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A prima Malfoy
Фандом: Harry Potter
Создан: 10.05.2026
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O Sangue que se Esconde na Sombra
A rua em um subúrbio elegante de Londres não possuía o peso histórico ou as proteções ancestrais de Malfoy Manor, mas exalava uma dignidade moderna que Lucius Malfoy considerava, na melhor das hipóteses, tolerável. Ele ajustou a gola de sua capa de viagem, sentindo o desconforto de estar em um bairro onde as luzes eram alimentadas por eletricidade e não por feitiços de lumos persistentes.
Ao seu lado, Narcisa mantinha uma expressão de serenidade polida, embora seus olhos examinassem as fachadas das casas com uma curiosidade contida. Draco, aos onze anos, parecia alternar entre o tédio e a ansiedade, apertando o cabo de sua bengala infantil, imitando o pai.
— Lembre-se, Draco — murmurou Lucius, a voz fria como o orvalho da manhã. — Seu tio Charles escolheu este caminho. Ele vive como um trouxa, entre trouxas. Mantenha a compostura, mas não se esqueça de quem nós somos.
— Sim, pai — respondeu Draco, embora seus olhos brilhassem ao ver a casa de número 14.
Eles caminharam até a porta de carvalho claro. Antes que Lucius pudesse bater com o castão de prata de sua bengala, a porta se abriu. Charles Malfoy estava parado ali. Ele não usava vestes de bruxo; em vez disso, trajava um terno cinza de corte impecável, uma gravata de seda azul e um relógio de pulso que parecia custar mais do que algumas casas bruxas.
Embora fosse um aborto — um ser nascido sem magia em uma linhagem de sangue puro —, Charles possuía o mesmo queixo aristocrático e o cabelo loiro-platinado que definia a família.
— Lucius. Narcisa — Charles sorriu, um gesto que não alcançava totalmente os olhos, mas que era cortês o suficiente. — Entrem, por favor. Estávamos esperando por vocês.
— Charles — Lucius inclinou a cabeça minimamente, entrando no hall de entrada que cheirava a café fresco e polimento de móveis.
No salão principal, Sarah Malfoy — nascida Weasley, embora renegada pela família pelo mesmo "defeito" genético de Charles — levantou-se para cumprimentá-los. Ela era uma mulher de cabelos ruivos suaves e olhos gentis, vestindo um vestido de verão que a fazia parecer perfeitamente integrada ao mundo não-mágico.
— É um prazer vê-los novamente — disse Sarah, oferecendo a mão a Narcisa.
— Igualmente, Sarah — respondeu Narcisa, com uma voz que era o ápice da etiqueta social, embora houvesse uma tensão invisível no ar.
— Onde está a menina? — perguntou Lucius, recusando o convite para se sentar.
— Charlotte está no andar de cima, terminando de organizar o malão — Charles explicou, gesticulando para as poltronas. — Como vocês podem imaginar, tem sido uma semana agitada. Receber a carta de Hogwarts... bem, foi uma surpresa para todos nós.
Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Para Charles e Sarah, dois abortos que haviam construído uma vida de sucesso no mundo jurídico e financeiro de Londres, a ideia de que sua única filha possuía magia era um milagre agridoce. Para Lucius, era uma validação necessária: o sangue Malfoy, afinal, havia triunfado sobre a "deficiência" do irmão.
— É o curso natural das coisas — disse Lucius, a voz arrastada. — O sangue sempre fala mais alto. É uma pena que ela tenha passado os primeiros anos cercada por... influências menos adequadas. Mas Hogwarts corrigirá isso. Draco cuidará para que ela se junte ao círculo certo de pessoas.
— Eu vou mostrar tudo a ela, tio Charles — interrompeu Draco, com uma ponta de entusiasmo. — Vou apresentar os filhos dos amigos do meu pai. Ela não vai precisar falar com nenhum sangue-ruim ou...
