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Magia e Mar- Percy Jackson fanfic
Фандом: Percy Jackson
Создан: 26.03.2026
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O Passageiro Clandestino do Vingança da Rainha Ana
O sol de Aiaia era diferente de qualquer outro no mundo. Ele não apenas iluminava; ele acariciava a pele com uma intensidade divina, um lembrete constante do sangue de Hélios que corria nas veias de Aurora. Mas naquela tarde, nem mesmo o calor reconfortante do seu bisavô conseguia dissipar a ansiedade que fazia os olhos violetas da menina brilharem em um tom púrpura vibrante.
Aurora Maia de Aiaia estava escondida sob uma lona pesada no convés do "Vingança da Rainha Ana", o navio que acabara de ser saqueado e tomado por um garoto de doze anos com cabelos rebeldes e olhos verdes como o mar. O mesmo garoto que, minutos antes, era um porquinho da índia guinchando em uma gaiola de ouro.
— Eu não acredito que ele é tão bonito de perto — sussurrou Aurora para si mesma, apertando o pingente de chave em seu pescoço.
Aos doze anos, Aurora já possuía uma presença que muitos adultos invejariam. Seus cabelos castanhos avermelhados, que ela mantinha cuidadosamente trançados para não tropeçar neles — já que soltos alcançavam o chão —, pareciam fios de cobre sob a luz do entardecer. Ela sentiu uma pontada de culpa por desobedecer Circe, sua mãe e mentora, mas o destino era uma força mais poderosa que qualquer feitiço de transformação.
Desde os sete anos, Aurora via aquele rosto em seus sonhos. Ela vira Percy Jackson lutar contra minotauros, cair em rios e carregar o peso do mundo nos ombros. Afrodite prometera que ele era sua alma gêmea, e Aurora não era do tipo que esperava o destino bater à sua porta; ela preferia arrombar a porta com uma de suas chaves mágicas.
O navio balançou violentamente quando Percy e uma garota loira, que Aurora identificou como Annabeth Chase, começaram a manobrar para longe da ilha de Circe. Aurora se encolheu, sentindo o cheiro de maresia e magia. Ela amava o mar — era uma das poucas coisas que a acalmava além de suas poções.
— Percy, você tem certeza de que sabe pilotar isso? — A voz de Annabeth ecoou pelo convés, carregada de cansaço e urgência.
— Eu sinto que o navio quer me obedecer — respondeu Percy. — É estranho, mas funciona.
Aurora sorriu no escuro. *É claro que funciona, seu bobo*, pensou ela. *Você é o filho do senhor dos mares.*
Ela esperou até que a ilha de Aiaia fosse apenas um ponto no horizonte. O balanço do navio era rítmico, e o som das ondas batendo no casco era como uma canção de ninar. No entanto, sua natureza dramática e sua impaciência falaram mais alto. Ela não aguentaria a viagem inteira escondida entre caixotes de suprimentos e cordas velhas. Além disso, ela era uma Maia de Aiaia; ela não se escondia, ela fazia entradas.
Com um gesto fluido, Aurora tocou o pequeno isqueiro preso ao seu colar. Uma pequena chama surgiu, não para queimar, mas para moldar a luz ao seu redor. Ela desfez o feitiço de ocultação que havia tecido em suas roupas — uma túnica de seda grega que ela mesma encantara para mudar de cor de acordo com o ambiente — e se levantou.
Seus passos eram leves, mas o tilintar dos seus brincos de sol e das chaves em seu pescoço entregaram sua posição.
— Quem está aí? — A voz de Percy soou alerta.
Aurora saiu das sombras, a luz do pôr do sol atingindo seus olhos violetas e fazendo-os brilhar com uma intensidade mística. Ela cruzou os braços, tentando manter a postura elegante e misteriosa que sua mãe sempre ensinara, embora por dentro seu coração estivesse martelando como o de um passarinho.
— É falta de educação gritar com uma dama em seu próprio território, sabia? — disse Aurora, a voz carregada com um toque de *charmspeak* que ela não pôde evitar.
Percy e Annabeth paralisaram. Percy arregalou os olhos, a mão instintivamente indo para o bolso onde guardava sua caneta-espada. Annabeth já estava com a faca de bronze em punho.
