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AMOR IMPOSSIVEL

Фандом: Harry Potter

Создан: 01.04.2026

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РомантикаДрамаАнгстHurt/ComfortФлаффФэнтезиСеттинг оригинального произведенияCharacter study
Содержание

O Feitiço do Entardecer

O Salão Comunal da Grifinória estava imerso em um silêncio raro naquela tarde de sábado. A maioria dos alunos aproveitava o sol pálido de outono nos gramados de Hogwarts, mas Rafa permanecia encolhido em uma poltrona perto da lareira, fingindo ler um exemplar de *Animais Fantásticos e Onde Habitam*. Na verdade, seus olhos azuis não focavam nas palavras sobre Pelúcios ou Hipogrifos; eles seguiam cada movimento de Luiz, que estava do outro lado da sala, rindo com um grupo de amigos enquanto polia sua vassoura de Quadribol.

Rafa era pequeno para sua idade, com fios de cabelo loiro que pareciam brilhar sob a luz das velas e um rosto de traços delicados que muitos confundiam com uma beleza feminina. Ele sempre se sentiu um pouco deslocado entre os rapazes barulhentos da torre, preferindo a companhia das criaturas da Floresta Proibida ou o silêncio da biblioteca. Mas Luiz... Luiz era o oposto. Alto, com ombros largos e cabelos cacheados que teimavam em cair sobre os olhos, ele exalava a energia de um autêntico "hétero top" do mundo bruxo. Luiz falava de táticas de jogo, de garotas da Corvinal e de como pretendia se tornar um Auror.

Para Rafa, Luiz era o sol. E, como qualquer um que olha diretamente para o sol por muito tempo, Rafa estava começando a se queimar com aquele sentimento guardado.

— Você vai acabar furando o livro com os olhos, Rafa — disse Luiz, aproximando-se com um sorriso convencido, jogando o pano de limpeza sobre o ombro. — O que tem de tão interessante aí? Algum bicho novo que morde?

Rafa sentiu o rosto esquentar instantaneamente.

— Só... uma pesquisa para a aula do Hagrid — mentiu o loiro, fechando o livro depressa.

Luiz sentou-se no braço da poltrona de Rafa, a proximidade fazendo o coração do menor disparar. O cheiro de Luiz era uma mistura de grama cortada, polidor de vassoura e algo quente, como canela.

— Você anda muito quieto, loirinho. Quase não te vi no treino hoje. Estava ocupado cuidando dos testrálios de novo?

— Eles precisam de atenção, Luiz. Ninguém mais parece se importar com eles — respondeu Rafa, tentando manter a voz firme.

Luiz riu, um som grave e vibrante que ecoou no peito de Rafa.

— Você é bom demais para esse mundo, sabia? Sempre cuidando de quem ninguém vê.

Foi aquele comentário, aquela pequena faísca de reconhecimento, que quebrou a barragem nos sentimentos de Rafa. Ele não aguentava mais as conversas superficiais, os tapinhas nas costas e a dor de ver Luiz flertando com cada menina que passava pelo corredor.

— Luiz, eu preciso te contar uma coisa. A sós.

O tom de voz de Rafa mudou, perdendo a timidez habitual para assumir uma urgência que fez Luiz franzir a testa, confuso.

— Claro, cara. O que foi? Algum problema com as notas?

— Não aqui — sussurrou Rafa, levantando-se. — Me encontra na Sala Precisa em dez minutos. Por favor.

Sem esperar resposta, o garoto loiro saiu quase correndo pelo buraco do retrato da Mulher Gorda. Luiz ficou para trás, piscando, sem entender a gravidade da situação, mas a curiosidade — e uma estranha pontada de preocupação — o fez seguir o amigo.

Quando Luiz entrou na Sala Precisa, encontrou um ambiente confortável, iluminado por lanternas flutuantes e repleto de almofadas macias. Rafa estava de pé no centro, as mãos tremendo levemente.

— Tudo bem, Rafa. Você está me assustando. O que aconteceu? — Luiz perguntou, cruzando os braços fortes sobre o peito, a postura ainda carregada daquela confiança masculina que o caracterizava.

Rafa respirou fundo, fechando os olhos por um segundo.

