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Meu amor pecaminoso
Фандом: Sem fandom
Создан: 16.05.2026
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O Pacto Entre as Pedras e o Incenso
A névoa matinal rastejava pelas encostas das montanhas como dedos fantasmagóricos, abraçando as casas de madeira e pedra da pequena vila de Valfenda dos Montes. O silêncio era a regra, quebrado apenas pelo sino da capela que Cedric tocava com devoção todos os dias. O padre, um homem de estatura baixa e pele tão pálida que parecia nunca ter tocado o sol, ajustava sua batina escura enquanto caminhava pelas trilhas de terra batida.
Seus olhos castanhos claros estavam franzidos de preocupação. Duas crianças da paróquia, os pequenos Lucas e Maria, não haviam retornado para a aula de catequese matinal. Naquela região, o perigo não vinha apenas de lobos ou do terreno acidentado; todos sabiam que as sombras das montanhas abrigavam cultos antigos, rituais que a Igreja preferia ignorar, mas que os moradores temiam em silêncio.
— Lucas? Maria? — a voz de Cedric saiu fina e trêmula, denunciando sua timidez crônica.
Ele limpou o suor da testa, ajeitando os cabelos pretos e lisos que insistiam em cair sobre os olhos. O caminho o levou para além dos limites seguros da vila, onde a vegetação se tornava densa e o ar ganhava um cheiro metálico, pesado.
Após alguns minutos de caminhada, ele avistou algo incomum. Em uma clareira escondida por carvalhos retorcidos, havia um círculo perfeito de pedras acinzentadas. No centro, um pequeno santuário de pedra, coberto de musgo e inscrições que Cedric não conseguia decifrar, mas que faziam seu estômago revirar.
— Oh, céus... as crianças não deveriam brincar aqui — murmurou para si mesmo.
Cedric aproximou-se do círculo. Ele acreditava que, se as crianças tivessem passado por ali, poderiam ter deixado algum rastro. Ao notar que uma das pedras centrais estava fora do lugar, deslocada de um encaixe perfeito no solo, o padre, em um impulso de organização e cuidado, ajoelhou-se para recolocá-la.
Assim que suas mãos tocaram a rocha fria e ele a empurrou de volta ao centro do diagrama, o chão vibrou.
O ar ao redor de Cedric esquentou instantaneamente. Um brilho roxo pulsou das fendas entre as pedras, e uma fumaça densa e escura começou a rodopiar, ganhando forma. O padre caiu de costas, o coração batendo contra as costelas como um pássaro enjaulado.
Da escuridão, surgiu uma figura imponente. Era um homem — se é que se podia chamar aquilo de homem — de pele preta retinta, marcada por veios luminescentes de um roxo profundo que pareciam pulsar como veias. Grandes chifres brancos, curvados e afiados, adornavam sua cabeça, e uma cabeleira negra imensa, de pelo menos dois metros de comprimento, flutuava ao redor dele como se estivesse sob a água.
Os olhos do ser eram de um dourado líquido, predatórios e divertidos.
— Ora, ora... — a voz do demônio era um barítono aveludado que fez Cedric estremecer até a medula. — Fazia décadas que ninguém tinha a audácia, ou a estupidez, de completar o selo de Eistan.
Cedric tentou se levantar, mas suas pernas eram de gelatina.
— Eu... eu só estava procurando as crianças! — gaguejou ele, cruzando as mãos em prece por puro instinto. — Por favor, senhor... demônio... não me faça mal.
Eistan deu um passo à frente, sua presença ocupando todo o espaço da clareira. Ele inclinou a cabeça, observando o pequeno padre com curiosidade.
— Um sacerdote? Que ironia deliciosa. Você me libertou, pequeno humano. Pelas leis do meu plano, eu deveria devorar sua alma agora mesmo por ter interrompido meu sono.
Cedric fechou os olhos com força, esperando o fim.
— Mas — continuou Eistan, deslizando uma garra longa e negra pelo queixo de Cedric — eu sou um demônio de desejos. E você parece ter uma alma tão... pura. Tão intocada. Seria um desperdício acabar com isso tão rápido. Vamos fazer um pacto.
— Um pacto? — Cedric abriu um olho, tremendo. — Eu não posso... eu sou um homem de Deus!
