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Фандом: true crime community

Создан: 01.03.2026

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O Labirinto de Arame Farpado

Querido Diário,

**Data: 28 de Maio**

Ainda estou processando o que aconteceu. A sensação da mão do Gabriel na minha… Aquela eletricidade estranha que percorreu meu corpo, um misto de pânico e euforia. Ele não soltou minha mão por um bom tempo, mesmo depois que o Bruno desapareceu de vista. Ficamos ali, no corredor vazio, as flores roxas da árvore lá fora visíveis através da janela, testemunhas silenciosas daquele momento bizarro e íntimo.

Quando ele finalmente soltou, o silêncio era tão denso que quase podia ser tocado. Eu queria dizer algo, qualquer coisa, mas as palavras simplesmente não vinham. Ele estava diferente. A intensidade nos olhos cinza estava mais palpável, quase febril. E o que mais me chocou foi a vulnerabilidade. Por trás daquela fachada de raiva e controle, havia um vislumbre de algo bruto e exposto.

"Você está bem?" ele perguntou, a voz ainda rouca, mas mais suave agora.

Eu assenti, incapaz de falar. Minha garganta estava apertada.

Ele se inclinou um pouco, e por um instante, pensei que ele ia me beijar. Meu coração disparou. Mas ele apenas me olhou nos olhos, com uma profundidade que me fez sentir como se ele estivesse lendo minha alma.

"Eu… eu não gosto quando te machucam," ele sussurrou, e a confissão foi tão crua, tão inesperada, que eu senti meus próprios olhos marejarem.

Foi a primeira vez que ele expressou qualquer coisa remotamente parecida com cuidado ou afeto por alguém. E era por mim. Aquele pensamento, egoísta e perigoso, me fez sentir um calor estranho no peito.

"Obrigada, Gabriel," eu finalmente consegui dizer.

Ele não respondeu. Apenas acenou com a cabeça e se virou, voltando para o fundo do corredor e desaparecendo na multidão de alunos que agora se movia entre as aulas. Deixou-me ali, sozinha, com o coração batendo descompassadamente e a cabeça cheia de perguntas.

Luiza me encontrou minutos depois, os olhos arregalados. "Sofia! Você está bem? O que aconteceu com o Bruno? Ele parecia que tinha visto um fantasma!"

Eu tentei minimizar, mas ela me conhece bem demais. "O Gabriel… ele só interveio."

"Interviu? Sofia, o Bruno estava branco como um lençol! O que ele fez?"

"Ele só… olhou para ele, Luiza. Com aquele jeito dele."

Luiza me puxou para um canto. "Sofia, você não está entendendo. Isso não é normal. O Gabriel é um poço de raiva silenciosa. Se ele explodir, você pode se machucar. Ou pior. Você está brincando com fogo, amiga."

As palavras dela me atingiram, mas de alguma forma, não do jeito que ela esperava. Era como se, no fundo da minha mente, uma parte de mim estivesse fascinada por esse fogo. Atraída por ele.

**Data: 3 de Junho**

Os dias que se seguiram foram estranhos. O Bruno me evitava como a praga, o que era um alívio, mas também uma prova do poder que Gabriel exercia. As pessoas na escola agora não apenas o temiam, mas me olhavam com uma curiosidade misturada a um certo respeito receoso. Eu era a garota que tinha o "psicopata" na palma da mão. A ideia era ridícula, mas a percepção era real.

Gabriel e eu não falamos sobre o incidente novamente. Mas a dinâmica entre nós mudou. Há uma nova camada de entendimento, um elo tácito que se formou. Ele me olha com mais frequência agora, e os silêncios não são mais vazios, mas cheios de uma comunicação não verbal.

Hoje, na biblioteca, ele me entregou um desenho. Não era um pássaro. Era uma rosa. Mas as pétalas estavam todas rasgadas e dilaceradas, como se tivessem sido atacadas por espinhos. E no centro da rosa, havia uma pequena gota de orvalho, brilhando como uma lágrima.

"É você," ele disse, a voz baixa, quase inaudível.

Eu olhei para ele, chocada. "Eu sou uma rosa rasgada?"

Ele balançou a cabeça. "Não. Você é o orvalho. A única coisa pura que resta."

Meu coração se apertou. Pura? Eu me sentia tudo, menos pura. Eu estava confusa, atraída por algo que me assustava, e me sentindo cada vez mais envolvida em um mundo que não entendia.

"E os espinhos?" eu perguntei, minha voz um sussurro.

