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Observando o futuro

Фандом: Naruto

Создан: 17.05.2026

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ДрамаАнгстHurt/ComfortПсихологияCharacter studyFix-itAUСеттинг оригинального произведения
Содержание

O Eco do Abandono e a Fragilidade do Vidro

A chuva que caía sobre o Vale do Fim não era apenas água; era um peso sufocante que transformava o ar em chumbo. Na sala onde o passado e o futuro se colidiam através daquela tela mística, o silêncio era tão absoluto que o som das gotas atingindo o chão digital parecia ecoar nas paredes reais.

O cenário na tela era de devastação total. Onde antes havia estátuas imponentes de fundadores lendários, agora restavam apenas escombros e a poeira que a lama teimava em engolir. No centro desse caos, Naruto Uzumaki não parecia o herói que todos esperavam que ele se tornasse. Ele parecia pequeno. Ele parecia quebrado.

— POR QUE VOCÊ SEMPRE VAI EMBORA?! — O grito de Naruto rasgou o som da tempestade.

A voz dele não tinha a força de um guerreiro; tinha a rachadura de uma criança que passou anos demais gritando no escuro sem receber resposta. Ele avançou sobre Sasuke, agarrando a gola do tecido escuro com os dedos trêmulos, os nós dos dedos brancos de tanto esforço.

— O QUE EU FIZ DE ERRADO?! — Naruto empurrou Sasuke com força. O moreno cambaleou para trás, mas não ofereceu resistência. — ME DIZ! ME DIZ O QUE TEM DE ERRADO COMIGO!

Na sala de observação, o ar parecia ter sido drenado. Sakura Haruno sentiu uma pontada tão aguda no peito que precisou levar a mão ao coração. Ela conhecia aquele olhar. Ela conhecia aquela dor. Mas ver Naruto — o sol de Konoha, o garoto que sempre sorria mesmo quando o mundo o chutava — desabar daquela forma era como assistir a uma montanha desmoronar.

Aquela pergunta não era sobre a luta. Não era sobre a missão de resgate ou sobre o selo amaldiçoado. Era uma pergunta que vinha de anos de solidão em um balanço vazio, de noites jantando lámen instantâneo sozinho enquanto as luzes das outras casas brilhavam com o calor de famílias que ele nunca teve. Era o trauma do abandono vindo cobrar o seu preço.

— Eu corro atrás de você toda vez… — Naruto continuou, a voz agora falhando, sufocada por soluços que ele não conseguia mais conter. — Toda vez… eu espero você voltar… eu me acostumo com você ficando perto… e então você vai embora de novo!

Ele batia no peito de Sasuke com os punhos fechados, mas não havia chakra naqueles golpes. Não havia intenção de ferir. Era o gesto desesperado de alguém tentando quebrar uma parede de gelo que se recusava a derreter.

— Eu não valho a pena?! — O sussurro de Naruto foi mais alto que qualquer explosão. — Porque ninguém fica?!

Iruka-sensei fechou os olhos, sentindo as lágrimas queimarem. Ele se lembrou do garotinho que pintava os rostos dos Hokages apenas para que alguém olhasse para ele, mesmo que fosse para brigar. Kakashi Hatake, por sua vez, desviou o rosto da tela. O peso do fracasso como mestre, como figura paterna, era uma lâmina cega serrando sua alma. Eles tinham falhado em ver que, por trás do "Dattebayo" e da energia inesgotável, Naruto era apenas um menino exausto de fingir que não se importava em ser deixado para trás.

Na tela, Sasuke permanecia imóvel. Seus olhos, geralmente frios e calculistas, estavam fixos no chão, mas os ombros estavam tensos. Naruto estava entrando em pânico, a respiração curta e rápida, os dedos agarrando a roupa molhada de Sasuke como se sua própria existência dependesse daquele pedaço de pano.

— Dói tanto… — Naruto soluçou, enterrando o rosto no peito do Uchiha. — Eu tento tanto… tanto…

Foi então que o movimento aconteceu. Sasuke, que parecia uma estátua de indiferença, moveu as mãos. Ele não o empurrou. Ele não sacou a Kusanagi. Ele segurou os pulsos de Naruto.

— ME SOLTA! — Naruto gritou, tentando puxar as mãos de volta, o corpo inteiro reagindo ao toque como se temesse ser queimado.

— Você vale. — A voz de Sasuke saiu pequena. Quase inaudível sob o rugido do trovão, mas para Naruto, foi como um trovão por si só.

Naruto congelou. O mundo pareceu parar de girar. Ele levantou o rosto banhado por lágrimas e chuva, encontrando o olhar de Sasuke. Pela primeira vez em anos, o Sharingan não estava ativo. Não havia o brilho vermelho do ódio, apenas a escuridão profunda de duas orbes que carregavam tanto sofrimento quanto as dele.

— Você vale mais do que qualquer coisa — repetiu Sasuke, e sua voz tremeu.