— Draco — Sarah interrompeu com uma doçura firme —, em nossa casa, não usamos esse tipo de linguagem. Charlotte foi criada para respeitar as pessoas pelo que elas fazem, não pelo que seus pais são.
Lucius estreitou os olhos, mas antes que pudesse retrucar, passos rápidos foram ouvidos na escada. Uma menina de cabelos loiros ondulados, presos em um rabo de cavalo prático, apareceu na porta. Seus olhos eram de um cinza azulado, vibrantes de expectativa.
— Charlotte — disse Charles, estendendo a mão para a filha. — Você se lembra do seu tio Lucius e da tia Narcisa. E este é seu primo, Draco.
Charlotte aproximou-se, fazendo uma pequena reverência que aprendera em suas aulas de etiqueta, algo que Charles insistira para que ela pudesse transitar em qualquer mundo.
— Olá — disse ela, a voz clara. — É um prazer conhecer vocês. Draco, eu vi sua foto no álbum que o vovô Abraxas deixou.
— Você está muito diferente da foto que recebemos no Natal — comentou Narcisa, aproximando-se e tocando levemente o ombro da sobrinha. — Uma verdadeira Malfoy, sem dúvida.
— Vamos ao que interessa — Lucius disse, mudando o foco. — Amanhã é o dia primeiro de setembro. O Expresso de Hogwarts parte às onze horas. Eu insisto que vocês nos acompanhem até a plataforma. Será melhor se Charlotte entrar na estação conosco.
— Nós pretendíamos levá-la, Lucius — Charles cruzou os braços. — Sarah e eu sabemos onde fica a plataforma 9 ¾.
— Sim, mas atravessar a barreira acompanhado por um Malfoy de linhagem mágica ativa é... — Lucius hesitou, procurando uma palavra que não fosse ofensiva, mas falhando. — ...mais apropriado.
Charles deu um passo à frente, seu porte de advogado bem-sucedido confrontando a arrogância do irmão.
— Eu posso não ter magia, irmão, mas sou um Malfoy tanto quanto você. Charlotte irá conosco. Podemos nos encontrar lá, se isso agrada ao seu senso de estética.
O clima na sala esfriou. Draco olhou para Charlotte, que parecia observar a disputa com uma curiosidade analítica, nada parecida com a timidez que ele esperava de uma "prima trouxa".
— Tudo bem — cedeu Lucius, percebendo que Charles não se dobraria. — Nos encontraremos em frente à barreira.
***
A Plataforma 9 ¾ estava um caos de corujas piando, fumaça ruidosa da locomotiva escarlate e famílias se despedindo. Charlotte Malfoy caminhava entre seu pai e sua mãe, empurrando seu carrinho com uma calma que contrastava com a excitação frenética de Draco, que corria à frente.
— Lembre-se, querida — Sarah sussurrou, ajeitando a gola do casaco da filha. — Se você se sentir deslocada, ou se as pessoas forem rudes por causa de nós...
— Eu sei, mamãe — Charlotte sorriu, apertando a mão da mãe. — Papai sempre diz que o conhecimento é o maior poder. Eu vou ler todos os livros. Vou ser a melhor da classe.
— Essa é a minha garota — Charles beijou a testa da filha.
Eles encontraram os Malfoy perto de um vagão no meio do trem. Lucius estava conversando com um homem de aparência severa, enquanto Draco já se gabava para dois meninos corpulentos, Crabbe e Goyle.
— Aí está ela! — Draco acenou. — Venha, Charlotte. Vou te apresentar ao pessoal. Papai diz que você provavelmente vai para a Sonserina, como todos nós.
Charlotte olhou para o pai, que lhe deu um aceno encorajador, e depois para o tio Lucius, que a observava com uma expectativa quase predatória.
— Eu vou encontrar um lugar, Draco — disse ela suavemente. — Nos vemos no castelo.
