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Entre provocações e palavras não ditas.
Фандом: História original
Создан: 09.04.2026
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РомантикаПовседневностьФлаффЗанавесочная историяCharacter studyРеализм
Entre Piercings e Batidas no Peito
O som metálico dos tiros virtuais na televisão mal conseguia competir com o caos instaurado na sala de estar. Zake apertava os botões do controle com uma intensidade quase agressiva, tentando ignorar o fato de que Amber, sua irmã caçula de sete anos, estava basicamente usando suas pernas como trampolim enquanto pulava no sofá.
— Zake, me deixa jogar! Você prometeu que ia ser minha vez depois dessa partida! — Kalia protestou, cruzando os braços e fazendo aquele biquinho que sempre funcionava com o pai, mas que só irritava o irmão mais velho.
— Eu disse que seria sua vez se eu perdesse, Kalia. E eu ainda estou vivo — Zake respondeu, a voz grave e rouca saindo entre os dentes. O brilho da tela refletia nos seus *snake bites* e no piercing da sobrancelha, dando a ele aquela aura de "metaleiro durão" que ele cultivava com tanto esmero.
— Você é um chato! Eu vou contar pra mãe que você está sendo egoísta! — Kalia bufou, jogando-se na poltrona ao lado.
— Conta. Ela está ocupada demais rindo das piadas ruins do pai na cozinha — ele retrucou, embora seus olhos castanhos tivessem suavizado por um breve segundo ao mencionar os pais.
Agatha e Breno estavam, de fato, em perfeita sintonia na cozinha. O cheiro de alho frito e carne assada começava a invadir a sala, misturando-se ao som das risadas abafadas dos dois. Zake sabia que, se olhasse para a fresta da porta, veria o pai abraçando a mãe pela cintura enquanto ela mexia alguma panela. Era o tipo de ambiente que Zake amava, mas que sua pose de "cara malvado" não o deixava admitir em voz alta.
Amber deu um salto mais alto, caindo bem em cima do estômago de Zake.
— Ai! Amber, pelo amor de Deus, sossega! — Ele grunhiu, perdendo o foco no jogo e vendo seu personagem ser obliterado na tela.
— Perdeu! Minha vez! — Kalia gritou, avançando para o controle.
Antes que Zake pudesse protestar ou que Kalia pudesse agarrar o joystick, três batidas rítmicas e familiares ecoaram na porta da frente. O coração de Zake deu um solavanco tão violento que ele sentiu o piercing no mamilo — aquele que ninguém sabia que existia — pinicar contra o tecido da camiseta preta larga.
Ele conhecia aquele jeito de bater.
— Eu atendo! — Zake disse rápido demais, levantando-se com uma agilidade que não condizia com sua estrutura física robusta.
— Ih, olha a pressa — Kalia zombou, já pegando o controle. — Deve ser o namoradinho.
Zake lançou um olhar mortal para a irmã, mas suas bochechas o traíram, esquentando instantaneamente. Ele caminhou até a porta, ajeitando as dreads longas para trás dos ombros e tentando recuperar sua expressão de indiferença. Quando abriu a porta, o ar pareceu fugir de seus pulmões.
Lá estava Kaio.
O garoto tinha aquele sorriso de lado que parecia iluminar a rua inteira, mesmo no crepúsculo. O cabelo loiro, com a raiz castanha começando a aparecer, estava bagunçado pelo vento. Suas sardas pareciam constelações espalhadas pelo nariz e bochechas, e os olhos esverdeados brilhavam com uma malícia divertida.
— E aí, grandão? Vai me deixar entrar ou vai ficar aí me secando na porta? — Kaio perguntou, a voz carregada de provocação.
Zake engoliu em seco, sentindo-se pequeno apesar de ser cinco centímetros mais alto e consideravelmente mais largo que o amigo.
— Entra logo, idiota — Zake resmungou, dando passagem. — O que você está fazendo aqui a essa hora?
— Minha casa estava um saco, você sabe — Kaio deu de ombros, entrando com a familiaridade de quem já se considerava parte da mobília. Ele jogou a mochila no canto e foi direto para o sofá. — E aí, pestinhas! Sentiram minha falta?
— Kaio! — Amber gritou, abandonando o sofá para se pendurar nas pernas dele. — Você veio brincar de boneca comigo?
