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Фандом: BTS

Создан: 15.05.2026

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Sincronia Imperfeita

O espelho da sala 4 era o mais impiedoso da prestigiada Academia de Artes de Seul. Ele não escondia a postura levemente curvada pelo cansaço, nem o suor que escorria pelas têmporas de Park Jimin. Para Jimin, a dança contemporânea era uma extensão da alma, algo que exigia leveza, precisão e, acima de tudo, silêncio interno. No entanto, aquele silêncio havia sido brutalmente interrompido no momento em que a porta de carvalho se abriu e Jeon Jungkook entrou no recinto.

Jungkook não caminhava; ele ocupava o espaço. Com seus ombros largos cobertos por uma camiseta preta folgada e o tilintar metálico das correntes na calça cargo, ele parecia um erro sistêmico naquela sala de linhas limpas. O piercing em sua sobrancelha brilhou sob as luzes fluorescentes enquanto ele jogava a mochila em um canto, sem pedir licença.

Jimin parou o movimento de alongamento, os dedos ainda roçando os tornozelos, e lançou um olhar gélido pelo reflexo.

— Você está na sala errada — disse Jimin, sua voz suave, mas cortante como uma lâmina de barbear. — O ensaio de hip-hop é no bloco C. Aqui é a ala de contemporâneo.

Jungkook soltou um riso anasalado, levando a mão aos cabelos pretos e lisos para afastá-los dos olhos. Ele se aproximou, parando a poucos passos de Jimin. O cheiro de amaciante e algo metálico, talvez do piercing no lábio, invadiu o espaço pessoal do loiro.

— Eu sei onde estou, Park — respondeu Jungkook, a voz profunda vibrando no ar. — Eu leio os editais. E, pelo que eu saiba, este estúdio foi reservado para a aula especial de performance mista.

Jimin se levantou devagar, limpando o suor da testa com as costas da mão. Ele era menor que Jungkook, mas sua presença era imponente de uma forma diferente, mais refinada.

— Performance mista não significa que qualquer um pode entrar e bagunçar a técnica alheia. Você dança como se estivesse tentando quebrar o chão, Jeon. Aqui, nós tentamos flutuar sobre ele.

Jungkook arqueou a sobrancelha, um sorriso ladino e provocador surgindo em seu rosto.

— Talvez seja por isso que suas apresentações parecem tão... vazias? — Ele deu um passo à frente, estreitando a distância. — Muita técnica, pouco impacto. Você é como uma boneca de porcelana que tem medo de rachar.

O sangue de Jimin ferveu. Ele abriu a boca para retrucar, para dizer que Jungkook era apenas força bruta sem um pingo de sensibilidade artística, mas o som da porta se abrindo novamente interrompeu o embate.

O Professor Kang entrou na sala com sua costumeira pasta de couro e um olhar que não admitia contestações. Ele observou os dois jovens parados no centro da sala, a tensão entre eles quase palpável, como eletricidade estática antes de uma tempestade.

— Vejo que já se cumprimentaram — disse o professor, caminhando até o sistema de som. — Ótimo. Economiza tempo.

— Professor — Jimin deu um passo à frente, tentando manter a compostura —, houve algum erro na reserva. O Jeon está aqui e...

— Não houve erro nenhum, Jimin — interrompeu Kang, ajustando os óculos. — Este ano, a reitoria decidiu que a apresentação de gala do final do semestre deve focar na fusão de estilos. O contraste entre a fluidez do contemporâneo e a agressividade do urbano.

Jimin sentiu um frio na espinha. Ele olhou de soslaio para Jungkook, que agora cruzava os braços, parecendo subitamente interessado no que o professor dizia.

— E o que isso tem a ver conosco? — perguntou Jungkook, sua voz perdendo a ironia e ganhando um tom de cautela.

— Tem tudo a ver com vocês — o professor se virou, encarando-os seriamente. — Vocês são os melhores de suas respectivas categorias. Jimin, sua técnica é impecável, mas falta-lhe o peso da realidade. Jungkook, sua força é incomparável, mas falta-lhe a sutileza do detalhe. Por isso, decidi que vocês serão uma dupla fixa para a apresentação principal.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Jimin sentiu como se o chão tivesse acabado de sumir sob seus pés. Dupla? Com Jungkook? O homem que representava tudo o que ele detestava na dança — o exibicionismo, a falta de disciplina formal, a arrogância crua?

— O senhor está brincando — soltou Jimin, as palavras escapando antes que pudesse filtrá-las. — Nós não temos nada em comum. Nossos estilos se anulam, eles não se somam.

— É exatamente por isso que vai funcionar — rebateu o professor Kang, sem se abalar. — Ou vocês aprendem a trabalhar juntos, ou ambos perdem a bolsa de excelência este semestre. A escolha é de vocês. Mas as regras são claras: ensaios diários, três horas por dia, começando agora.

