Fanfy
.studio
Загрузка...
Фоновое изображение
← Назад
0 лайков

Amigos a amores

Фандом: Off campus série

Создан: 16.05.2026

Теги

РомантикаДрамаHurt/ComfortПовседневностьSongficCharacter studyСоулмейтыСеттинг оригинального произведенияФлаффЗанавесочная историяАнгстЗлоупотребление алкоголем
Содержание

Acordes Ocultos e Olhares de Âmbar

O ar gélido de Briar parecia cortar a pele, mas dentro do apartamento de Garrett Graham, o clima era o oposto. O som de risadas e o baque surdo de copos de plástico sobre a mesa de centro criavam a sinfonia caótica que Maya Rozwadowski já começava a chamar de lar. Sentada no sofá entre Hannah e Allie, ela sentia o peso suave do luto que carregava — a ausência abrupta dos pais ainda era uma sombra constante —, mas ali, cercada por aquele grupo improvável de jogadores de hóquei e suas namoradas, a dor dava uma trégua.

— Eu estou falando sério, Logan. Se você encostar no meu vinil da Taylor Swift com esses dedos sujos de salgadinho, eu aplico um mata-leão em você agora mesmo — Maya ameaçou, embora o brilho âmbar em seus olhos denunciasse a diversão.

John Logan, com seu cabelo castanho bagunçado caindo sobre a testa e aquele sorriso de lado que desarmava qualquer um, levantou as mãos em sinal de rendição.

— Quanta agressividade para alguém que tem o tamanho de um hobbit, Maya. E eu nem sabia que você lutava.

— Faixa azul de jiu-jitsu, campeão — rebateu ela, ajeitando os fios curtos e cacheados do cabelo castanho-mel. — Não me subestime só porque eu gosto de musicais e gatos laranjas. Aliás, Fred e Jorge sentiriam o cheiro do seu medo.

— Ela não está brincando, Logan — Hannah interveio, rindo enquanto se encostava em Garrett. — A Maya é a única pessoa que consegue citar *Orgulho e Preconceito* enquanto te imobiliza no chão.

Logan observou Maya por um momento a mais do que o necessário. Ele notou as tatuagens que subiam pelo braço dela quando ela gesticulava: o desenho delicado da TARDIS fundido com a *Noite Estrelada* de Van Gogh e, mais abaixo, as palavras *Carpe Diem*. Havia algo nela que o intrigava profundamente. Não era apenas a beleza exótica ou o fato de ela ser brasileira e falar quatro línguas, mas a profundidade que ela escondia sob as referências nerds e o humor ácido.

— Então, Maya — Dean Di Laurentis surgiu do nada, segurando uma cerveja e exibindo seu habitual ar de autoconfiança —, ouvi dizer que você é a nova estrela do jornalismo da Briar. Quando vai escrever um perfil sobre o homem mais bonito desta universidade?

— Assim que eu encontrar esse homem, Dean, eu te aviso — ela respondeu sem hesitar, arrancando uma gargalhada coletiva de Tucker e Jules.

Jules Logan, que observava tudo com seus olhos delineados de preto e um sorriso provocador, aproximou-se da amiga.

— Esquece esses idiotas, Maya. Vamos para o bar hoje? O *Lineup* está com uma noite de microfone aberto.

O corpo de Maya ficou tenso por uma fração de segundo, um detalhe que não escapou a Logan. Ela tinha um segredo, e ele estava determinado a descobrir qual era.

— Hoje não, Jules. Tenho que terminar um artigo sobre ética jornalística e alimentar os meninos — ela mentiu com uma naturalidade que quase o convenceu.

— Mentira — sussurrou Logan, inclinando-se em direção a ela quando os outros se dispersaram para a cozinha. — Você está escondendo alguma coisa. E eu adoro um mistério.

— O único mistério aqui é como você consegue ser capitão do time e ainda não saber falar "obrigado" direito — ela rebateu, tentando mudar de assunto.

— Então me ensina — ele desafiou, a voz baixando um tom, tornando-se mais grave e íntima. — Me ensina algo em português. Algo que defina você.

Maya o encarou. A proximidade era perigosa. Ela conseguia sentir o calor que emanava do corpo atlético dele.

