
Chopper e Jinbe
Фандом: One Piece
Создан: 08.07.2026
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O Peso da Disciplina e o Calor do Cuidado
O Thousand Sunny estava estranhamente silencioso naquela tarde de sol a pino. Luffy, Zoro, Sanji e os outros haviam desembarcado em uma ilha próxima para reabastecer suprimentos e, possivelmente, se meterem em alguma confusão típica. Jinbe, com sua natureza serena e responsável, ofereceu-se para ficar de guarda, enquanto Chopper decidiu permanecer a bordo para organizar seus medicamentos.
No entanto, a calma não durou muito. Chopper, em um momento de empolgação excessiva enquanto tentava criar uma nova fórmula de "panquecas medicinais" na cozinha de Sanji, acabou causando uma explosão de calda de melaço e farinha que cobriu não apenas as paredes, mas também todo o seu pelo e a túnica de Jinbe, que tinha acabado de entrar para buscar um copo d'água.
Jinbe, o Cavaleiro do Mar, olhou para o pequeno médico, que agora parecia um bolinho de chuva peludo e assustado.
— Chopper... — a voz de Jinbe ressoou profunda, mas sem raiva, apenas com aquela autoridade paternal que ele carregava naturalmente.
— Desculpa, Jinbe! Eu só queria ver se o xarope ficava mais doce com a técnica do Sanji! — Chopper exclamou, as patinhas tremendo.
— Bem, o estrago está feito. Mas você sabe que regras são regras, especialmente quando se trata da cozinha do Sanji. E olhe só para você, está pegajoso da cabeça aos pés. Vamos, é hora do banho. E depois, teremos nossa conversa de disciplina.
Jinbe guiou o pequeno rena até o banheiro do navio. A banheira era grande o suficiente para acomodar o imenso homem-peixe, e Chopper, em sua forma pequena, parecia uma miniatura ao lado dele. A água estava morna, e o vapor logo começou a subir, criando um ambiente acolhedor.
Eles entraram na água. Jinbe começou a esfregar o pelo de Chopper com cuidado, removendo o melaço grudento.
— Jinbe, você está bravo? — perguntou Chopper, deixando apenas o nariz azul de fora da espuma.
— Não estou bravo, pequeno. Mas estou decepcionado com a falta de cuidado. Por isso, como combinamos sobre responsabilidades, você terá que cumprir o "castigo da panqueca".
Chopper engoliu em seco. O castigo da panqueca era uma brincadeira que Jinbe inventara para ensinar paciência. Como Jinbe era imenso e pesado, e Chopper era macio, o castigo consistia em Jinbe sentar-se de forma controlada — usando a flutuabilidade da água para não machucar — sobre Chopper, mantendo-o "achatado" (mas seguro) no fundo da banheira ou no banco submerso, enquanto conversavam.
— Mas por quanto tempo? — Chopper perguntou, fazendo um biquinho.
— Quarenta e cinco minutos — sentenciou Jinbe com um sorriso leve. — Um minuto para cada mancha de calda que vi na parede.
Jinbe posicionou-se. Com a agilidade de quem domina os mares, ele se sentou no banco de mármore submerso da banheira, acomodando sua enorme silhueta azul sobre o pequeno corpo de Chopper. Graças à água, o peso era distribuído, e Chopper sentia apenas uma pressão morna e firme, como se estivesse sendo abraçado por uma montanha de borracha.
— Ai! Você é pesado, Jinbe! — Chopper riu, sua voz abafada pela água ao redor.
— É para você sentir o peso das suas ações — Jinbe brincou, cruzando os braços sobre o peito largo. — Agora, fique quieto. Vamos conversar.
O silêncio do banho era interrompido apenas pelo som da água batendo nas bordas da banheira.
— Chopper — começou Jinbe, sua voz suavizando —, você sabe por que eu cuido de você dessa forma?
— Porque eu sou o médico? — Chopper arriscou, tentando se mexer debaixo da "pancada" que era o traseiro de Jinbe, mas sem sucesso.
— Também. Mas é porque, neste navio, todos temos papéis. O meu papel, além de ser o timoneiro, é garantir que os mais jovens não percam o rumo. Eu vejo em você um potencial incrível, mas a curiosidade sem cautela pode ser perigosa.
Chopper parou de tentar se mexer e relaxou sob o peso de Jinbe. Ele gostava daquela sensação de proteção.
— Eu sinto que você é como um pai para mim, Jinbe. O Dr. Hiluluk me ensinou a ser médico, o Dr. Kureha me ensinou a ciência... mas você me ensina a ser um homem, ou melhor, uma rena madura.
Jinbe sentiu um calor no peito que não vinha da água quente.
— Fico honrado em ouvir isso, meu filho. O mar é um lugar cruel, mas se tivermos raízes fortes e soubermos ouvir aqueles que caminham conosco, nunca afundaremos.
— Mas Jinbe — Chopper disse, soltando uma bolha de ar na água —, você não acha que 45 minutos é muita coisa? Minhas pernas estão ficando como panquecas de verdade!