— Você quer viver, não quer? — Eistan sorriu, revelando dentes brancos e afiados. — Eu poupo sua vida e, de brinde, garanto que as crianças que você procura voltem para casa em segurança. Elas estão apenas perdidas na caverna ao norte, assustadas com os cultistas que rondam por lá.
Cedric engoliu em seco. O pensamento dos pequenos Lucas e Maria em perigo era insuportável.
— E o que... o que você quer em troca?
— Oh, nada que você não possa dar — disse o demônio, aproximando-se tanto que Cedric podia sentir o calor emanando de seu corpo. — Eu quero um lugar para ficar. E quero que você seja meu anfitrião. Em todos os sentidos.
Sem esperar por uma resposta formal, Eistan estendeu a mão e tocou o peito de Cedric, bem acima do coração. Uma marca ardente, invisível aos olhos humanos mas pesada como chumbo, selou o acordo.
...
Três dias haviam se passado desde o incidente na clareira. As crianças haviam sido encontradas, sãs e salvas, exatamente onde Eistan dissera. A vila celebrou o "milagre", e Cedric foi exaltado como o pastor que nunca desistiu de suas ovelhas.
No entanto, dentro da modesta casa paroquial, o clima era de puro terror e confusão.
Cedric estava na cozinha, tentando preparar um chá com as mãos trêmulas, quando sentiu algo puxar levemente sua batina.
— Onde está o açúcar, Cedric? — a voz de Eistan veio de trás dele.
O padre deu um pulinho, quase derrubando a xícara. O demônio estava deitado de forma indolente sobre a mesa de madeira rústica, sua cabeleira de dois metros espalhada pelo chão como um tapete de seda negra. Ele não usava roupas, apenas as marcas roxas em sua pele pareciam se mover como vestimentas vivas.
— O senhor não pode ficar aqui! — sussurrou Cedric, olhando freneticamente para a janela. — Se alguém entrar e vir o senhor...
— "O senhor"? — Eistan soltou uma risada debochada, sentando-se e cruzando as pernas longas. — Quanta formalidade para alguém que agora me pertence. E não se preocupe, os olhos desses camponeses medíocres não podem me ver a menos que eu deseje. Para eles, você está apenas falando sozinho, como o louco adorável que é.
Cedric sentou-se na cadeira oposta, escondendo o rosto nas mãos.
— Por que está fazendo isso? Por que na minha casa?
— Porque é divertido — Eistan se inclinou sobre a mesa, os olhos dourados brilhando com malícia. — Ver um homem tão santo, tão contido, ter que lidar com a presença do pecado em pessoa... é fascinante.
O demônio esticou a mão e, com um movimento lento, começou a brincar com o colarinho clerical de Cedric.
— Você é tão pequeno — ronronou Eistan. — E tão pálido. Parece um boneco de porcelana que eu poderia quebrar com um sopro.
— Por favor, pare com isso — pediu Cedric, a voz sumindo.
— Parar? — Eistan levantou-se e caminhou até ficar atrás da cadeira do padre. Suas mãos desceram pelos ombros de Cedric, apertando a carne macia por baixo do tecido preto. — Nós mal começamos, meu caro padre. Você me deve a vida. E eu pretendo cobrar cada segundo de juros.
O demônio inclinou-se, encostando os lábios na orelha de Cedric. O hálito dele não cheirava a enxofre, como os livros diziam, mas a canela e algo antigo, como pergaminho queimado.
— Diga-me, Cedric... o que você sente quando reza agora? Sente a paz do seu Deus, ou sente o calor da marca que eu deixei em você?
Cedric apertou os olhos, tentando recitar um salmo mentalmente, mas as mãos de Eistan eram distrações poderosas. O demônio começou a desabotoar, com uma agilidade sobrenatural, os pequenos botões da parte de trás da batina do padre.
— Não faça isso... é pecado — protestou Cedric, embora seu corpo estivesse reagindo de uma forma que ele nunca experimentara antes, um calor subindo por sua espinha.
— Pecado é uma palavra tão feia — disse Eistan, rindo baixo. — Eu prefiro chamar de "exploração".
Com um movimento brusco, Eistan virou a cadeira de Cedric, forçando o padre a olhar para cima, para aquela face demoníaca e belíssima. O demônio se ajoelhou entre as pernas do sacerdote, as garras leves roçando as coxas cobertas pelo tecido.