"São a proteção," ele respondeu, e seus olhos cinza encontraram os meus. "São o que afasta o mundo."

Naquele momento, eu entendi que ele não estava falando apenas da rosa. Estava falando de si mesmo. E eu, de alguma forma, era o orvalho que ele permitia se aproximar sem ser espetado. Aquele pensamento me deu um arrepio.

**Data: 15 de Junho**

As férias de verão estão chegando. A escola está cheia de uma energia de despedida, planos para viagens e festas. Mas para mim, há uma melancolia pairando. O que será de nós dois durante as férias? O Gabriel se isolará ainda mais? Eu voltarei à minha vida "normal", e ele à sua escuridão?

Hoje, eu estava sentada no meu lugar na sala de aula, terminando um trabalho, quando ele se aproximou da minha mesa. Ninguém estava por perto.

"Sofia," ele disse, e o som do meu nome na boca dele ainda me dava calafrios.

"Oi, Gabriel."

Ele hesitou, algo que raramente fazia. "Eu… eu queria te dar isso."

Ele estendeu a mão, e nela havia um pequeno pingente. Era um pássaro estilizado, feito de metal escuro, com uma das asas dobrada, como se estivesse quebrada. Mas em vez de arame farpado, havia um pequeno cristal opaco incrustado no centro do corpo do pássaro.

"É o pássaro," ele explicou, a voz um pouco mais suave do que o normal. "Mas o cristal… é a luz. Aquela que você vê."

Meus olhos se encheram de lágrimas. Era a coisa mais bonita e mais triste que alguém já me dera. Era um reconhecimento de sua própria dor, mas também de que eu era capaz de ver algo além dela.

"Gabriel…" Minha voz falhou.

Ele se inclinou, e dessa vez, ele realmente me beijou. Não foi um beijo romântico dos filmes. Foi suave, hesitante, quase doloroso em sua delicadeza. Seus lábios estavam frios, mas a sensação que me percorreu foi de um calor intenso, como se uma represa tivesse se rompido dentro de mim. Era um beijo que carregava toda a sua solidão, sua raiva, sua vulnerabilidade. E de alguma forma, eu senti que também carregava uma promessa. Uma promessa de que eu não estava sozinha.

Quando ele se afastou, seus olhos cinza estavam mais abertos do que eu jamais os vira, e havia uma pergunta silenciosa neles.

"Sim," eu sussurrei, sem saber exatamente o que estava respondendo, mas sabendo que a resposta era sim para tudo. Sim para o pássaro, sim para o arame farpado, sim para a escuridão, sim para a luz.

Ele sorriu, o primeiro sorriso verdadeiro que eu já o vira dar. E era um sorriso que não era bonito, mas era assustadoramente cativante. Era o sorriso de um lobo que finalmente encontrou sua presa, ou talvez, de um lobo que finalmente encontrou alguém que não o temia.

"Eu não quero que você se vá," ele disse, a voz baixa, quase um lamento.

"Eu não vou," eu prometi, e eu realmente acreditei nisso.

**Data: 10 de Julho**

As férias começaram, e com elas, uma nova fase da minha vida. Gabriel e eu estamos passando muito tempo juntos. Ele não é o namorado que eu imaginava ter. Não há jantares em restaurantes chiques, nem festas com amigos. Nossos encontros são em lugares isolados: o antigo cemitério, os trilhos do trem abandonados, a beira do rio onde ninguém vai.

Ele me fala sobre seu passado, aos poucos. Uma infância difícil, sem amor, cheia de rejeição e dor. A raiva que ele sente, a tristeza que o consome. Ele não se vitimiza, apenas relata fatos, com a mesma voz lisa e sem emoção, mas agora eu consigo ouvir a dor por trás dela.

Eu o ouço, sem julgamento. Eu o toco, oferecendo conforto. E ele me permite entrar em seu mundo.

Hoje, ele me levou a um lugar que ele chamava de "seu santuário". Era uma clareira escondida na floresta, cercada por árvores altas e densas. No centro, havia uma pedra grande e lisa, onde ele se sentava e desenhava. E nas árvores ao redor, ele havia pendurado centenas de pequenos objetos: penas, pedaços de vidro colorido, pequenos pedaços de metal retorcido. Era uma instalação de arte sombria e bela, um reflexo de sua alma.

"Isso… é lindo, Gabriel," eu disse, realmente impressionada.

Ele assentiu, um raro sinal de aprovação. "É onde eu coloco minhas tempestades."

Eu me sentei ao lado dele na pedra. "Você ainda tem muitas tempestades?"

