Aqueles seres queriam que eu espalhasse dor. Mas um Rei não espalha dor, ele a carrega para que seu povo não precise fazê-lo.

Hades arqueou uma sobrancelha. Ele já havia lidado com muitos imperadores arrogantes, mas este era diferente. Não havia apenas ego ali; havia uma empatia profunda, distorcida pela experiência, mas inegável.

— Você fala de proteção, mas suas mãos estão manchadas com o sangue de milhares — observou Hades, dando um passo à frente. — Como pode um rei carregar o sofrimento se ele mesmo foi a causa de tanto?

— Exatamente por isso — Qin sorriu, mas desta vez não havia provocação, apenas uma melancolia antiga. — Eu conheço o peso de cada vida que tomei. Eu sinto a dor de cada ferida que causei. Eu as carrego todas. É o meu fardo e minha honra. E foi por acreditar nisso que fui morto por quem eu mais desejava proteger.

Hades sentiu uma pontada de reconhecimento. Ele também carregava fardos que ninguém mais queria. Ele também se via como o escudo de seus irmãos, aquele que descia às profundezas para que o Olimpo pudesse brilhar.

— Você foi traído — disse Hades, abaixando levemente sua arma. — E mesmo assim, em vez de se tornar um monstro de vingança, você decidiu salvar almas para desafiar seus captores. Por quê?

— Porque eu sou o Rei — respondeu Qin, como se fosse a resposta mais óbvia do universo. — E um Rei não se curva perante a injustiça, nem mesmo a do destino. Se o mundo é cruel, eu serei a beleza que o desafia.

Hades soltou um suspiro curto, quase um riso contido. A confiança daquele humano era irritante, mas estranhamente respeitável.

— Você é um homem estranho, Qin Shi Huang. A maioria dos que chegam aqui implora por misericórdia ou clama por vingança. Você... você está tentando redecorar o meu reino com sua presença.

— E admito que o seu reino precisa de um toque imperial — Qin deu alguns passos ao redor de Hades, analisando o deus como se estivesse avaliando uma peça de arte. — Você é muito sério, Hades. Carrega o mundo nos ombros, não é? Seus irmãos devem ser um bando de imprudentes para que você tenha esse olhar tão cansado.

Hades apertou o bidente, surpreso com a precisão da observação.

— Minha família é minha prioridade. Meu dever para com eles é absoluto.

— Eu entendo — Qin parou à frente dele, ficando a centímetros de distância. — O amor de um irmão, o dever de um governante... são coroas pesadas. Mas diga-me, Rei do Submundo, quem protege o protetor? Quem cuida de você enquanto você cuida das sombras?

O silêncio caiu sobre a planície. Hades nunca havia sido questionado daquela forma. Para os outros deuses, ele era a rocha inabalável. Para os mortos, ele era o juiz supremo. Ninguém nunca pensara nele como alguém que precisasse de cuidado.

— Eu não preciso de proteção — respondeu Hades, embora sua voz tivesse perdido um pouco da firmeza autoritária.

— Todo mundo precisa de um lugar para descansar a cabeça, até mesmo os deuses — Qin sorriu suavemente. — Já que fui expulso de lá e não tenho para onde ir, que tal um acordo?

— Acordos com humanos costumam ser problemáticos — disse Hades, mas não se afastou.

— Eu não sou qualquer humano. Eu sou o trono. — Qin estendeu a mão, um gesto de convite e desafio. — Eu ficarei aqui. Não como um súdito, mas como um convidado. Em troca, eu lhe ensinarei que ser rei não significa apenas carregar o sofrimento, mas também encontrar alegria apesar dele. E, quem sabe, você me ajude a entender por que a lança daquele homem doeu menos do que o adeus dele.

Hades olhou para a mão estendida de Qin. Ele viu a força, a dor e a resiliência de uma alma que se recusava a ser quebrada. Pela primeira vez em milênios, o Rei do Submundo sentiu uma curiosidade que superava sua disciplina.

— Você é insolente — declarou Hades, guardando seu bidente. — Mas possui uma honra que muitos deuses invejariam.

Ele não apertou a mão de Qin, mas fez um gesto para que o imperador o seguisse em direção ao palácio de Helheim.

— Venha. Veremos se sua presença é tão radiante quanto você afirma. Mas aviso: se tentar subverter as leis do meu palácio como fez no poço, eu mesmo o jogarei de volta.

Qin Shi Huang soltou uma risada teatral, o som ecoando pelas terras sombrias como uma nota de música vibrante.

— Hao! — exclamou ele, seguindo o deus com passos leves. — Prepare-se, Hades. O seu reino está prestes a descobrir o que acontece quando o Sol decide brilhar no mundo dos mortos.

Enquanto caminhavam, a postura rígida de Hades relaxou apenas um milímetro. A jornada de Qin Shi Huang estava longe de terminar, e embora a traição ainda ardesse em seu peito, ele encontrou algo novo: um igual. Um rei que, assim como ele, sabia que o peso da coroa era o que dava significado à vida — ou à morte.

E assim, nas profundezas de Helheim, o imperador que se recusava a morrer e o deus que se recusava a falhar começaram uma dança de respeito e desafio que mudaria o destino de ambos para sempre.
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