— Você é tão tímido — observou Eistan, passando a língua pelos lábios. — Seus fiéis ficariam horrorizados se vissem o que o santinho deles está sentindo agora.
— Eu não estou sentindo nada! — mentiu Cedric, a voz falhando miseravelmente.
— Seus batimentos cardíacos dizem o contrário. Eles estão tocando um hino para mim.
Eistan puxou Cedric para mais perto pela cintura, forçando o contato. O contraste era gritante: o padre pequeno, de roupas escuras e expressão de pânico, e o demônio imenso, exótico e transbordando uma sensualidade perigosa.
— Vamos fazer um jogo, Cedric — propôs o demônio, seus dedos agora subindo pela nuca do padre, enrolando-se nos cabelos pretos e curtos. — Se você conseguir passar uma hora sem soltar um único gemido ou oração enquanto eu te toco... eu te deixo em paz pelo resto do dia.
Cedric engoliu em seco, o rosto ardendo em um tom de vermelho que rivalizava com o vinho da missa.
— E se eu perder?
— Se você perder — Eistan sorriu, e Cedric soube que estava perdido —, você terá que me deixar dormir na sua cama esta noite. E não haverá travesseiros entre nós.
O padre abriu a boca para protestar, para dizer que aquilo era uma abominação, mas Eistan foi mais rápido. O demônio selou os lábios de Cedric com os seus em um beijo que não tinha nada de gentil. Era uma invasão de calor, sabor e poder.
Cedric sentiu suas mãos subirem involuntariamente para os ombros largos de Eistan. Ele odiava o fato de que, naquele momento, em meio àquela vila cercada por montanhas e cultistas, o maior perigo não estava lá fora, mas sim dentro de seu coração, que insistia em bater no ritmo de um demônio.
Quando Eistan se separou, apenas alguns milímetros, ele sussurrou contra a boca trêmula do padre:
— O tempo começa agora, Cedric. Tente não ser um pecador tão barulhento.
O resto da tarde na casa paroquial foi preenchido apenas pelo som do vento batendo nas janelas e pelos suspiros abafados de um homem que descobria que, às vezes, a salvação e a perdição usavam a mesma pele escura e tinham olhos cor de ouro. Cedric sabia que sua vida nunca mais seria a mesma, e que o incenso da sua igreja agora teria sempre o cheiro doce e perigoso de Eistan.
Seus olhos castanhos claros estavam franzidos de preocupação. Duas crianças da paróquia, os pequenos Lucas e Maria, não haviam retornado para a aula de catequese matinal. Naquela região, o perigo não vinha apenas de lobos ou do terreno acidentado; todos sabiam que as sombras das montanhas abrigavam cultos antigos, rituais que a Igreja preferia ignorar, mas que os moradores temiam em silêncio.
— Lucas? Maria? — a voz de Cedric saiu fina e trêmula, denunciando sua timidez crônica.
Ele limpou o suor da testa, ajeitando os cabelos pretos e lisos que insistiam em cair sobre os olhos. O caminho o levou para além dos limites seguros da vila, onde a vegetação se tornava densa e o ar ganhava um cheiro metálico, pesado.
Após alguns minutos de caminhada, ele avistou algo incomum. Em uma clareira escondida por carvalhos retorcidos, havia um círculo perfeito de pedras acinzentadas. No centro, um pequeno santuário de pedra, coberto de musgo e inscrições que Cedric não conseguia decifrar, mas que faziam seu estômago revirar.
— Oh, céus... as crianças não deveriam brincar aqui — murmurou para si mesmo.
Cedric aproximou-se do círculo. Ele acreditava que, se as crianças tivessem passado por ali, poderiam ter deixado algum rastro. Ao notar que uma das pedras centrais estava fora do lugar, deslocada de um encaixe perfeito no solo, o padre, em um impulso de organização e cuidado, ajoelhou-se para recolocá-la.
Assim que suas mãos tocaram a rocha fria e ele a empurrou de volta ao centro do diagrama, o chão vibrou.
O ar ao redor de Cedric esquentou instantaneamente. Um brilho roxo pulsou das fendas entre as pedras, e uma fumaça densa e escura começou a rodopiar, ganhando forma. O padre caiu de costas, o coração batendo contra as costelas como um pássaro enjaulado.