A viagem foi um borrão de paisagens verdes e conversas sobre vassouras que Charlotte mal entendia, embora tivesse lido "Quadribol Através dos Séculos" três vezes na semana anterior. Ela acabou se sentando em um compartimento com uma menina de cabelos muito volumosos chamada Hermione Granger e um menino tímido chamado Neville Longbottom, que havia perdido seu sapo.
Quando finalmente chegaram ao Grande Salão, a grandiosidade do lugar quase a fez perder o fôlego. O teto encantado refletia uma noite estrelada, e milhares de velas flutuavam no ar.
— Charlotte Malfoy! — chamou a Professora McGonagall.
O silêncio caiu sobre o salão. O nome Malfoy era sinônimo de Sonserina e de uma certa reputação sombria. Charlotte caminhou até o banquinho, sentindo os olhos de Draco queimando nela da mesa da Sonserina — ele já havia sido selecionado, o Chapéu Seletor mal tocara sua cabeça antes de gritar a casa das serpentes.
Ela sentiu o chapéu de feltro escorregar sobre seus olhos.
— Hum... — disse uma voz pequena em seu ouvido. — Interessante. Muito interessante. Uma Malfoy, sim. Há ambição aqui, e um intelecto afiado como o do pai. Mas o que é isso? Uma empatia profunda? Uma lealdade que não se baseia em sangue ou poder, mas em justiça?
Charlotte pensou em seu pai, Charles, que defendia pessoas no tribunal londrino sem usar varinhas, apenas palavras e leis. Pensou em sua mãe, que a ensinara que a verdadeira nobreza estava no caráter.
— Sonserina não — sussurrou Charlotte para o chapéu. — Eu quero um lugar onde eu possa ser eu mesma, não apenas um sobrenome.
— Você tem certeza? — perguntou o chapéu. — Você poderia ser grande na Sonserina. Mas vejo que seu coração valoriza a paciência, a amizade e o trabalho árduo acima da glória. Sim... é melhor que seja...
— LUFA-LUFA! — gritou o chapéu para todo o salão.
Houve um momento de choque absoluto. A mesa da Sonserina ficou em silêncio sepulcral. Draco parecia ter engolido um limão. Lucius, se estivesse presente, provavelmente teria desmaiado de desgosto. No entanto, a mesa da Lufa-Lufa explodiu em aplausos calorosos.
Charlotte sorriu, sentindo um peso sair de seus ombros. Ela caminhou em direção à mesa amarela e preta, onde alunos de rostos amigáveis abriam espaço para ela.
Algumas semanas depois, uma coruja de penas cinzas pousou na mesa da Lufa-Lufa durante o café da manhã. Trazia uma carta com o selo de cera da família Malfoy, mas não era o selo oficial de Lucius. Era o timbre pessoal de Charles.
"Minha querida Charlotte," dizia a carta. "Sua mãe e eu não poderíamos estar mais orgulhosos. Recebemos a notícia de sua seleção. Lufa-Lufa é a casa daqueles que são justos e leais. No mundo em que vivemos, essas são as ferramentas mais poderosas que você poderia possuir. Não se preocupe com o que seu tio pensa; ele sempre teve uma visão limitada do que significa ser forte. Continue seus estudos e lembre-se de que o sangue Malfoy pode ter nos dado o nome, mas são nossas escolhas que definem nosso destino. Com amor, Papai."
Charlotte dobrou a carta cuidadosamente e a guardou no bolso de suas vestes. Ela olhou para a mesa da Sonserina, onde Draco discutia fervorosamente com Harry Potter no corredor central.
— Você está bem, Charlotte? — perguntou Cedric Diggory, um aluno mais velho que estava sentado ao lado dela.
— Estou ótima, Cedric — respondeu ela, pegando uma torrada. — Só estava pensando que, às vezes, é preciso ser um pouco diferente para realmente fazer a diferença.
