Fanfy
.studio
Загрузка...
Фоновое изображение
← Назад
0 лайков

Entre amor e estranhesas

Фандом: Jikook

Создан: 19.05.2026

Теги

РомантикаПовседневностьФлаффHurt/ComfortCharacter studyЛирикаСеттинг оригинального произведения
Содержание

O Silêncio de Veludo e o Som de um Tropeço

Park Jimin não era exatamente o que se poderia chamar de uma pessoa discreta. Ele era como um raio de sol que, por algum erro de cálculo da natureza, havia sido dotado de dois pés esquerdos e uma capacidade infinita de corar. Na faculdade de Artes, todos o conheciam pelo seu sorriso radiante e pela facilidade com que derrubava seus próprios materiais no corredor.

E, no entanto, toda essa energia solar parecia se apagar e se transformar em um nervosismo gaguejante sempre que ele avistava a silhueta solitária de Jeon Jungkook.

Jungkook era o oposto polar de Jimin. Se Jimin era o dia, Jungkook era aquela madrugada fria e silenciosa que ninguém ousava interromper. Ele estava sempre de preto, com os cabelos escuros caindo sobre os olhos perfurantes, fones de ouvido gigantescos isolando-o do resto do mundo e uma aura que gritava "não se aproxime". Os outros alunos o chamavam de estranho, de frio, ou simplesmente de "o garoto emo do fundo da sala".

Mas Jimin via algo diferente. Ele via o modo como Jungkook segurava o lápis com delicadeza ao desenhar, ou como ele resgatava gatinhos abandonados perto do refeitório quando achava que ninguém estava olhando.

Naquela manhã de terça-feira, Jimin decidiu que o silêncio de Jungkook já havia durado tempo demais.

— Ai! — O grito de Jimin ecoou pelo corredor vazio da ala de pintura.

Ele não tinha planejado cair de verdade. A ideia era apenas passar por Jungkook e, quem sabe, "acidentalmente" deixar cair um papel para iniciar uma conversa. Mas o destino, ou talvez o cadarço desamarrado de seu tênis, tinha outros planos. Jimin tropeçou no próprio pé, e sua pasta de desenhos voou para o ar, espalhando folhas de papel por todo o piso de linóleo.

Jungkook, que estava encostado na parede lendo um livro de capas gastas, nem sequer levantou o olhar de imediato. Ele apenas suspirou, um som pesado que parecia carregar o peso do mundo.

— Você é sempre assim? — A voz de Jungkook era baixa, rouca e tingida de uma frieza que teria afastado qualquer outra pessoa.

Jimin, ajoelhado no chão e tentando desesperadamente juntar suas folhas com as mãos trêmulas, sentiu o rosto esquentar instantaneamente.

— Assim... como? — Jimin perguntou, a voz saindo dois tons mais aguda do que o normal.

— Barulhento. Desastrado. — Jungkook finalmente fechou o livro e olhou para baixo. Seus olhos eram escuros como jabuticabas, mas não havia maldade neles, apenas uma indiferença cansada.

— Eu... eu sinto muito! — Jimin gaguejou, sentindo o coração martelar contra as costelas. — Eu só... eu vi que você estava aqui e... eu tropecei. No ar. É um talento que eu tenho.

Jungkook arqueou uma sobrancelha. Ele se abaixou lentamente, pegando uma das folhas que havia deslizado até seus pés. Era um estudo de cores, uma mistura vibrante de amarelos e laranjas que parecia brilhar sob a luz fluorescente do corredor.

— Você desenha bem — comentou Jungkook, sua expressão permanecendo impassível. — É um desperdício amassar as pontas desse jeito.

Ele estendeu o papel para Jimin. Os dedos de Jimin roçaram nos dele por um milésimo de segundo ao pegar a folha, e o menor sentiu como se tivesse levado um choque elétrico.

— Obrigado! — Jimin sorriu, aquele sorriso que fazia seus olhos se transformarem em dois risquinhos, apesar do pavor interno. — Eu sou o Jimin. Park Jimin. A gente estuda na mesma sala de História da Arte, mas acho que você nunca notou...

— Eu noto tudo, Park Jimin — interrompeu Jungkook, voltando a se encostar na parede. — Inclusive o fato de que você está me encarando há três semanas seguidas.

O silêncio que se seguiu foi tão espesso que Jimin desejou que o chão se abrisse e o engolisse. Ele abriu a boca, fechou-a, e então soltou uma risadinha nervosa.

— Três semanas? — Jimin cobriu o rosto com as mãos, as orelhas queimando de vergonha. — Nossa, eu sou péssimo em ser discreto, não sou?

— Horrível — concordou Jungkook, mas, pela primeira vez, o canto de seus lábios pareceu ameaçar subir um milímetro. — O que você quer?

Jimin respirou fundo. Ele se levantou, limpando a poeira das calças jeans, e tentou recuperar o pouco de dignidade que lhe restava.

— Eu queria ser seu amigo — disse ele, com uma honestidade que pegou Jungkook de surpresa. — Todo mundo fica longe de você porque acha que você é bravo ou estranho, mas eu acho que você só é sozinho. E eu não gosto de ver as pessoas sozinhas.

Jungkook desviou o olhar, fixando-o em algum ponto distante no final do corredor. A frieza parecia ser uma armadura, e Jimin acabara de encontrar uma rachadura.

— Eu gosto de ficar sozinho — retrucou Jungkook, embora o tom não fosse mais tão cortante. — É mais seguro. Pessoas são complicadas. Elas esperam coisas de você.