— *Saudade* — ela disse, a palavra saindo como um sopro. — Significa o amor que fica depois que alguém se vai. É uma palavra que só existe na minha língua.

O olhar de Logan suavizou-se instantaneamente. Ele sabia sobre os pais dela. Sabia que, por trás da fachada de "nerd de carteirinha" que amava *Mamma Mia* e *Harry Potter*, havia uma alma tentando se reconstruir.

— Eu gostaria de aprender mais — ele disse sinceramente. — Não só a língua.

— Veremos, Logan. Agora, se me der licença, eu realmente preciso ir.

Horas depois, o grupo — composto por Logan, Garrett, Hannah, Allie, Tucker, Dean e Jules — decidiu que a noite estava apenas começando. Jules, que sempre sabia onde a ação estava, os arrastou até um bar mais afastado do campus, um lugar com luzes neon baixas e cheiro de madeira antiga.

— O que estamos fazendo aqui? — Garrett perguntou, tentando proteger Hannah do empurra-empurra na entrada. — O pub de sempre não era bom o suficiente?

— Confiem em mim — Jules sorriu enigmaticamente. — A música aqui é melhor.

Eles se acomodaram em um canto escuro, perto do palco improvisado. Após algumas apresentações medíocres de folk, as luzes se apagaram completamente. Um silêncio expectante tomou conta do recinto. Quando os refletores voltaram a acender, um brilho azulado inundou o palco, revelando uma banda de quatro integrantes.

No centro, segurando uma guitarra Fender Telecaster preta, estava Maya.

Ela não usava os óculos de leitura de antes. Vestia uma regata preta que deixava todas as suas tatuagens à mostra e uma calça de couro. O cabelo cacheado estava bagunçado de um jeito selvagem.

— Que porra é essa? — Dean exclamou, boquiaberto. — Aquela é a Maya?

Logan não respondeu. Ele não conseguia. Seus olhos estavam fixos na figura no palco, que parecia ter se transformado em uma entidade de puro magnetismo. Maya ajustou o microfone e trocou um olhar cúmplice com o baixista.

— Boa noite — ela disse, a voz projetando-se com uma confiança que eles nunca tinham visto. — Essa é para quem está tentando encontrar o caminho de volta.

Os primeiros acordes de *Silver Springs*, do Fleetwood Mac, ecoaram pelo bar. Quando Maya começou a cantar, a voz dela — rica, aveludada e carregada de uma intensidade crua — silenciou cada conversa no local.

— *You could be my silver springs... Blue green colors in your eyes...*

Logan sentiu um aperto no peito. Ele a via cantar com os olhos fechados, a expressão de dor e entrega total. Era como se ela estivesse arrancando os próprios sentimentos e os transformando em som. Ele reconheceu a música; ela já tinha mencionado que Fleetwood Mac era uma de suas bandas favoritas, mas ouvi-la interpretar aquilo era uma experiência religiosa.

Ela emendou em *Tempo Perdido*, da Legião Urbana. Mesmo sem entenderem as palavras em português, os rapazes ficaram hipnotizados pelo ritmo e pela entrega dela. Maya dançava de forma fluida, seus movimentos acompanhando a batida do rock brasileiro.

— Ela é incrível — Allie sussurrou, visivelmente emocionada. — Por que ela nunca nos contou?

— Porque ela é a Maya — Hannah respondeu, sorrindo. — Ela sempre guarda o melhor para o final.

O ápice da noite veio quando Maya trocou a guitarra pelo violão para uma versão acústica de *Alinhamento Milenar*, do Jão. Ela olhou diretamente para onde o grupo estava, e por um breve segundo, seus olhos âmbar encontraram os de Logan.

— *E se eu vivesse mil vidas, em todas eu te amaria...* — ela cantou, a voz quase um sussurro melódico.

Logan sentiu como se o chão tivesse desaparecido. Ele sempre gostou de Maya, admirava sua inteligência e seu espírito resiliente, mas naquele momento, a admiração se transformou em algo muito mais voraz e inegável. Ele estava perdidamente apaixonado pela garota que citava Jane Austen e lutava jiu-jitsu.

Quando o show terminou e os aplausos estrondosos começaram a baixar, Maya desceu do palco, secando o suor da testa com as costas da mão. Ela parecia exausta e radiante ao mesmo tempo.