— Só se eu puder ser o vilão que explode o castelo — Kaio riu, bagunçando o cabelo da menina.
Kalia, que costumava ser insuportável com Zake, abriu um sorriso enorme para o recém-chegado.
— Oi, Kaio! O Zake estava sendo um chato, ainda bem que você chegou.
Zake fechou a porta e ficou ali parado por um momento, observando como Kaio simplesmente dominava o ambiente. Era fascinante e aterrorizante ao mesmo tempo. Ele se lembrava vividamente do dia em que Kaio, em um momento de vulnerabilidade rara, contou que era um garoto trans. Zake esperava que aquilo mudasse algo em seus sentimentos, mas a única coisa que mudou foi o tamanho do seu respeito e o peso do seu segredo. Ele continuava perdidamente apaixonado por cada detalhe de Kaio.
— Zake, para de babar e vem aqui — Kaio chamou, batendo no lugar vazio ao seu lado no sofá. — Eu quero jogar também.
Zake caminhou até lá, sentando-se com uma rigidez que o fazia parecer uma estátua de metal. Kaio, por outro lado, se esparramou, encostando o ombro no braço de Zake. O contato físico, embora casual para Kaio, era como um choque elétrico para o moreno.
— Você está tenso, Zake. Relaxa — Kaio sussurrou, aproximando o rosto do ouvido dele. — Ou será que é só porque eu cheguei?
— Cala a boca, Kaio — Zake respondeu, embora sua voz tenha saído sem autoridade nenhuma. Ele sentiu o piercing na língua bater contra os dentes enquanto tentava formular uma frase coerente.
Nesse momento, Agatha apareceu na porta da cozinha, limpando as mãos no avental.
— Kaio, querido! Que bom que você veio. Já ia pedir pro Breno colocar mais um prato na mesa. Você fica para jantar, não fica?
— Com certeza, dona Agatha! A senhora sabe que eu não perco sua comida por nada nesse mundo — Kaio respondeu com seu charme habitual.
Breno apareceu logo atrás da esposa, com uma espátula na mão e um sorriso cúmplice no rosto. Ele olhou para Zake, depois para Kaio, e depois trocou um olhar rápido com Agatha.
— É, Zake... parece que a sua sorte chegou — Breno comentou, piscando para o filho.
Zake sentiu o rosto queimar. Ele sabia exatamente o que aquele olhar significava. Seus pais não eram discretos sobre o que achavam daquela "amizade".
— Pai, volta pra cozinha — Zake pediu, quase em um lamento.
— Já estamos voltando. O jantar sai em dez minutos — Agatha disse, dando uma risadinha. — Comportem-se, meninos.
Quando os pais voltaram para a cozinha, Kaio se virou para Zake, apoiando o queixo na mão e observando-o com intensidade.
— O que seu pai quis dizer com "sua sorte chegou"? — Kaio perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Nada. Ele é velho e fala coisas sem sentido — Zake mentiu, tentando focar na tela da TV, onde Kalia agora jogava freneticamente.
— Sei... — Kaio se aproximou um pouco mais. — Sabe, Zake, você fica muito fofo quando está com vergonha. Suas orelhas ficam vermelhas, sabia? Combina com o preto das suas roupas.
Zake sentiu o coração martelar contra as costelas. Ele queria dizer algo inteligente, algo que mostrasse que ele não era apenas um "garoto de dreads" que derretia sob o olhar de Kaio, mas as palavras pareciam presas na sua garganta.
— Você é muito idiota — foi tudo o que ele conseguiu dizer.
— E você gosta — Kaio rebateu, rindo e dando um empurrãozinho leve no ombro dele.
Kaio se levantou por um momento para tirar o casaco. Ao fazer isso, a camiseta branca de algodão que ele usava por baixo ficou levemente esticada. Zake, que era observador por natureza, notou o contorno sutil das fitas sob o tecido, protegendo e comprimindo o peito de Kaio. Aquela visão trouxe um aperto de carinho no peito de Zake. Ele sabia que, às vezes, o uso das fitas incomodava ou deixava a pele de Kaio irritada, e ele sempre sentia uma vontade imensa de cuidar dele, de cozinhar algo especial ou apenas de oferecer um abraço longo.
Mas, como sempre, o medo da rejeição falava mais alto.
