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Фандом: Maze Runner

Создан: 06.04.2026

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Entre Cicatrizes e Mentiras

O cheiro de mofo, ferrugem e decadência era a única coisa que preenchia os corredores daquele complexo improvisado que Jorge chamava de lar. Para Angel, aquele lugar representava a liberdade que lhe custara caro, mas que valia cada gota de suor e sangue. Ela sentia o peso da pinça metálica em sua mão direita, o foco total voltado para o ferimento no braço de Jorge.

— Se você reclamar mais uma vez, eu vou deixar a bala aí dentro e deixar você virar um Crânck por pura teimosia — Angel disse, o tom de voz carregado de um sarcasmo afiado que era sua marca registrada.

Jorge soltou uma risada rouca, embora o rosto estivesse contorcido de dor.

— Você é adorável, pequena. Já te disseram isso hoje?

— Várias vezes. Geralmente antes de eu dar um soco na cara de alguém — ela retrucou, finalmente sentindo o metal encontrar a resistência do projétil.

Com um movimento preciso e firme, Angel puxou a bala deformada. O som do metal caindo em uma bandeja de metal ecoou pela sala ampla, bem no momento em que a porta pesada de ferro foi aberta. Brenda entrou, trazendo consigo um grupo de garotos sujos, exaustos e claramente desorientados.

Angel não desviou o olhar imediatamente. Ela mergulhou uma gaze em álcool e pressionou contra o ferimento de Jorge, ignorando o grunhido dele. Só então, com a calma de quem já viu o fim do mundo e sobreviveu para contar a história, ela ergueu os olhos castanhos, emoldurados por cabelos escuros que caíam em ondas perfeitas, apesar da sujeira do Deserto.

Seu coração falhou uma batida.

Ali, no centro do grupo, estava ele. Thomas. O rosto era o mesmo que ela via nos corredores frios da CRUEL anos atrás, embora agora estivesse marcado pela exaustão e pelo sol implacável. Ele parecia mais velho, mais endurecido, mas os olhos ainda carregavam aquela centelha de determinação que a fizera admirá-lo à distância quando ela ainda era apenas a "filha do Jason".

Ao lado dele, estava a razão do seu desprezo imediato: Teresa.

— Jorge, temos visitas — anunciou Brenda, cruzando os braços.

Jorge se ajeitou na cadeira, fazendo sinal para que Angel terminasse o curativo. Ela o fez com rapidez, enrolando a faixa com uma habilidade que denunciava anos de treinamento forçado nos laboratórios de seu pai.

Thomas estava estático. Seus olhos encontraram os de Angel e ele sentiu um choque de reconhecimento que não soube explicar. Ele não se lembrava dela — o Labirinto havia levado suas memórias —, mas havia algo naquela garota, na forma como ela segurava uma faca na cintura e um kit médico na mão, que o deixava fascinado. Ela era linda, de uma forma perigosa e magnética.

— Quem são eles? — Jorge perguntou, sua voz ecoando pela sala cheia de rádios e monitores antigos.

— Fugiram do complexo do Janson — Brenda respondeu.

Ao ouvir o nome do pai, Angel sentiu uma pontada de repulsa subir pela espinha. Ela limpou o sangue das mãos em um pano e caminhou em direção ao grupo, parando a poucos centímetros de Thomas. Ela era menor que ele, mas sua presença parecia preencher o espaço de forma esmagadora.

— Janson... — Angel repetiu a palavra como se fosse um veneno. — O "Homem-Rato" continua tentando ser o herói da humanidade, eu presumo?

Thomas franziu a testa, confuso.

— Você o conhece?

Angel soltou um riso curto e sem humor, seus olhos brilhando com um sarcasmo cortante.

— Infelizmente, o DNA não mente. Aquele homem é um desgraçado, e eu sou a prova viva de que até o lixo pode gerar algo útil.

— Você é filha dele? — Newt perguntou, dando um passo à frente, chocado.

— Não me chame assim se quiser manter seus dentes — ela respondeu, sem sequer olhar para ele, mantendo o foco em Thomas. — Eu sou Angel. E vocês parecem um bando de ratos assustados que acabaram de sair de uma gaiola.

— Nós não somos ratos — Thomas rebateu, embora estivesse hipnotizado pela intensidade do olhar dela.

— É o que todos dizem até sentirem o cheiro do queijo — Angel se aproximou mais um pouco, o perfume de poeira e algo cítrico atingindo Thomas. — Eu conheço você, Thomas.

O garoto arregalou os olhos.

— De onde? Eu não me lembro de nada antes do Labirinto.

— Eu me lembro por nós dois — ela disse, e por um breve momento, a dureza em seu rosto vacilou. — Mas nós conversamos sobre o passado depois. Agora, temos problemas maiores.