O professor deixou um tablet com a música da coreografia sobre o banco e saiu da sala, fechando a porta com um clique que soou como uma sentença de prisão para Jimin.

Jimin ficou parado, olhando para a porta fechada por vários segundos. Ele sentia o olhar de Jungkook queimando em suas costas.

— Bom — Jungkook quebrou o silêncio, sua voz carregada de um desdém divertido —, parece que vamos ter que virar melhores amigos, "boneca de porcelana".

Jimin se virou bruscamente, os olhos brilhando de raiva.

— Não me chame assim. E não pense por um segundo que eu vou facilitar as coisas para você. Eu levo a dança a sério. Se você errar um passo, se chegar um minuto atrasado ou se ousar tratar isso como uma brincadeira de rua, eu farei da sua vida um inferno.

Jungkook deu de ombros, caminhando até o centro da sala e começando a se alongar com uma facilidade irritante.

— Você fala demais, Park. Menos discurso e mais ação. Vamos ver se esse seu corpo esguio aguenta o ritmo de verdade.

Jimin caminhou até o tablet e deu o play na música. Era uma peça experimental, começando com um piano melancólico que logo era invadido por batidas graves e sincopadas. Uma metáfora perfeita para o desastre que seria aquela colaboração.

— A primeira parte é minha — decretou Jimin, posicionando-se. — Eu faço a abertura. Você entra no segundo compasso, tentando me acompanhar. Se conseguir.

— Tentar te acompanhar? — Jungkook soltou uma risada curta e seca. — Eu vou te dar o suporte que você claramente não tem, loirinho.

O ensaio começou de forma caótica. Jimin se movia com a elegância de um cisne, seus braços desenhando arcos perfeitos no ar, cada transição calculada até o milímetro. Mas, quando Jungkook entrava, o equilíbrio se perdia. Jungkook era explosivo; seus movimentos tinham uma urgência que parecia sufocar a delicadeza de Jimin.

— Você está entrando muito cedo! — gritou Jimin, parando a música após a décima tentativa frustrada de um lift. — Você precisa esperar o tempo do adágio. Você não está em uma batalha de break, Jeon!

— E você precisa parar de ser tão rígido! — rebateu Jungkook, limpando o suor do pescoço, o que fez suas tatuagens no braço brilharem sob as luzes. — A música pede entrega, não um manual de instruções. Se você não se inclinar para trás com confiança, eu não tenho como te segurar. Você não confia em mim.

— Confiar em você? — Jimin riu, uma risada sem humor. — Eu mal te conheço e o pouco que conheço me diz que você é um irresponsável que se acha o centro do universo. Como eu vou confiar meu corpo a alguém que não respeita a técnica?

Jungkook deu dois passos rápidos, parando tão perto de Jimin que o loiro pôde ver as pequenas cicatrizes em suas mãos e a intensidade sombria em seus olhos escuros.

— O seu problema não é a técnica, Park. É o medo. Você tem medo de perder o controle. Tem medo de que, se alguém te tocar de verdade, sua fachada de perfeição desmorone.

Jimin sentiu o rosto esquentar, não apenas de cansaço. A audácia de Jungkook era insuportável.

— Você não sabe nada sobre mim — sibilou Jimin.

— Eu sei o que vejo quando você dança — Jungkook baixou a voz, tornando-a perigosamente suave. — Eu vejo alguém que está gritando por dentro, mas que só deixa sair sussurros educados.

Antes que Jimin pudesse responder, Jungkook segurou-o pela cintura. O toque foi firme, as mãos grandes do moreno envolvendo a cintura fina de Jimin com uma posse que o fez perder o fôlego por um segundo.

— O que você está fazendo? — Jimin tentou se soltar, mas Jungkook o segurou com mais força, sem machucá-lo, mas deixando claro que não o soltaria.

— Vamos fazer o lift de novo. Sem música. Apenas sinta o tempo. Quando eu disser "agora", você pula. Não pense no ângulo do seu pé ou na curvatura das suas costas. Apenas pule.

Jimin olhou nos olhos de Jungkook. Ele queria gritar, queria empurrá-lo e sair correndo daquela sala, mas a menção à bolsa de estudos pesava em sua mente. Ele precisava daquilo. Ele precisava ser o melhor.

— Tudo bem — cedeu Jimin, a voz quase um sussurro. — Mas se você me deixar cair, eu juro que acabo com a sua carreira antes mesmo de ela começar.

Jungkook sorriu, e dessa vez não parecia tão sarcástico. Havia um brilho de desafio genuíno ali.

— Eu não solto o que é importante, Park.

Eles se posicionaram. O silêncio na sala era denso, preenchido apenas pela respiração pesada de ambos. Jimin respirou fundo, fechando os olhos por um momento para tentar encontrar seu centro. Ele sentiu as mãos de Jungkook se ajustarem em seus quadris, o calor emanando do corpo do outro.

— Agora — comandou Jungkook.