— Eu não espero nada! — Jimin deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — Quer dizer, talvez eu espere que você aceite dividir um lanche comigo um dia desses. Mas só se você quiser. Eu prometo que tento não derrubar o suco em você.

Jungkook soltou um riso curto, quase inaudível. Era um som seco, mas para Jimin, soou como música.

— Você provavelmente derrubaria — disse Jungkook. — Por que insiste tanto? Eu não sou uma pessoa agradável, Jimin. Eu não falo muito, eu ouço músicas que as pessoas acham depressivas e eu não gosto de lugares barulhentos.

— Eu falo por nós dois — ofereceu Jimin, os olhos brilhando de determinação. — E eu posso aprender a gostar das suas músicas. Eu só quero... saber quem é o Jeon Jungkook que se esconde atrás desse cabelo todo.

Jungkook finalmente olhou nos olhos de Jimin novamente. Havia uma gentileza escondida naquela imensidão escura, uma vulnerabilidade que ele passava o dia inteiro tentando proteger. Ele viu a sinceridade no rosto gordinho e corado de Jimin e, por um momento, a solidão que ele cultivava como um jardim de inverno pareceu menos acolhedora do que a presença daquele garoto desastrado.

— Você é estranho, Park Jimin — murmurou Jungkook, ajeitando a mochila no ombro.

— Eu sei — Jimin sorriu, sentindo que tinha ganhado uma pequena batalha.

— Mas... — Jungkook começou a caminhar em direção à saída, parando por um segundo ao lado de Jimin. — Se você quiser sentar na mesa do fundo amanhã, no refeitório... eu não vou te expulsar.

Jimin ficou parado no meio do corredor, com a pasta de desenhos apertada contra o peito, observando as costas de Jungkook se afastarem. Ele queria pular de alegria, mas sabia que provavelmente acabaria torcendo o tornozelo se tentasse.

— Eu vou estar lá! — gritou Jimin, acenando freneticamente. — Com sanduíches! E sem suco, para não ter perigo!

Jungkook não olhou para trás, mas Jimin teve certeza absoluta de que o viu balançar a cabeça e esconder um sorriso real na gola alta de seu casaco preto.

No dia seguinte, Jimin estava lá. Ele chegou ao refeitório dez minutos mais cedo, escolheu a mesa mais isolada, no canto mais escuro, exatamente onde Jungkook costumava ficar. Ele trouxe dois sanduíches cuidadosamente embrulhados e, cumprindo sua promessa, optou por garrafas de água com tampa de rosca.

Quando Jungkook apareceu na porta do refeitório, ele parou por um momento. Seus olhos percorreram o salão barulhento até encontrarem a pequena figura de Jimin, que acenava de forma exagerada, quase derrubando a própria cadeira no processo.

Jungkook suspirou, mas seus passos não hesitaram enquanto ele caminhava em direção àquela luz inesperada que insistia em brilhar em seu mundo cinzento.

— Você realmente veio — disse Jungkook, sentando-se à frente de Jimin. Ele tirou os fones de ouvido e os colocou sobre a mesa, um gesto que, para ele, era o equivalente a abrir a porta de sua casa para um estranho.

— Eu disse que viria! — Jimin empurrou um dos sanduíches para ele. — É de presunto e queijo. Eu mesmo fiz. Tentei não deixar cair nada dentro enquanto preparava.

Jungkook olhou para o sanduíche e depois para Jimin. O silêncio entre eles não era mais frio; era algo novo, algo que estava começando a ser construído.

— Obrigado, Jimin — disse Jungkook, a voz tão baixa que era quase um sussurro.

— De nada, Jungkook — Jimin respondeu, sua timidez finalmente dando lugar a um conforto morno. — Então... que música você está ouvindo hoje?

Jungkook hesitou, mas depois pegou um dos lados do fone e o estendeu para Jimin.

— É uma banda de rock alternativo. É um pouco barulhenta para algumas pessoas.

Jimin pegou o fone, as mãos ainda um pouco trêmulas, e o colocou. A música era intensa, cheia de guitarras distorcidas e uma melancolia profunda, mas tinha um ritmo constante, como um coração batendo forte.

— Eu gostei — disse Jimin, balançando a cabeça no ritmo. — Parece... parece com você. Forte, mas um pouco triste.

Jungkook baixou a cabeça, escondendo o rosto atrás dos fios negros, mas Jimin viu suas orelhas ficarem vermelhas.

— Ninguém nunca disse isso antes — comentou Jungkook.

— Bem, eu não sou como as outras pessoas — Jimin brincou, finalmente dando uma mordida em seu próprio sanduíche.

— Eu percebi.

Pelo resto do intervalo, eles não falaram muito. Jungkook comia em silêncio enquanto Jimin tagarelava sobre uma aula de cerâmica onde ele acidentalmente cobriu o professor de argila. Jungkook ouvia tudo, e embora não risse alto, seus olhos brilhavam de uma forma que Jimin nunca tinha visto.

Para o resto da faculdade, aquela era uma visão bizarra: o garoto mais alegre e barulhento do campus sentado com o "estranho" mais isolado de todos. Mas para Jimin, não havia nada de bizarro. Havia apenas a descoberta de que, às vezes, as cores mais bonitas são aquelas que a gente encontra nos lugares mais escuros.

E para Jungkook, o mundo não parecia mais tão frio. Porque, pela primeira vez em muito tempo, ele não estava sozinho em seu silêncio. Ele tinha Jimin — e Jimin, com todos os seus tropeços e sorrisos, era a melhor coisa que já tinha caído em sua vida.

Literalmente.
Содержание

Хотите создать свой фанфик?

Зарегистрируйтесь на Fanfy и создавайте свои собственные истории!

Создать свой фанфик