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Amor e dragões

Фандом: A casa do dragao

Создан: 19.05.2026

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РомантикаAUДрамаФэнтезиДивергенцияРетеллингУпоминание инцеста
Содержание

O Sangue que Une e o Fogo que Liberta

As nuvens sobre Pedra do Dragão estavam carregadas, um cinza profundo que prometia uma tempestade de proporções épicas, mas o verdadeiro trovão não vinha do céu, e sim do bater de asas de Syrax e Vermax. No entanto, naquele dia, um terceiro rugido cortou o ar, um som que Rhaenyra Targaryen não ouvia há mais de uma década. Um rugido que vibrava em seus ossos e trazia consigo o cheiro de maresia e enxofre antigo.

Karen Targaryen havia chegado.

Rhaenyra estava parada na ponte de pedra, o vento fustigando suas vestes negras e vermelhas. Ao seu lado, guardas e servos mantinham uma distância respeitosa, mas a Rainha Malva mal os notava. Seus olhos estavam fixos na silhueta esguia e prateada que descia dos céus montada em Ashara, a dragão de escamas cor de pérola e chamas azuis.

Anos atrás, elas eram inseparáveis. Duas meninas que corriam pelos jardins da Fortaleza Vermelha, jurando que nunca deixariam que os jogos de poder de seus pais as afastassem. Mas o orgulho dos homens era uma doença. Uma quebra de aliança, uma disputa por terras e influência no Conselho, e Karen fora levada para o exílio em Driftmark e, depois, para as Cidades Livres. O silêncio que se seguiu foi uma ferida aberta que Rhaenyra aprendeu a esconder sob uma máscara de dever e frieza.

Ashara pousou com uma elegância mortal, as garras raspando a pedra. Da sela, saltou uma figura que parecia ter sido esculpida pelo próprio Valíria. Karen tinha os cabelos platinados presos em tranças complexas e vestia uma armadura de couro escuro que realçava sua postura de guerreira.

O silêncio entre elas durou uma eternidade enquanto Karen caminhava em direção à prima.

— Você demorou a voltar para casa — disse Rhaenyra, sua voz firme, embora seu coração martelasse contra as costelas.

Karen parou a poucos passos de distância. Seus olhos, de um violeta profundo e desafiador, percorreram o rosto de Rhaenyra, encontrando a mulher que se tornara a herdeira do Trono de Ferro.

— O mundo é vasto, Rhaenyra — respondeu Karen, a voz rouca e carregada de uma autoridade que não possuía quando criança. — Mas nenhum lugar na terra tem o calor que só o fogo do dragão proporciona. Ou o calor de quem deixei para trás.

Rhaenyra sentiu um arrepio. O protocolo exigia um cumprimento formal, uma saudação entre nobreza, mas a paixão que fora sufocada por anos de separação não aceitava as regras dos homens.

— Eles dizem que sua família quebrou o pacto — murmurou Rhaenyra, aproximando-se. — Dizem que somos inimigas por sangue e política.

— Deixe que os homens falem sobre pactos e papéis — Karen deu um passo à frente, diminuindo o espaço entre elas até que Rhaenyra pudesse sentir o calor emanando de seu corpo. — Eu não atravessei o Mar Estreito por causa de um trono de ferro frio. Eu vim por você.

A tensão quebrou. Rhaenyra estendeu a mão, tocando o rosto de Karen com as pontas dos dedos, traçando a linha de sua mandíbula. O toque foi como um fósforo em palha seca. O desejo, a saudade e a fúria de anos perdidos se fundiram em um único instante.

— Eles vão chamar isso de escândalo — sussurrou Rhaenyra, seus lábios a milímetros dos de Karen.

— Que chamem de guerra — respondeu Karen, antes de selar seus lábios nos de Rhaenyra com uma urgência faminta.

O beijo era gosto de sal, fogo e destino. Ali, sob o céu de Pedra do Dragão, as alianças dos pais foram reduzidas a cinzas. Elas não eram apenas primas ou peças em um tabuleiro; eram as metades de uma mesma chama.

Horas depois, no conforto dos aposentos reais, onde o fogo da lareira dançava nas paredes de pedra, as duas rainhas estavam sentadas diante de uma mesa coberta de mapas e estratégias. A Dança dos Dragões estava prestes a começar, e o reino estava dividido. Mas ali, naquela sala, havia uma unidade que Porto Real jamais poderia compreender.

