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Mha
Фандом: My hero academy
Создан: 30.03.2026
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O Reflexo do Chão Frio
A memória coletiva da UA era feita de glórias, sacrifícios e heróis em ascensão. Mas, para a turma 1-A, havia uma memória que não se encaixava em nenhum livro de história. Era uma mancha. Um borrão de uniforme escolar, cabelos verdes bagunçados e o som seco de algo atingindo o concreto.
Dois anos.
Setecentos e trinta dias desde que Izuku Midoriya, o garoto que anotava tudo em cadernos e sorria com uma timidez quase dolorosa, decidiu que o peso do mundo era maior que a gravidade. Muitas pessoas viram. O grito de uma mulher ecoou pelo quarteirão. O som de sirenes que chegaram tarde demais. Houve um círculo de curiosos, o pânico de quem tentava prestar socorro e o choque paralisante de quem reconheceu o rosto do colega de classe.
E então, o impossível. No breve intervalo entre o desvio de olhar de um paramédico e o flash da câmera de um celular, o corpo desapareceu. Não houve rastro de sangue, nem resquícios de uma individualidade. Apenas um espaço vazio onde a tragédia deveria ter se consolidado.
Para a 1-A, Izuku Midoriya tornou-se um fantasma. Alguém que nunca foi esquecido, mas cujo nome era pronunciado apenas em sussurros, como uma prece ou um pecado.
Até aquele dia.
O ataque da Liga dos Vilões ao centro de Musutafu não foi como os outros. Não houve o deboche imediato de Shigaraki ou o caos descontrolado de Twice. Houve um silêncio opressor. O ar parecia ter se tornado chumbo, dificultando a respiração dos jovens heróis que tentavam conter os Nomus e evacuar os civis.
Shigaraki Tomura estava parado no topo de um veículo capotado, as mãos nos bolsos, um sorriso seco rasgando sua pele pálida.
— Chegou — ele murmurou, a voz carregada de uma satisfação sombria.
Das sombras de um beco, uma figura emergiu. Ele usava um capuz escuro que escondia parte do rosto, mas a postura era inconfundível. Não era a postura de um vilão sedento por sangue, nem a de um herói pronto para o resgate. Era a postura de alguém que tinha aceitado o vazio.
Quando ele levantou a cabeça, os olhos verdes brilharam sob a luz fraca da tarde.
— ...não — sussurrou Uraraka, sentindo os joelhos fraquejarem. O dispositivo de gravidade em seus pulsos pareceu pesar toneladas.
Bakugo Katsuki, que estava a poucos metros, travou. As faíscas que normalmente saltavam de suas palmas morreram instantaneamente. O rosto do explosivo herói empalideceu, uma expressão de puro horror substituindo sua fúria habitual.
— Deku? — A voz de Bakugo saiu rouca, quase um engasgo.
Izuku parou ao lado de Shigaraki. Ele não parecia ferido, nem controlado mentalmente. Ele apenas... estava lá. Olhando para seus antigos colegas com a calma de quem reconhece rostos em uma fotografia velha.
— Faz tempo — disse Izuku. Sua voz tinha mudado. O tom agudo de ansiedade tinha sido substituído por uma neutralidade gélida.
— Você caiu... a gente viu! — Uraraka deu um passo à frente, as lágrimas já embaçando sua visão. — O chão... as pessoas... Izuku, você sumiu!
— Eu sei — ele respondeu, simples, como se discutisse o clima.
Todoroki Shoto, cujas chamas e gelo estavam prontos para o combate, estreitou o olhar cinza e azul. Havia uma dor profunda em seu peito ao ver o garoto que o "salvara" no festival esportivo agora parado ao lado do homem que queria destruir o mundo.
— Então por que você está aqui, Midoriya? — perguntou Todoroki, a voz tremendo levemente. — Por que com eles?
Antes que Izuku pudesse responder, o ar explodiu.
— QUE PORRA ACONTECEU COM VOCÊ?! — Bakugo avançou como um míssil, a raiva sendo a única forma que ele conhecia de lidar com o luto que agora se transformava em traição. — VOCÊ MORREU! VOCÊ DEVERIA ESTAR MORTO!
