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Hockey
Фандом: Romance
Создан: 16.05.2026
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O Acordo de Gelo e Fogo
O som ambiente do *Blue Line Diner* era uma mistura caótica de tilintar de talheres, o chiado da chapa e o burburinho constante dos estudantes da Universidade de Vermont. Lilly deslizava entre as mesas com uma agilidade impressionante para alguém de sua estatura. Seu avental estava levemente manchado de café, e seus cabelos castanhos, presos em um rabo de cavalo alto, balançavam conforme ela anotava pedidos.
Ela parou diante da mesa do canto, a mais afastada da janela, onde uma figura imponente ocupava quase todo o espaço do banco de couro. Lucas, o capitão do time de hóquei, parecia deslocado naquele ambiente rústico. Com seus ombros largos, cabelos negros desalinhados e olhos azuis que pareciam analisar cada átomo de oxigênio ao seu redor, ele exalava uma masculinidade dominante que costumava intimidar qualquer um.
Qualquer um, menos Lilly.
— O de sempre, Lucas? Ou veio aqui apenas para ocupar o espaço de dois clientes pagantes com esse seu tamanho descomunal? — perguntou ela, com um sorriso sarcástico que contrastava com a doçura de seu rosto.
Lucas levantou o olhar do papel amassado sobre a mesa — o resultado desastroso da prova de História da Arte Contemporânea. Um "D" vermelho gigante brilhava como uma ferida aberta.
— Engraçadinha como sempre, Pequena — ele retrucou, a voz grave e carregada de ironia. — Eu preciso de um café preto, forte o suficiente para me fazer esquecer que Picasso provavelmente me odiaria. E preciso que você pare de ser teimosa e aceite minha proposta.
Lilly revirou os olhos verdes, guardando o bloco de notas no bolso.
— Já disse mil vezes: eu não sou tutora particular. Tenho dois empregos, uma carga horária completa e zero paciência para ensinar a diferença entre Cubismo e Surrealismo para alguém que só pensa em discos de borracha e brigas no gelo.
— Eu não penso só em hóquei — ele rebateu, inclinando-se para frente, o que a fez notar o quão azul eram seus olhos de perto. — Às vezes eu penso em como meu pai vai reagir quando descobrir que o "prodígio da família" vai ser reprovado em uma optativa de artes. Ele já comprou a manchete: "Filho de lenda do hóquei é burro demais para entender uma tela borrada".
Lilly suavizou a expressão por um segundo. Todos conheciam a fama do pai de Lucas, e a pressão que o capitão sofria para ser uma versão aprimorada do velho era assunto constante nos corredores. Mas ela logo recuperou sua postura.
— Sinto muito, Lucas. Mas meu tempo é dinheiro. Literalmente.
— Eu te pago o dobro do que você ganha aqui — ele ofereceu, mas ao ver o olhar ofendido dela, mudou de tática rapidamente. — Ok, ok. Sem dinheiro. Mas e se eu te desse algo que você quer muito, mas não tem coragem de pegar?
Lilly arqueou uma sobrancelha, intrigada.
— E o que seria isso?
Lucas deu um sorriso de lado, aquele tipo de sorriso predatório que fazia as garotas do campus suspirarem, mas que para Lilly parecia apenas o prenúncio de uma encrenca. Ele inclinou a cabeça em direção à janela, onde, do outro lado da rua, um grupo de estudantes de música se reunia. No centro deles, estava Justin.
Justin era o oposto de Lucas. Tinha um ar artístico, usava jaquetas de couro vintage, carregava um violão e tinha um sorriso que Lilly considerava "profundo", embora Lucas o achasse apenas "pretensioso".
— O guitarrista de meia pataca — murmurou Lucas, voltando a atenção para Lilly. — Eu vi como você olha para ele na aula de História da Música. E vi como ele nem percebe que você existe porque está ocupado demais tentando parecer um poeta incompreendido.
Lilly sentiu as bochechas queimarem, um rubor rosado subindo por sua pele alva.
— Você não sabe do que está falando.