— Alicent e os Verdes não vão aceitar sua ascensão — disse Karen, apontando para o mapa da capital. — Eles veem sua linhagem como uma ameaça. E agora, com a minha frota e o meu dragão ao seu lado, eles estarão desesperados.

— Que fiquem desesperados — Rhaenyra serviu vinho em duas taças de prata. — Eles lutam por tradições que os oprimem. Nós lutamos pelo que é nosso por direito de nascimento e por desejo.

Karen pegou a taça, mas seus olhos não deixaram os de Rhaenyra.

— Você percebe o que estamos fazendo? — perguntou Karen com um sorriso de canto. — Duas mulheres, governando juntas, desafiando a ordem natural que eles tanto defendem. Eles não vão apenas nos odiar, Rhaenyra. Eles vão nos temer.

— O medo é uma ferramenta útil — Rhaenyra sentou-se no braço da cadeira de Karen, passando a mão pelos ombros da prima. — Mas o amor... o amor é o que nos tornará invencíveis. Eles pensaram que ao nos separar, enfraqueceriam o sangue do dragão. Eles só conseguiram criar duas rainhas que não têm nada a perder e um mundo a conquistar.

Karen puxou Rhaenyra para o seu colo, a proximidade acendendo novamente a eletricidade entre as duas.

— Minha Rainha — murmurou Karen contra o pescoço de Rhaenyra. — Meu dragão é seu. Minha espada é sua. E meu coração... ele nunca deixou de pertencer a você, nem mesmo nas noites mais frias de Pentos.

Rhaenyra fechou os olhos, permitindo-se um momento de vulnerabilidade que raramente mostrava a seus filhos ou conselheiros.

— Eu me senti metade de uma pessoa por tanto tempo, Karen. Eles tentaram me casar, me moldar, me transformar em uma parideira de herdeiros.

— Eles esqueceram que você é o fogo feito carne — Karen afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. — E eu sou a tempestade que o espalha. Juntas, Rhaenyra, nós vamos queimar as mentiras deles.

— Você está pronta para o que virá? — perguntou Rhaenyra, a seriedade voltando à sua voz. — Não haverá volta. Uma vez que voarmos juntas para o campo de batalha, o mundo saberá que não somos apenas aliadas políticas.

— Eu nasci pronta no momento em que te vi pela primeira vez naquela carruagem, quando éramos crianças — Karen sorriu, um brilho selvagem nos olhos. — Deixe que vejam. Deixe que saibam que o Trono de Ferro não pertence a um homem, mas ao sangue mais forte. E não há sangue mais forte que o nosso, unido pela vontade e pela paixão.

Rhaenyra levantou-se e caminhou até a janela, observando lá fora. Syrax e Ashara estavam empoleiradas nos penhascos, suas silhuetas imponentes contra a luz da lua que começava a surgir entre as nuvens.

— Amanhã, voaremos para Porto Real — declarou Rhaenyra. — Não como súplicas, mas como conquistadoras.

Karen levantou-se e parou ao lado dela, entrelaçando seus dedos com os de Rhaenyra.

— Duas rainhas — disse Karen.

— Um só destino — completou Rhaenyra.

A guerra estava à porta, e os Sete Reinos tremeriam. Não apenas pelo rugido dos dragões, mas pela força de um amor proibido que se tornara o alicerce de um novo império. A desonra que os pais tanto temiam havia se transformado na arma mais poderosa das Targaryen. O fogo que as consumia quando crianças agora era o incêndio que purificaria o reino, e lado a lado, montadas em suas feras aladas, Rhaenyra e Karen governariam as cinzas e a glória que estavam por vir.

— Você acha que eles vão se lembrar de nós? — perguntou Karen, baixinho, enquanto a tempestade finalmente começava a cair lá fora.

— Oh, eles vão — Rhaenyra virou-se para ela, um sorriso predatório e belo nos lábios. — Eles escreverão canções sobre as rainhas que amavam o fogo e uma à outra. E, por uma vez na história, os meistres terão que escrever a verdade: que o amor é a única coisa mais forte que o dever.

Karen puxou-a para um abraço apertado, sentindo o cheiro de lavanda e determinação que emanava de Rhaenyra.

— Então que comece — disse Karen. — Que o mundo queime, contanto que eu esteja ao seu lado.

E assim, em Pedra do Dragão, o pacto foi selado. Não com tinta e pergaminho, mas com sangue, fogo e o beijo de duas mulheres que se recusaram a ser apenas notas de rodapé na história dos homens. Elas eram Targaryen. Elas eram o fogo. E o fogo não pede permissão para brilhar.
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