— O que foi? — Kaio perguntou, percebendo o olhar de Zake. — Tem alguma coisa na minha cara?
— Não... — Zake desviou o olhar rapidamente. — Só estava pensando que você pintou o cabelo de novo. A raiz está aparecendo.
— Ah, isso? É o charme do desleixo — Kaio sentou-se novamente, desta vez mais perto ainda. — Mas se você quiser, pode pintar pra mim depois do jantar. O que acha?
Zake olhou para ele. A ideia de passar as mãos pelo cabelo de Kaio, de estar perto o suficiente para sentir o cheiro do seu perfume, era tentadora e torturante.
— Posso pensar no seu caso — Zake disse, tentando manter a pose de durão.
— Ah, qual é! Eu sei que você adora cuidar de mim — Kaio provocou, baixando a voz para que as irmãs não ouvissem. — Você tem esse jeito de metaleiro mau, mas por dentro é um gatinho que gosta de carinho, não é?
Zake sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele olhou para Kaio, e por um segundo, a máscara de indiferença caiu. Seus olhos castanhos encontraram os verdes de Kaio com uma vulnerabilidade que ele raramente mostrava.
— Você não tem ideia de nada, Kaio — Zake sussurrou.
Kaio pareceu surpreso com a seriedade na voz do amigo. Ele abriu a boca para responder, mas foi interrompido pelo grito de Breno vindo da cozinha.
— Jantar na mesa! Venham logo antes que a comida esfrie e eu coma tudo sozinho!
Kalia e Amber saíram correndo em direção à sala de jantar, deixando os dois rapazes sozinhos por um breve momento. Kaio se levantou, mas parou na frente de Zake, estendendo a mão para ajudá-lo a levantar.
— Depois do jantar, a gente termina essa conversa — Kaio disse, com um brilho diferente nos olhos. — Sem as crianças por perto.
Zake aceitou a mão de Kaio, sentindo a firmeza e o calor da palma dele contra a sua. Ele se levantou, ficando cara a cara com o garoto loiro. A diferença de altura era pequena, mas a tensão entre eles era enorme.
— Tudo bem — Zake concordou, a voz quase um sussurro.
Eles caminharam para a sala de jantar, onde Agatha e Breno já estavam servindo os pratos. O clima era de alegria doméstica, com as meninas brigando por quem ia sentar ao lado de Kaio e os pais trocando olhares significativos.
Zake sentou-se de frente para Kaio, tentando se concentrar na comida, mas seu olhar sempre voltava para o garoto à sua frente. Ele viu como Kaio interagia com sua família, como ele fazia Agatha rir com uma história sobre a escola e como ele discutia futebol com Breno. Kaio pertencia àquele lugar tanto quanto Zake.
Enquanto Zake cortava a carne, ele sentiu algo tocar seu pé debaixo da mesa. Ele olhou para cima e viu Kaio com um sorriso travesso, mastigando calmamente enquanto mantinha o contato visual. O pé de Kaio começou a subir levemente pela canela de Zake, um gesto escondido de todos os outros, mas que fazia o mundo de Zake girar.
Agatha limpou a garganta, claramente percebendo que algo estava acontecendo, embora não soubesse exatamente o quê.
— Então, Kaio — ela começou, com um tom de voz doce. — Você vai dormir aqui hoje? Sabe que o quarto do Zake sempre tem espaço.
Zake quase se engasgou com o suco. Breno deu uma risadinha abafada atrás do copo de água.
— Se não for incomodar, dona Agatha, eu adoraria — Kaio respondeu, sem desviar o olhar de Zake. — Eu e o Zake temos... alguns assuntos para resolver.
Zake sentiu que sua pose de durão estava oficialmente morta e enterrada. Ele era apenas um adolescente apaixonado, com o coração batendo forte contra os piercings e uma vontade desesperada de que o jantar acabasse logo para que pudesse, finalmente, estar a sós com o garoto que era seu melhor amigo e seu maior tormento.
— Ótimo — Breno disse, levantando-se para pegar mais uma travessa. — Mas nada de ficarem acordados até tarde jogando vídeo game. Eu conheço vocês.
— Pode deixar, seu Breno — Kaio sorriu, e desta vez o sorriso tinha algo de terno. — A gente vai se comportar. Ou quase isso.