As lições de Hogwarts estavam apenas começando, e Charlotte Malfoy, a filha do aborto, estava pronta para provar que a magia não estava apenas na varinha, mas na coragem de ser quem se é, mesmo quando o mundo espera que você seja outra coisa. Ela olhou para o teto encantado, sentindo-se, pela primeira vez, verdadeiramente em casa.
Ao seu lado, Narcisa mantinha uma expressão de serenidade polida, embora seus olhos examinassem as fachadas das casas com uma curiosidade contida. Draco, aos onze anos, parecia alternar entre o tédio e a ansiedade, apertando o cabo de sua bengala infantil, imitando o pai.
— Lembre-se, Draco — murmurou Lucius, a voz fria como o orvalho da manhã. — Seu tio Charles escolheu este caminho. Ele vive como um trouxa, entre trouxas. Mantenha a compostura, mas não se esqueça de quem nós somos.
— Sim, pai — respondeu Draco, embora seus olhos brilhassem ao ver a casa de número 14.
Eles caminharam até a porta de carvalho claro. Antes que Lucius pudesse bater com o castão de prata de sua bengala, a porta se abriu. Charles Malfoy estava parado ali. Ele não usava vestes de bruxo; em vez disso, trajava um terno cinza de corte impecável, uma gravata de seda azul e um relógio de pulso que parecia custar mais do que algumas casas bruxas.
Embora fosse um aborto — um ser nascido sem magia em uma linhagem de sangue puro —, Charles possuía o mesmo queixo aristocrático e o cabelo loiro-platinado que definia a família.
— Lucius. Narcisa — Charles sorriu, um gesto que não alcançava totalmente os olhos, mas que era cortês o suficiente. — Entrem, por favor. Estávamos esperando por vocês.
— Charles — Lucius inclinou a cabeça minimamente, entrando no hall de entrada que cheirava a café fresco e polimento de móveis.
No salão principal, Sarah Malfoy — nascida Weasley, embora renegada pela família pelo mesmo "defeito" genético de Charles — levantou-se para cumprimentá-los. Ela era uma mulher de cabelos ruivos suaves e olhos gentis, vestindo um vestido de verão que a fazia parecer perfeitamente integrada ao mundo não-mágico.
— É um prazer vê-los novamente — disse Sarah, oferecendo a mão a Narcisa.
— Igualmente, Sarah — respondeu Narcisa, com uma voz que era o ápice da etiqueta social, embora houvesse uma tensão invisível no ar.
— Onde está a menina? — perguntou Lucius, recusando o convite para se sentar.
— Charlotte está no andar de cima, terminando de organizar o malão — Charles explicou, gesticulando para as poltronas. — Como vocês podem imaginar, tem sido uma semana agitada. Receber a carta de Hogwarts... bem, foi uma surpresa para todos nós.
Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Para Charles e Sarah, dois abortos que haviam construído uma vida de sucesso no mundo jurídico e financeiro de Londres, a ideia de que sua única filha possuía magia era um milagre agridoce. Para Lucius, era uma validação necessária: o sangue Malfoy, afinal, havia triunfado sobre a "deficiência" do irmão.
— É o curso natural das coisas — disse Lucius, a voz arrastada. — O sangue sempre fala mais alto. É uma pena que ela tenha passado os primeiros anos cercada por... influências menos adequadas. Mas Hogwarts corrigirá isso. Draco cuidará para que ela se junte ao círculo certo de pessoas.
— Eu vou mostrar tudo a ela, tio Charles — interrompeu Draco, com uma ponta de entusiasmo. — Vou apresentar os filhos dos amigos do meu pai. Ela não vai precisar falar com nenhum sangue-ruim ou...
— Draco — Sarah interrompeu com uma doçura firme —, em nossa casa, não usamos esse tipo de linguagem. Charlotte foi criada para respeitar as pessoas pelo que elas fazem, não pelo que seus pais são.