— Ah, eu sei. Eu sou um observador, Lilly. É assim que eu antecipo as jogadas no gelo — ele disse, batendo com os dedos na mesa. — Você quer o Justin. Mas você é... bem, você. Doce, tímida, a garota que se esconde atrás de livros e bandejas. Ele nunca vai te notar se você continuar sendo a "garota do café".
— E o que o grande capitão do time de hóquei sugere? — perguntou ela, cruzando os braços, a língua afiada pronta para o contra-ataque.
— Um acordo — Lucas propôs, a voz ficando mais séria. — Você me ensina a passar nessa matéria idiota. Eu não posso ser reprovado, Lilly, meu lugar no draft da NHL depende das minhas notas este semestre. Em troca, eu te ajudo a conquistar o Justin.
Lilly soltou uma risada curta e incrédula.
— E como você faria isso? Vai dar um *check* nele contra a parede?
— Melhor que isso — ele disse, com um brilho malicioso nos olhos. — Eu vou ser o seu namorado. Ou melhor, as pessoas vão achar que eu sou.
Lilly piscou, processando a informação.
— Você enlouqueceu? Por que eu fingiria namorar você atrairia o Justin?
— Porque homens como o Justin são movidos pelo ego — explicou Lucas, recostando-se no banco com uma confiança irritante. — No momento, você é invisível para ele. Mas se a capitão do time de hóquei, o cara que todas as garotas querem, estiver interessado em você... de repente, você se torna o troféu mais valioso do campus. Ele vai querer saber o que você tem que eu vi. Ele vai querer o que eu tenho. É instinto básico, Pequena.
Lilly ficou em silêncio por um longo momento. Ela olhou para Justin através do vidro, vendo-o rir de algo que uma garota de franja disse. Depois, olhou para Lucas. Ele era arrogante, mandão e possessivo até com o espaço ao seu redor, mas havia uma sinceridade estranha em seus olhos azuis quando falava sobre a pressão do pai.
— Você realmente acha que isso funcionaria? — perguntou ela, a voz baixa.
— Eu garanto — afirmou ele. — Além disso, eu sou um ótimo ator. E sou muito bom em ser... atencioso.
Lilly mordeu o lábio inferior, uma mania que Lucas notou imediatamente.
— Duas vezes por semana — disse ela, finalmente. — Na biblioteca. E você tem que ler os textos, nada de esperar que eu mastigue tudo para você.
Lucas estendeu a mão grande e calejada sobre a mesa.
— Negócio fechado. Mas temos que começar agora.
— Agora? — ela estranhou. — Eu ainda estou no meu turno.
— Ótimo — Lucas sorriu, e Lilly sentiu um frio na espinha que não tinha nada a ver com o ar-condicionado do diner. — O Justin está vindo para cá com a banda dele.
Lilly entrou em pânico interno, mas manteve a expressão neutra. Ela viu a porta se abrir e o sininho tocar. Justin e seus amigos entraram, trazendo consigo o cheiro de cigarro e o som de risadas altas.
— O que eu faço? — sussurrou ela, desesperada.
— Apenas me traga o café — ordenou Lucas, sua voz assumindo aquele tom dominante que não aceitava réplicas. — E quando trouxer, tente não parecer que quer fugir de mim.
Lilly respirou fundo e foi buscar o pedido. Quando voltou, seu coração martelava contra as costelas. Ela colocou a caneca de café na frente de Lucas, mas antes que pudesse se afastar, ele segurou seu pulso. Não foi um aperto forte, mas era firme e quente.
— Ei — disse ele, alto o suficiente para que a mesa vizinha, onde Justin estava se sentando, pudesse ouvir. — Você esqueceu de uma coisa.
Lilly congelou.
— O... o quê?
Lucas se levantou. Ele era muito mais alto que ela, obrigando-a a inclinar a cabeça para trás para encará-lo. Diante de todo o restaurante, ele levou a mão livre ao rosto dela, o polegar acariciando levemente sua bochecha redonda.
— Você esqueceu de me dizer que horas eu te busco hoje à noite — ele disse, a voz subindo um oitavo, carregada de um charme falso, mas terrivelmente convincente.
Lilly viu, pelo canto do olho, Justin parar de rir e olhar na direção deles. A expressão do músico era de pura confusão.