— Outra bruxa? — Annabeth rosnou, os olhos cinzentos faiscando de ódio. — Percy, eu disse que não deveríamos ter baixado a guarda!
— Espere! — Percy deu um passo à frente, parecendo hipnotizado, não apenas pela magia na voz de Aurora, mas pela estranha sensação de reconhecimento. — Eu... eu conheço você?
Aurora sentiu uma onda de afeto tão forte que quase tropeçou nos próprios pés — sua eterna desajeitada interior lutando contra a fachada de feiticeira poderosa. Ela se recompôs, jogando a longa trança sobre o ombro.
— Em seus sonhos, talvez — disse ela, com um sorriso astuto. — Meu nome é Aurora Maya Venefica Castello de Aiaia. E antes que você tente me transformar em algo, loirinha, saiba que eu sou a razão de vocês terem conseguido sair daquela ilha sem que minha mãe os transformasse em estátuas de jardim permanentes.
Annabeth arqueou uma sobrancelha, desconfiada.
— Circe é sua mãe? Por que você nos ajudaria?
— Porque eu cansei de ver porquinhos da índia — Aurora fez uma careta dramática, gesticulando para Percy. — Especialmente um que tem olhos tão expressivos. Além disso, o destino é uma coisa muito chata de se ignorar.
Percy guardou a caneta, embora Annabeth ainda parecesse pronta para o combate.
— Você veio escondida? — perguntou Percy, aproximando-se. — Por que não disse nada antes?
— Eu gosto de mistério — admitiu Aurora, sentindo a pele parda esquentar sob o olhar dele. — E eu queria ver se você era realmente capaz de comandar um navio tão grande. Devo dizer, estou levemente impressionada.
— Levemente? — Percy riu, um som que fez Aurora querer cantar. — Eu quase fui devorado por gigantes e transformado em roedor hoje. "Levemente impressionada" é o melhor que eu vou conseguir?
— Sou exigente — Aurora deu de ombros, caminhando pela amurada do navio com uma graça felina. — Mas posso ser útil. Eu tenho provisões, conhecimento de navegação e... bem, eu sou uma bruxa.
— Nós não precisamos de mais magia — Annabeth interveio, guardando finalmente sua faca, embora o tom permanecesse frio. — Já tivemos problemas o suficiente com Circe.
— Minha mãe tem seus métodos, eu tenho os meus — rebateu Aurora, seus olhos brilhando em púrpura. — Eu sou abençoada por Hécate e Hélios. Se vocês querem atravessar o Mar de Monstros sem serem despedaçados, vão precisar de alguém que saiba ler as correntes mágicas. E eu sou excelente com poções de cura.
Percy olhou de Aurora para Annabeth. Havia algo na garota nova que o atraía, uma conexão que ele não conseguia explicar, como se o mar e o sol estivessem tentando se encontrar.
— Ela pode ficar — decidiu Percy.
— Percy! — Annabeth protestou.
— Ela teve todas as chances de nos enfeitiçar enquanto estávamos distraídos — argumentou ele. — Além disso, ela salvou a gente, ou diz que salvou. E... eu sinto que posso confiar nela.
Aurora sentiu uma pontada de triunfo. Ela se aproximou de Percy, parando a poucos centímetros dele. Ela era um pouco mais baixa, o que a obrigava a inclinar a cabeça. O cheiro dele era de mar e de perigo iminente.
— Uma escolha sábia, Percy Jackson — sussurrou ela.
Sem aviso, ela estendeu a mão e tocou o braço dele. Um pequeno brilho de luz dourada passou de seus dedos para a pele dele, curando um pequeno corte que ele sofrera durante a fuga. Percy estremeceu, não de dor, mas de uma sensação de calor reconfortante.
— O que foi isso? — perguntou ele, maravilhado.
— Um presente de Hélios — respondeu Aurora, sua vaidade brilhando tanto quanto seus brincos. — Eu não suporto ver minha alma gêmea com cicatrizes tão feias.
Os olhos de Percy quase saltaram das órbitas.
— Sua o quê?