Jinbe soltou uma risada profunda que fez a água vibrar, fazendo Chopper cócegas.
— É para garantir que a lição "grude" tanto quanto aquele melaço! Além disso, você está muito confortável aí embaixo, não negue.
— É... é quentinho — admitiu Chopper, escondendo o rosto vermelho na água.
Eles continuaram a brincar. Jinbe começou a fazer pequenos redemoinhos com as mãos, criando mini-correntes que faziam Chopper girar levemente por baixo dele, como se estivessem em um parque de diversões aquático particular.
— Olhe, Jinbe! Eu sou um submarino! — Chopper exclamou, usando sua forma "Heavy Point" por um segundo para tentar levantar Jinbe, apenas para ser empurrado de volta pela força calma do mestre do Karatê Homem-Peixe.
— Um submarino que precisa de reparos, pelo visto — Jinbe riu, voltando a sentar-se com firmeza, mas com todo o cuidado do mundo. — Diga-me, o que você vai fazer na próxima vez que quiser testar uma receita na cozinha?
— Vou esperar o Sanji chegar e pedir permissão... e talvez usar um avental maior — respondeu Chopper, rendido.
— Bom garoto.
O tempo passava de forma lenta e agradável. Jinbe começou a contar histórias de suas viagens antigas com os Piratas do Sol, sobre como Fisher Tiger também era rigoroso, mas justo. Chopper ouvia cada palavra com os olhos brilhando, absorvendo a sabedoria e a história de seu "pai" azul.
— Sabe, Chopper — disse Jinbe, limpando um pouco de sabão que caíra no próprio olho —, às vezes eu sinto que o Luffy é o coração deste navio, mas você é a alma pura dele. Ver você crescer me dá esperança para o futuro desta era.
Chopper sentiu aquela alegria imensa que sempre o fazia dançar e xingar as pessoas de forma fofa quando recebia um elogio.
— Ora, seu idiota! Não pense que dizer coisas bonitas vai me fazer esquecer que você está sentado em cima de mim! — Chopper gritou, balançando os braços freneticamente, embora seu rosto estivesse estampado com o maior sorriso do mundo.
Jinbe apenas sorriu. Ele sabia exatamente como Chopper reagia.
— Faltam dez minutos — anunciou Jinbe. — E como você foi um bom ouvinte, vou deixar você escolher o que vamos jantar, já que o Sanji vai demorar.
— Sério?! Podemos comer algodão-doce com peixe grelhado?
Jinbe fez uma careta cômica, simulando um pensamento profundo.
— Peixe grelhado sim. Algodão-doce... talvez como sobremesa. Se você prometer não explodir a cozinha de novo.
— Prometido! — Chopper exclamou, tentando dar um "high-five" na perna de Jinbe que estava ao seu alcance.
Finalmente, os quarenta e cinco minutos se passaram. Jinbe se levantou lentamente, permitindo que Chopper flutuasse de volta à superfície como uma rolha de cortiça. O pequeno rena respirou fundo e começou a nadar em círculos ao redor de Jinbe, espalhando água para todo lado.
— Liberdade! — gritou Chopper, transformando-se em sua forma "Walk Point" para sacudir a água do pelo, molhando o rosto de Jinbe no processo.
Jinbe limpou o rosto com a mão imensa e soltou uma gargalhada genuína.
— Você é impossível, pequeno médico.
— E você é o melhor pai peixe do mundo, Jinbe!
Jinbe pegou Chopper com uma das mãos e o colocou sentado em seu ombro largo enquanto ainda estavam na banheira.
— Vamos terminar de nos enxaguar. Temos um navio para manter em ordem antes que o capitão volte e peça carne dez vezes seguidas.
— Sim, senhor! — Chopper saudou, encostando a cabeça molhada no pescoço de Jinbe.
Naquele momento, entre o vapor e o cheiro de sabão, o Thousand Sunny não era apenas um navio atravessando mares perigosos. Era um lar, onde um gigante dos mares e uma pequena rena podiam ser simplesmente pai e filho, unidos por um laço mais forte que qualquer corrente oceânica.
Após o banho, Jinbe ajudou Chopper a se secar com uma toalha felpuda, enrolando o pequeno como se fosse um casulo. Chopper estava sonolento, o calor da água e o peso do castigo o haviam deixado relaxado.
— Jinbe? — murmurou Chopper, enquanto era carregado em direção ao convés.
— Sim?
— Obrigado por ficar comigo hoje.
Jinbe beijou o topo da cabeça de Chopper, entre os chifres.
— Eu sempre estarei aqui, Chopper. Não importa quão alta seja a maré.
E assim, enquanto o sol começava a se pôr no horizonte de Grand Line, os dois ficaram sentados na grama do convés, esperando o resto da tripulação, com a certeza de que, aconteça o que acontecer, eles sempre teriam um ao outro para manter o equilíbrio — seja com conselhos, seja com o peso de uma "panqueca" de carinho na banheira.
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