Ele olhou para o céu cinzento. "Sempre. Mas agora… agora eu tenho alguém para segurar o guarda-chuva."

Eu ri, e ele me olhou, um vislumbre de um sorriso em seus lábios. Foi um momento de paz, de cumplicidade. Mas também de uma consciência crescente do abismo que se estendia entre nós e o resto do mundo.

Luiza me liga todos os dias, preocupada. "Sofia, você sumiu! Onde você está? Com aquele… ele?"

Eu minto, digo que estou saindo com outros amigos, ou que estou ocupada. Não consigo explicar a ela o que sinto. Como posso explicar que estou me apaixonando por um labirinto de arame farpado, por um pássaro de asa quebrada?

**Data: 20 de Julho**

A escuridão do Gabriel é contagiosa. Eu me vejo pensando mais em coisas sombrias, questionando a natureza humana, a fragilidade da vida. Ele me mostra documentários sobre crimes, livros sobre serial killers. Não é por fascinação com a violência em si, mas com a mente humana por trás dela, com os motivos, com a psique distorcida.

Eu me pego desenhando com ele, meus próprios desenhos ganhando um tom mais sombrio, mais introspectivo. Não são monstros, mas são melancólicos, cheios de uma beleza triste.

Uma parte de mim está aterrorizada. Eu estou me perdendo? Estou me tornando como ele?

Mas outra parte, a parte que me atrai para ele como uma mariposa para a chama, sente que estou finalmente me encontrando. Que estou explorando partes de mim mesma que eu nem sabia que existiam.

Ontem à noite, estávamos sentados nos trilhos do trem, observando as estrelas. O silêncio era profundo, apenas quebrado pelo som distante de grilos.

"Você não tem medo de mim, Sofia?" ele perguntou, sua voz um sussurro no escuro.

Eu hesitei. A verdade era que sim, eu tinha medo. Medo do que ele era capaz, medo do que ele poderia se tornar. Mas também medo do que eu me tornaria ao lado dele.

"Não," eu menti, ou talvez não fosse uma mentira completa. "Eu tenho… fascínio."

Ele se virou para mim, seus olhos cinza brilhando na escuridão. "Fascínio é uma coisa perigosa."

"Eu sei," eu respondi, e peguei a mão dele, entrelaçando meus dedos nos seus. A pele dele estava fria, mas a conexão era inegável. "Mas eu não consigo resistir."

Ele apertou minha mão. "Bom. Porque eu também não consigo resistir a você."

Foi a declaração de amor mais sombria que já ouvi, e de alguma forma, a mais sincera.

**Data: 1º de Agosto**

As férias estão chegando ao fim. O retorno à escola parece uma ameaça. O mundo "normal" parece tão insosso, tão sem cor, comparado ao mundo que construí com Gabriel.

Hoje, ele me levou a um lugar novo. Uma casa abandonada, no meio do nada. As janelas estavam quebradas, o telhado desabado em algumas partes. Era um lugar de decadência e esquecimento.

"Por que aqui?" eu perguntei, sentindo um arrepio.

Ele me conduziu para dentro, para uma sala que estava relativamente intacta. Havia um cheiro de mofo e poeira.

"Porque aqui," ele disse, e se virou para mim, seus olhos mais intensos do que nunca, "ninguém pode nos encontrar. Ninguém pode nos estragar."

Ele me abraçou, e eu senti a força de seus braços ao meu redor. Não era um abraço de conforto, mas de posse. De uma necessidade desesperada de me manter perto.

"Eu te amo, Sofia," ele sussurrou em meu cabelo.

As palavras me atingiram como um choque. Eu as esperava, mas quando vieram, elas trouxeram consigo um peso imenso.

"Eu também te amo, Gabriel," eu respondi, e a verdade daquelas palavras me assustou. Eu amava o pássaro de asa quebrada, o arame farpado, as tempestades. Eu amava o labirinto.

Mas enquanto ele me beijava, ali, naquela casa abandonada, eu senti um medo gelado. Um medo de que, ao entrar tão profundamente em seu mundo, eu nunca mais conseguiria encontrar o caminho de volta para o meu. E que talvez, no fundo, eu nem quisesse.

Este amor não é uma história de conto de fadas. É uma história de sombras, de perigo, de uma atração irresistível pelo proibido. E eu estou no meio dela, Diário, sem saber se serei a heroína, a vítima, ou apenas mais uma peça na paisagem sombria de Gabriel.

O labirinto de arame farpado se fechou ao meu redor. E eu não sei se consigo, ou se quero, escapar.
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