— Às oito? — conseguiu dizer Lilly, improvisando enquanto sentia o calor da mão de Lucas incendiar sua pele.
— Perfeito — Lucas sorriu, aproximando-se do ouvido dela, sussurrando para que apenas ela ouvisse: — Você é uma péssima mentirosa, Lilly, mas seu rosto corado ajuda muito. Sorria para mim, Pequena. O show começou.
Lilly forçou um sorriso, sentindo-se como se estivesse entrando em um jogo onde as regras eram desconhecidas e o capitão do time era quem segurava o taco.
— Com licença, Lucas — disse ela, tentando recuperar a compostura. — Tenho outros clientes.
— Claro — ele soltou o pulso dela, mas não antes de dar uma piscadela. — Vejo você na aula amanhã. Não se atrase, eu sinto sua falta quando você não está por perto.
Ele voltou a se sentar e pegou o café, agindo como se nada tivesse acontecido. Lilly caminhou até o balcão, sentindo os olhos de Justin queimarem em suas costas pela primeira vez em três anos.
— Isso vai ser um desastre — murmurou ela para si mesma, enquanto guardava a bandeja.
— Isso vai ser divertido — pensou Lucas, observando a reação de Justin pelo reflexo da colher de metal.
Ele odiava História da Arte, odiava a pressão do pai e odiava o fato de que precisava de ajuda. Mas, olhando para a pequena e inteligente Lilly, ele percebeu que aquele "acordo" poderia ter benefícios que ele ainda não tinha calculado. Ela era afiada, rápida e tinha um cheiro de baunilha que estava começando a distraí-lo mais do que os esquemas táticos de hóquei.
O jogo tinha começado, e Lucas não pretendia perder.
***
No dia seguinte, a biblioteca da universidade estava silenciosa, exceto pelo som de páginas virando e o sussurro abafado dos estudantes. Lilly estava sentada em uma mesa nos fundos, cercada por livros de capa dura e anotações coloridas. Ela olhou para o relógio pela décima vez.
— Ele está atrasado — resmungou, batendo a caneta na mesa.
— Cinco minutos não é atraso, é suspense — a voz de Lucas ecoou atrás dela.
Ele se sentou na cadeira ao lado, ocupando um espaço desproporcional. Ele usava o casaco do time, azul e branco, e exalava um frescor de quem tinha acabado de sair do treino.
— Vamos começar — disse Lilly, abrindo o livro na página marcada. — Hoje falaremos sobre o Renascimento.
— Ah, sim. Caras pelados e tetos de igreja — Lucas ironizou, abrindo seu caderno virgem.
— É muito mais que isso, Lucas. É sobre a redescoberta da humanidade, da proporção, da luz... — ela começou a falar, e quando Lilly falava sobre algo que amava, sua voz mudava. Ela perdia a defensividade e se tornava vibrante.
Lucas a observava. Ele não estava prestando atenção em Michelangelo ou Da Vinci. Ele estava observando como os lábios dela se moviam, como ela gesticulava com as mãos pequenas e como seus olhos verdes brilhavam sob a luz fluorescente da biblioteca.
— Você fala muito — interrompeu ele, sem agressividade, apenas constatando.
Lilly parou no meio de uma frase, as bochechas ficando levemente rosadas.
— Desculpe. Eu me empolgo.
— Não peça desculpas. É melhor do que ouvir o meu treinador gritando sobre posicionamento defensivo — ele disse, recostando-se na cadeira. — Mas agora, vamos falar sobre a parte B do acordo.
Ele se inclinou para mais perto, o braço forte descansando na mesa perto do dela.
— O Justin está três mesas à esquerda. Ele está fingindo ler um livro de poesia, mas olhou para cá quatro vezes nos últimos dez minutos.
Lilly sentiu o coração disparar. Ela não ousou olhar.
— E o que eu faço?
— Nada. Deixe que eu faço — Lucas disse.
Ele esticou a mão e, com uma delicadeza que Lilly não achava que ele possuía, afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, prendendo-a atrás da orelha. O toque de seus dedos contra a têmpora dela fez Lilly prender a respiração.
— O que você está fazendo? — sussurrou ela.
