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O medo
Фандом: Rua do medo 1978 e 1994
Создан: 14.05.2026
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O Segredo nas Sombras de Shadyside
As sombras de Shadyside sempre pareceram mais densas do que as de Sunnyvale, mas naquela noite de 1978, sob o dossel de árvores do Acampamento Nightwing, o ar estava carregado com algo mais do que apenas a umidade do verão. Clara sentia o coração martelar contra as costelas, uma batida frenética que não tinha nada a ver com o medo da maldição de Sarah Fier, e sim com o calor da mão de Nick Goode entrelaçada na sua.
Eles sabiam que era errado. Não para as leis do mundo, mas para as leis invisíveis e cruéis que separavam as duas cidades. Ele era o herdeiro de Sunnyvale, o monitor-chefe com um futuro brilhante e o peso de um legado sobre os ombros. Ela era apenas Clara, a garota de Shadyside, conhecida por suas risadas altas, seus cabelos ondulados que nunca paravam no lugar e as curvas que Nick jurava serem a coisa mais bonita que já vira.
— Se alguém nos vir, Nick... — sussurrou ela, as costas pressionadas contra a madeira fria de uma cabana isolada.
— Ninguém vai ver — respondeu ele, a voz rouca, aproximando-se o suficiente para que Clara sentisse o cheiro de pinho e sabão. — Deixe que falem. Deixe que pensem o que quiserem. Hoje é só sobre nós.
Naquela noite, entre promessas sussurradas e o toque suave de peles que não deveriam se conhecer, Clara entregou seu coração. Foi a última vez que ela se sentiu verdadeiramente leve. Horas depois, o sangue tingiu a grama do acampamento. O machado de Tommy Slater cortou o silêncio, e o grito de Ziggy Berman ecoou pela floresta. Clara quase não escapou. Ela viu a escuridão nos olhos de Sarah Fier, sentiu o hálito da morte enquanto se escondia sob o assoalho, sufocando o próprio choro.
Dezesseis anos depois, Clara Goode olhava para o reflexo no espelho de sua casa em Sunnyvale. A garota extrovertida que dançava sob a luz da lua havia morrido naquele acampamento. Em seu lugar, restara uma mulher silenciosa, cujos cabelos ondulados agora viviam presos em um coque severo. Ela ainda era a mulher gordinha que Nick amava, mas a alegria que costumava preencher suas formas havia sido substituída por uma cautela gélida.
— Clara? — A voz de Nick veio do corredor, suave e protetora.
Ele entrou no quarto, ajustando a gravata do uniforme de xerife. Nick havia se tornado exatamente o que o destino exigia, mas com Clara, ele ainda era o garoto de 1978. Ele se aproximou e colocou as mãos sobre os ombros dela, apertando-os levemente.
— Você está bem? Parece distante hoje.
— É o aniversário, Nick — disse ela, a voz baixa, quase um sussurro. — Sempre sinto como se o chão fosse abrir sob meus pés nesta época.
— Eu estou aqui. Ninguém vai te machucar de novo — prometeu ele, beijando o topo de sua cabeça.
O casamento deles era o segredo mais bem guardado da região. Para o público, Nick Goode era o solteiro cobiçado que se casara com uma mulher discreta de fora da cidade. Ninguém em Shadyside sabia que a Clara que sobreviveu ao massacre era a agora "Primeira-Dama" de Sunnyvale. E ninguém em Sunnyvale sabia que a esposa do xerife carregava a marca da maldição de Sarah Fier na alma.
O telefone no andar de baixo tocou, quebrando o momento. Nick desceu para atender, e Clara sentiu um arrepio familiar subir por sua espinha. Minutos depois, Nick voltou, sua expressão era uma máscara de preocupação profissional.
— Houve um incidente no shopping em Shadyside. Mais uma morte. E tem uns garotos... eles estão fazendo perguntas sobre 1978.
Clara sentiu o sangue congelar.
— Ziggy? — foi a única coisa que conseguiu perguntar.
— Eles entraram em contato com ela. E agora, querem vir aqui. Eles acham que ela é a única sobrevivente que pode ajudar.
— Eles não sabem de mim — disse Clara, levantando-se, as mãos tremendo levemente. — Nick, ninguém pode saber. Se descobrirem que eu sobrevivi, que eu sei o que aconteceu... que eu sei sobre a bruxa...
— Eu vou cuidar disso — disse Nick, embora houvesse uma hesitação em seus olhos que Clara não soube interpretar. — Mas eles estão vindo para a delegacia. Deena Johnson e o irmão dela. Eles estão desesperados, Clara. Dizem que a namorada da garota está sendo caçada pelos assassinos do passado.