Jimin saltou. Por uma fração de segundo, ele sentiu a familiar sensação de desamparo que o ar proporcionava, mas, antes que a gravidade pudesse reclamá-lo, as mãos de Jungkook o impulsionaram para cima. O movimento foi fluido, inesperadamente suave. Jungkook o ergueu com uma força que parecia não exigir esforço, sustentando-o acima da cabeça.

Lá do alto, Jimin abriu os olhos. Pela primeira vez, ele não estava preocupado com a linha de sua perna. Ele sentiu a estabilidade dos braços de Jungkook, a base sólida que o mantinha seguro. Era como se, por um breve instante, o caos de seus estilos tivesse encontrado um ponto de equilíbrio.

Jungkook o desceu devagar. Quando os pés de Jimin tocaram o chão, eles ainda estavam próximos, os rostos a centímetros de distância. A respiração de um batia na pele do outro. O coração de Jimin martelava contra as costelas, e ele não tinha certeza se era pelo esforço físico ou pela proximidade desconcertante de Jeon.

Jungkook não o soltou imediatamente. Ele observou Jimin, seus olhos descendo por um momento para os lábios carnudos do loiro antes de voltarem para as íris amendoadas.

— Viu? — murmurou Jungkook, a voz rouca. — Você não quebrou.

Jimin engoliu em seco, recuperando a compostura e se afastando bruscamente. Ele ajeitou a regata, tentando ignorar o tremor em suas mãos.

— Foi... aceitável — disse Jimin, recuperando seu tom altivo, embora suas bochechas ainda estivessem coradas. — Mas o tempo do pouso ainda está atrasado. Precisamos repetir mais cem vezes se quisermos que isso pareça profissional.

Jungkook soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás.

— Cem vezes? Você é um carrasco, Park Jimin.

— Eu sou alguém que quer ganhar — retrucou Jimin, voltando para o sistema de som. — Se você não aguenta o tranco, a porta está aberta.

Jungkook caminhou até o centro da sala, limpando o suor da testa com a barra da camiseta, revelando por um breve segundo o abdômen definido e mais algumas tatuagens que subiam pela costela. Jimin desviou o olhar rapidamente, focando na tela do tablet.

— Eu aguento qualquer coisa que você jogar em mim — disse Jungkook, a voz carregada de uma promessa implícita. — Só espero que você esteja pronto para o que eu vou jogar de volta.

O resto da tarde foi um borrão de dor muscular, discussões acaloradas e pequenos momentos de uma sincronia assustadora. Eles eram como óleo e água, recusando-se a se misturar, mas, de alguma forma, criando um padrão complexo e fascinante no processo.

Quando o sol começou a se pôr, pintando o estúdio com tons de laranja e violeta, ambos estavam exaustos. Jungkook estava sentado no chão, encostado no espelho, bebendo água como se tivesse atravessado um deserto. Jimin estava parado junto à janela, observando o movimento lá fora, tentando processar a turbulência de emoções que aquele primeiro ensaio havia despertado.

— Amanhã, no mesmo horário? — perguntou Jungkook, sua voz ecoando na sala vazia.

Jimin se virou. Ele parecia menor sob a luz do crepúsculo, mais vulnerável.

— Sim. E não se atrase. Eu tenho aula de monitoria antes do ensaio, então estarei aqui de qualquer forma.

Jungkook se levantou, pegando sua mochila. Ele caminhou até a porta, mas parou antes de sair.

— Ei, Jimin.

O loiro olhou para ele, surpreso pelo uso de seu nome sem o tom de deboche.

— O quê?

— Você dança bem. Só precisa aprender a respirar fora da contagem.

Antes que Jimin pudesse pensar em uma resposta, Jungkook saiu, deixando para trás apenas o silêncio e o rastro de sua presença avassaladora.

Jimin soltou um suspiro longo que não sabia que estava segurando. Ele olhou para suas próprias mãos, ainda sentindo o fantasma do toque de Jungkook em sua pele. Ele odiava a forma como Jungkook o desafiava, odiava a maneira como ele parecia ler através de suas defesas. Mas, acima de tudo, ele odiava o fato de que, pela primeira vez em anos, ele estava ansioso pelo próximo ensaio.

A apresentação de gala estava a meses de distância, mas Jimin já sabia que aquele semestre mudaria tudo. Ele só não tinha certeza se, ao final dele, ele ainda seria a mesma pessoa ou se Jeon Jungkook acabaria por despedaçar sua porcelana de vez.

Ele caminhou até o espelho, apagando as luzes e deixando a sala na penumbra.

— Respirar fora da contagem... — sussurrou para si mesmo, testando a ideia.

Lá fora, a cidade de Seul brilhava, indiferente ao pequeno universo de tensão que acabara de ser criado entre quatro paredes espelhadas. A dança havia começado, e nenhum deles tinha o poder de parar a música agora.
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