— Criando uma cena — respondeu ele, a voz baixa e rouca. — Para ele, parece que estou te dizendo algo íntimo. Para ele, parece que eu não consigo tirar as mãos de você.
Lucas manteve a mão ali por um momento a mais do que o necessário. Seus olhos azuis encontraram os verdes de Lilly, e por um segundo, a encenação pareceu real demais. A intensidade do olhar dele era avassaladora, uma mistura de possessividade instintiva e uma curiosidade genuína.
— Você é muito bonita quando está distraída, Lilly — ele disse, e desta vez, não havia ironia em sua voz.
Ela engoliu em seco, sentindo-se vulnerável sob aquele escrutínio.
— Isso... isso faz parte do plano? — perguntou ela, a voz falhando levemente.
Lucas deu um sorriso lento, voltando à sua postura habitual de sarcasmo, mas seus olhos ainda mantinham aquele brilho intenso.
— Digamos que eu gosto de ser minucioso nos meus projetos. Agora, volte a falar sobre os caras pelados nas igrejas. O Justin está parecendo que vai ter um colapso de ciúmes a qualquer momento, e eu ainda preciso entender por que aquele teto é tão importante.
Lilly tentou retomar a explicação, mas as palavras pareciam fugir de sua mente. O calor do toque de Lucas ainda permanecia em sua pele, e o "acordo" que parecia tão simples no diner agora parecia muito mais complicado.
Ela sabia como se defender de valentões e como lidar com clientes rudes, mas não tinha ideia de como lidar com Lucas. Ele era uma força da natureza, um homem que não aceitava "não" como resposta e que parecia determinado a virar o mundo dela de cabeça para baixo.
E o pior de tudo? Lilly estava começando a desconfiar que, no final daquele jogo, o prêmio que ela tanto desejava — a atenção de Justin — talvez não fosse mais o que ela realmente queria ganhar.
— Concentre-se, Pequena — Lucas brincou, percebendo o silêncio dela. — Ou vou achar que meu charme está funcionando com você também.
— Nos seus sonhos, capitão — retrucou ela, recuperando a língua afiada. — Página 142. Agora.
Lucas riu, um som rico e vibrante que atraiu ainda mais olhares na biblioteca. Ele abriu o livro, mas seu olhar permaneceu em Lilly por mais um segundo. O gelo estava começando a derreter, e nenhum dos dois estava preparado para o que viria quando a água começasse a correr.
Ela parou diante da mesa do canto, a mais afastada da janela, onde uma figura imponente ocupava quase todo o espaço do banco de couro. Lucas, o capitão do time de hóquei, parecia deslocado naquele ambiente rústico. Com seus ombros largos, cabelos negros desalinhados e olhos azuis que pareciam analisar cada átomo de oxigênio ao seu redor, ele exalava uma masculinidade dominante que costumava intimidar qualquer um.
Qualquer um, menos Lilly.
— O de sempre, Lucas? Ou veio aqui apenas para ocupar o espaço de dois clientes pagantes com esse seu tamanho descomunal? — perguntou ela, com um sorriso sarcástico que contrastava com a doçura de seu rosto.
Lucas levantou o olhar do papel amassado sobre a mesa — o resultado desastroso da prova de História da Arte Contemporânea. Um "D" vermelho gigante brilhava como uma ferida aberta.
— Engraçadinha como sempre, Pequena — ele retrucou, a voz grave e carregada de ironia. — Eu preciso de um café preto, forte o suficiente para me fazer esquecer que Picasso provavelmente me odiaria. E preciso que você pare de ser teimosa e aceite minha proposta.
Lilly revirou os olhos verdes, guardando o bloco de notas no bolso.
— Já disse mil vezes: eu não sou tutora particular. Tenho dois empregos, uma carga horária completa e zero paciência para ensinar a diferença entre Cubismo e Surrealismo para alguém que só pensa em discos de borracha e brigas no gelo.
— Eu não penso só em hóquei — ele rebateu, inclinando-se para frente, o que a fez notar o quão azul eram seus olhos de perto. — Às vezes eu penso em como meu pai vai reagir quando descobrir que o "prodígio da família" vai ser reprovado em uma optativa de artes. Ele já comprou a manchete: "Filho de lenda do hóquei é burro demais para entender uma tela borrada".