Aurora percebeu que falara demais. Sua dificuldade em expressar afeto com palavras sempre a traía, transformando sentimentos profundos em declarações dramáticas ou diretas demais. Ela corou furiosamente, as sardas em seu nariz parecendo brilhar.
— Eu disse... que você é um grande... alma de... de guerreiro! — gaguejou ela, virando as costas rapidamente e fingindo observar o horizonte. — Enfim! Onde está o resto da sua tripulação? Ou vocês dois planejam cruzar o oceano sozinhos neste museu flutuante?
Annabeth estreitou os olhos, percebendo a confusão da garota, mas decidiu não pressionar.
— Estamos procurando por Grover e pelo Velocino de Ouro — explicou a loira. — E temos um amigo... um ciclope. Ele se perdeu quando a ilha explodiu.
Aurora sentiu uma pontada de tristeza. Ela era sensível, embora tentasse esconder isso sob camadas de sarcasmo e elegância.
— Sinto muito pelo seu amigo — disse ela, agora com sinceridade. — Mas se ele estiver no mar, o pai de Percy cuidará dele. Agora, se me dão licença, eu preciso preparar um lugar para descansar. Minha casa é um pouco maior do que parece.
Ela levou a mão ao colar e desencaixou o pingente em forma de porta. Com um movimento ágil, ela o lançou contra uma parede de madeira do navio. Em um flash de luz violeta, a pequena joia se transformou em uma porta de carvalho real, encravada na estrutura do "Vingança da Rainha Ana".
Percy e Annabeth observaram, boquiabertos.
— O que é isso? — perguntou Percy, aproximando-se para tocar a madeira.
— Meu refúgio — explicou Aurora, recuperando sua confiança. — Tem um quarto, uma cozinha e, o mais importante, uma estufa para minhas ervas. Se precisarem de mim, batam. Mas não entrem sem permissão, ou podem acabar transformados em porcos-espinhos. É um feitiço de segurança automático, eu juro que não é pessoal.
Ela abriu a porta, revelando um interior iluminado por uma luz suave e dourada, com cheiro de lavanda e terra molhada. Antes de entrar, ela olhou para Percy por cima do ombro.
— Ah, Percy?
— Sim?
— Fica bem de azul. Combina com seus olhos.
E com um bater de porta, ela desapareceu, deixando um herói confuso e uma filha de Atenas extremamente irritada para trás.
Lá dentro, Aurora se encostou na porta e escorregou até o chão, o rosto escondido nas mãos.
— "Alma gêmea"? Sério, Aurora? — ela se repreendeu em voz alta. — Você estuda magia com a maior feiticeira do mundo e não consegue manter a boca fechada por cinco minutos?
Ela soltou um suspiro dramático e olhou para o seu leão negro bebê, que estava espreguiçando-se em cima de um sofá de veludo. O animal soltou um pequeno rugido que soou mais como um miado.
— Não me olhe assim, Balthazar — disse ela para o pet. — Ele é mais bonito do que nos sonhos. E ele cheira a oceano. Como eu deveria manter a calma?
Ela se levantou e caminhou até sua parede de livros, mas seus dedos pararam em um pequeno espelho de bronze. Ela viu seu reflexo: os olhos violetas ainda cintilavam. Ela sabia que a jornada à frente seria perigosa. Monstros, deuses furiosos e a profecia que pairava sobre Percy.
Mas enquanto ela olhava para as chaves em seu pescoço, Aurora sentiu uma determinação feroz. Ela não era apenas uma passageira clandestina. Ela era a luz que ele precisaria no escuro, e a magia que o protegeria quando o bronze falhasse.
Lá fora, o navio seguia em direção ao Triângulo das Bermudas. No convés, Percy Jackson olhava para a porta mágica, sentindo que sua vida acabara de se tornar muito mais complicada — e estranhamente mais brilhante.
Aurora pegou uma de suas adagas, que normalmente parecia um anel em seu dedo, e começou a polir o metal enquanto cantarolava uma melodia antiga em grego. A música vibrava com poder, conectando-se às tábuas do navio.
— Prepare-se, Percy — sussurrou ela para as paredes de sua casa mágica. — Você ainda não viu nada do que uma bruxa de Aiaia pode fazer por amor.