Da escuridão, surgiu uma figura imponente. Era um homem — se é que se podia chamar aquilo de homem — de pele preta retinta, marcada por veios luminescentes de um roxo profundo que pareciam pulsar como veias. Grandes chifres brancos, curvados e afiados, adornavam sua cabeça, e uma cabeleira negra imensa, de pelo menos dois metros de comprimento, flutuava ao redor dele como se estivesse sob a água.
Os olhos do ser eram de um dourado líquido, predatórios e divertidos.
— Ora, ora... — a voz do demônio era um barítono aveludado que fez Cedric estremecer até a medula. — Fazia décadas que ninguém tinha a audácia, ou a estupidez, de completar o selo de Eistan.
Cedric tentou se levantar, mas suas pernas eram de gelatina.
— Eu... eu só estava procurando as crianças! — gaguejou ele, cruzando as mãos em prece por puro instinto. — Por favor, senhor... demônio... não me faça mal.
Eistan deu um passo à frente, sua presença ocupando todo o espaço da clareira. Ele inclinou a cabeça, observando o pequeno padre com curiosidade.
— Um sacerdote? Que ironia deliciosa. Você me libertou, pequeno humano. Pelas leis do meu plano, eu deveria devorar sua alma agora mesmo por ter interrompido meu sono.
Cedric fechou os olhos com força, esperando o fim.
— Mas — continuou Eistan, deslizando uma garra longa e negra pelo queixo de Cedric — eu sou um demônio de desejos. E você parece ter uma alma tão... pura. Tão intocada. Seria um desperdício acabar com isso tão rápido. Vamos fazer um pacto.
— Um pacto? — Cedric abriu um olho, tremendo. — Eu não posso... eu sou um homem de Deus!
— Você quer viver, não quer? — Eistan sorriu, revelando dentes brancos e afiados. — Eu poupo sua vida e, de brinde, garanto que as crianças que você procura voltem para casa em segurança. Elas estão apenas perdidas na caverna ao norte, assustadas com os cultistas que rondam por lá.
Cedric engoliu em seco. O pensamento dos pequenos Lucas e Maria em perigo era insuportável.
— E o que... o que você quer em troca?
— Oh, nada que você não possa dar — disse o demônio, aproximando-se tanto que Cedric podia sentir o calor emanando de seu corpo. — Eu quero um lugar para ficar. E quero que você seja meu anfitrião. Em todos os sentidos.
Sem esperar por uma resposta formal, Eistan estendeu a mão e tocou o peito de Cedric, bem acima do coração. Uma marca ardente, invisível aos olhos humanos mas pesada como chumbo, selou o acordo.
...
Três dias haviam se passado desde o incidente na clareira. As crianças haviam sido encontradas, sãs e salvas, exatamente onde Eistan dissera. A vila celebrou o "milagre", e Cedric foi exaltado como o pastor que nunca desistiu de suas ovelhas.
No entanto, dentro da modesta casa paroquial, o clima era de puro terror e confusão.
Cedric estava na cozinha, tentando preparar um chá com as mãos trêmulas, quando sentiu algo puxar levemente sua batina.
— Onde está o açúcar, Cedric? — a voz de Eistan veio de trás dele.
O padre deu um pulinho, quase derrubando a xícara. O demônio estava deitado de forma indolente sobre a mesa de madeira rústica, sua cabeleira de dois metros espalhada pelo chão como um tapete de seda negra. Ele não usava roupas, apenas as marcas roxas em sua pele pareciam se mover como vestimentas vivas.
— O senhor não pode ficar aqui! — sussurrou Cedric, olhando freneticamente para a janela. — Se alguém entrar e vir o senhor...
— "O senhor"? — Eistan soltou uma risada debochada, sentando-se e cruzando as pernas longas. — Quanta formalidade para alguém que agora me pertence. E não se preocupe, os olhos desses camponeses medíocres não podem me ver a menos que eu deseje. Para eles, você está apenas falando sozinho, como o louco adorável que é.
Cedric sentou-se na cadeira oposta, escondendo o rosto nas mãos.
— Por que está fazendo isso? Por que na minha casa?
