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Aquela que o desafia

Фандом: One piece

Создан: 28.06.2026

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O Fio de Aço e o Brilho da Lâmina

O sol do meio-dia castigava o convés do Going Merry enquanto o navio cortava as águas calmas da Grand Line. Zoro, sentado encostado na amurada, mantinha os olhos fechados, aproveitando o balanço suave para tirar um de seus cochilos habituais. No entanto, o silêncio durou pouco.

— Uma ilha! Luffy, tem uma ilha logo à frente! — gritou Usopp do topo do mastro, sua voz carregada de entusiasmo e um pouco de alívio.

Zoro abriu apenas um olho, observando a silhueta verdejante que surgia no horizonte. Não demorou muito para que o capitão, com seu chapéu de palha firme na cabeça, saltasse para a proa com um sorriso que parecia maior que o próprio rosto.

— Comida! Aventura! Vamos lá, pessoal! — exclamou Luffy, já pronto para pular antes mesmo de o navio ancorar.

A ilha, chamada de Kenzan, era conhecida por suas montanhas afiadas que lembravam o fio de uma espada e por uma vegetação densa que parecia esconder segredos antigos. Assim que desembarcaram, a tripulação se dividiu como de costume. Nami, Sanji e Robin foram em busca de suprimentos e informações, enquanto Luffy, Zoro e Chopper acabaram se perdendo na mata fechada — ou melhor, Zoro os guiou para o lado errado, embora ele nunca admitisse isso.

— Zoro, eu acho que já passamos por essa árvore três vezes... — comentou Chopper, tremendo um pouco enquanto olhava para as sombras das árvores.

— Não seja idiota, rena. Estamos indo na direção certa — resmungou o espadachim, a mão repousando sobre o punho da Wado Ichimonji.

De repente, o som de metal colidindo ecoou pela clareira. Era um som seco, rítmico e extremamente rápido. Zoro parou imediatamente, seus instintos de combate em alerta máximo. Luffy, movido pela curiosidade, correu na frente.

— Ei! O que é aquilo?

Ao chegarem a uma clareira aberta, cercada por rochas altas, eles viram uma figura em movimento. Era uma mulher de cabelos escuros presos em um rabo de cavalo prático, movendo-se com uma agilidade impressionante. Ela empunhava duas katanas — uma com a lâmina levemente azulada e a outra de um aço escuro como a noite. Ela estava cercada por um grupo de caçadores de recompensa que pareciam tê-la encurralado, mas o cenário dizia o contrário: eram eles que estavam em apuros.

— Vocês não deveriam ter vindo até aqui — disse a mulher, sua voz calma, mas cortante.

Em um movimento fluido, ela cruzou as lâminas, criando um vácuo de ar que lançou dois dos homens para trás. A técnica era refinada, sem movimentos desperdiçados. Zoro estreitou os olhos. Ele reconhecia talento quando via um.

— Ela é forte — observou Zoro, um meio sorriso surgindo em seu rosto.

Luffy, sem pensar duas vezes, saltou para o meio da briga.

— Gomu Gomu no... Pistol!

O soco de Luffy atingiu o líder dos caçadores, que tentava atacar a mulher pelas costas. Ela girou rapidamente, as espadas prontas para atacar o intruso, mas parou ao ver o sorriso de Luffy.

— Quem é você? — perguntou ela, mantendo a guarda alta.

— Eu sou Luffy! O homem que vai ser o Rei dos Piratas! E você luta muito bem!

Zoro caminhou lentamente até o centro da clareira, desembainhando uma de suas espadas apenas por precaução. Os caçadores restantes, percebendo que agora enfrentavam não apenas a mulher, mas também membros da tripulação do Chapéu de Palha, fugiram em pânico para a floresta.

— Meu nome é Gaby — disse ela, guardando as espadas com uma elegância que fez Zoro prestar atenção. — E eu não pedi ajuda, mas obrigada pelo golpe naquele covarde.

— Eu sou Zoro — apresentou-se o espadachim, os olhos fixos nas espadas dela. — Estilo de duas espadas? Seus movimentos são limpos. Onde aprendeu a lutar assim?

— No estilo da sobrevivência — respondeu Gaby, encarando Zoro de volta. Ela não se sentiu intimidada pelo olhar dele; pelo contrário, sentiu um desafio silencioso. — E você... usa três? Isso parece pouco prático.

Zoro deu um risinho seco, algo raro para ele.

— Quer testar a praticidade?

— Agora não, Zoro! — interrompeu Luffy, rindo e colocando as mãos nos ombros de Gaby. — Ei, Gaby! Você é incrível! Quer entrar pro meu bando?

Gaby piscou, surpresa com a proposta repentina. Ela olhou para o capitão enérgico, depois para a rena falante que agora se escondia atrás das pernas de Zoro, e finalmente para o próprio Zoro, que apenas deu de ombros, embora estivesse secretamente interessado na resposta.

— Eu sou uma nômade, Luffy. Não fico muito tempo em um lugar só.

— Mas o meu navio se move! — insistiu Luffy com sua lógica inabalável. — Você pode ser nossa vigia e lutar com o Zoro. Ele precisa de alguém para treinar, senão vai acabar ficando enferrujado.

— Quem você está chamando de enferrujado, seu idiota? — resmungou Zoro, mas não negou que a ideia de ter uma oponente à altura no navio era tentadora.