Ela tropeçou em um tapete logo em seguida, caindo de joelhos, mas levantou-se rapidamente, limpando a túnica e olhando em volta para garantir que ninguém — nem mesmo o leão — tivesse visto. A elegância era importante, mas a jornada de uma alma gêmea era feita de tropeços e feitiços. E Aurora estava pronta para cada um deles.
Aurora Maia de Aiaia estava escondida sob uma lona pesada no convés do "Vingança da Rainha Ana", o navio que acabara de ser saqueado e tomado por um garoto de doze anos com cabelos rebeldes e olhos verdes como o mar. O mesmo garoto que, minutos antes, era um porquinho da índia guinchando em uma gaiola de ouro.
— Eu não acredito que ele é tão bonito de perto — sussurrou Aurora para si mesma, apertando o pingente de chave em seu pescoço.
Aos doze anos, Aurora já possuía uma presença que muitos adultos invejariam. Seus cabelos castanhos avermelhados, que ela mantinha cuidadosamente trançados para não tropeçar neles — já que soltos alcançavam o chão —, pareciam fios de cobre sob a luz do entardecer. Ela sentiu uma pontada de culpa por desobedecer Circe, sua mãe e mentora, mas o destino era uma força mais poderosa que qualquer feitiço de transformação.
Desde os sete anos, Aurora via aquele rosto em seus sonhos. Ela vira Percy Jackson lutar contra minotauros, cair em rios e carregar o peso do mundo nos ombros. Afrodite prometera que ele era sua alma gêmea, e Aurora não era do tipo que esperava o destino bater à sua porta; ela preferia arrombar a porta com uma de suas chaves mágicas.
O navio balançou violentamente quando Percy e uma garota loira, que Aurora identificou como Annabeth Chase, começaram a manobrar para longe da ilha de Circe. Aurora se encolheu, sentindo o cheiro de maresia e magia. Ela amava o mar — era uma das poucas coisas que a acalmava além de suas poções.
— Percy, você tem certeza de que sabe pilotar isso? — A voz de Annabeth ecoou pelo convés, carregada de cansaço e urgência.
— Eu sinto que o navio quer me obedecer — respondeu Percy. — É estranho, mas funciona.
Aurora sorriu no escuro. *É claro que funciona, seu bobo*, pensou ela. *Você é o filho do senhor dos mares.*
Ela esperou até que a ilha de Aiaia fosse apenas um ponto no horizonte. O balanço do navio era rítmico, e o som das ondas batendo no casco era como uma canção de ninar. No entanto, sua natureza dramática e sua impaciência falaram mais alto. Ela não aguentaria a viagem inteira escondida entre caixotes de suprimentos e cordas velhas. Além disso, ela era uma Maia de Aiaia; ela não se escondia, ela fazia entradas.
Com um gesto fluido, Aurora tocou o pequeno isqueiro preso ao seu colar. Uma pequena chama surgiu, não para queimar, mas para moldar a luz ao seu redor. Ela desfez o feitiço de ocultação que havia tecido em suas roupas — uma túnica de seda grega que ela mesma encantara para mudar de cor de acordo com o ambiente — e se levantou.
Seus passos eram leves, mas o tilintar dos seus brincos de sol e das chaves em seu pescoço entregaram sua posição.
— Quem está aí? — A voz de Percy soou alerta.
Aurora saiu das sombras, a luz do pôr do sol atingindo seus olhos violetas e fazendo-os brilhar com uma intensidade mística. Ela cruzou os braços, tentando manter a postura elegante e misteriosa que sua mãe sempre ensinara, embora por dentro seu coração estivesse martelando como o de um passarinho.
— É falta de educação gritar com uma dama em seu próprio território, sabia? — disse Aurora, a voz carregada com um toque de *charmspeak* que ela não pôde evitar.
Percy e Annabeth paralisaram. Percy arregalou os olhos, a mão instintivamente indo para o bolso onde guardava sua caneta-espada. Annabeth já estava com a faca de bronze em punho.
— Outra bruxa? — Annabeth rosnou, os olhos cinzentos faiscando de ódio. — Percy, eu disse que não deveríamos ter baixado a guarda!
