
Jinbe e Chopper
Фандом: One Piece
Создан: 13.08.2026
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O Peso do Carinho e as Travessuras de uma Tarde de Sol
O sol de meio-dia refletia-se nas águas cristalinas do Novo Mundo, fazendo com que o Thousand Sunny brilhasse como se fosse banhado a ouro. O silêncio que pairava sobre o convés era raro, quase sagrado. A maioria dos Chapéus de Palha havia desembarcado em uma ilha próxima, uma formação rochosa repleta de especiarias e vegetação exótica, em busca de suprimentos e, claro, da costumeira confusão que Luffy atraía.
Ficaram para trás apenas Jinbe, o timoneiro, e Chopper, o médico da tripulação.
Jinbe estava sentado no gramado do convés, encostado na amurada, com um livro sobre correntes marítimas repousando em seus joelhos. Sua postura era, como sempre, imponente e serena. Desde que se juntara oficialmente ao bando, ele assumira naturalmente o papel de um pilar de estabilidade. Para Chopper, em particular, Jinbe era mais do que um companheiro de armas; era uma figura paterna, alguém que exalava sabedoria e uma proteção reconfortante que a pequena rena raramente sentira antes.
Chopper, por sua vez, estava organizando algumas ervas medicinais em pequenos cestos, mas sua concentração estava falhando. O calor suave e a presença tranquila de Jinbe o deixavam em um estado de espírito brincalhão. Ele olhou de soslaio para o homem-peixe, admirando a vastidão de seus ombros e a curva proeminente de sua barriga, que subia e descia ritmicamente com sua respiração profunda.
Um brilho travesso surgiu nos olhos grandes de Chopper. Ele largou o pilão e caminhou lentamente em direção ao timoneiro, tentando não fazer barulho com seus casquinhos no gramado.
— Sabe, Jinbe... — começou Chopper, parando a poucos passos dele e cruzando os bracinhos peludos.
Jinbe abriu um dos olhos, um sorriso calmo curvando os cantos de sua boca.
— Diga, pequeno Chopper. Precisa de ajuda com os remédios?
Chopper soltou uma risadinha abafada e apontou para o abdômen do mestre de caratê tritão.
— Eu estava pensando aqui... com toda essa paz, o Sunny parece até mais leve. Mas acho que é porque você não está se mexendo muito, seu barrigudo!
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som das ondas batendo no casco. Jinbe arregalou os olhos, surpreso com a audácia súbita da rena. Ele fechou o livro devagar, uma sobrancelha arqueada em um misto de diversão e desafio.
— Como é, Chopper?! — perguntou Jinbe, a voz profunda ressoando como um trovão distante, mas carregada de bom humor.
— Isso mesmo que você ouviu! — Chopper deu um pulinho, sentindo a adrenalina da brincadeira. — Você é muito grande e... bem, fofinho na frente! Foi você quem começou, pai, sempre me dando conselhos sobre como manter a forma, mas olha só para você!
Jinbe soltou uma gargalhada curta e poderosa, o tipo de som que vinha do fundo do peito. Ele se endireitou, cruzando os braços sobre o peito largo, adotando uma expressão falsamente severa que não conseguia esconder o brilho nos olhos.
— Ah, é assim? Então a pequena rena decidiu que tem língua afiada hoje? — Jinbe inclinou a cabeça para o lado. — Pois saiba que este "barrigudo" aqui tem força suficiente para manobrar este navio em um furacão.
— Força eu sei que você tem — provocou Chopper, aproximando-se mais um pouco e cutucando a barriga de Jinbe com o casco. — Mas também tem muito espaço para o almoço do Sanji aí dentro!
Jinbe soltou um suspiro teatral, balançando a cabeça negativamente.
— Muito bem, Chopper. Você brincou com o perigo. — O homem-peixe começou a se levantar lentamente, como uma montanha despertando. — Espero que não reclame quando o seu pai barrigudo cair em cima de você. Lembre-se: eu sou muito pesado.
Os olhos de Chopper se arregalaram instantaneamente. Ele deu um passo para trás, percebendo que a brincadeira estava escalando para um terreno físico.
— E não duvide de mim — continuou Jinbe, agora de pé, pairando sobre a rena com sua sombra imensa. — Eu posso muito bem te transformar em uma rena amassada, como uma panqueca de cereja.
Chopper soltou um grito agudo, metade susto, metade risada.