Lilly suavizou a expressão por um segundo. Todos conheciam a fama do pai de Lucas, e a pressão que o capitão sofria para ser uma versão aprimorada do velho era assunto constante nos corredores. Mas ela logo recuperou sua postura.
— Sinto muito, Lucas. Mas meu tempo é dinheiro. Literalmente.
— Eu te pago o dobro do que você ganha aqui — ele ofereceu, mas ao ver o olhar ofendido dela, mudou de tática rapidamente. — Ok, ok. Sem dinheiro. Mas e se eu te desse algo que você quer muito, mas não tem coragem de pegar?
Lilly arqueou uma sobrancelha, intrigada.
— E o que seria isso?
Lucas deu um sorriso de lado, aquele tipo de sorriso predatório que fazia as garotas do campus suspirarem, mas que para Lilly parecia apenas o prenúncio de uma encrenca. Ele inclinou a cabeça em direção à janela, onde, do outro lado da rua, um grupo de estudantes de música se reunia. No centro deles, estava Justin.
Justin era o oposto de Lucas. Tinha um ar artístico, usava jaquetas de couro vintage, carregava um violão e tinha um sorriso que Lilly considerava "profundo", embora Lucas o achasse apenas "pretensioso".
— O guitarrista de meia pataca — murmurou Lucas, voltando a atenção para Lilly. — Eu vi como você olha para ele na aula de História da Música. E vi como ele nem percebe que você existe porque está ocupado demais tentando parecer um poeta incompreendido.
Lilly sentiu as bochechas queimarem, um rubor rosado subindo por sua pele alva.
— Você não sabe do que está falando.
— Ah, eu sei. Eu sou um observador, Lilly. É assim que eu antecipo as jogadas no gelo — ele disse, batendo com os dedos na mesa. — Você quer o Justin. Mas você é... bem, você. Doce, tímida, a garota que se esconde atrás de livros e bandejas. Ele nunca vai te notar se você continuar sendo a "garota do café".
— E o que o grande capitão do time de hóquei sugere? — perguntou ela, cruzando os braços, a língua afiada pronta para o contra-ataque.
— Um acordo — Lucas propôs, a voz ficando mais séria. — Você me ensina a passar nessa matéria idiota. Eu não posso ser reprovado, Lilly, meu lugar no draft da NHL depende das minhas notas este semestre. Em troca, eu te ajudo a conquistar o Justin.
Lilly soltou uma risada curta e incrédula.
— E como você faria isso? Vai dar um *check* nele contra a parede?
— Melhor que isso — ele disse, com um brilho malicioso nos olhos. — Eu vou ser o seu namorado. Ou melhor, as pessoas vão achar que eu sou.
Lilly piscou, processando a informação.
— Você enlouqueceu? Por que eu fingiria namorar você atrairia o Justin?
— Porque homens como o Justin são movidos pelo ego — explicou Lucas, recostando-se no banco com uma confiança irritante. — No momento, você é invisível para ele. Mas se a capitão do time de hóquei, o cara que todas as garotas querem, estiver interessado em você... de repente, você se torna o troféu mais valioso do campus. Ele vai querer saber o que você tem que eu vi. Ele vai querer o que eu tenho. É instinto básico, Pequena.
Lilly ficou em silêncio por um longo momento. Ela olhou para Justin através do vidro, vendo-o rir de algo que uma garota de franja disse. Depois, olhou para Lucas. Ele era arrogante, mandão e possessivo até com o espaço ao seu redor, mas havia uma sinceridade estranha em seus olhos azuis quando falava sobre a pressão do pai.
— Você realmente acha que isso funcionaria? — perguntou ela, a voz baixa.
— Eu garanto — afirmou ele. — Além disso, eu sou um ótimo ator. E sou muito bom em ser... atencioso.
Lilly mordeu o lábio inferior, uma mania que Lucas notou imediatamente.
— Duas vezes por semana — disse ela, finalmente. — Na biblioteca. E você tem que ler os textos, nada de esperar que eu mastigue tudo para você.
Lucas estendeu a mão grande e calejada sobre a mesa.
— Negócio fechado. Mas temos que começar agora.