— Espere! — Percy deu um passo à frente, parecendo hipnotizado, não apenas pela magia na voz de Aurora, mas pela estranha sensação de reconhecimento. — Eu... eu conheço você?
Aurora sentiu uma onda de afeto tão forte que quase tropeçou nos próprios pés — sua eterna desajeitada interior lutando contra a fachada de feiticeira poderosa. Ela se recompôs, jogando a longa trança sobre o ombro.
— Em seus sonhos, talvez — disse ela, com um sorriso astuto. — Meu nome é Aurora Maya Venefica Castello de Aiaia. E antes que você tente me transformar em algo, loirinha, saiba que eu sou a razão de vocês terem conseguido sair daquela ilha sem que minha mãe os transformasse em estátuas de jardim permanentes.
Annabeth arqueou uma sobrancelha, desconfiada.
— Circe é sua mãe? Por que você nos ajudaria?
— Porque eu cansei de ver porquinhos da índia — Aurora fez uma careta dramática, gesticulando para Percy. — Especialmente um que tem olhos tão expressivos. Além disso, o destino é uma coisa muito chata de se ignorar.
Percy guardou a caneta, embora Annabeth ainda parecesse pronta para o combate.
— Você veio escondida? — perguntou Percy, aproximando-se. — Por que não disse nada antes?
— Eu gosto de mistério — admitiu Aurora, sentindo a pele parda esquentar sob o olhar dele. — E eu queria ver se você era realmente capaz de comandar um navio tão grande. Devo dizer, estou levemente impressionada.
— Levemente? — Percy riu, um som que fez Aurora querer cantar. — Eu quase fui devorado por gigantes e transformado em roedor hoje. "Levemente impressionada" é o melhor que eu vou conseguir?
— Sou exigente — Aurora deu de ombros, caminhando pela amurada do navio com uma graça felina. — Mas posso ser útil. Eu tenho provisões, conhecimento de navegação e... bem, eu sou uma bruxa.
— Nós não precisamos de mais magia — Annabeth interveio, guardando finalmente sua faca, embora o tom permanecesse frio. — Já tivemos problemas o suficiente com Circe.
— Minha mãe tem seus métodos, eu tenho os meus — rebateu Aurora, seus olhos brilhando em púrpura. — Eu sou abençoada por Hécate e Hélios. Se vocês querem atravessar o Mar de Monstros sem serem despedaçados, vão precisar de alguém que saiba ler as correntes mágicas. E eu sou excelente com poções de cura.
Percy olhou de Aurora para Annabeth. Havia algo na garota nova que o atraía, uma conexão que ele não conseguia explicar, como se o mar e o sol estivessem tentando se encontrar.
— Ela pode ficar — decidiu Percy.
— Percy! — Annabeth protestou.
— Ela teve todas as chances de nos enfeitiçar enquanto estávamos distraídos — argumentou ele. — Além disso, ela salvou a gente, ou diz que salvou. E... eu sinto que posso confiar nela.
Aurora sentiu uma pontada de triunfo. Ela se aproximou de Percy, parando a poucos centímetros dele. Ela era um pouco mais baixa, o que a obrigava a inclinar a cabeça. O cheiro dele era de mar e de perigo iminente.
— Uma escolha sábia, Percy Jackson — sussurrou ela.
Sem aviso, ela estendeu a mão e tocou o braço dele. Um pequeno brilho de luz dourada passou de seus dedos para a pele dele, curando um pequeno corte que ele sofrera durante a fuga. Percy estremeceu, não de dor, mas de uma sensação de calor reconfortante.
— O que foi isso? — perguntou ele, maravilhado.
— Um presente de Hélios — respondeu Aurora, sua vaidade brilhando tanto quanto seus brincos. — Eu não suporto ver minha alma gêmea com cicatrizes tão feias.
Os olhos de Percy quase saltaram das órbitas.
— Sua o quê?
Aurora percebeu que falara demais. Sua dificuldade em expressar afeto com palavras sempre a traía, transformando sentimentos profundos em declarações dramáticas ou diretas demais. Ela corou furiosamente, as sardas em seu nariz parecendo brilhar.
— Eu disse... que você é um grande... alma de... de guerreiro! — gaguejou ela, virando as costas rapidamente e fingindo observar o horizonte. — Enfim! Onde está o resto da sua tripulação? Ou vocês dois planejam cruzar o oceano sozinhos neste museu flutuante?