— Porque é divertido — Eistan se inclinou sobre a mesa, os olhos dourados brilhando com malícia. — Ver um homem tão santo, tão contido, ter que lidar com a presença do pecado em pessoa... é fascinante.
O demônio esticou a mão e, com um movimento lento, começou a brincar com o colarinho clerical de Cedric.
— Você é tão pequeno — ronronou Eistan. — E tão pálido. Parece um boneco de porcelana que eu poderia quebrar com um sopro.
— Por favor, pare com isso — pediu Cedric, a voz sumindo.
— Parar? — Eistan levantou-se e caminhou até ficar atrás da cadeira do padre. Suas mãos desceram pelos ombros de Cedric, apertando a carne macia por baixo do tecido preto. — Nós mal começamos, meu caro padre. Você me deve a vida. E eu pretendo cobrar cada segundo de juros.
O demônio inclinou-se, encostando os lábios na orelha de Cedric. O hálito dele não cheirava a enxofre, como os livros diziam, mas a canela e algo antigo, como pergaminho queimado.
— Diga-me, Cedric... o que você sente quando reza agora? Sente a paz do seu Deus, ou sente o calor da marca que eu deixei em você?
Cedric apertou os olhos, tentando recitar um salmo mentalmente, mas as mãos de Eistan eram distrações poderosas. O demônio começou a desabotoar, com uma agilidade sobrenatural, os pequenos botões da parte de trás da batina do padre.
— Não faça isso... é pecado — protestou Cedric, embora seu corpo estivesse reagindo de uma forma que ele nunca experimentara antes, um calor subindo por sua espinha.
— Pecado é uma palavra tão feia — disse Eistan, rindo baixo. — Eu prefiro chamar de "exploração".
Com um movimento brusco, Eistan virou a cadeira de Cedric, forçando o padre a olhar para cima, para aquela face demoníaca e belíssima. O demônio se ajoelhou entre as pernas do sacerdote, as garras leves roçando as coxas cobertas pelo tecido.
— Você é tão tímido — observou Eistan, passando a língua pelos lábios. — Seus fiéis ficariam horrorizados se vissem o que o santinho deles está sentindo agora.
— Eu não estou sentindo nada! — mentiu Cedric, a voz falhando miseravelmente.
— Seus batimentos cardíacos dizem o contrário. Eles estão tocando um hino para mim.
Eistan puxou Cedric para mais perto pela cintura, forçando o contato. O contraste era gritante: o padre pequeno, de roupas escuras e expressão de pânico, e o demônio imenso, exótico e transbordando uma sensualidade perigosa.
— Vamos fazer um jogo, Cedric — propôs o demônio, seus dedos agora subindo pela nuca do padre, enrolando-se nos cabelos pretos e curtos. — Se você conseguir passar uma hora sem soltar um único gemido ou oração enquanto eu te toco... eu te deixo em paz pelo resto do dia.
Cedric engoliu em seco, o rosto ardendo em um tom de vermelho que rivalizava com o vinho da missa.
— E se eu perder?
— Se você perder — Eistan sorriu, e Cedric soube que estava perdido —, você terá que me deixar dormir na sua cama esta noite. E não haverá travesseiros entre nós.
O padre abriu a boca para protestar, para dizer que aquilo era uma abominação, mas Eistan foi mais rápido. O demônio selou os lábios de Cedric com os seus em um beijo que não tinha nada de gentil. Era uma invasão de calor, sabor e poder.
Cedric sentiu suas mãos subirem involuntariamente para os ombros largos de Eistan. Ele odiava o fato de que, naquele momento, em meio àquela vila cercada por montanhas e cultistas, o maior perigo não estava lá fora, mas sim dentro de seu coração, que insistia em bater no ritmo de um demônio.
Quando Eistan se separou, apenas alguns milímetros, ele sussurrou contra a boca trêmula do padre:
— O tempo começa agora, Cedric. Tente não ser um pecador tão barulhento.
O resto da tarde na casa paroquial foi preenchido apenas pelo som do vento batendo nas janelas e pelos suspiros abafados de um homem que descobria que, às vezes, a salvação e a perdição usavam a mesma pele escura e tinham olhos cor de ouro. Cedric sabia que sua vida nunca mais seria a mesma, e que o incenso da sua igreja agora teria sempre o cheiro doce e perigoso de Eistan.
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