— Duvido! — exclamou ele, embora suas pernas já estivessem prontas para correr. — Você não faria isso com seu filho favorito! Você é gentil demais para esmagar alguém tão fofo!
Jinbe arqueou a outra sobrancelha, um sorriso predador e brincalhão surgindo em seu rosto azulado.
— Ah, é? Você duvida da minha determinação, pequeno?
— Duvido! — Chopper virou as costas e tentou disparar em direção à escada que levava à enfermaria.
No entanto, a empolgação foi tanta que ele acabou tropeçando em um dos cestos de ervas que ele mesmo havia deixado no chão. Com um "oops!" sonoro, a rena caiu de cara no gramado, agitando as perninhas para tentar se recuperar.
— Te peguei! — rugiu Jinbe de forma afetuosa.
Antes que Chopper pudesse se levantar, as mãos grandes e poderosas de Jinbe o envolveram. Com uma agilidade surpreendente para alguém do seu tamanho, o homem-peixe sentou-se novamente no gramado, mas desta vez, puxou Chopper para baixo de si, não com todo o peso, mas o suficiente para prender a rena entre suas pernas e o chão macio, sentando-se levemente sobre suas costas.
— Jinbe! Desculpas! Desculpas! — gritou Chopper, abafando o riso enquanto sentia a pressão firme, mas cuidadosa, do timoneiro.
— Agora é tarde, seu pequeno travesso — disse Jinbe, mantendo a posição com uma calma soberana. — As palavras foram ditas. O crime de chamar seu pai de barrigudo exige uma sentença imediata.
— Pode se levantar! — pediu Chopper, tentando se contorcer, mas sentindo-se completamente imobilizado pela massa colossal de Jinbe. — Eu retiro o que eu disse! Você é... você é... esbelto como um golfinho!
Jinbe soltou outra risada, sentindo a vibração do corpo pequeno de Chopper sob o seu. Era um momento de pura conexão, um tipo de brincadeira que ele nunca imaginou ter quando vivia sob as tensões da Ilha dos Homens-Peixe ou das frotas de Yonkous. Ali, com Chopper, ele podia ser apenas um pai brincando com seu filho.
— Você provocou seu pai, agora aceite as consequências — declarou Jinbe, cruzando os braços novamente, fingindo que ia ficar ali por horas.
— Mas Jinbe, você é pesado! — reclamou Chopper, embora sua voz estivesse cheia de alegria. — Parece que uma baleia resolveu tirar um cochilo nas minhas costas!
— E você é muito travesso — rebateu Jinbe, inclinando-se um pouco para frente para aumentar a pressão de brincadeira. — Talvez eu precise ficar aqui até o Luffy voltar. O que você acha? Seria um bom castigo, não?
— Não! O Luffy vai querer pular em cima de nós dois e aí sim eu vou virar uma panqueca! — Chopper começou a rir incontrolavelmente, o que fez Jinbe finalmente ceder e aliviar o peso.
O homem-peixe rolou para o lado, deitando-se no gramado e puxando Chopper para o seu lado com um braço protetor. A rena, ofegante e com os pelos bagunçados, aninhou-se contra o flanco de Jinbe, sentindo o calor que emanava dele.
— Você é um bom pai, Jinbe — murmurou Chopper, a voz agora suave e carregada de admiração. — Mesmo sendo um pai barrigudo.
Jinbe deu um tapinha leve na cabeça da rena, entre os chifres, com uma delicadeza que contrastava com sua aparência bruta.
— E você é um filho excelente, Chopper. Mesmo sendo uma rena que não sabe quando ficar calada.
Eles ficaram ali por um longo tempo, observando as nuvens passarem. Jinbe aproveitou o momento para ensinar Chopper sobre como ler o céu para prever tempestades, um conhecimento vital que o médico ouvia com atenção absoluta. Para Chopper, cada palavra de Jinbe era uma lição de vida; para Jinbe, cada pergunta curiosa de Chopper era um lembrete do porquê ele lutava para proteger aquele bando.
Naquele convés ensolarado, o peso de Jinbe não era um fardo, mas a âncora que mantinha o coração de Chopper seguro em meio às tempestades do mundo. E, entre risadas e ensinamentos, a pequena rena sabia que, não importava o quão grande fosse o desafio, ele sempre teria um par de ombros largos — e uma barriga confortável — para se apoiar.
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