Clara fechou os olhos. Ela conhecia aquela sensação. A sensação de ser uma presa.
— Eu vou falar com a Ziggy — decidiu Clara. — Se esses garotos estão mexendo com isso, a maldição vai se fortalecer. Eles não têm ideia do que estão enfrentando.
— Clara, não — Nick tentou intervir. — É perigoso.
— Eu já estou morta por dentro desde 78, Nick. A única coisa que me mantém viva é você e o fato de que Ziggy ainda respira.
Horas depois, na penumbra da sala de estar da casa de Nick, o silêncio foi interrompido por batidas frenéticas na porta. Nick não estava; havia saído para "resolver" as coisas na delegacia. Clara abriu a porta e deparou-se com dois adolescentes exaustos, cobertos de sangue e terror. Atrás deles, uma figura familiar, com os cabelos ruivos agora opacos e os olhos carregados de amargura.
— Ziggy — disse Clara, a voz falhando.
— Clara? — Ziggy Berman parou, os olhos arregalados. — O que você está fazendo na casa do Xerife Goode?
Deena Johnson e Simon olharam de uma para a outra, confusos.
— Você a conhece? — perguntou Deena, ofegante. — Viemos atrás de ajuda. A Ziggy disse que havia outra pessoa, mas que ela tinha sumido...
— Eu não sumi — disse Clara, puxando-os para dentro e trancando a porta com três voltas na chave. — Eu apenas me escondi à vista de todos.
— Você é a esposa dele? — Ziggy perguntou, o tom de voz subindo, carregado de uma suspeita antiga. — Você se casou com um Goode, Clara? Depois de tudo o que vimos? Depois do que aconteceu com a minha irmã?
— Ele me salvou, Ziggy! — Clara rebateu, a antiga chama de sua personalidade extrovertida faíscando por um segundo. — Nick me tirou daquele buraco quando ninguém mais ligava para uma garota de Shadyside.
— Ele é um Goode — cuspiu Ziggy. — Eles sempre estão no centro de tudo o que há de errado nesta cidade.
— Parem! — gritou Deena. — Não importa quem é casado com quem. Sam está morrendo! Os assassinos voltaram. O Nightwing, o leiteiro, o cara da máscara de caveira... eles estão todos atrás dela. Sarah Fier quer o sangue dela.
Clara sentiu o peso da verdade esmagando seus ombros. Ela olhou para as fotos de Nick na estante — o herói, o xerife, o homem que a abraçava à noite quando os pesadelos vinham.
— A bruxa não quer apenas sangue — disse Clara, caminhando até a janela e observando a linha das árvores que separava as duas cidades. — Ela quer a verdade. E a verdade é algo que Sunnyvale vem enterrando há séculos.
— Você sabe como pará-la? — perguntou o garoto, Simon, com a voz trêmula.
Clara olhou para Ziggy. As duas eram as únicas que restavam. As sobreviventes de uma noite que nunca terminou.
— Para pará-la, temos que entender por que ela escolhe Shadyside — disse Clara. — E por que Sunnyvale sempre brilha enquanto nós queimamos.
— Nick não vai gostar disso — avisou Ziggy, cruzando os braços, os olhos fixos em Clara. — Ele passou anos mantendo você em uma redoma de vidro, Clara. Protegendo a "esposinha gordinha e traumatizada" para que ninguém fizesse perguntas. Você já se perguntou o porquê?
— Ele me ama — afirmou Clara, embora uma semente de dúvida, plantada há muito tempo no fundo de sua mente, começasse a brotar.
— Ele ama o controle — retrucou Ziggy. — Agora, ou você nos ajuda a salvar essa garota, ou você continua sendo a decoração bonita na casa do xerife enquanto o resto de Shadyside sangra.
Clara olhou para as próprias mãos. Elas não tremiam mais. Pela primeira vez em dezesseis anos, ela sentiu a força que tinha antes do massacre.
— Eu não sou decoração — disse Clara, sua voz agora firme e clara. — Eu sou Clara Goode. E eu sei onde os corpos estão enterrados. Literalmente.
— Então vamos — disse Deena. — Antes que o xerife volte.
Clara pegou seu casaco, mas antes de sair, olhou para o retrato de casamento sobre a lareira. Nick sorria, e ela parecia tão protegida. Ela sabia que, ao cruzar aquela porta com Ziggy e os jovens de Shadyside, o segredo que mantinha seu casamento seguro seria destruído. Mas o cheiro de sangue e a sombra de Sarah Fier não podiam mais ser ignorados.
— Desculpe, Nick — sussurrou ela para a sala vazia. — Mas Shadyside nunca esquece os seus.