Annabeth estreitou os olhos, percebendo a confusão da garota, mas decidiu não pressionar.
— Estamos procurando por Grover e pelo Velocino de Ouro — explicou a loira. — E temos um amigo... um ciclope. Ele se perdeu quando a ilha explodiu.
Aurora sentiu uma pontada de tristeza. Ela era sensível, embora tentasse esconder isso sob camadas de sarcasmo e elegância.
— Sinto muito pelo seu amigo — disse ela, agora com sinceridade. — Mas se ele estiver no mar, o pai de Percy cuidará dele. Agora, se me dão licença, eu preciso preparar um lugar para descansar. Minha casa é um pouco maior do que parece.
Ela levou a mão ao colar e desencaixou o pingente em forma de porta. Com um movimento ágil, ela o lançou contra uma parede de madeira do navio. Em um flash de luz violeta, a pequena joia se transformou em uma porta de carvalho real, encravada na estrutura do "Vingança da Rainha Ana".
Percy e Annabeth observaram, boquiabertos.
— O que é isso? — perguntou Percy, aproximando-se para tocar a madeira.
— Meu refúgio — explicou Aurora, recuperando sua confiança. — Tem um quarto, uma cozinha e, o mais importante, uma estufa para minhas ervas. Se precisarem de mim, batam. Mas não entrem sem permissão, ou podem acabar transformados em porcos-espinhos. É um feitiço de segurança automático, eu juro que não é pessoal.
Ela abriu a porta, revelando um interior iluminado por uma luz suave e dourada, com cheiro de lavanda e terra molhada. Antes de entrar, ela olhou para Percy por cima do ombro.
— Ah, Percy?
— Sim?
— Fica bem de azul. Combina com seus olhos.
E com um bater de porta, ela desapareceu, deixando um herói confuso e uma filha de Atenas extremamente irritada para trás.
Lá dentro, Aurora se encostou na porta e escorregou até o chão, o rosto escondido nas mãos.
— "Alma gêmea"? Sério, Aurora? — ela se repreendeu em voz alta. — Você estuda magia com a maior feiticeira do mundo e não consegue manter a boca fechada por cinco minutos?
Ela soltou um suspiro dramático e olhou para o seu leão negro bebê, que estava espreguiçando-se em cima de um sofá de veludo. O animal soltou um pequeno rugido que soou mais como um miado.
— Não me olhe assim, Balthazar — disse ela para o pet. — Ele é mais bonito do que nos sonhos. E ele cheira a oceano. Como eu deveria manter a calma?
Ela se levantou e caminhou até sua parede de livros, mas seus dedos pararam em um pequeno espelho de bronze. Ela viu seu reflexo: os olhos violetas ainda cintilavam. Ela sabia que a jornada à frente seria perigosa. Monstros, deuses furiosos e a profecia que pairava sobre Percy.
Mas enquanto ela olhava para as chaves em seu pescoço, Aurora sentiu uma determinação feroz. Ela não era apenas uma passageira clandestina. Ela era a luz que ele precisaria no escuro, e a magia que o protegeria quando o bronze falhasse.
Lá fora, o navio seguia em direção ao Triângulo das Bermudas. No convés, Percy Jackson olhava para a porta mágica, sentindo que sua vida acabara de se tornar muito mais complicada — e estranhamente mais brilhante.
Aurora pegou uma de suas adagas, que normalmente parecia um anel em seu dedo, e começou a polir o metal enquanto cantarolava uma melodia antiga em grego. A música vibrava com poder, conectando-se às tábuas do navio.
— Prepare-se, Percy — sussurrou ela para as paredes de sua casa mágica. — Você ainda não viu nada do que uma bruxa de Aiaia pode fazer por amor.
Ela tropeçou em um tapete logo em seguida, caindo de joelhos, mas levantou-se rapidamente, limpando a túnica e olhando em volta para garantir que ninguém — nem mesmo o leão — tivesse visto. A elegância era importante, mas a jornada de uma alma gêmea era feita de tropeços e feitiços. E Aurora estava pronta para cada um deles.
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