— Agora? — ela estranhou. — Eu ainda estou no meu turno.
— Ótimo — Lucas sorriu, e Lilly sentiu um frio na espinha que não tinha nada a ver com o ar-condicionado do diner. — O Justin está vindo para cá com a banda dele.
Lilly entrou em pânico interno, mas manteve a expressão neutra. Ela viu a porta se abrir e o sininho tocar. Justin e seus amigos entraram, trazendo consigo o cheiro de cigarro e o som de risadas altas.
— O que eu faço? — sussurrou ela, desesperada.
— Apenas me traga o café — ordenou Lucas, sua voz assumindo aquele tom dominante que não aceitava réplicas. — E quando trouxer, tente não parecer que quer fugir de mim.
Lilly respirou fundo e foi buscar o pedido. Quando voltou, seu coração martelava contra as costelas. Ela colocou a caneca de café na frente de Lucas, mas antes que pudesse se afastar, ele segurou seu pulso. Não foi um aperto forte, mas era firme e quente.
— Ei — disse ele, alto o suficiente para que a mesa vizinha, onde Justin estava se sentando, pudesse ouvir. — Você esqueceu de uma coisa.
Lilly congelou.
— O... o quê?
Lucas se levantou. Ele era muito mais alto que ela, obrigando-a a inclinar a cabeça para trás para encará-lo. Diante de todo o restaurante, ele levou a mão livre ao rosto dela, o polegar acariciando levemente sua bochecha redonda.
— Você esqueceu de me dizer que horas eu te busco hoje à noite — ele disse, a voz subindo um oitavo, carregada de um charme falso, mas terrivelmente convincente.
Lilly viu, pelo canto do olho, Justin parar de rir e olhar na direção deles. A expressão do músico era de pura confusão.
— Às oito? — conseguiu dizer Lilly, improvisando enquanto sentia o calor da mão de Lucas incendiar sua pele.
— Perfeito — Lucas sorriu, aproximando-se do ouvido dela, sussurrando para que apenas ela ouvisse: — Você é uma péssima mentirosa, Lilly, mas seu rosto corado ajuda muito. Sorria para mim, Pequena. O show começou.
Lilly forçou um sorriso, sentindo-se como se estivesse entrando em um jogo onde as regras eram desconhecidas e o capitão do time era quem segurava o taco.
— Com licença, Lucas — disse ela, tentando recuperar a compostura. — Tenho outros clientes.
— Claro — ele soltou o pulso dela, mas não antes de dar uma piscadela. — Vejo você na aula amanhã. Não se atrase, eu sinto sua falta quando você não está por perto.
Ele voltou a se sentar e pegou o café, agindo como se nada tivesse acontecido. Lilly caminhou até o balcão, sentindo os olhos de Justin queimarem em suas costas pela primeira vez em três anos.
— Isso vai ser um desastre — murmurou ela para si mesma, enquanto guardava a bandeja.
— Isso vai ser divertido — pensou Lucas, observando a reação de Justin pelo reflexo da colher de metal.
Ele odiava História da Arte, odiava a pressão do pai e odiava o fato de que precisava de ajuda. Mas, olhando para a pequena e inteligente Lilly, ele percebeu que aquele "acordo" poderia ter benefícios que ele ainda não tinha calculado. Ela era afiada, rápida e tinha um cheiro de baunilha que estava começando a distraí-lo mais do que os esquemas táticos de hóquei.
O jogo tinha começado, e Lucas não pretendia perder.
***
No dia seguinte, a biblioteca da universidade estava silenciosa, exceto pelo som de páginas virando e o sussurro abafado dos estudantes. Lilly estava sentada em uma mesa nos fundos, cercada por livros de capa dura e anotações coloridas. Ela olhou para o relógio pela décima vez.
— Ele está atrasado — resmungou, batendo a caneta na mesa.
— Cinco minutos não é atraso, é suspense — a voz de Lucas ecoou atrás dela.
Ele se sentou na cadeira ao lado, ocupando um espaço desproporcional. Ele usava o casaco do time, azul e branco, e exalava um frescor de quem tinha acabado de sair do treino.