Enquanto desciam os degraus da varanda, Clara sentiu o vento frio da noite. Ela não era mais a garota risonha de 1978, e não era mais a esposa silenciosa de 1994. Ela era uma sobrevivente. E a bruxa estava prestes a descobrir que Clara tinha muito a dizer.
Eles sabiam que era errado. Não para as leis do mundo, mas para as leis invisíveis e cruéis que separavam as duas cidades. Ele era o herdeiro de Sunnyvale, o monitor-chefe com um futuro brilhante e o peso de um legado sobre os ombros. Ela era apenas Clara, a garota de Shadyside, conhecida por suas risadas altas, seus cabelos ondulados que nunca paravam no lugar e as curvas que Nick jurava serem a coisa mais bonita que já vira.
— Se alguém nos vir, Nick... — sussurrou ela, as costas pressionadas contra a madeira fria de uma cabana isolada.
— Ninguém vai ver — respondeu ele, a voz rouca, aproximando-se o suficiente para que Clara sentisse o cheiro de pinho e sabão. — Deixe que falem. Deixe que pensem o que quiserem. Hoje é só sobre nós.
Naquela noite, entre promessas sussurradas e o toque suave de peles que não deveriam se conhecer, Clara entregou seu coração. Foi a última vez que ela se sentiu verdadeiramente leve. Horas depois, o sangue tingiu a grama do acampamento. O machado de Tommy Slater cortou o silêncio, e o grito de Ziggy Berman ecoou pela floresta. Clara quase não escapou. Ela viu a escuridão nos olhos de Sarah Fier, sentiu o hálito da morte enquanto se escondia sob o assoalho, sufocando o próprio choro.
Dezesseis anos depois, Clara Goode olhava para o reflexo no espelho de sua casa em Sunnyvale. A garota extrovertida que dançava sob a luz da lua havia morrido naquele acampamento. Em seu lugar, restara uma mulher silenciosa, cujos cabelos ondulados agora viviam presos em um coque severo. Ela ainda era a mulher gordinha que Nick amava, mas a alegria que costumava preencher suas formas havia sido substituída por uma cautela gélida.
— Clara? — A voz de Nick veio do corredor, suave e protetora.
Ele entrou no quarto, ajustando a gravata do uniforme de xerife. Nick havia se tornado exatamente o que o destino exigia, mas com Clara, ele ainda era o garoto de 1978. Ele se aproximou e colocou as mãos sobre os ombros dela, apertando-os levemente.
— Você está bem? Parece distante hoje.
— É o aniversário, Nick — disse ela, a voz baixa, quase um sussurro. — Sempre sinto como se o chão fosse abrir sob meus pés nesta época.
— Eu estou aqui. Ninguém vai te machucar de novo — prometeu ele, beijando o topo de sua cabeça.
O casamento deles era o segredo mais bem guardado da região. Para o público, Nick Goode era o solteiro cobiçado que se casara com uma mulher discreta de fora da cidade. Ninguém em Shadyside sabia que a Clara que sobreviveu ao massacre era a agora "Primeira-Dama" de Sunnyvale. E ninguém em Sunnyvale sabia que a esposa do xerife carregava a marca da maldição de Sarah Fier na alma.
O telefone no andar de baixo tocou, quebrando o momento. Nick desceu para atender, e Clara sentiu um arrepio familiar subir por sua espinha. Minutos depois, Nick voltou, sua expressão era uma máscara de preocupação profissional.
— Houve um incidente no shopping em Shadyside. Mais uma morte. E tem uns garotos... eles estão fazendo perguntas sobre 1978.
Clara sentiu o sangue congelar.
— Ziggy? — foi a única coisa que conseguiu perguntar.
— Eles entraram em contato com ela. E agora, querem vir aqui. Eles acham que ela é a única sobrevivente que pode ajudar.
— Eles não sabem de mim — disse Clara, levantando-se, as mãos tremendo levemente. — Nick, ninguém pode saber. Se descobrirem que eu sobrevivi, que eu sei o que aconteceu... que eu sei sobre a bruxa...
— Eu vou cuidar disso — disse Nick, embora houvesse uma hesitação em seus olhos que Clara não soube interpretar. — Mas eles estão vindo para a delegacia. Deena Johnson e o irmão dela. Eles estão desesperados, Clara. Dizem que a namorada da garota está sendo caçada pelos assassinos do passado.
Clara fechou os olhos. Ela conhecia aquela sensação. A sensação de ser uma presa.
— Eu vou falar com a Ziggy — decidiu Clara. — Se esses garotos estão mexendo com isso, a maldição vai se fortalecer. Eles não têm ideia do que estão enfrentando.