Seu olhar então se desviou para Teresa, que permanecia um pouco mais afastada, observando tudo com uma expressão indecifrável. Angel sentiu o gosto amargo da bile na garganta. Ela se lembrava de cada mentira que Teresa lhe contara aos quinze anos. "Thomas me ama", "Thomas e eu temos um caso", "Ele nunca olharia para alguém como você".

— E você — Angel disse, a voz subindo um tom, carregada de hostilidade. — Teresa. Ainda fingindo que é a mártir da ciência?

Teresa piscou, confusa.

— Eu... eu não sei quem você é. Eu perdi minhas memórias, assim como os outros.

Angel deu um passo em direção a ela, a mão instintivamente repousando no cabo da arma em seu coldre.

— Pode enganar o Thomas com essa cara de santa, mas eu conheço o brilho nos seus olhos, Teresa. Você sempre foi a favorita do meu pai. A garotinha prodígio que faria qualquer coisa "pelo bem maior".

— Angel, chega — Jorge interveio, levantando-se e colocando a mão no ombro da garota. — Precisamos saber o que eles sabem. Se eles fugiram do Janson, ele vai vir atrás deles. E se ele vier atrás deles, ele te encontra.

Angel respirou fundo, tentando controlar a raiva que sempre borbulhava quando Teresa estava por perto. Ela olhou para Thomas novamente e viu a confusão e a proteção que ele emanava em relação à outra garota. Aquilo doeu mais do que ela gostaria de admitir.

— Ele já está vindo — Thomas disse, recuperando a voz. — Eles têm naves, armas... eles não vão parar.

— É claro que não vão — Angel disse, voltando ao seu tom sarcástico. — Meu pai é um colecionador. Ele odeia perder os brinquedos dele. Especialmente o brinquedo favorito.

Ela apontou para Thomas.

— Por que você está nos ajudando? — Thomas perguntou, intrigado pela mistura de ódio e determinação que emanava dela.

Angel deu de ombros, caminhando até uma mesa e pegando um fuzil para verificar a munição.

— Porque eu odeio a CRUEL mais do que odeio a ideia de morrer neste deserto. E porque, por algum motivo estúpido, eu ainda acho que você vale o esforço, Thomas. Mesmo que seu gosto para companhia seja deplorável.

Thomas sentiu o rosto esquentar, uma reação que ele não conseguia controlar. Havia algo na determinação de Angel, na forma como ela manuseava a arma com uma eficiência letal, que o atraía de uma maneira que Teresa jamais conseguira. Ela era real. Ela era fogo em um mundo de cinzas.

— O que fazemos agora? — perguntou Caçarola, quebrando o silêncio tenso.

— Agora — Angel disse, travando a arma com um estalo seco —, vocês vão tomar um banho, comer o que sobrar das rações e rezar para que as tempestades de areia atrasem os helicópteros do meu pai. Porque se eles chegarem antes de sairmos daqui, eu não vou hesitar em atirar.

Ela começou a caminhar em direção à saída da sala, mas parou ao lado de Thomas, falando baixo o suficiente para que apenas ele ouvisse:

— Ela está mentindo para você, Thomas. Ela se lembra de mais do que diz. Não confie nela, ou você vai acabar de volta em uma maca de laboratório antes do amanhecer.

Antes que ele pudesse responder, ela se afastou, deixando para trás um rastro de mistério e a sensação de que o verdadeiro jogo estava apenas começando. Thomas a observou partir, sentindo que, pela primeira vez desde que saíra da Caixa, encontrara alguém que realmente sabia quem ele era — e que estava disposta a queimar o mundo para mantê-lo livre.

— Ela é... intensa — comentou Newt, aproximando-se de Thomas.

— Ela é necessária — Thomas corrigiu, sem conseguir desviar o olhar da porta por onde Angel passara.

Enquanto isso, Teresa permanecia em silêncio, o olhar fixo no chão, mas Angel sabia. No fundo de sua mente treinada para a sobrevivência, Angel tinha certeza de que a presença de Teresa ali era uma bomba-relógio. E ela pretendia estar segurando o detonador quando tudo explodisse.

Angel subiu até o terraço do prédio, onde o vento do Deserto soprava forte, agitando seus cabelos. Ela olhou para o horizonte vasto e alaranjado. Ela fugira da CRUEL para nunca mais voltar, mas agora, com Thomas ali, o passado e o presente colidiam de uma forma que ela não podia ignorar.

— Você não vai tê-lo de novo, pai — ela sussurrou para o vento. — E você não vai usá-lo, Teresa. Nem que eu tenha que derrubar cada parede daquela maldita base com as minhas próprias mãos.

A determinação em seu rosto era absoluta. Angel não era mais a menina de quinze anos que observava Thomas pelos vidros fumês dos laboratórios. Ela era uma sobrevivente. Uma guerreira. E ela estava pronta para a guerra que estava por vir.
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