Zake baixou a cabeça, escondendo o sorriso que teimava em aparecer. Ele sabia que a noite seria longa, e que seu coração provavelmente não sairia ileso daquela visita. Mas, olhando para Kaio, ele percebeu que não queria estar em nenhum outro lugar do mundo.
— Zake, me deixa jogar! Você prometeu que ia ser minha vez depois dessa partida! — Kalia protestou, cruzando os braços e fazendo aquele biquinho que sempre funcionava com o pai, mas que só irritava o irmão mais velho.
— Eu disse que seria sua vez se eu perdesse, Kalia. E eu ainda estou vivo — Zake respondeu, a voz grave e rouca saindo entre os dentes. O brilho da tela refletia nos seus *snake bites* e no piercing da sobrancelha, dando a ele aquela aura de "metaleiro durão" que ele cultivava com tanto esmero.
— Você é um chato! Eu vou contar pra mãe que você está sendo egoísta! — Kalia bufou, jogando-se na poltrona ao lado.
— Conta. Ela está ocupada demais rindo das piadas ruins do pai na cozinha — ele retrucou, embora seus olhos castanhos tivessem suavizado por um breve segundo ao mencionar os pais.
Agatha e Breno estavam, de fato, em perfeita sintonia na cozinha. O cheiro de alho frito e carne assada começava a invadir a sala, misturando-se ao som das risadas abafadas dos dois. Zake sabia que, se olhasse para a fresta da porta, veria o pai abraçando a mãe pela cintura enquanto ela mexia alguma panela. Era o tipo de ambiente que Zake amava, mas que sua pose de "cara malvado" não o deixava admitir em voz alta.
Amber deu um salto mais alto, caindo bem em cima do estômago de Zake.
— Ai! Amber, pelo amor de Deus, sossega! — Ele grunhiu, perdendo o foco no jogo e vendo seu personagem ser obliterado na tela.
— Perdeu! Minha vez! — Kalia gritou, avançando para o controle.
Antes que Zake pudesse protestar ou que Kalia pudesse agarrar o joystick, três batidas rítmicas e familiares ecoaram na porta da frente. O coração de Zake deu um solavanco tão violento que ele sentiu o piercing no mamilo — aquele que ninguém sabia que existia — pinicar contra o tecido da camiseta preta larga.
Ele conhecia aquele jeito de bater.
— Eu atendo! — Zake disse rápido demais, levantando-se com uma agilidade que não condizia com sua estrutura física robusta.
— Ih, olha a pressa — Kalia zombou, já pegando o controle. — Deve ser o namoradinho.
Zake lançou um olhar mortal para a irmã, mas suas bochechas o traíram, esquentando instantaneamente. Ele caminhou até a porta, ajeitando as dreads longas para trás dos ombros e tentando recuperar sua expressão de indiferença. Quando abriu a porta, o ar pareceu fugir de seus pulmões.
Lá estava Kaio.
O garoto tinha aquele sorriso de lado que parecia iluminar a rua inteira, mesmo no crepúsculo. O cabelo loiro, com a raiz castanha começando a aparecer, estava bagunçado pelo vento. Suas sardas pareciam constelações espalhadas pelo nariz e bochechas, e os olhos esverdeados brilhavam com uma malícia divertida.
— E aí, grandão? Vai me deixar entrar ou vai ficar aí me secando na porta? — Kaio perguntou, a voz carregada de provocação.
Zake engoliu em seco, sentindo-se pequeno apesar de ser cinco centímetros mais alto e consideravelmente mais largo que o amigo.
— Entra logo, idiota — Zake resmungou, dando passagem. — O que você está fazendo aqui a essa hora?
— Minha casa estava um saco, você sabe — Kaio deu de ombros, entrando com a familiaridade de quem já se considerava parte da mobília. Ele jogou a mochila no canto e foi direto para o sofá. — E aí, pestinhas! Sentiram minha falta?
— Kaio! — Amber gritou, abandonando o sofá para se pendurar nas pernas dele. — Você veio brincar de boneca comigo?
— Só se eu puder ser o vilão que explode o castelo — Kaio riu, bagunçando o cabelo da menina.
Kalia, que costumava ser insuportável com Zake, abriu um sorriso enorme para o recém-chegado.
— Oi, Kaio! O Zake estava sendo um chato, ainda bem que você chegou.