— Clara, não — Nick tentou intervir. — É perigoso.
— Eu já estou morta por dentro desde 78, Nick. A única coisa que me mantém viva é você e o fato de que Ziggy ainda respira.
Horas depois, na penumbra da sala de estar da casa de Nick, o silêncio foi interrompido por batidas frenéticas na porta. Nick não estava; havia saído para "resolver" as coisas na delegacia. Clara abriu a porta e deparou-se com dois adolescentes exaustos, cobertos de sangue e terror. Atrás deles, uma figura familiar, com os cabelos ruivos agora opacos e os olhos carregados de amargura.
— Ziggy — disse Clara, a voz falhando.
— Clara? — Ziggy Berman parou, os olhos arregalados. — O que você está fazendo na casa do Xerife Goode?
Deena Johnson e Simon olharam de uma para a outra, confusos.
— Você a conhece? — perguntou Deena, ofegante. — Viemos atrás de ajuda. A Ziggy disse que havia outra pessoa, mas que ela tinha sumido...
— Eu não sumi — disse Clara, puxando-os para dentro e trancando a porta com três voltas na chave. — Eu apenas me escondi à vista de todos.
— Você é a esposa dele? — Ziggy perguntou, o tom de voz subindo, carregado de uma suspeita antiga. — Você se casou com um Goode, Clara? Depois de tudo o que vimos? Depois do que aconteceu com a minha irmã?
— Ele me salvou, Ziggy! — Clara rebateu, a antiga chama de sua personalidade extrovertida faíscando por um segundo. — Nick me tirou daquele buraco quando ninguém mais ligava para uma garota de Shadyside.
— Ele é um Goode — cuspiu Ziggy. — Eles sempre estão no centro de tudo o que há de errado nesta cidade.
— Parem! — gritou Deena. — Não importa quem é casado com quem. Sam está morrendo! Os assassinos voltaram. O Nightwing, o leiteiro, o cara da máscara de caveira... eles estão todos atrás dela. Sarah Fier quer o sangue dela.
Clara sentiu o peso da verdade esmagando seus ombros. Ela olhou para as fotos de Nick na estante — o herói, o xerife, o homem que a abraçava à noite quando os pesadelos vinham.
— A bruxa não quer apenas sangue — disse Clara, caminhando até a janela e observando a linha das árvores que separava as duas cidades. — Ela quer a verdade. E a verdade é algo que Sunnyvale vem enterrando há séculos.
— Você sabe como pará-la? — perguntou o garoto, Simon, com a voz trêmula.
Clara olhou para Ziggy. As duas eram as únicas que restavam. As sobreviventes de uma noite que nunca terminou.
— Para pará-la, temos que entender por que ela escolhe Shadyside — disse Clara. — E por que Sunnyvale sempre brilha enquanto nós queimamos.
— Nick não vai gostar disso — avisou Ziggy, cruzando os braços, os olhos fixos em Clara. — Ele passou anos mantendo você em uma redoma de vidro, Clara. Protegendo a "esposinha gordinha e traumatizada" para que ninguém fizesse perguntas. Você já se perguntou o porquê?
— Ele me ama — afirmou Clara, embora uma semente de dúvida, plantada há muito tempo no fundo de sua mente, começasse a brotar.
— Ele ama o controle — retrucou Ziggy. — Agora, ou você nos ajuda a salvar essa garota, ou você continua sendo a decoração bonita na casa do xerife enquanto o resto de Shadyside sangra.
Clara olhou para as próprias mãos. Elas não tremiam mais. Pela primeira vez em dezesseis anos, ela sentiu a força que tinha antes do massacre.
— Eu não sou decoração — disse Clara, sua voz agora firme e clara. — Eu sou Clara Goode. E eu sei onde os corpos estão enterrados. Literalmente.
— Então vamos — disse Deena. — Antes que o xerife volte.
Clara pegou seu casaco, mas antes de sair, olhou para o retrato de casamento sobre a lareira. Nick sorria, e ela parecia tão protegida. Ela sabia que, ao cruzar aquela porta com Ziggy e os jovens de Shadyside, o segredo que mantinha seu casamento seguro seria destruído. Mas o cheiro de sangue e a sombra de Sarah Fier não podiam mais ser ignorados.
— Desculpe, Nick — sussurrou ela para a sala vazia. — Mas Shadyside nunca esquece os seus.
Enquanto desciam os degraus da varanda, Clara sentiu o vento frio da noite. Ela não era mais a garota risonha de 1978, e não era mais a esposa silenciosa de 1994. Ela era uma sobrevivente. E a bruxa estava prestes a descobrir que Clara tinha muito a dizer.
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