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o pai louco

Фандом: katseye

Создан: 21.05.2026

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ДрамаАнгстHurt/ComfortПовседневностьЗанавесочная историяПсихологияFix-it
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O Eco do Passado e a Promessa do Agora

A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas de seda do dormitório, pintando listras douradas sobre o tapete de pelúcia. Sophia estava sentada na beira da cama, observando suas próprias mãos. Por fora, ela era a imagem da perfeição: os cabelos pretos brilhavam sob a luz e seus olhos castanhos, profundos e expressivos, carregavam uma calma que ela levara anos para construir. Mas, por dentro, o silêncio da manhã às vezes trazia ecos que ela preferia esquecer.

O som de passos leves no corredor a tirou de seus pensamentos. Logo, a porta se abriu e Yoocheae apareceu. Seus cabelos lisos caíam perfeitamente sobre os ombros e seus olhos pretos brilharam ao encontrar os de Sophia.

— Você já está acordada? — perguntou Yoocheae, aproximando-se com um sorriso doce. — Pensei que teríamos mais alguns minutos de paz antes das outras começarem o ensaio na sala.

Sophia sorriu, sentindo o calor habitual que a presença de Yoocheae trazia.

— Perdi o sono. Às vezes o silêncio é barulhento demais, sabe?

Yoocheae sentou-se ao lado dela e entrelaçou seus dedos. A conexão entre as duas era algo que Sophia nunca imaginou encontrar. Desde que se juntara ao KATSEYE, sua vida mudara drasticamente. Antes, o mundo era um lugar de medo e sombras, dominado pela figura autoritária e cruel de seu pai. O abuso, tanto emocional quanto físico, deixara cicatrizes que não apareciam nas fotos promocionais do grupo, mas que Yoocheae aprendera a ler com o tempo.

— Eu estou aqui — sussurrou Yoocheae, encostando a testa na de Sophia. — E as meninas também estão. Você nunca mais vai precisar enfrentar aquele silêncio sozinha.

— Eu sei — respondeu Sophia, fechando os olhos. — Eu amo vocês.

Na sala de estar, o restante do grupo já estava em plena atividade. Daniela, com seus cachos crespos saltitando e seus olhos verdes focados, repassava alguns passos de dança. Manon, cujos olhos castanhos pareciam sempre captar a alma das pessoas, estava sentada no sofá ao lado de Lara. Lara, orgulhosa de sua herança indígena e com traços marcantes que exalavam força, ajustava as cordas de um violão. Megan, com suas mechas rosas destacando-se nos cabelos pretos, estava revisando algumas letras em um caderno.

— Alguém viu a Sophia? — perguntou Daniela, parando a pirueta. — Precisamos alinhar a transição do segundo refrão.

— Ela está com a Yoocheae — respondeu Megan, sem tirar os olhos do caderno. — Deixem as duas. Elas precisam desse tempo.

Lara dedilhou um acorde melancólico.

— Sophia tem estado mais pensativa ultimamente. Vocês notaram?

— É o aniversário da partida dela de casa — comentou Manon em voz baixa. — Datas assim despertam fantasmas. Mas nós somos a nova família dela.

Nesse momento, Sophia e Yoocheae entraram na sala. O clima mudou instantaneamente para algo mais leve, com risadas e trocas de ideias sobre a coreografia. Por algumas horas, o mundo lá fora não existia. Havia apenas a música, a dança e o laço inquebrável que as unia.

No entanto, a paz foi interrompida por um toque agudo. O celular de Sophia, deixado sobre a mesa de centro, começou a vibrar. Ela se aproximou para atender, pensando ser algum aviso da gerência. Ao olhar para a tela, seu rosto perdeu toda a cor. O número era privado, mas ela conhecia aquele padrão.

— Sophia? — Yoocheae deu um passo à frente, percebendo a mudança repentina na namorada. — O que foi?

Sophia não respondeu. Seus dedos tremiam tanto que ela quase derrubou o aparelho. Ela atendeu, levando o celular ao ouvido com uma lentidão agonizante.

— Alô? — a voz dela saiu como um sussurro quebrado.

Do outro lado, uma voz rouca e familiar fez o sangue de Sophia gelar.

— Olá, minha filha. Você achou mesmo que o brilho dos palcos me impediria de te encontrar?