Gaby olhou para o horizonte, onde o mastro do Merry podia ser visto ao longe. Havia algo naquele grupo que parecia diferente de tudo o que ela já encontrara. Uma sinceridade que a Grand Line raramente oferecia.

— Tudo bem — disse ela, finalmente. — Eu vou com vocês por um tempo. Mas se ficarem chatos, eu corto o mastro do navio e vou embora.

— Shishishi! Combinado! — comemorou Luffy.

Nos dias que se seguiram, a rotina no Going Merry mudou sutilmente. Gaby se integrou rapidamente, ganhando o respeito de Nami por sua disciplina e a admiração de Sanji por... bom, por ser uma mulher bonita e forte. No entanto, era com Zoro que ela passava a maior parte do tempo.

Eles treinavam todas as manhãs no convés. O som do aço batendo contra o aço tornou-se a trilha sonora das primeiras horas do dia.

— Você está deixando o lado direito exposto — comentou Zoro após uma troca de golpes intensa. Eles estavam suados, a respiração pesada, mas nenhum dos dois queria parar.

— É uma isca — retrucou Gaby, girando a espada azulada e quase atingindo o ombro dele. — Você que é lento demais para perceber.

Zoro sorriu. Ele gostava do jeito que ela não recuava. Gaby era direta, séria e não perdia tempo com futilidades. Ela entendia o peso de uma espada e o sacrifício que vinha com o desejo de ser a melhor.

Certa noite, enquanto o resto da tripulação dormia ou celebrava mais uma vitória contra um navio da Marinha que tentara interceptá-los, Zoro estava no ninho do corvo, cumprindo seu turno de vigia. A porta se abriu silenciosamente e Gaby entrou, carregando duas garrafas de saquê.

— Achei que o vigia pudesse estar com sede — disse ela, sentando-se no chão de madeira ao lado dele.

— O cozinheiro vai ficar furioso se souber que você pegou isso da reserva dele — comentou Zoro, aceitando a garrafa.

— Ele não vai saber — ela deu um gole longo e suspirou, olhando para as estrelas através da janela. — Este lugar é calmo. É difícil encontrar calma neste mar.

Zoro a observou de soslaio. A luz da lua refletia em seus olhos, suavizando as linhas endurecidas de seu rosto de guerreira. Ele sentiu um aperto estranho no peito, algo que ele não conseguia identificar e que, francamente, o incomodava. Ele não era homem de sentimentos complicados. Para ele, o mundo se resumia a treinar, lutar, dormir e proteger seus companheiros.

Mas com Gaby, parecia haver algo a mais. Era um respeito que estava evoluindo para uma necessidade constante de sua presença.

— Por que você luta, Gaby? — perguntou ele, sua voz mais baixa do que o normal.

Ela demorou a responder.

— No começo, era para sobreviver. Depois, tornou-se para provar que eu podia ser dona do meu próprio destino. E agora... — ela olhou para ele e, por um breve segundo, Zoro sentiu como se ela pudesse ler sua alma. — Agora eu luto para proteger o espaço que conquistei aqui.

Zoro desviou o olhar, focando na linha do horizonte. Ele não disse "eu também", nem fez qualquer promessa grandiosa. Apenas estendeu sua garrafa, batendo-a levemente na dela.

— É um bom motivo — limitou-se a dizer.

O silêncio que se seguiu não era desconfortável. Era o silêncio de dois guerreiros que compartilhavam um entendimento mútuo. Zoro percebeu, naquele momento, que não queria que ela cortasse o mastro e fosse embora. Ele queria que ela ficasse. Queria ver como ela evoluiria, queria estar ao lado dela quando ela enfrentasse seus demônios, e queria que ela estivesse lá quando ele finalmente se tornasse o melhor espadachim do mundo.

— Zoro? — chamou ela, percebendo que ele estava perdido em pensamentos.

— O que foi?

— Você está segurando a garrafa com tanta força que vai quebrá-la.

Zoro relaxou a mão, sentindo as orelhas esquentarem levemente, embora a escuridão escondesse seu rubor.

— Só estou pensando que amanhã o treino vai ser mais pesado. Não pense que vou facilitar só porque você trouxe bebida.

Gaby soltou uma risada curta e genuína, o que fez o coração de Zoro dar um salto traidor.

— Eu não esperaria nada menos de você, Roronoa.

Enquanto ela se levantava para sair e descansar, Zoro permaneceu ali, observando-a descer a escada. Ele sabia que o que estava sentindo era perigoso. Sentimentos podiam ser distrações. Mas, ao mesmo tempo, sentia que Gaby não era uma distração, mas uma força que o impulsionava a ser ainda mais forte.

Ele não diria nada. Não era o seu estilo. Ele demonstraria sua lealdade protegendo as costas dela em cada batalha. Ele demonstraria seu afeto afiando as espadas dela quando ela estivesse cansada demais para fazê-lo. Ele seria a rocha sobre a qual ela poderia se apoiar, sem nunca precisar pedir.

O amor de Zoro era como o aço de suas espadas: forjado no fogo, temperado na paciência e absolutamente inquebrável. E ali, sob o céu estrelado da Grand Line, ele aceitou que, secretamente, seu coração agora tinha uma nova mestre, uma que empunhava duas lâminas e possuía um sorriso que ele faria qualquer coisa para proteger.

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