Na sala, o pequeno Sasuke criança, aquele que ainda usava o símbolo do clã com orgulho e dor, ficou paralisado. Ele reconhecia aquele tom. Era o tom de alguém que queria gritar por socorro, mas não sabia como.

— Então por quê…? — Naruto perguntou, a voz quebrada, o rosto uma máscara de confusão e agonia. — Por que você continua indo embora…?

Sasuke fechou os olhos com força, como se a luz da sinceridade de Naruto o estivesse cegando.

— Porque eu não sei ficar. — As palavras saíram como se estivessem sendo arrancadas de sua garganta com ganchos. — Eu olho pras pessoas que amo… e só consigo pensar em como vou destruir elas.

O silêncio que se seguiu na sala foi absoluto. A palavra "amo" ecoou como uma nota proibida. Sakura sentiu o fôlego faltar. Ela sempre soube que havia algo profundo entre os dois, mas ouvir Sasuke admitir que seu afastamento era uma forma distorcida de proteção — ou de medo do próprio potencial destrutivo — mudava tudo.

— Então eu fujo antes — continuou Sasuke, as lágrimas agora visíveis em seu rosto, misturando-se à chuva. — Antes que elas percebam que eu não valho a pena manter por perto.

O Sasuke da tela abaixou a cabeça, a imagem da arrogância Uchiha finalmente estilhaçada. Ele não era um vingador naquele momento; ele era um sobrevivente de um massacre que nunca recebeu um abraço depois que seu mundo acabou. Ele fugia porque o amor, para ele, era sinônimo de perda. E se ele não amasse nada, se ele não deixasse ninguém ficar perto, ele nunca mais teria que sentir o vazio de uma casa silenciosa.

Naruto parou de lutar. O choque em seu rosto deu lugar a uma compreensão dolorosa. Ele nunca tinha visto por esse ângulo. Ele achava que o problema era ele, que ele não era bom o suficiente, forte o suficiente ou importante o suficiente para fazer Sasuke ficar. Ele nunca considerou que Sasuke também se odiava.

Lentamente, Naruto relaxou as mãos na roupa de Sasuke, mas não o soltou. Em vez disso, ele apertou o tecido com um novo propósito.

— Seu idiota… — Naruto murmurou entre lágrimas, um sorriso triste e quebrado tentando se formar em seus lábios. — Você não pode decidir isso sozinho…

Sasuke abriu os olhos, e o que ele viu o desarmou completamente. Naruto ainda estava ali. Depois dos insultos, depois das lutas, depois da traição de deixar a vila, Naruto ainda o segurava.

— Eu não vou deixar você decidir que não vale a pena — disse Naruto, encostando a testa no ombro de Sasuke. — Porque se você for embora, eu vou atrás. E se você fugir de novo, eu vou atrás de novo. Até você entender que não tem como fugir de mim.

Sasuke soltou um suspiro trêmulo, um som que parecia carregar anos de fardos acumulados. Ele soltou os pulsos de Naruto e, timidamente, como se estivesse aprendendo a ser humano novamente, envolveu os braços ao redor do loiro. Ele o segurou com uma força desesperada, como se Naruto fosse a única coisa sólida em um mundo que estava desmoronando.

Na sala de observação, o Naruto criança limpou as lágrimas com a manga da jaqueta laranja, um brilho de determinação surgindo em seus olhos azuis. Ele viu o seu "eu" futuro sofrer, mas também o viu ser a âncora de alguém que estava perdido no mar.

— Eles são iguais — sussurrou Kakashi para ninguém em particular. — Dois garotos tentando sobreviver ao que o mundo fez com eles.

Na tela, a chuva começou a diminuir, transformando-se em uma garoa fina que limpava o sangue e a fuligem de seus rostos. Eles continuaram ali, abraçados no meio da destruição, dois fragmentos de um espelho quebrado que, quando unidos, finalmente conseguiam refletir algo que parecia esperança.

— Promete… — a voz de Naruto saiu abafada contra o ombro de Sasuke. — Promete que da próxima vez, você tenta ficar?

Sasuke apertou o abraço, fechando os olhos e deixando a última lágrima cair.

— Eu vou tentar, Naruto. Eu juro que vou tentar.

A imagem na tela começou a desaparecer lentamente, deixando para trás apenas o som suave da água correndo pelo rio. Na sala, ninguém se moveu por um longo tempo. O impacto daquela vulnerabilidade crua tinha mudado a percepção de todos sobre o que significava ser um ninja. Não era sobre jutsus poderosos ou invulnerabilidade emocional. Era sobre a coragem de admitir que a solidão dói e que, às vezes, a maior batalha não é contra um inimigo, mas contra a convicção de que não somos dignos de ser amados.

Naruto e Sasuke, o sol e a lua, finalmente tinham encontrado um eclipse onde a dor de um era o consolo do outro. E, pela primeira vez em muito tempo, o silêncio não era de abandono, mas de paz.
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