Izuku não recuou. Ele não usou o One For All — que todos acreditavam que ele nunca teve — nem qualquer poder chamativo. Ele apenas moveu o peso do corpo, deixando Bakugo passar direto por ele, perdendo o equilíbrio.
— Eu entendi — disse Izuku, olhando para o céu cinzento.
— Entendeu o quê?! — Iida rebateu, os motores em suas pernas roncando, a frustração evidente em seu rosto rígido. — Que a vilania é o caminho? Que desistir de tudo é a solução? Isso não é você, Midoriya!
Izuku desviou o olhar por um segundo, um vislumbre de cansaço cruzando seu rosto.
— Entendi que ninguém veio a tempo — ele disse, a voz baixando de volume, mas carregando um peso que silenciou o campo de batalha.
Houve uma pausa. O som distante de uma sirene parecia zombar deles.
— Eu fiquei lá — ele continuou, os olhos fixos em Bakugo, que se levantava lentamente. — No chão. O concreto estava frio. Eu ouvi as pessoas gritando, ouvi os heróis dizendo que estavam a caminho, ouvi o barulho das câmeras fotográficas. Mas ninguém se aproximou. Ninguém estendeu a mão enquanto eu ainda sentia a vida esvair.
— Isso não é justo... — Uraraka começou, a voz falhando em um soluço. — Nós não sabíamos... nós tentamos chegar...
— Não importa — ele a cortou, sem elevar o tom de voz, mas com uma autoridade que a fez recuar. — O tempo de "tentar" acabou no momento em que meus ossos pararam de doar.
Shigaraki soltou uma risada arranhada, coçando o pescoço com entusiasmo.
— Chega de conversa. Mostra para eles, Izuku. Mostra o que acontece quando o sistema cospe um de seus "queridinhos".
O que se seguiu não foi uma luta, foi uma lição de anatomia e desespero. Quando Izuku se moveu, não houve o clarão de energia que eles esperavam de um vilão de alto nível. Houve precisão.
Kirishima tentou segurá-lo, endurecendo o corpo ao máximo, mas Izuku o atingiu exatamente no ponto de articulação onde a pele ainda era vulnerável, usando o próprio peso do herói contra ele. O ruivo caiu de joelhos, sem entender como fora subjugado tão rápido.
Iida ativou seu Recipro Burst, tornando-se um borrão de velocidade. Izuku nem sequer olhou para trás. Ele deu um passo lateral milimétrico, deixando o pé no caminho de Iida. O herói de óculos rolou pelo asfalto, a armadura rangendo.
Todoroki lançou uma onda de gelo, tentando imobilizar os pés de Izuku. O garoto saltou, girou no ar com uma agilidade sobre-humana e aterrissou silenciosamente atrás do gelo, bloqueando o próximo ataque de fogo com uma placa de metal que arrancara de um destroço.
Uraraka hesitou. Ela estendeu as mãos, pronta para fazê-lo flutuar, mas quando encontrou os olhos dele — aqueles olhos que um dia brilharam com sonhos de ser o número um — ela perdeu a coragem. Ela hesitou por um segundo... e esse segundo foi o suficiente para Izuku desarmá-la com um toque firme no pulso, afastando-a sem feri-la.
— Para, Izuku! — ela gritou, as lágrimas escorrendo livremente. — Por favor!
— Eu ainda ajudo — ele disse, derrubando Iida novamente com um movimento limpo de judô quando o herói tentou se levantar. — Só não do jeito que vocês querem.
Bakugo foi o último. Ele não se importava mais com a estratégia. Ele queria respostas. Ele queria o amigo de infância de volta, mesmo que tivesse que espancá-lo para isso.
— VOLTA, DEKU! — ele rugiu, lançando uma explosão massiva.
Izuku atravessou a fumaça. Ele apareceu na frente de Bakugo, perto demais para que o outro pudesse reagir com outra explosão sem se ferir.
— Eu nunca fui salvo, Kacchan — Izuku sussurrou, a centímetros do rosto de Bakugo.