— Eu não sei como dizer isso sem estragar tudo, mas não consigo mais guardar — começou Rafa, a voz trêmula. — Eu vejo você o tempo todo, Luiz. Vejo como você cuida dos seus amigos, como você se esforça no Quadribol... e vejo como você nunca olhou para mim do jeito que eu olho para você.

Luiz descruzou os braços, a expressão de confusão se transformando em choque à medida que as palavras de Rafa ganhavam peso.

— Rafa... do que você está falando?

— Eu sou apaixonado por você — disparou Rafa, as lágrimas começando a embaçar sua visão. — E eu sei que você é hétero, eu sei que você gosta de garotas e que eu sou só o "loirinho" que gosta de animais. Mas dói demais fingir que eu não sinto nada quando você chega perto.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Luiz abriu a boca, mas as palavras pareciam ter fugido de sua mente. Ele, o cara que sempre tinha uma resposta rápida, o batedor que não temia balaços, estava paralisado.

— Rafa, eu... eu não sou assim. Você sabe disso — Luiz finalmente conseguiu dizer, a voz saindo mais rouca do que o pretendido. — Você é meu melhor amigo, cara. Mas eu não... eu não sinto essas coisas por caras.

— Eu sei — sussurrou Rafa, dando um passo à frente. — Mas eu precisava que você soubesse.

Antes que Luiz pudesse recuar ou processar o que estava acontecendo, Rafa se aproximou e, em um ato de coragem desesperada, envolveu o pescoço de Luiz e o beijou.

Foi um beijo breve, carregado de uma vida inteira de anseio. Os lábios de Rafa eram macios, e Luiz sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha, algo que ele nunca havia sentido com nenhuma das garotas que já beijara. Por um breve segundo, Luiz não se afastou; seus sentidos entraram em curto-circuito.

Quando Rafa se afastou, o rosto estava vermelho e molhado de lágrimas.

— Desculpa — disse Rafa, a voz falhando. — Eu precisava saber.

Rafa saiu correndo da sala, deixando Luiz estático, tocando os próprios lábios com os dedos trêmulos. O mundo de Luiz, tão rigidamente construído sobre certezas e rótulos, acabara de sofrer um abalo sísmico.

Nas semanas seguintes, o clima entre os dois tornou-se insuportável. Rafa evitava Luiz a todo custo, escondendo-se no biotopo de Newt Scamander ou passando horas no Corujal. Luiz, por sua vez, tentou voltar à sua rotina. Tentou sair com uma artilheira da Lufa-Lufa, mas, durante o encontro no Três Vassouras, ele se pegou comparando o perfume da garota com o cheiro de ervas e natureza que Rafa exalava. E, pior, ele não conseguia parar de pensar naquele beijo. O choque inicial dera lugar a uma curiosidade persistente e, eventualmente, a uma percepção dolorosa: o que ele sentia por Rafa nunca fora apenas amizade. Ele apenas fora condicionado a acreditar que não poderia ser nada mais.

Luiz percebeu que sua "heterossexualidade inabalável" era, na verdade, uma armadura que ele usava para se encaixar. E Rafa, com sua coragem e sua doçura, tinha encontrado a fresta exata para derrubá-la.

O outono avançou, tingindo as árvores de Hogwarts com tons de cobre e ouro. Luiz sabia que não podia mais fugir. Ele precisava falar com Rafa, mas não em um corredor apressado ou na agitação do Salão Comunal.

Ele enviou uma pequena coruja de papel para Rafa durante a aula de Poções. A mensagem era simples: *"Me encontre na Colina do Entardecer, atrás da cabana do Hagrid, às 17h. Por favor, não falte."*

Rafa hesitou. Seu coração ainda estava ferido, e a vergonha do que fizera na Sala Precisa ainda o assombrava. Mas ele foi.

A colina era alta e oferecia uma visão privilegiada do Lago Negro e do castelo. O sol estava começando a descer, pintando o céu com pinceladas de rosa, laranja e violeta. O vento soprava frio, e Rafa apertou seu cachecol da Grifinória ao redor do pescoço.

Luiz já estava lá. Ele não usava o uniforme, mas sim uma blusa de lã pesada que o deixava ainda mais imponente. Quando viu Rafa se aproximar, ele se levantou da grama, as mãos enterradas nos bolsos da calça.