Lucius estreitou os olhos, mas antes que pudesse retrucar, passos rápidos foram ouvidos na escada. Uma menina de cabelos loiros ondulados, presos em um rabo de cavalo prático, apareceu na porta. Seus olhos eram de um cinza azulado, vibrantes de expectativa.
— Charlotte — disse Charles, estendendo a mão para a filha. — Você se lembra do seu tio Lucius e da tia Narcisa. E este é seu primo, Draco.
Charlotte aproximou-se, fazendo uma pequena reverência que aprendera em suas aulas de etiqueta, algo que Charles insistira para que ela pudesse transitar em qualquer mundo.
— Olá — disse ela, a voz clara. — É um prazer conhecer vocês. Draco, eu vi sua foto no álbum que o vovô Abraxas deixou.
— Você está muito diferente da foto que recebemos no Natal — comentou Narcisa, aproximando-se e tocando levemente o ombro da sobrinha. — Uma verdadeira Malfoy, sem dúvida.
— Vamos ao que interessa — Lucius disse, mudando o foco. — Amanhã é o dia primeiro de setembro. O Expresso de Hogwarts parte às onze horas. Eu insisto que vocês nos acompanhem até a plataforma. Será melhor se Charlotte entrar na estação conosco.
— Nós pretendíamos levá-la, Lucius — Charles cruzou os braços. — Sarah e eu sabemos onde fica a plataforma 9 ¾.
— Sim, mas atravessar a barreira acompanhado por um Malfoy de linhagem mágica ativa é... — Lucius hesitou, procurando uma palavra que não fosse ofensiva, mas falhando. — ...mais apropriado.
Charles deu um passo à frente, seu porte de advogado bem-sucedido confrontando a arrogância do irmão.
— Eu posso não ter magia, irmão, mas sou um Malfoy tanto quanto você. Charlotte irá conosco. Podemos nos encontrar lá, se isso agrada ao seu senso de estética.
O clima na sala esfriou. Draco olhou para Charlotte, que parecia observar a disputa com uma curiosidade analítica, nada parecida com a timidez que ele esperava de uma "prima trouxa".
— Tudo bem — cedeu Lucius, percebendo que Charles não se dobraria. — Nos encontraremos em frente à barreira.
***
A Plataforma 9 ¾ estava um caos de corujas piando, fumaça ruidosa da locomotiva escarlate e famílias se despedindo. Charlotte Malfoy caminhava entre seu pai e sua mãe, empurrando seu carrinho com uma calma que contrastava com a excitação frenética de Draco, que corria à frente.
— Lembre-se, querida — Sarah sussurrou, ajeitando a gola do casaco da filha. — Se você se sentir deslocada, ou se as pessoas forem rudes por causa de nós...
— Eu sei, mamãe — Charlotte sorriu, apertando a mão da mãe. — Papai sempre diz que o conhecimento é o maior poder. Eu vou ler todos os livros. Vou ser a melhor da classe.
— Essa é a minha garota — Charles beijou a testa da filha.
Eles encontraram os Malfoy perto de um vagão no meio do trem. Lucius estava conversando com um homem de aparência severa, enquanto Draco já se gabava para dois meninos corpulentos, Crabbe e Goyle.
— Aí está ela! — Draco acenou. — Venha, Charlotte. Vou te apresentar ao pessoal. Papai diz que você provavelmente vai para a Sonserina, como todos nós.
Charlotte olhou para o pai, que lhe deu um aceno encorajador, e depois para o tio Lucius, que a observava com uma expectativa quase predatória.
— Eu vou encontrar um lugar, Draco — disse ela suavemente. — Nos vemos no castelo.
A viagem foi um borrão de paisagens verdes e conversas sobre vassouras que Charlotte mal entendia, embora tivesse lido "Quadribol Através dos Séculos" três vezes na semana anterior. Ela acabou se sentando em um compartimento com uma menina de cabelos muito volumosos chamada Hermione Granger e um menino tímido chamado Neville Longbottom, que havia perdido seu sapo.