— Vamos começar — disse Lilly, abrindo o livro na página marcada. — Hoje falaremos sobre o Renascimento.
— Ah, sim. Caras pelados e tetos de igreja — Lucas ironizou, abrindo seu caderno virgem.
— É muito mais que isso, Lucas. É sobre a redescoberta da humanidade, da proporção, da luz... — ela começou a falar, e quando Lilly falava sobre algo que amava, sua voz mudava. Ela perdia a defensividade e se tornava vibrante.
Lucas a observava. Ele não estava prestando atenção em Michelangelo ou Da Vinci. Ele estava observando como os lábios dela se moviam, como ela gesticulava com as mãos pequenas e como seus olhos verdes brilhavam sob a luz fluorescente da biblioteca.
— Você fala muito — interrompeu ele, sem agressividade, apenas constatando.
Lilly parou no meio de uma frase, as bochechas ficando levemente rosadas.
— Desculpe. Eu me empolgo.
— Não peça desculpas. É melhor do que ouvir o meu treinador gritando sobre posicionamento defensivo — ele disse, recostando-se na cadeira. — Mas agora, vamos falar sobre a parte B do acordo.
Ele se inclinou para mais perto, o braço forte descansando na mesa perto do dela.
— O Justin está três mesas à esquerda. Ele está fingindo ler um livro de poesia, mas olhou para cá quatro vezes nos últimos dez minutos.
Lilly sentiu o coração disparar. Ela não ousou olhar.
— E o que eu faço?
— Nada. Deixe que eu faço — Lucas disse.
Ele esticou a mão e, com uma delicadeza que Lilly não achava que ele possuía, afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, prendendo-a atrás da orelha. O toque de seus dedos contra a têmpora dela fez Lilly prender a respiração.
— O que você está fazendo? — sussurrou ela.
— Criando uma cena — respondeu ele, a voz baixa e rouca. — Para ele, parece que estou te dizendo algo íntimo. Para ele, parece que eu não consigo tirar as mãos de você.
Lucas manteve a mão ali por um momento a mais do que o necessário. Seus olhos azuis encontraram os verdes de Lilly, e por um segundo, a encenação pareceu real demais. A intensidade do olhar dele era avassaladora, uma mistura de possessividade instintiva e uma curiosidade genuína.
— Você é muito bonita quando está distraída, Lilly — ele disse, e desta vez, não havia ironia em sua voz.
Ela engoliu em seco, sentindo-se vulnerável sob aquele escrutínio.
— Isso... isso faz parte do plano? — perguntou ela, a voz falhando levemente.
Lucas deu um sorriso lento, voltando à sua postura habitual de sarcasmo, mas seus olhos ainda mantinham aquele brilho intenso.
— Digamos que eu gosto de ser minucioso nos meus projetos. Agora, volte a falar sobre os caras pelados nas igrejas. O Justin está parecendo que vai ter um colapso de ciúmes a qualquer momento, e eu ainda preciso entender por que aquele teto é tão importante.
Lilly tentou retomar a explicação, mas as palavras pareciam fugir de sua mente. O calor do toque de Lucas ainda permanecia em sua pele, e o "acordo" que parecia tão simples no diner agora parecia muito mais complicado.
Ela sabia como se defender de valentões e como lidar com clientes rudes, mas não tinha ideia de como lidar com Lucas. Ele era uma força da natureza, um homem que não aceitava "não" como resposta e que parecia determinado a virar o mundo dela de cabeça para baixo.
E o pior de tudo? Lilly estava começando a desconfiar que, no final daquele jogo, o prêmio que ela tanto desejava — a atenção de Justin — talvez não fosse mais o que ela realmente queria ganhar.
— Concentre-se, Pequena — Lucas brincou, percebendo o silêncio dela. — Ou vou achar que meu charme está funcionando com você também.
— Nos seus sonhos, capitão — retrucou ela, recuperando a língua afiada. — Página 142. Agora.
Lucas riu, um som rico e vibrante que atraiu ainda mais olhares na biblioteca. Ele abriu o livro, mas seu olhar permaneceu em Lilly por mais um segundo. O gelo estava começando a derreter, e nenhum dos dois estava preparado para o que viria quando a água começasse a correr.
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