Sophia sentiu o chão sumir. Era ele. O homem que transformara sua infância em um pesadelo, o homem de quem ela fugira com apenas uma mala e o sonho de nunca mais ser tocada por mãos tão frias.

— O que você quer? — ela perguntou, a voz subindo uma oitava, carregada de pânico.

As outras meninas pararam o que estavam fazendo. O silêncio na sala tornou-se denso. Daniela e Manon trocaram olhares preocupados, enquanto Lara se levantou, instintivamente protetora.

— Eu quero o que é meu por direito — disse o pai de Sophia. — Você está ganhando dinheiro agora, não está? É famosa. Acha que pode simplesmente esquecer quem te criou? Eu estou na cidade, Sophia. E eu sei onde vocês ensaiam.

— Não chegue perto de mim — Sophia sibilou, as lágrimas começando a cair. — Nunca mais!

Ela desligou o telefone e desabou no chão. Yoocheae foi a primeira a alcançá-la, envolvendo-a em um abraço apertado.

— Ele voltou... — soluçou Sophia, escondendo o rosto no pescoço de Yoocheae. — Ele me achou, Yoocheae. Ele vai destruir tudo de novo.

— Não vai não! — exclamou Daniela, os olhos verdes faiscando de raiva. — Ele não vai tocar em um fio de cabelo seu.

Megan fechou o caderno com força, o rosto sério.

— Nós vamos falar com a segurança. Agora. Ninguém entra nesse prédio sem autorização.

Lara ajoelhou-se do outro lado de Sophia, segurando sua mão com firmeza.

— Sophia, olhe para mim — pediu Lara com sua voz calma e ancestral. — Você não é mais aquela menina indefesa. Você é uma das KATSEYE. Você tem a nós. E nós somos uma matilha. Se ele tentar chegar perto, ele vai ter que passar por cinco de nós primeiro.

Manon aproximou-se, passando a mão pelos cabelos crespos de Sophia de forma maternal.

— O medo é o que ele usa para te controlar. Mas ele não tem mais esse poder. Nós somos a sua força agora.

Sophia olhou para cada uma delas. Para Yoocheae, que a amava com uma intensidade que a curava todos os dias. Para Daniela e sua energia protetora. Para Manon e sua sabedoria silenciosa. Para Lara e sua resiliência. Para Megan e sua lealdade feroz.

— Eu tenho tanto medo — admitiu Sophia, a voz ainda trêmula.

— É normal ter medo — disse Yoocheae, beijando-lhe a têmpora. — Mas você não precisa carregar esse medo sozinha. Nós vamos enfrentar isso juntas.

Naquela noite, ninguém dormiu direito. A segurança do prédio foi reforçada, e a empresa foi notificada. O pai de Sophia tentou aparecer na entrada do estúdio no dia seguinte, mas as câmeras e os seguranças o impediram antes mesmo de ele cruzar o portão.

Quando as meninas saíram para o carro, ele estava lá, do outro lado da rua, observando-as com um olhar de desprezo. Sophia hesitou por um segundo ao vê-lo, o trauma antigo tentando paralisar seus músculos.

Mas então, Yoocheae segurou sua mão com força. Daniela e Megan se posicionaram à frente, bloqueando a visão do homem. Lara e Manon ficaram de cada lado de Sophia, formando um escudo humano de amor e determinação.

Sophia respirou fundo. Ela olhou por cima do ombro de Daniela e encarou o homem que um dia a fizera tremer. Mas, desta vez, ela não desviou o olhar. Ela viu um homem pequeno, amargo e sozinho. Ele não era mais o monstro gigante de suas memórias.

— Vamos — disse Sophia, sua voz agora firme. — Temos um show para preparar.

Elas entraram no carro e partiram. Pelo vidro traseiro, Sophia viu a figura de seu pai diminuir até desaparecer na distância. Ela sabia que a cura seria um processo longo, que as cicatrizes ainda doeriam em dias de chuva, mas, ao olhar para Yoocheae e para suas amigas, ela teve certeza de uma coisa: o passado não tinha mais convite para o seu futuro.

— Você está bem? — perguntou Yoocheae, acariciando o rosto de Sophia.

— Pela primeira vez na vida — respondeu Sophia, encostando a cabeça no ombro da namorada —, eu estou em casa.

E, no conforto daquela união, o KATSEYE seguiu em frente, mais forte do que nunca, provando que a verdadeira família é aquela que escolhemos proteger.
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