— Você veio — disse Luiz, a voz carregada de alívio.

— Eu quase não vim — admitiu Rafa, mantendo uma distância segura. — O que você quer, Luiz? Se for para dizer que não podemos ser amigos, eu já entendi.

Luiz balançou a cabeça, os cachos balançando com o movimento. Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância.

— Não é isso. Nem de longe é isso.

— Então o quê? — perguntou Rafa, os olhos começando a brilhar com lágrimas contidas.

Luiz suspirou, olhando para o horizonte por um momento antes de encarar Rafa diretamente.

— Eu passei as últimas semanas tentando me convencer de que aquele beijo foi um erro. Tentando me convencer de que eu era o cara que todo mundo esperava que eu fosse. O atleta, o pegador, o cara que só gosta de meninas.

Rafa permaneceu em silêncio, o coração batendo tão forte que ele tinha certeza de que Luiz podia ouvir.

— Mas a verdade — continuou Luiz, a voz falhando levemente — é que eu nunca me senti tão vivo quanto naquele momento na Sala Precisa. Eu fiquei assustado, Rafa. Assustado porque você derrubou todas as minhas defesas sem usar uma varinha.

Luiz aproximou-se mais, até que estivessem a apenas alguns centímetros de distância. Ele era muito mais alto, obrigando Rafa a olhar para cima.

— Eu não sou o cara que eu achava que era — disse Luiz, estendendo a mão para tocar suavemente o rosto de Rafa. — E eu não quero ser aquele cara se isso significar não ter você por perto.

Rafa soltou um soluço baixo, a esperança começando a florescer em seu peito.

— O que você está dizendo, Luiz?

— Estou dizendo que eu fui um idiota por demorar tanto para notar o que estava na minha frente — Luiz sorriu, um sorriso genuíno e doce que Rafa raramente via. — Estou dizendo que eu não quero ser apenas seu amigo. Se você ainda me quiser... depois de eu ter sido tão devagar.

Rafa não respondeu com palavras. Ele se jogou nos braços de Luiz, escondendo o rosto no peito largo do maior. Luiz o envolveu em um abraço protetor, sentindo a fragilidade e a força de Rafa ao mesmo tempo.

— Eu sempre vou te querer, seu bobo — murmurou Rafa contra o tecido da blusa de Luiz.

Luiz afastou o rosto de Rafa apenas o suficiente para olhar em seus olhos. Sob a luz dourada do pôr do sol, os traços de Rafa pareciam angelicais.

— Posso? — perguntou Luiz, a voz baixa e carregada de uma nova ternura.

Rafa assentiu, fechando os olhos.

Desta vez, foi Luiz quem iniciou o beijo. Não foi um gesto de desespero, mas uma promessa. Foi um beijo lento, exploratório, onde Luiz permitiu-se sentir cada sensação que antes tentara reprimir. O gosto de Rafa, o calor de seu corpo pequeno contra o seu, a maneira como as mãos de Rafa se perderam em seus cachos.

Ali, no topo daquela colina, com o castelo de Hogwarts servindo de testemunha silenciosa, as etiquetas de "hétero top" e "garoto dos animais" desapareceram. Restavam apenas dois jovens descobrindo que o amor, assim como a magia, não segue regras e não pode ser contido por expectativas alheias.

— Você sabe que o pessoal vai falar, né? — comentou Rafa minutos depois, ainda abraçado a Luiz enquanto observavam os últimos raios de sol sumirem no horizonte. — O grande batedor da Grifinória namorando o loirinho da reserva.

Luiz riu, beijando o topo da cabeça de Rafa.

— Deixe que falem. Eles não têm ideia do que estão perdendo. Além disso... — Luiz deu um sorriso malicioso — se alguém falar demais, eu ainda sou muito bom em lançar balaços. Só que agora, eu tenho um motivo muito melhor para proteger.

Rafa sorriu, sentindo-se, pela primeira vez em muito tempo, completamente em casa. O sol havia se posto, mas para eles, um novo dia estava apenas começando. Eles desceram a colina de mãos dadas, as silhuetas fundindo-se na penumbra, prontos para enfrentar o que quer que o mundo bruxo reservasse para eles, contanto que estivessem juntos.
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