Zake fechou a porta e ficou ali parado por um momento, observando como Kaio simplesmente dominava o ambiente. Era fascinante e aterrorizante ao mesmo tempo. Ele se lembrava vividamente do dia em que Kaio, em um momento de vulnerabilidade rara, contou que era um garoto trans. Zake esperava que aquilo mudasse algo em seus sentimentos, mas a única coisa que mudou foi o tamanho do seu respeito e o peso do seu segredo. Ele continuava perdidamente apaixonado por cada detalhe de Kaio.
— Zake, para de babar e vem aqui — Kaio chamou, batendo no lugar vazio ao seu lado no sofá. — Eu quero jogar também.
Zake caminhou até lá, sentando-se com uma rigidez que o fazia parecer uma estátua de metal. Kaio, por outro lado, se esparramou, encostando o ombro no braço de Zake. O contato físico, embora casual para Kaio, era como um choque elétrico para o moreno.
— Você está tenso, Zake. Relaxa — Kaio sussurrou, aproximando o rosto do ouvido dele. — Ou será que é só porque eu cheguei?
— Cala a boca, Kaio — Zake respondeu, embora sua voz tenha saído sem autoridade nenhuma. Ele sentiu o piercing na língua bater contra os dentes enquanto tentava formular uma frase coerente.
Nesse momento, Agatha apareceu na porta da cozinha, limpando as mãos no avental.
— Kaio, querido! Que bom que você veio. Já ia pedir pro Breno colocar mais um prato na mesa. Você fica para jantar, não fica?
— Com certeza, dona Agatha! A senhora sabe que eu não perco sua comida por nada nesse mundo — Kaio respondeu com seu charme habitual.
Breno apareceu logo atrás da esposa, com uma espátula na mão e um sorriso cúmplice no rosto. Ele olhou para Zake, depois para Kaio, e depois trocou um olhar rápido com Agatha.
— É, Zake... parece que a sua sorte chegou — Breno comentou, piscando para o filho.
Zake sentiu o rosto queimar. Ele sabia exatamente o que aquele olhar significava. Seus pais não eram discretos sobre o que achavam daquela "amizade".
— Pai, volta pra cozinha — Zake pediu, quase em um lamento.
— Já estamos voltando. O jantar sai em dez minutos — Agatha disse, dando uma risadinha. — Comportem-se, meninos.
Quando os pais voltaram para a cozinha, Kaio se virou para Zake, apoiando o queixo na mão e observando-o com intensidade.
— O que seu pai quis dizer com "sua sorte chegou"? — Kaio perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Nada. Ele é velho e fala coisas sem sentido — Zake mentiu, tentando focar na tela da TV, onde Kalia agora jogava freneticamente.
— Sei... — Kaio se aproximou um pouco mais. — Sabe, Zake, você fica muito fofo quando está com vergonha. Suas orelhas ficam vermelhas, sabia? Combina com o preto das suas roupas.
Zake sentiu o coração martelar contra as costelas. Ele queria dizer algo inteligente, algo que mostrasse que ele não era apenas um "garoto de dreads" que derretia sob o olhar de Kaio, mas as palavras pareciam presas na sua garganta.
— Você é muito idiota — foi tudo o que ele conseguiu dizer.
— E você gosta — Kaio rebateu, rindo e dando um empurrãozinho leve no ombro dele.
Kaio se levantou por um momento para tirar o casaco. Ao fazer isso, a camiseta branca de algodão que ele usava por baixo ficou levemente esticada. Zake, que era observador por natureza, notou o contorno sutil das fitas sob o tecido, protegendo e comprimindo o peito de Kaio. Aquela visão trouxe um aperto de carinho no peito de Zake. Ele sabia que, às vezes, o uso das fitas incomodava ou deixava a pele de Kaio irritada, e ele sempre sentia uma vontade imensa de cuidar dele, de cozinhar algo especial ou apenas de oferecer um abraço longo.
Mas, como sempre, o medo da rejeição falava mais alto.
— O que foi? — Kaio perguntou, percebendo o olhar de Zake. — Tem alguma coisa na minha cara?
— Não... — Zake desviou o olhar rapidamente. — Só estava pensando que você pintou o cabelo de novo. A raiz está aparecendo.