Quando finalmente chegaram ao Grande Salão, a grandiosidade do lugar quase a fez perder o fôlego. O teto encantado refletia uma noite estrelada, e milhares de velas flutuavam no ar.
— Charlotte Malfoy! — chamou a Professora McGonagall.
O silêncio caiu sobre o salão. O nome Malfoy era sinônimo de Sonserina e de uma certa reputação sombria. Charlotte caminhou até o banquinho, sentindo os olhos de Draco queimando nela da mesa da Sonserina — ele já havia sido selecionado, o Chapéu Seletor mal tocara sua cabeça antes de gritar a casa das serpentes.
Ela sentiu o chapéu de feltro escorregar sobre seus olhos.
— Hum... — disse uma voz pequena em seu ouvido. — Interessante. Muito interessante. Uma Malfoy, sim. Há ambição aqui, e um intelecto afiado como o do pai. Mas o que é isso? Uma empatia profunda? Uma lealdade que não se baseia em sangue ou poder, mas em justiça?
Charlotte pensou em seu pai, Charles, que defendia pessoas no tribunal londrino sem usar varinhas, apenas palavras e leis. Pensou em sua mãe, que a ensinara que a verdadeira nobreza estava no caráter.
— Sonserina não — sussurrou Charlotte para o chapéu. — Eu quero um lugar onde eu possa ser eu mesma, não apenas um sobrenome.
— Você tem certeza? — perguntou o chapéu. — Você poderia ser grande na Sonserina. Mas vejo que seu coração valoriza a paciência, a amizade e o trabalho árduo acima da glória. Sim... é melhor que seja...
— LUFA-LUFA! — gritou o chapéu para todo o salão.
Houve um momento de choque absoluto. A mesa da Sonserina ficou em silêncio sepulcral. Draco parecia ter engolido um limão. Lucius, se estivesse presente, provavelmente teria desmaiado de desgosto. No entanto, a mesa da Lufa-Lufa explodiu em aplausos calorosos.
Charlotte sorriu, sentindo um peso sair de seus ombros. Ela caminhou em direção à mesa amarela e preta, onde alunos de rostos amigáveis abriam espaço para ela.
Algumas semanas depois, uma coruja de penas cinzas pousou na mesa da Lufa-Lufa durante o café da manhã. Trazia uma carta com o selo de cera da família Malfoy, mas não era o selo oficial de Lucius. Era o timbre pessoal de Charles.
"Minha querida Charlotte," dizia a carta. "Sua mãe e eu não poderíamos estar mais orgulhosos. Recebemos a notícia de sua seleção. Lufa-Lufa é a casa daqueles que são justos e leais. No mundo em que vivemos, essas são as ferramentas mais poderosas que você poderia possuir. Não se preocupe com o que seu tio pensa; ele sempre teve uma visão limitada do que significa ser forte. Continue seus estudos e lembre-se de que o sangue Malfoy pode ter nos dado o nome, mas são nossas escolhas que definem nosso destino. Com amor, Papai."
Charlotte dobrou a carta cuidadosamente e a guardou no bolso de suas vestes. Ela olhou para a mesa da Sonserina, onde Draco discutia fervorosamente com Harry Potter no corredor central.
— Você está bem, Charlotte? — perguntou Cedric Diggory, um aluno mais velho que estava sentado ao lado dela.
— Estou ótima, Cedric — respondeu ela, pegando uma torrada. — Só estava pensando que, às vezes, é preciso ser um pouco diferente para realmente fazer a diferença.
As lições de Hogwarts estavam apenas começando, e Charlotte Malfoy, a filha do aborto, estava pronta para provar que a magia não estava apenas na varinha, mas na coragem de ser quem se é, mesmo quando o mundo espera que você seja outra coisa. Ela olhou para o teto encantado, sentindo-se, pela primeira vez, verdadeiramente em casa.
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