O loiro congelou. O apelido, dito com aquela voz desprovida de rancor, mas cheia de uma verdade absoluta, o atingiu mais forte do que qualquer golpe físico.
— Só parei de esperar.
O golpe veio rápido. Um impacto preciso no plexo solar que tirou todo o ar dos pulmões de Bakugo. O herói caiu, os olhos arregalados, lutando para respirar, enquanto via a silhueta de Izuku se afastar.
O silêncio voltou a reinar, pesado e sufocante. A 1-A estava no chão. Não por estarem gravemente feridos — Izuku tinha sido cirúrgico em não causar danos permanentes —, mas por estarem quebrados por dentro.
Izuku olhou para todos eles. Por um breve instante, seu olhar vacilou. Suas mãos tremeram levemente ao lado do corpo. Foi um lampejo — pequeno, rápido, humano. O resto da empatia que ele ainda carregava, lutando contra o frio que o habitava agora.
Uraraka, reunindo as últimas forças, estendeu a mão trêmula em direção a ele, rastejando pelo asfalto.
— Você... você ainda pode voltar... a gente te ajuda... a gente conserta isso...
Ele hesitou.
O mundo pareceu parar. Shigaraki observava com um interesse clínico. Bakugo tentava falar, mas apenas sons desconexos saíam de sua garganta.
Izuku fechou os olhos. Quando os abriu, a hesitação tinha sido enterrada sob camadas de concreto imaginário. Ele virou o rosto, negando o toque dela.
— Eu não sou o inimigo — disse ele, dando as costas e começando a caminhar em direção ao portal de névoa negra que Kurogiri começava a abrir.
Ele parou por um instante, sem olhar para trás.
— Eu sou o resultado.
A Liga dos Vilões recuou para dentro da escuridão. Izuku Midoriya foi o último a entrar. Ele não olhou para trás uma única vez.
Dessa vez, ninguém correu atrás.
Não porque não quisessem, ou porque não tivessem forças. Mas porque, no fundo de suas almas, todos sabiam exatamente quando tinham perdido ele. E não foi naquele dia, no meio da batalha.
Foi dois anos atrás, quando um garoto de cabelos verdes ficou deitado no chão frio, esperando por mãos que nunca chegaram, até que ele mesmo decidiu se levantar e caminhar para a escuridão.
Dois anos.
Setecentos e trinta dias desde que Izuku Midoriya, o garoto que anotava tudo em cadernos e sorria com uma timidez quase dolorosa, decidiu que o peso do mundo era maior que a gravidade. Muitas pessoas viram. O grito de uma mulher ecoou pelo quarteirão. O som de sirenes que chegaram tarde demais. Houve um círculo de curiosos, o pânico de quem tentava prestar socorro e o choque paralisante de quem reconheceu o rosto do colega de classe.
E então, o impossível. No breve intervalo entre o desvio de olhar de um paramédico e o flash da câmera de um celular, o corpo desapareceu. Não houve rastro de sangue, nem resquícios de uma individualidade. Apenas um espaço vazio onde a tragédia deveria ter se consolidado.
Para a 1-A, Izuku Midoriya tornou-se um fantasma. Alguém que nunca foi esquecido, mas cujo nome era pronunciado apenas em sussurros, como uma prece ou um pecado.
Até aquele dia.
O ataque da Liga dos Vilões ao centro de Musutafu não foi como os outros. Não houve o deboche imediato de Shigaraki ou o caos descontrolado de Twice. Houve um silêncio opressor. O ar parecia ter se tornado chumbo, dificultando a respiração dos jovens heróis que tentavam conter os Nomus e evacuar os civis.
Shigaraki Tomura estava parado no topo de um veículo capotado, as mãos nos bolsos, um sorriso seco rasgando sua pele pálida.
— Chegou — ele murmurou, a voz carregada de uma satisfação sombria.
Das sombras de um beco, uma figura emergiu. Ele usava um capuz escuro que escondia parte do rosto, mas a postura era inconfundível. Não era a postura de um vilão sedento por sangue, nem a de um herói pronto para o resgate. Era a postura de alguém que tinha aceitado o vazio.