— Vocês não deveriam estar aqui — ela disse, aproximando-se da mesa, um sorriso tímido surgindo ao ver o choque no rosto dos amigos.

— Você é uma mentirosa de primeira categoria, Rozwadowski — Garrett disse, levantando-se para dar um abraço nela. — Aquilo foi absurdo!

— Por que o segredo, Maya? — Tucker perguntou, genuinamente curioso. — Você tem voz de profissional.

— É o meu refúgio — ela explicou, sentando-se finalmente. — O jornalismo é o que eu faço, mas a música... a música é quem eu sou. Especialmente depois de tudo o que aconteceu. É a única forma de eu falar com meus pais.

Logan, que tinha permanecido em silêncio, levantou-se e pegou a mão dela.

— Preciso falar com você. A sós.

Os outros trocaram olhares significativos, mas ninguém protestou. Logan a conduziu até a saída lateral do bar, onde o ar frio da noite os atingiu como um choque térmico necessário. Eles caminharam até o estacionamento deserto.

— Você me deixou sem palavras — Logan começou, encostando-se em sua caminhonete. — E eu sou um cara que sempre tem algo a dizer.

— Eu não queria que vocês me vissem de forma diferente — Maya admitiu, os braços cruzados sobre o peito para se proteger do frio. — Na faculdade, sou a jornalista nerd. No tatame, sou a lutadora. Mas no palco... eu sou vulnerável.

Logan deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Ele estendeu a mão e tocou suavemente em uma das tatuagens no pulso dela, a que dizia *Karma is a cat*.

— Eu não vejo você de forma diferente, Maya. Eu só vejo mais de você. E tudo o que eu vejo, eu adoro.

— Logan... — ela começou, mas o fôlego falhou.

— Aquela música em português... — ele continuou, a voz baixa. — Sobre o que era?

Maya engoliu em seco, sentindo o coração martelar contra as costelas.

— É sobre encontrar alguém através do tempo. Sobre um alinhamento que acontece uma vez a cada mil anos.

Logan sorriu, aquele sorriso que costumava ser para as câmeras, mas que agora era apenas para ela — carregado de uma ternura que ele raramente mostrava.

— Acho que entendi o conceito.

Ele se inclinou, dando a ela todo o tempo do mundo para recuar. Maya não o fez. Pelo contrário, ela se inclinou para frente, as mãos encontrando o peito dele, agarrando o tecido da jaqueta.

O beijo foi uma colisão de tudo o que vinham reprimindo nas últimas semanas. Tinha o sabor da cerveja artesanal, do frio da noite e de uma urgência que os pegou de surpresa. Logan a puxou para mais perto, as mãos grandes perdendo-se nos cachos curtos do cabelo dela, enquanto Maya soltava um gemido baixo, entregando-se à sensação.

Era intenso, maduro e real. Não havia a superficialidade dos encontros casuais de faculdade. Havia o peso da história de ambos — as perdas dela, as pressões dele.

Quando se separaram, as testas ainda coladas, Logan sussurrou:

— Me ensina mais.

— O quê? — ela perguntou, a voz trêmula.

— Português. Música. Jiu-jitsu. Eu quero tudo, Maya.

Ela riu, uma risada leve e genuína que aqueceu o peito de Logan mais do que qualquer vitória no gelo.

— Tudo bem, capitão. Mas prepare-se. Da próxima vez, eu vou levar todos vocês para uma balada brasileira. E eu quero ver se você consegue acompanhar o ritmo do funk.

— Eu sou um atleta de elite, Rozwadowski. Como pode ser tão difícil?

Maya sorriu de forma enigmática, lembrando-se das batidas de Anitta e Ludmilla.

— Você não tem ideia, Logan. Você não tem a mínima ideia.

Eles voltaram para dentro do bar de mãos dadas, prontos para enfrentar as provocações de Dean e as perguntas de Jules. O luto de Maya não tinha desaparecido — talvez nunca desaparecesse —, mas ali, com a mão de Logan firme na sua e a melodia de suas canções ainda ecoando no ar, ela sentiu que o "alinhamento milenar" finalmente tinha começado.
Содержание

Хотите создать свой фанфик?

Зарегистрируйтесь на Fanfy и создавайте свои собственные истории!

Создать свой фанфик