— Ah, isso? É o charme do desleixo — Kaio sentou-se novamente, desta vez mais perto ainda. — Mas se você quiser, pode pintar pra mim depois do jantar. O que acha?
Zake olhou para ele. A ideia de passar as mãos pelo cabelo de Kaio, de estar perto o suficiente para sentir o cheiro do seu perfume, era tentadora e torturante.
— Posso pensar no seu caso — Zake disse, tentando manter a pose de durão.
— Ah, qual é! Eu sei que você adora cuidar de mim — Kaio provocou, baixando a voz para que as irmãs não ouvissem. — Você tem esse jeito de metaleiro mau, mas por dentro é um gatinho que gosta de carinho, não é?
Zake sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele olhou para Kaio, e por um segundo, a máscara de indiferença caiu. Seus olhos castanhos encontraram os verdes de Kaio com uma vulnerabilidade que ele raramente mostrava.
— Você não tem ideia de nada, Kaio — Zake sussurrou.
Kaio pareceu surpreso com a seriedade na voz do amigo. Ele abriu a boca para responder, mas foi interrompido pelo grito de Breno vindo da cozinha.
— Jantar na mesa! Venham logo antes que a comida esfrie e eu coma tudo sozinho!
Kalia e Amber saíram correndo em direção à sala de jantar, deixando os dois rapazes sozinhos por um breve momento. Kaio se levantou, mas parou na frente de Zake, estendendo a mão para ajudá-lo a levantar.
— Depois do jantar, a gente termina essa conversa — Kaio disse, com um brilho diferente nos olhos. — Sem as crianças por perto.
Zake aceitou a mão de Kaio, sentindo a firmeza e o calor da palma dele contra a sua. Ele se levantou, ficando cara a cara com o garoto loiro. A diferença de altura era pequena, mas a tensão entre eles era enorme.
— Tudo bem — Zake concordou, a voz quase um sussurro.
Eles caminharam para a sala de jantar, onde Agatha e Breno já estavam servindo os pratos. O clima era de alegria doméstica, com as meninas brigando por quem ia sentar ao lado de Kaio e os pais trocando olhares significativos.
Zake sentou-se de frente para Kaio, tentando se concentrar na comida, mas seu olhar sempre voltava para o garoto à sua frente. Ele viu como Kaio interagia com sua família, como ele fazia Agatha rir com uma história sobre a escola e como ele discutia futebol com Breno. Kaio pertencia àquele lugar tanto quanto Zake.
Enquanto Zake cortava a carne, ele sentiu algo tocar seu pé debaixo da mesa. Ele olhou para cima e viu Kaio com um sorriso travesso, mastigando calmamente enquanto mantinha o contato visual. O pé de Kaio começou a subir levemente pela canela de Zake, um gesto escondido de todos os outros, mas que fazia o mundo de Zake girar.
Agatha limpou a garganta, claramente percebendo que algo estava acontecendo, embora não soubesse exatamente o quê.
— Então, Kaio — ela começou, com um tom de voz doce. — Você vai dormir aqui hoje? Sabe que o quarto do Zake sempre tem espaço.
Zake quase se engasgou com o suco. Breno deu uma risadinha abafada atrás do copo de água.
— Se não for incomodar, dona Agatha, eu adoraria — Kaio respondeu, sem desviar o olhar de Zake. — Eu e o Zake temos... alguns assuntos para resolver.
Zake sentiu que sua pose de durão estava oficialmente morta e enterrada. Ele era apenas um adolescente apaixonado, com o coração batendo forte contra os piercings e uma vontade desesperada de que o jantar acabasse logo para que pudesse, finalmente, estar a sós com o garoto que era seu melhor amigo e seu maior tormento.
— Ótimo — Breno disse, levantando-se para pegar mais uma travessa. — Mas nada de ficarem acordados até tarde jogando vídeo game. Eu conheço vocês.
— Pode deixar, seu Breno — Kaio sorriu, e desta vez o sorriso tinha algo de terno. — A gente vai se comportar. Ou quase isso.
Zake baixou a cabeça, escondendo o sorriso que teimava em aparecer. Ele sabia que a noite seria longa, e que seu coração provavelmente não sairia ileso daquela visita. Mas, olhando para Kaio, ele percebeu que não queria estar em nenhum outro lugar do mundo.
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