Quando ele levantou a cabeça, os olhos verdes brilharam sob a luz fraca da tarde.
— ...não — sussurrou Uraraka, sentindo os joelhos fraquejarem. O dispositivo de gravidade em seus pulsos pareceu pesar toneladas.
Bakugo Katsuki, que estava a poucos metros, travou. As faíscas que normalmente saltavam de suas palmas morreram instantaneamente. O rosto do explosivo herói empalideceu, uma expressão de puro horror substituindo sua fúria habitual.
— Deku? — A voz de Bakugo saiu rouca, quase um engasgo.
Izuku parou ao lado de Shigaraki. Ele não parecia ferido, nem controlado mentalmente. Ele apenas... estava lá. Olhando para seus antigos colegas com a calma de quem reconhece rostos em uma fotografia velha.
— Faz tempo — disse Izuku. Sua voz tinha mudado. O tom agudo de ansiedade tinha sido substituído por uma neutralidade gélida.
— Você caiu... a gente viu! — Uraraka deu um passo à frente, as lágrimas já embaçando sua visão. — O chão... as pessoas... Izuku, você sumiu!
— Eu sei — ele respondeu, simples, como se discutisse o clima.
Todoroki Shoto, cujas chamas e gelo estavam prontos para o combate, estreitou o olhar cinza e azul. Havia uma dor profunda em seu peito ao ver o garoto que o "salvara" no festival esportivo agora parado ao lado do homem que queria destruir o mundo.
— Então por que você está aqui, Midoriya? — perguntou Todoroki, a voz tremendo levemente. — Por que com eles?
Antes que Izuku pudesse responder, o ar explodiu.
— QUE PORRA ACONTECEU COM VOCÊ?! — Bakugo avançou como um míssil, a raiva sendo a única forma que ele conhecia de lidar com o luto que agora se transformava em traição. — VOCÊ MORREU! VOCÊ DEVERIA ESTAR MORTO!
Izuku não recuou. Ele não usou o One For All — que todos acreditavam que ele nunca teve — nem qualquer poder chamativo. Ele apenas moveu o peso do corpo, deixando Bakugo passar direto por ele, perdendo o equilíbrio.
— Eu entendi — disse Izuku, olhando para o céu cinzento.
— Entendeu o quê?! — Iida rebateu, os motores em suas pernas roncando, a frustração evidente em seu rosto rígido. — Que a vilania é o caminho? Que desistir de tudo é a solução? Isso não é você, Midoriya!
Izuku desviou o olhar por um segundo, um vislumbre de cansaço cruzando seu rosto.
— Entendi que ninguém veio a tempo — ele disse, a voz baixando de volume, mas carregando um peso que silenciou o campo de batalha.
Houve uma pausa. O som distante de uma sirene parecia zombar deles.
— Eu fiquei lá — ele continuou, os olhos fixos em Bakugo, que se levantava lentamente. — No chão. O concreto estava frio. Eu ouvi as pessoas gritando, ouvi os heróis dizendo que estavam a caminho, ouvi o barulho das câmeras fotográficas. Mas ninguém se aproximou. Ninguém estendeu a mão enquanto eu ainda sentia a vida esvair.
— Isso não é justo... — Uraraka começou, a voz falhando em um soluço. — Nós não sabíamos... nós tentamos chegar...
— Não importa — ele a cortou, sem elevar o tom de voz, mas com uma autoridade que a fez recuar. — O tempo de "tentar" acabou no momento em que meus ossos pararam de doar.
Shigaraki soltou uma risada arranhada, coçando o pescoço com entusiasmo.
— Chega de conversa. Mostra para eles, Izuku. Mostra o que acontece quando o sistema cospe um de seus "queridinhos".
O que se seguiu não foi uma luta, foi uma lição de anatomia e desespero. Quando Izuku se moveu, não houve o clarão de energia que eles esperavam de um vilão de alto nível. Houve precisão.
Kirishima tentou segurá-lo, endurecendo o corpo ao máximo, mas Izuku o atingiu exatamente no ponto de articulação onde a pele ainda era vulnerável, usando o próprio peso do herói contra ele. O ruivo caiu de joelhos, sem entender como fora subjugado tão rápido.
Iida ativou seu Recipro Burst, tornando-se um borrão de velocidade. Izuku nem sequer olhou para trás. Ele deu um passo lateral milimétrico, deixando o pé no caminho de Iida. O herói de óculos rolou pelo asfalto, a armadura rangendo.
Todoroki lançou uma onda de gelo, tentando imobilizar os pés de Izuku. O garoto saltou, girou no ar com uma agilidade sobre-humana e aterrissou silenciosamente atrás do gelo, bloqueando o próximo ataque de fogo com uma placa de metal que arrancara de um destroço.
Uraraka hesitou. Ela estendeu as mãos, pronta para fazê-lo flutuar, mas quando encontrou os olhos dele — aqueles olhos que um dia brilharam com sonhos de ser o número um — ela perdeu a coragem. Ela hesitou por um segundo... e esse segundo foi o suficiente para Izuku desarmá-la com um toque firme no pulso, afastando-a sem feri-la.
— Para, Izuku! — ela gritou, as lágrimas escorrendo livremente. — Por favor!
— Eu ainda ajudo — ele disse, derrubando Iida novamente com um movimento limpo de judô quando o herói tentou se levantar. — Só não do jeito que vocês querem.
Bakugo foi o último. Ele não se importava mais com a estratégia. Ele queria respostas. Ele queria o amigo de infância de volta, mesmo que tivesse que espancá-lo para isso.
— VOLTA, DEKU! — ele rugiu, lançando uma explosão massiva.
Izuku atravessou a fumaça. Ele apareceu na frente de Bakugo, perto demais para que o outro pudesse reagir com outra explosão sem se ferir.
— Eu nunca fui salvo, Kacchan — Izuku sussurrou, a centímetros do rosto de Bakugo.
O loiro congelou. O apelido, dito com aquela voz desprovida de rancor, mas cheia de uma verdade absoluta, o atingiu mais forte do que qualquer golpe físico.
— Só parei de esperar.
O golpe veio rápido. Um impacto preciso no plexo solar que tirou todo o ar dos pulmões de Bakugo. O herói caiu, os olhos arregalados, lutando para respirar, enquanto via a silhueta de Izuku se afastar.
O silêncio voltou a reinar, pesado e sufocante. A 1-A estava no chão. Não por estarem gravemente feridos — Izuku tinha sido cirúrgico em não causar danos permanentes —, mas por estarem quebrados por dentro.
Izuku olhou para todos eles. Por um breve instante, seu olhar vacilou. Suas mãos tremeram levemente ao lado do corpo. Foi um lampejo — pequeno, rápido, humano. O resto da empatia que ele ainda carregava, lutando contra o frio que o habitava agora.
Uraraka, reunindo as últimas forças, estendeu a mão trêmula em direção a ele, rastejando pelo asfalto.
— Você... você ainda pode voltar... a gente te ajuda... a gente conserta isso...
Ele hesitou.
O mundo pareceu parar. Shigaraki observava com um interesse clínico. Bakugo tentava falar, mas apenas sons desconexos saíam de sua garganta.
Izuku fechou os olhos. Quando os abriu, a hesitação tinha sido enterrada sob camadas de concreto imaginário. Ele virou o rosto, negando o toque dela.
— Eu não sou o inimigo — disse ele, dando as costas e começando a caminhar em direção ao portal de névoa negra que Kurogiri começava a abrir.
Ele parou por um instante, sem olhar para trás.
— Eu sou o resultado.
A Liga dos Vilões recuou para dentro da escuridão. Izuku Midoriya foi o último a entrar. Ele não olhou para trás uma única vez.
Dessa vez, ninguém correu atrás.
Não porque não quisessem, ou porque não tivessem forças. Mas porque, no fundo de suas almas, todos sabiam exatamente quando tinham perdido ele. E não foi naquele dia, no meio da batalha.
Foi dois anos atrás, quando um garoto de cabelos verdes ficou deitado no chão frio, esperando por mãos que nunca chegaram, até que ele mesmo decidiu se levantar e caminhar para a escuridão.
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